COMO AGEM OS DONOS DO MUNDO

por Laerte Braga

A existência de governos nacionais, independentes em países da América Latina contraria de forma profunda os interesses imperialistas dos EUA. O fracasso da ALCA (Aliança de Livre Comércio das Américas), uma espécie de camisa de força norte-americana sobre países dessa parte do mundo e costurada entre nós pelo então presidente Clinton e o funcionário da Fundação Ford que respondia pelo departamento Brasil, FHC, fez com que a estratégia para a América Latina fosse mudada.

 

É intolerável para a arrogância e a prepotência dos norte-americanos a presunção de soberania de países como a Venezuela, o Equador, a Bolívia, o Paraguai, Argentina, Brasil, em maior ou menor grau, ou a Nicarágua, Cuba e El Salvador na América Central.

 

A perspectiva de que outros países, Guatemala e Honduras, tomem o mesmo rumo, transforma-se em desafio para a boçalidade dos EUA em relação ao resto do mundo e aos seus interesses.

 

As relações de governos latino-americanos com o governo do Irã traz o estado terrorista de Israel ao conflito, aos confrontos, ao jogo político dos donos.

 

São os povos eleitos, norte-americanos e israelenses, escolhidos por um deus que criaram à imagem e semelhança do terror que praticam em todos os cantos do mundo e hoje adoram em shoppings, bancos, latifúndios e vendem em templos eletrônicos como a rede GLOBO no Brasil e outras tantas semelhantes em várias partes do mundo.

 

Um dos principais aspectos da globalização neoliberal é exatamente possibilitar a elites e a agentes a soldo de interesses desses países, do que representam, assumir o seu papel sem qualquer constrangimento, sejam eles William Bonner no JORNAL NACIONAL, Alexandre Garcia e Miriam Leitão no BOM DIA BRASIL, ou Roberto Michelleti, como líder de um golpe de estado contra o governo legítimo de seu país e que expressava a vontade de seu povo.

 

E expressa essa vontade na resistência.

 

Michelleti já teria caído e Zelaya já teria sido reempossado na presidência de Honduras se de fato o garçom branco que finge ser presidente negro dos EUA governasse alguma coisa além da geladeira ou freezer da Cervejaria Casa Branca.

 

Em Honduras se trava uma batalha decisiva para os países latino-americanos. À mesma medida que é uma luta de resistência contra elites que aqui se chamam tucanos/democratas, lá se chamam Michelleti e outros bestas/feras, é também a percepção que a independência de países como o nosso, a soberania nacional serão mantidas se formos capazes de compreendermos a realidade para além do Big Brother, do Faustão, de Xuxa e outras armas químicas e biológicas que esvaziam cérebros e almas de seres supostamente humanos, mas transformados em robôs.

 

Por isso a lição do povo hondurenho resistindo é um exemplo extraordinário de dignidade. De coragem. De percepção do processo e da História.

 

Mostra a falência das Nações Unidas. O comprometimento das chamadas grandes potências com a farsa democrática.

 

Um país como o Brasil, nessas circunstâncias e nesse momento não pode aceitar um ultimato de um latifundiário corrupto e venal que assumiu o governo escorado em bestas/militares, a mando e a soldo de elites globalizadas e apátridas que se voltam para Washington e Wall Street.

 

Nossas elites econômicas, apátridas e corruptas, montadas num institucional falido, são semelhantes às elites de Honduras. E de qualquer país onde ventos de transformações políticas, econômicas e sociais soprem novas realidades.

 

 

 

Uma nação se constrói com a vontade de seu povo e a vontade do povo Hondurenho é o retorno de Manoel Zelaya ao poder. Não importa quanto o latifúndio, os bancos, as grandes empresas, paguem a Alexandre Garcia, Miriam Leitão, Arnaldo Jabor, FHC, José Serra.

 

Ou do que sejam capazes as bombas fabricadas pelo sionismo terrorista do estado de Israel.

 

 

O governo brasileiro não tem que aceitar imposições da Kátia de Abreu hondurenha, Roberto Michelleti (latifundiária e grande devedora do Banco do Brasil em créditos obtidos para a agricultura usados em campanha eleitoral) e tampouco submeter-se a um Conselho de Segurança controlado por Washington.

 

O Brasil é grande demais para submeter-se a esse tipo de chantagem e pressão.

 

Em Honduras acontece um experimento em torno de golpes de estado para a derrubada de governos populares. É esse o objetivo das bases militares na Colômbia e por isso que apostam em José Serra (como diz Ciro Gomes, “a alma do Serra é mais feia que o rosto”), para um retorno ao esquema de subserviência do governo FHC.

 

E nem é uma luta partidária. É de resistência e sobrevivência da dignidade de um povo, dos povos latino-americanos. Não é fazer um churrasco no sábado e no domingo bebendo a cerveja servida pela Cervejaria Casa Branca.

 

Refugiam-se, golpistas, em um patriotismo canalha. Nós o conhecemos em 1964, quando vivemos aqui o terror de uma ditadura militar.

 

O governo de Cuba promoveu hoje a integração de 12 mil crianças ao processo democrático popular que preside a ilha desde a vitória da revolução de Fidel Castro. É preciso meditar sobre isso, perceber o significado do fato. É diferente, bem diferente de colocar crianças rebolando à frente de um estereótipo de vida, Xuxa, qualquer que seja ela. Ou das receitas da especialista em fauna Ana Maria Braga

 

A vida é bem mais que isso. E o povo de Honduras está mostrando.

 

 

OBAMA TROPEÇA NA RAPOSA E OS TUCANOS NAS OLIMPÍADAS

A equipe do presidente Barack Obama tem reclamado com insistência do procedimento do canal FOX de notícias. O porta-voz da presidência disse a vários jornalistas que Obama tem consciência que quando fala para a FOX fala para um veículo ligado ao partido Republicano. As queixas foram feitas a jornalistas da CNN, uma das principais redes concorrentes da FOX.

A preocupação da equipe presidencial passa pela deturpação das palavras de Obama, ou pela interpretação segundo o viés que a FOX representa. Se Obama disser que é azul, a FOX vai dar uma tonalidade diferente ao azul de Obama e acabar dizendo que é vermelho.

O principal apelo da FOX é o patriotismo. Aquele negócio de acordar, sair até o jardim hastear a bandeira dos EUA e depois então tomar café, ou breakfast em posição de sentido.

Mais ou menos como as declarações de alguns habitantes da cidade de Chicago no dia da escolha da cidade sede dos Jogos Olímpicos em 2016. A maioria lamentou que a cidade pudesse vir a ser escolhida e um dos entrevistados foi direto e objetivo: “essa gente vem de fora para cá, suja a cidade, rouba, emporcalha tudo, não ganhamos nada com isso, não precisamos disso”.

E talvez por isso Chicago tenha sido a primeiro a ser eliminada.

Presidentes como Hugo Chávez (Venezuela), Rafael Corrêa (Equador), Evo Morales (Bolívia), sabem muito bem o que significa esse tipo de comunicação. Chávez chegou a ser deposto e preso por quase quatro dias por conta de um golpe armado por esse tipo de mídia. Gerou um documentário fundamental para que se possa compreender o que significa uma REDE GLOBO: “A revolução não será televisionada”. Toda a mentira do golpe contada em imagens reais e ao final a volta ao poder do presidente.

À época em que não renovou a concessão de um dos principais canais privados da Venezuela por lhe atribuir caráter golpista e disseminador de mentiras foi censurado pelo governo dos EUA. Liberdade de imprensa, “exigiam” os norte-americanos.

Pimenta desde que nos olhos dos outros é uma beleza.

O governador do antigo estado de São Paulo, hoje condado FIESP/DASLU (e com um pé no socialismo através de Paulo Skaf), mostra-se preocupado com a perspectiva de uma vitória da candidata Dilma Roussef no Rio de Janeiro no chamado “efeito Olimpíadas”. Serra corre o risco de ficar sem palanque no Rio, ou seja, sem forças expressivas que apóiem sua candidatura.

É que Fernando Gabeira, paladino da moralidade que financia o site da antiga namorada, hoje companheira com verba pública, candidato favorito do tucano ao governo do Estado do Rio, resolveu desistir. As chances são mínimas e Gabeira vai tentar o Senado. Ele e César Maia. Pobre Rio.

O tamanho de uma eventual vitória de Dilma é que preocupa Serra.

Na avaliação dos tucanos só a GLOBO e os chamados grandes veículos de comunicação não serão suficientes para garantir votação expressiva ao candidato no Rio.

Por mais mentiras que preguem, por mais notícias que deturpem, por mais que William Bonner ache que o telespectador é idiota. Por mais pesquisa que o IBOPE monte e falseie.

bessinha

Da mesma forma que nos EUA Obama estuda meios de neutralizar a ação da FOX, Serra por aqui estuda meios de poder cumprir o papel que lhe foi dado pelos patrões, no caso a Fundação Ford. Faz parte do complexo FOX.

Em jogo o resto que falta vender do País, agora muito mais valioso com a descoberta do petróleo do pré-sal. O trabalho perfeito de Bessinha é uma espécie de organograma do esquema. A águia do “in God we trust”, o “plim plim” e a faixa da turma FIESP/DASLU. O “in God we trust” deles é o mercado, Wall Street.

Há quem diga que Serra cogita desistir se perceber que a coisa não vai ser com garantia plena e absoluta de vitória e tente de novo reeleger-se em São Paulo. O que resta do condado acaba, exceto, lógico, o que for área FIESP/DASLU.

Gabeira vai acabar de tanga, modelo nas passarelas fashions do condado. Lembrando os tempos que viajava para o Uruguai por conta da Shell.

A Conferência Nacional de Comunicação está marcada para dezembro deste ano e pretende discutir o modelo brasileiro. Na Argentina já começaram a refazer esse desenho buscando formas de eliminar o monopólio da “verdade”.

Permitir que o cidadão comum tome conhecimento dos fatos como eles o são e não a partir do que pensa William Bonner ou Alexandre Garcia, pior, Míriam Leitão que matou milhões que não morreram com a gripe suína e de quebra quebrou um monte de empresas brasileiras que não quebraram no afã de aumentar o cacife junto aos patrões.

Eleições não vão mudar a realidade do País. O modelo está falido. Mas qualquer retrocesso nesse campo será sempre retrocesso. E retrocesso é retrocesso.

Redesenhar o modelo de comunicação no Brasil (rádio, tevês, jornais, revistas principalmente) é o desafio maior que as forças populares têm pela frente para romper com essa rede de pastelaria que vende vento todos os dias em função de interesses criminosos e antinacionais que representa.

Um modelo que permita a descoberta da latinidade do Brasil em sua inteireza. Isso passa por colocar fim à concentração de veículos de comunicação em poder de algumas famílias e todas elas dentro do esquema semelhante ao esquema FOX.

A percepção que na batida que vamos, em pouco tempo o JORNAL NACIONAL estará sendo apresentado em inglês para cidadãos colonizados e transformados em robôs/consumidores.

Obama, por exemplo, não tem o problema nessa dimensão. Norte-americanos têm hábito de criar jacarés dentro de casa e são pelo menos duzentos os programas especializados em crocodilos. Já incorporaram o espírito Homer Simpson faz tempo.

Acham que estão promovendo a paz e a liberdade no Afeganistão e que o Irã é o caminho do mal.

Lá o negócio é outro, mas também rola por aqui. Querem o Estado privatizado. No nosso caso, privatizado e colonizado.

Nós, os brasileiros, tropeçamos é em Ana Maria Braga, que acha que flor é fauna e onça é flora. Educamos nossos filhos a partir de Xuxa.

Por isso não percebemos, por exemplo, a barbárie que acontece em Honduras contra o povo daquele país. Nem que a demonização de figuras como Chávez passa por vender a idéia de que os anjos chegam de Washington vestidos de empresários ajudadores, anjos de guarda, em alguns lugares carregando mochilas verdes e fardados de marines, apelidados de “nossos rapazes”.

Os crimes que foram cometidos com a privatização da VALE, o fim do monopólio estatal do petróleo. O avanço das companhias estrangeiras sobre o pré-sal.

O mundo de FOX daqui não deixa e nem fala nisso. Só criou um “demônio” para nos aterrorizar. Transformou a luta de camponeses por terra em crime e silencia sobre os roubos e a barbárie dos senhores de escravos, os latifundiários.

No caso de Obama, ele deveria chamar o pessoal da FOX até a cervejaria Casa Branca e servir quitutes especiais além da cerveja. Essa gente adora isso e Millôr Fernandes é preciso quando diz que “a corrupção começa no cafezinho”.

Aqui a luta é outra. Passa por conhecer esses gigantes da mentira e enfrentá-los antes que nos transformem em Brazil.

E essa não é uma luta que vá ser travada com luvas de pelicas.

EUA: traficante aplicou na privatização de FHC via Dantas

Em seu Conversa Afiada, o incansável Paulo Henrique Amorim faz a sua leitura da reportagem da Folha de S.Paulo desta terça-feira (25), Governo americano rastreia operações suspeitas de Dantas. E agrega que o Opportunity Fund, de Daniel Dantas e sua irmã Verônica, "o banco da privatização", que tem "narcotraficante como cliente", é "o fundo onde podem estar provisoriamente adormecidos os nomes dos políticos demo-tucanos e seus acólitos". Veja a íntegra.

A legenda do Conversa Afiada é: Já, já, ele cai do cavalo

O corajoso repórter Rubens Valente da Folha, onde também trabalha Andréa Michael, publica hoje na página A8 importante reportagem, que vai deixar os demo-tucanos em pânico. Vem muita “crise” por aí:

“Governo americano rastreia operações suspeitas de Dantas – funcionário do Departamento de Justiça vê indícios de que banqueiro tentou ocultar origem de US$ 242 milhões de fundo. Dantas e sua irmã Verônica, réus na Satiagraha, teriam criado quatro empresas para abrir contas em Londres, Luxemburgo [Em Luxemburgo, suspeita-se, está a conta que Sergio Motta teria aberto para Fernando Henrique Cardoso, José Serra e Mario Covas] e Nova York. Dantas transferiu US$ 52 milhões um dia antes da Saitagraha”.

Permito-me adicionar algumas informações ao corajoso trabalho de Valente:
Essa investigação envolve um banco internacional, que teria avisado a Dantas e a sua irmã Verônica que o UBS e o Safra estariam para fazer acordo com autoridades americanos e identificar clientes suspeitos de lavar dinheiro.
A Folha, que publicou uma entrevista com Dantas depois de condenado e perguntou a ele o que achou da investigação, não diz o que é esse Opportunity Fund.
Esse Opportunity Fund é o banco da privatização do Fernando Henrique Cardoso.
É o fundo que o Daniel Dantas usou para comprar a Brasil Telecom e ter uma participação – ilegal – na Telemar.
Logo, é o fundo onde podem estar provisoriamente adormecidos os nomes dos políticos demo-tucanos e seus acólitos, que participaram e apoiaram entusiasmadamente a privatização.

Privatização essa, como se sabe, em que o Farol de Alexandria [como PHA chama o ex-presidente], aparece como a “Bomba Atômica”, que o André Lara Resende diz que usaria para fechar o acordo que precisava.
Clique aqui para ler Tucanos blindam Serra e FHC na CPI dos Amigos de Dantas
(Será que o André teve uma epifania: o fumacê dos maconheiros que FHC hoje defende não seria já, naquela altura, uma “bomba atômica” ?)
Privatização essa que se tornou o “momento Pericles de Atenas” do Governo do Farol, quando Ricardo Sergio de Oliveira, que foi tesoureiro de campanhas de FHC e de Zé Pedágio, disse “se isso der m…”.
Começa a dar “m…”

É importante observar que teve grana de um narcotraficante no fundo da privatização.
Um narcotraficante cliente do “brilhante” Daniel Dantas.
Clique aqui para ver o exato momento em que o Farol chama Dantas de “brilhante”
Um narcotraficante, um drug dealer, segundo um delegado da Polícia Federal do Brasil, que substituiu o ínclito delegado Protógenes Queiroz, aquele que enfiou o dedo no câncer de Dantas, da privatização de FHC, e na patranha da BrOi.
O Saadi identifica claramente a presença de um traficante no Opportunity Fund ???
E a CVM, o Banco Central e o Conselhinho da CVM ainda mantém autorização para os fundos de Dantas ?
Quer dizer que traficante pode investir em fundo de não-residente no Brasil e ninguém faz nada ?
Qualquer dia desses o Obama vai querer instalar uma base militar na Avenida Paulista para combater a lavagem de dinheiro de narcotraficantes brasileirose em fundos brasileiros…
Vejam a seguir comentários e documentos que recebi de amigo navegante, que gosta de acompanhar os passos de Dantas e dos demo-tucanos a Dantas ligados:

Há um affidavit (depoimento formal, assinado,sob juramento, na Justiça) muito didático de um investigador contratado nessa operação conjunta de desmantelamento do esquema Opportunity de lavagem de dinheiro.
O cara parece muito bom, ex-FBI, expert em crimes financeiros, e está trabalhando como free-lancer do governo americano contra o Dantas.

É bom porque ele explica exatamente onde é que estão as fraudes detectadas até aquele momento (o affidavit é de abril de 2009).
Notem que há um grampo que a Polícia Federal pegou em que a Verônica, em conversa com uma pessoa da Brown Brothers Harriman recebe instruções explícitas para fechar contas do Opportunity no Safra de Luxemburgo (*) e no UBS de Londres e passar o dinheiro para a conta Tiger Eye, nos EUA.
Segundo a pessoa do Brown Brothers, ela precisa fazer isso porque o UBS e o Safra, em atendimento a acordos de combate à lavagem de dinheiro, estão exigindo a identificação dos donos do dinheiro, o que a Verônica quer evitar a todo custo.
Isso é novo.

Ou seja, o Opportunity estava, deliberadamente, tentando escapar de operações de autoridades americanas e de países europeus para identificar lavadores de dinheiro. Não era uma operação brasileira, mas uma operação internacional que estava pressionando o Safra e o UBS.
É como se o Dantas estivesse subindo no canteiro para fugir de uma blitz de rua, só que foi pego por um guarda de trânsito.
Junta isso com o affidavit do Saadi, que diz explicitamente ter tido a confirmação de que o Opportunity Fund era um fundo de remessa ilegal de recursos para o exterior usado inclusive por doleiros, e a coisa toda lá fora começa a fazer sentido.
E o Dantas começa a voltar para a cadeia.

A seguir, esse amigo navegante trata de outro conjunto de documentos:

O mais importante que agora, é o affidavit do Ricardo Saadi (delegado que substiutui o inclito delegado Protpgenes Queiroz) e o memorando do Departamento de Justiça dos EUA ao juiz para sustentar o pedido de bloqueio das contas do Opportunity.
Achei curioso que quem representa contra o Opportunity são os Estados Unidos, não é o Brasil.

Uma das contas bloqueadas é a da TPSA. A TPSA é a empresa controlada pela Highlake, que mandava na Telemig Celular. A TPSA era foco de disputa entre o Citi e o Opportunity em Nova York. O Citi dizia ter 33% da empresa, o Opportunity
Fund reconhecia apenas 5%.

Agora entendi tb pq o dinheiro esta bloqueado na Suica, Luxemburgo e UK. É o UBS nesses lugares. UK é IRLANDA, onde o UBS tb está.
E a estória do traficante ???
O Saadi identifica claramente a presença de um traficante no Opportunity Fund ???
E a CVM, o Banco Central e o Conselhinho ainda mantém autorizações para esse fundo???

Quer dizer que traficante pode investir em fundo de não-residente a ninguémfaz nada.
Qualquer dia desses o Obama vai querer instalar uma base militar na Avenida Paulista, para combater a lavagem de dinheiro de narcotraficantes brasileiros…

Os reconhecimentos a FHC

por Emir Sader(*)

Que cada um expresse aqui o reconhecimento que FHC pede.

Felizmente para a oposição, FHC não se contêm, não consegue recolher-se ao fim de carreira intelectual e política melancólicos que ele merece. E cada vez que fala, o apoio ao governo e a Lula aumentam.

Agora reaparece para reclamar que não se lhe dá os reconhecimentos que ele julga merecer. Carente de apoio popular, ele vai receber aqui os reconhecimentos que conquistou.

Em primeiro lugar, o reconhecimento das elites dominantes brasileiras por ter usado sua imagem para implementar o neoliberalismo no Brasil. Por ter afirmado que ia “virar a página do getulismo”. Por ter, do alto da sua suposta sapiência, dito a milhões de brasileiros que eles são “inimpregáveis” , que ele assim não governava para eles, que não tinham lugar no país que o tinha elegido e para quem ele governava.

O reconhecimento por ter dito que “A globalização é o novo Renascimento da humanidade”, embasbacado, deslumbrado com o neoliberalismo.

O reconhecimento por ter quebrado o país por três vezes, elevado a taxa de juros a 48%, assinado cartas de intenção com o FMI, que consolidaram a subordinação do Brasil ao capital financeiro internacional.

O reconhecimento dos EUA por ter feito o Brasil ser completamente subordinado às políticas de Washington, por ter preparado o caminho para a Alca, para o grande Tratado de Livre Comércio, que queria reduzir o continente a um imenso shopping Center.

O reconhecimento a FHC por ter promovido a mais prolongada recessão que o Brasil enfrentou.

O reconhecimento a FHC por ter desmontado o Estado brasileiro, tanto quanto ele pôde. Privatizou tudo o que pôde. Entregou para os grandes capitais privados a Vale do Rio Doce e outros grandes patrimônios do povo brasileiro. Por isso ele é adorado pelas elites antinacionais, por isso montaram uma fundação para ele exercer seu narcisismo, nos jardins de São Paulo, chiquérrimo, com o dinheiro que puderam ganhar das negociatas propiciadas pelo governo FHC.

FHC será sempre reconhecido pelo povo brasileiro, que tem nele a melhor expressão do anti-Brasil, de tudo o que o povo detesta, ele serve para que se tome consciência clara do que o povo não quer, do que o Brasil não deve ser.

(*) Emir Sader é sociólogo

No amor e na guerra – Ranking das cassações do TSE, partido por partido

DEM = 69 (20,4%)
PMDB = 66 (19,5%)
PSDB = 58 (17,1%)
PP = 32 (10,1%)
PTB = 24 (7,1%)
PDT = 23 (6,8%)
PR = 17 (5%)
PPS = 14 (4,7%)
PT = 10 (2,9%)
PSB = 7 (2,1%)

O Brasil vive hoje uma guerra política e uma disputa entre dois projetos de país. É isso que está em jogo neste momento, ou seja, se mudaremos ou não de projeto no ano que vem. É uma guerra na qual um dos lados decidiu apelar até para a sabotagem para retomar o controle do Estado.

Um desses projetos considera que o Bolsa Família é “esmola”, que em um país com mais da metade da população negra ou descendente de negros estava correto essa população não ter nem um por cento de universitários, que numa crise como esta deve-se cortar gastos públicos em vez de investir dinheiro público para fazer a economia funcionar, que deveríamos continuar fazendo negócios exclusivamente com os EUA e com a Europa etc. E o outro projeto prevê exatamente o oposto.

Nessa guerra política em curso, o projeto que o país rejeitou em 2002 e em 2006 usa seus jornais, tevês, rádios e alguns paus-mandados na internet para tentar pregar no presidente Lula, em seu partido e em seu governo a pecha de corruptos.

Para esse fim, o projeto derrotado nas duas últimas eleições presidenciais cria, através dos seus meios de comunicação, crises políticas e escândalos forjados, alarma a população com epidemias inexistentes que seriam culpa do governo, acusa o projeto de país vigente de se aliar a políticos e a partidos acusados de corrupção enquanto esconde suas alianças com políticos acusados da mesma coisa, diz que tudo que acontece de bom no país é mérito dele pelo que fez no passado e tudo que está ruim é culpa do projeto a que se opõe, tem histórico em seu período de vigência de ter sido favorável a privatizações e a supressão de direitos trabalhistas etc.

O projeto derrotado tenta sabotar o projeto vigente diuturnamente, via imprensa. Com um discurso moralista, acusa o projeto vigente de abrigar políticos e partidos acusados de corrupção. Neste momento, usa essa estratégia para tentar controlar o Senado derrubando o presidente da Casa, que é aliado do governo, visando pôr no lugar dele o segundo senador na linha de comando da Casa, um político contra o qual pesam acusações tão ou mais graves do que as que pesam contra aquele que se pretende derrubar.

Ao cair nas mãos da oposição, a Presidência do Senado permitiria aos oposicionistas dificultarem a vida do governo e impor obstáculos a um projeto de país apoiado por 80% dos brasileiros.

É isso o que está em jogo neste momento, o projeto de país vencedor que manteve o Brasil acima da crise mundial, que está fazendo deste país um player global e que melhorou a vida dos brasileiros como jamais vi em meus 49 anos de vida.

Não contém comigo para sabotar o projeto de país que aprovo. Até porque, hoje vemos gente que votou em Collor em 1989 e meios de comunicação que o apoiaram durante sua disputa com Lula naquele ano cobrando que este não poderia se aliar a um partido que abriga o ex-presidente. Vemos meios de comunicação e pessoas que se calam sobre a aliança de José Serra com Oréstes Quércia cobrar de Lula sua aliança com José Sarney…

É óbvio que, para entoar tal discurso, esses meios de comunicação e essas pessoas têm que se apresentar como apartidários, e dizendo que não é porque o projeto de país derrotado tem um Quércia em suas fileiras que o projeto vigente pode ter um Collor, e que não é porque o senador oposicionista que querem colocar no lugar do atual presidente do Senado sofre tantas acusações quanto este que não se deve fazer a troca.

Bem, se for para falar de quem é mais corrupto, os que acusam o governo de se aliar a corruptos não têm moral para abrir suas bocas. E, para comprovar o que estou dizendo, basta analisarmos o gráfico lá em cima, que mostra o ranking dos 623 políticos cassados em 339 processos julgados pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) entre 2000 e 2006. Nesse gráfico, fica claro que os moralistas não têm moral para dizerem um A quando o assunto é ética na política.

O projeto de país que apóio é responsável por êxitos enormes na economia. E nem vou falar dos avanços sociais, na redução da pobreza, da miséria e da desigualdade. Vou me ater ao que interessa de fato hoje à esmagadora maioria dos brasileiros e que os neo moralistas querem destruir, e que faz com que essa maioria ignore as campanhas difamatórias do projeto derrotado e de seus jornais, rádios, tevês, revistas semanais e paus-mandados na internet, entre outros.

Retirei os dados que vocês lerão abaixo do site do jornalista Luiz Carlos Azenha. Eles mostram por que o Brasil deve travar uma guerra contra aqueles que tentam substituir projeto de país tão exitoso e por que todos devem se lembrar de que no amor e na guerra vale tudo, e por que, estando cercado pelo inimigo, o combatente deve aceitar apoios que, em situações normais, dispensaria.

Números do 2º Trimestre mostram PIB em expansão

Até os especialistas mais pessimistas calculam que haverá um crescimento no PIB de 0,5% no segundo trimestre, e os menos pessimistas falam em mais de 2%.

Com forte impulso do consumo, PIB deixa recessão para trás

Os números de vendas no varejo de maio reforçaram a avaliação de que o consumo das famílias – o principal motor da demanda – avança a um ritmo razoável, impulsionado pela massa salarial que nos 12 meses até maio cresceu 6,6%, descontada a inflação.

Consumidor retoma confiança, quita dívidas e a inadimplência cai

O consumidor começa a recuperar a confiança na economia, decidiu quitar dívidas e planeja comprar mais, embora recorrendo menos ao crediário. Como resultado, a inadimplência no comércio registrou queda de 22,67% no mês de junho em comparação com maio.

PIS injeta R$ 5,2 bi na economia

O pagamento do abono de um salário mínimo (R$ 465) do PIS 2008/2009 alcançou R$ 5,2 bilhões, atendeu o número recorde de 12,7 milhões de trabalhadores e ajudou a movimentar a economia. De acordo com a Caixa Econômica Federal, responsável pelo pagamento, 1,3 milhão de pessoas a mais receberam o benefício em relação ao exercício anterior.

Juros do cheque especial caem para a menor taxa desde 1995

A taxa de juros do cheque especial chegou a 7,54% ao mês em junho, a menor identificada desde 1995, quando se iniciou a apuração das taxas pela Anefac (Associação Nacional de Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade).

Brasil é a bola da vez

O eminente investidor Whitney Tilson está impressionado com a qualidade das empresas brasileiras. Gestor de um fundo hedge americano, Tilson veio ao Brasil para lançar seu livro sobre o problema do mercado de hipotecas de alto risco nos EUA (“subprime”) e para conhecer de perto algumas de nossas companhias. Para ele, entre os países emergentes o Brasil é de longe o melhor para investir hoje.

GM anuncia investimento de R$ 2 bi no Brasil e expansão de fábrica no RS

A General Motors do Brasil anunciou investimento de R$ 2 bilhões no país, o que inclui a expansão da sua fábrica em Gravataí (RS) para produção de uma nova família de veículos. Cerca de R$ 1 bi, 50% do investimento, será feito com recursos próprios da GM do Brasil. O restante virá de empréstimos contraídos juntos as bancos estatais. Já estão no projeto o Banrisul e o BRDE (Banco Regional de Desenvolvimento Econômico) e há negociações com o BNDES.

O projeto de país derrotado pelos brasileiros em 2002 e em 2006, bem como seus entusiastas e formuladores, julga-se muito esperto ao usar a sabotagem e o moralismo para recuperar o poder e mudar a rota do Brasil a partir de 2011. Hoje, aproveita-se do controle de impérios de comunicação para acobertar acusações contra si e inflar as que pesam contra o projeto vigente, mas os dados acima explicam por que esse projeto nefasto e seu formulador principal, José Serra, darão com os burros n’água. De novo.

Texto escrito por Eduardo Guimarães

TEXTO ORIGINAL NO ENDEREÇO:
http://edu.guim.blog.uol.com.br/

A criação do inimigo: o caso Taleban

por
Francisco Villela

Bin Laden e Teleban. Invenções americanas

Bin Laden e Teleban. Invenções americanas

O texto II da série “EUA: Rumo ao Estado Fascista” leva o nome “A invenção do inimigo e o terror”, uma referência às políticas e projetos dos neocons de hegemonia mundial pelos EUA e a conseqüente necessidade de precisar contar com inimigos a combater que justificassem o acionamento das suas poderosas forças armadas. O regime Cheney-Bush inventou o conceito de “Guerra ao Terror”, que apresenta a vantagem de ser vago e indefinido, o que permite então muito mais ações contra um inimigo insidioso e oculto. A criação do aparato fascista do Departamento de Segurança Interna (Homeland Security) apóia-se nesse conceito para exercer controle e repressão sobre a população e seus ativistas e pacifistas.

O caso do Iraque é conhecido e comentado: apoiado em mentiras (armas de destruição em massa, aliança Saddam – Bin Laden etc.), o império invadiu e destruiu um país fraco que nunca representou ameaça à segurança dos EUA. Após (números atualizados) cerca de 2 milhões 300 mil mortes por violência ou em conseqüência da invasão, mais de 2 milhões de refugiados no exterior e mais de 4 milhões de deslocados internos, o resultado é aterrorizante: a indústria iraquiana desapareceu, o país não dispõe de suficientes energia e água potável e tem o ambiente contaminado por tóxicos e materiais radiativos, e sua única fonte sólida de riquezas, a extração e exportação de petróleo, caiu nas garras de grandes corporações euamericanas. Antes disso, o Iraque era o país mais progressista da região, e as mulheres, por exemplo, que compunham boa parte da população universitária, viviam em liberdade e sem bloqueios, como em qualquer país ocidental.

A par de torrar recursos dos quais não dispõe, e viver em razão disso à mercê de empréstimos e poupanças internacionais (essa situação desabou com a crise, e promete novos capítulos piores para o país), o regime Cheney-Bush conseguiu um feito memorável que merece registro na história das grandes estratégias que não deram certo: o Irã, principal inimigo dos EUA na região, sai fortalecido, com ligações profundas com o atual governo e as principais forças que se digladiam no país, empurradas por ações terroristas sob responsabilidade de organizações secretas euamericanas e britânicas como a Força Delta. Saddam, sunita, promoveu uma guerra contra o Irã, financiada e armada por EUA e Reino Unido, entre 1980 e 1988, com saldo de 1 milhão de mortos. O regime Cheney-Bush depôs e enforcou Saddam, após entregar o governo à maioria xiita. O supremo aiatolá iraniano xiita Ali Khamenei e o presidente iraniano xiita Mahmoud Ahmadinejad agradecem comovidos.

Mas a maior façanha do regime Cheney-Bush-neocons, que BHObama promete ampliar, esconde-se no Paquistão. A história também é conhecida, e parte vem sendo contada nesta NovaE. Após milhares de anos, instalou-se no Afeganistão um governo socialista, pró-russo, que passou a empreender reformas em áreas estagnadas há séculos, como a posse das terras, a educação, a participação política das mulheres etc. Muitas das tribos se rebelaram contra o governo central, que, acuado, pediu proteção e auxílio em tropas à Russia. Alguns meses antes do pedido, o presidente Bill Clinton havia autorizado a CIA a financiar grupos de combatentes islâmicos para lutar contra o governo afegão. Com a chegada das tropas russas, representantes de um país formalmente ateu, os recursos em dinheiro e armas aumentaram.

A movimentação era patrocinada pelo Inter-Services Intelligence – ISI, serviço de inteligência paquistanês de um governo aliado dos EUA, que organizava o treinamento dos combatentes e administrava os recursos à sua maneira. O saudita Osama Bin Laden foi, consta que sem o saber, financiado dessa forma pela CIA e o MI6 britânico. O maior grupo de combatentes, o Taleban, foi organizado com tropas da etnia pashtun, cujos 30 milhões de membros distribuem-se entre o Afeganistão e o Paquistão. O ISI sempre foi simpático aos grupos islâmicos de combatentes, e até hoje encontra-se envolvido no treinamento, armamento e operação de vários desses grupos, dois dos quais enfrentam há anos as forças indianas na região conflagrada da Caxemira. Entre os grupos apoiados pelo ISI desponta o Taleban.

Aliado da China, inimigo da Índia e adversário da Rússia, o Paquistão recebeu bilhões de dólares durante décadas de governos euamericanos. O resultado da estratégia dos sábios conselheiros militares do finado regime Cheney-Bush pode ser visto na situação atual, verdadeira sinuca de bico para o governo BHObama. Os EUA injetam sistematicamente recursos financeiros num governo cujo serviço de inteligência organiza, arma e treina combatentes islâmicos que lutam contra as tropas dos EUA e da Otan, e freqüentemente abriga suas lideranças. A opção de BHObama é a extensão dos ataques ao território do nuclear Paquistão para além da região de fronteira, numa ampliação da frente da guerra ao norte e sua expansão para a região oeste do país.

Bin-Laden

Bin-Laden

Para tratar com o assunto, o Pentágono cunhou a expressão AfPak, numa demonstração de que a questão assumiu ares de severa gravidade; a partir de agora não há Afeganistão ou Paquistão, mas o problema Afeganistão-Paquistão, um só imbroglio. Nixon fez algo semelhante quando envolveu o Cambodja em bombardeios e estendeu as fronteiras da guerra do Vietnã. A aprovação da população paquistanesa aos EUA anda em seus menores patamares, e quase ninguém apóia os bombardeios ao seu território em nome da guerra ao terror. É provável que haja resistência feroz, e a corrida se dará em torno dos arsenais e instalações nucleares. O governo BHObama teme que algum grupo de combatentes islâmicos se aposse de armas nucleares. Afirma-se que o perigo é real. Mas o único país que já atirou bombas nucleares contra pessoas chama-se Estados Unidos da América. Temer a quem?

Em tempo: os EUA pagaram a combatentes sunitas, ex-insurgentes, reunidos na organização ‘Filhos do Iraque’, para se oporem à Al Qaeda. Agora, na perspectiva de retirada de algumas tropas, o governo xiita bancado pelos EUA, temeroso do poder adquirido pelos Filhos do Iraque, voltou-se contra o grupo paramilitar sunita. Alguns de seus líderes, ou foram para o exílio, ou acham-se escondidos, e há notícias de que um deles foi surrado até a morte na prisão. Os Filhos do Iraque sentem-se ‘traídos’ por seu governo e pelos EUA. E assim consolida-se mais um inimigo.

O analista político e militar e ex-analista da CIA Ray McGovern, em recente artigo em que comenta a decisão de BHObama de ampliar as ações no AfPak, “Bem-vindo ao Vietnã, Sr. Presidente!”, revela que BHObama em seu pronunciamento falou 11 vezes em treinamento das forças afegãs. Para McGovern, é uma questão de tempo saber para quais alvos as novas forças voltarão suas armas para pôr em prática seu treinamento: basta olhar para o Paquistão, Taleban, Al Qaeda…

Ray McGovern participou como analista de Estimativas de Inteligência Nacional (NIE) durante a Guerra do Vietnã, e lamenta que o governo BHObama prefira ouvir seus conselheiros ao invés de realizar NIEs, a exemplo das atuais decisões sobre AfPak em que nenhuma estimativa foi levada à frente e BHObama ouviu pessoas como o general David Petraeus, apologista da ampliação da guerra ao Paquistão e da invasão do Irã. O recente episódio de renúncia do ex-embaixador Charles ‘Chas’ Freeman à indicação à posição de chefe do Conselho de Inteligência Nacional, órgão que organiza as NIE, por pressão do lobby judeu, constituiu uma derrota para BHObama e seu assessor de Segurança Nacional, que o indicou . Freeman é conhecido pela sua coragem em externar suas opiniões a todos, sem exceção. A decisão da ampliação da guerra ao AfPak pode ser vista como uma derrota maior de BHObama frente aos seus conselheiros e homens de armas que desprezam análises contra suas decisões e agem conforme suas intuições e desejos.

A ampliação da guerra do Vietnã ao Cambodja, similar ao que pretende BHObama com relação ao Paquistão, é um exemplo de erro estratégico que terminou na derrota dos EUA. A alegação era a mesma que a dos atuais estrategistas: que o inimigo usava o território do Cambodja (Paquistão) como abrigo e para suprir suas forças no Vietnã (Afeganistão). Após iniciar os bombardeios em 1969, a administração Nixon depôs o governo do Cambodja em 1970 e instalou no cargo um general títere. O presidente deposto, príncipe Norodom Sihanouk, ordenou a seus seguidores que se unissem à guerrilha comunista do Khmer Rouge. Fortalecido, o Khmer Rouge cresceu e terminou por assumir o poder. Qualquer semelhança com as conseqüências da ampliação da guerra ao AfPack e a situação no Iraque não é nem será mera coincidência.

Nós, quem?

Em seu “O Processo Civilizatório”, Darcy Ribeiro escreveu que, pela primeira
vez na história da espécie, chegamos à possibilidade concreta de administrar
coletivamente a evolução e o desenvolvimento das sociedades humanas.

O livro, que elevou a ciência social brasileira aos mais altos padrões
internacionais, é pequeno, extraordinariamente denso e deveria ser lido por
todos.

É bem verdade que mesmo que o luminoso brasileiro não tivesse escrito o que
escreveu, empreenderiamos o que empreendemos agora.

Nós, quem? Perguntará você…Nós, o povo brasileiro: barnabés, empresários,
profissionais liberais, acadêmicos, camelôs, moradores das ruas, ambulantes,
pescadores, gente da noite, agricultores, produtores, industriais,
comerciantes, militares, o MST, o SAS, o inter-redes, a CNBB, a Cut, a Força
Sindical, associações, sindicatos, federações, confederações, etc…

Temos que lembrar, entretanto e todo o tempo, daquele que tem sido um
protagonista extraordinariamente importante de nossa história: o interesse
internacional, que depois da segunda guerra mundial passou a ser
representado e capitaneado pelos EUA.

O interesse internacional quando não a escreveu, torceu nossa história,
desde o início: foi assim quando da implantação dos engenhos e culturas de
cana-de-açucar que inseriram o que viria a ser o Brasil na economia
globalizada pelas grandes navegações. Foi assim quando a rainha de Portugal
mandou fechar todas as manufaturas das Minas Gerais. Foi assim quando
Getúlio Vargas disparou contra seu próprio coração cedendo/neutralizando às
terríveis pressões que os militares da “República do Galeão” e seus aliados
nacionais, sòzinhos, não conseguiriam exercer. Foi assim quando militares e
outros implementaram o golpe de 1964 e foi também assim quando homologou-se
a demarcação contínua da Reserva Indígena Raposa-Serra-do-Sol…

Quem vai carregar os minérios estratégicos da Reserva? Quem impedirá que
tropas transitem da Guiana à Venezuela, através da Reserva?

O que é isto? Uma provocação à super-potência? Não, claro que não…A
história de outros impérios tampouco o recomendaria.

Entretanto, se trataremos de discutir com todos os protagonistas,
pacificamente, os caminhos futuros de nosso país, precisaremos obter, também
dos Estados Unidos da América, uma atitude respeitosa e de não intervenção.

Não ver as pegadas norte-americanas nos últimos 65 anos de história
brasileira equivale a não perceber a influência romana na europa do primeiro
século da era cristã.

Por ora começaremos a disponibilizar conteúdos e reflexões pertinentes,
produzidos por indivíduos e por organizações, a comparar, discutir e
reelaborar a partir destas contribuições, passando sempre que possível ao
debate e às interações com estes listados protagonistas brasileiros.