COMO AGEM OS DONOS DO MUNDO

por Laerte Braga

A existência de governos nacionais, independentes em países da América Latina contraria de forma profunda os interesses imperialistas dos EUA. O fracasso da ALCA (Aliança de Livre Comércio das Américas), uma espécie de camisa de força norte-americana sobre países dessa parte do mundo e costurada entre nós pelo então presidente Clinton e o funcionário da Fundação Ford que respondia pelo departamento Brasil, FHC, fez com que a estratégia para a América Latina fosse mudada.

 

É intolerável para a arrogância e a prepotência dos norte-americanos a presunção de soberania de países como a Venezuela, o Equador, a Bolívia, o Paraguai, Argentina, Brasil, em maior ou menor grau, ou a Nicarágua, Cuba e El Salvador na América Central.

 

A perspectiva de que outros países, Guatemala e Honduras, tomem o mesmo rumo, transforma-se em desafio para a boçalidade dos EUA em relação ao resto do mundo e aos seus interesses.

 

As relações de governos latino-americanos com o governo do Irã traz o estado terrorista de Israel ao conflito, aos confrontos, ao jogo político dos donos.

 

São os povos eleitos, norte-americanos e israelenses, escolhidos por um deus que criaram à imagem e semelhança do terror que praticam em todos os cantos do mundo e hoje adoram em shoppings, bancos, latifúndios e vendem em templos eletrônicos como a rede GLOBO no Brasil e outras tantas semelhantes em várias partes do mundo.

 

Um dos principais aspectos da globalização neoliberal é exatamente possibilitar a elites e a agentes a soldo de interesses desses países, do que representam, assumir o seu papel sem qualquer constrangimento, sejam eles William Bonner no JORNAL NACIONAL, Alexandre Garcia e Miriam Leitão no BOM DIA BRASIL, ou Roberto Michelleti, como líder de um golpe de estado contra o governo legítimo de seu país e que expressava a vontade de seu povo.

 

E expressa essa vontade na resistência.

 

Michelleti já teria caído e Zelaya já teria sido reempossado na presidência de Honduras se de fato o garçom branco que finge ser presidente negro dos EUA governasse alguma coisa além da geladeira ou freezer da Cervejaria Casa Branca.

 

Em Honduras se trava uma batalha decisiva para os países latino-americanos. À mesma medida que é uma luta de resistência contra elites que aqui se chamam tucanos/democratas, lá se chamam Michelleti e outros bestas/feras, é também a percepção que a independência de países como o nosso, a soberania nacional serão mantidas se formos capazes de compreendermos a realidade para além do Big Brother, do Faustão, de Xuxa e outras armas químicas e biológicas que esvaziam cérebros e almas de seres supostamente humanos, mas transformados em robôs.

 

Por isso a lição do povo hondurenho resistindo é um exemplo extraordinário de dignidade. De coragem. De percepção do processo e da História.

 

Mostra a falência das Nações Unidas. O comprometimento das chamadas grandes potências com a farsa democrática.

 

Um país como o Brasil, nessas circunstâncias e nesse momento não pode aceitar um ultimato de um latifundiário corrupto e venal que assumiu o governo escorado em bestas/militares, a mando e a soldo de elites globalizadas e apátridas que se voltam para Washington e Wall Street.

 

Nossas elites econômicas, apátridas e corruptas, montadas num institucional falido, são semelhantes às elites de Honduras. E de qualquer país onde ventos de transformações políticas, econômicas e sociais soprem novas realidades.

 

 

 

Uma nação se constrói com a vontade de seu povo e a vontade do povo Hondurenho é o retorno de Manoel Zelaya ao poder. Não importa quanto o latifúndio, os bancos, as grandes empresas, paguem a Alexandre Garcia, Miriam Leitão, Arnaldo Jabor, FHC, José Serra.

 

Ou do que sejam capazes as bombas fabricadas pelo sionismo terrorista do estado de Israel.

 

 

O governo brasileiro não tem que aceitar imposições da Kátia de Abreu hondurenha, Roberto Michelleti (latifundiária e grande devedora do Banco do Brasil em créditos obtidos para a agricultura usados em campanha eleitoral) e tampouco submeter-se a um Conselho de Segurança controlado por Washington.

 

O Brasil é grande demais para submeter-se a esse tipo de chantagem e pressão.

 

Em Honduras acontece um experimento em torno de golpes de estado para a derrubada de governos populares. É esse o objetivo das bases militares na Colômbia e por isso que apostam em José Serra (como diz Ciro Gomes, “a alma do Serra é mais feia que o rosto”), para um retorno ao esquema de subserviência do governo FHC.

 

E nem é uma luta partidária. É de resistência e sobrevivência da dignidade de um povo, dos povos latino-americanos. Não é fazer um churrasco no sábado e no domingo bebendo a cerveja servida pela Cervejaria Casa Branca.

 

Refugiam-se, golpistas, em um patriotismo canalha. Nós o conhecemos em 1964, quando vivemos aqui o terror de uma ditadura militar.

 

O governo de Cuba promoveu hoje a integração de 12 mil crianças ao processo democrático popular que preside a ilha desde a vitória da revolução de Fidel Castro. É preciso meditar sobre isso, perceber o significado do fato. É diferente, bem diferente de colocar crianças rebolando à frente de um estereótipo de vida, Xuxa, qualquer que seja ela. Ou das receitas da especialista em fauna Ana Maria Braga

 

A vida é bem mais que isso. E o povo de Honduras está mostrando.

 

 

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Argemiro: os 12 (ou Nove) de O Globo e os "pelegos" da UNE

Ao deparar na internet — aqui na Argentina, onde estou hoje — com a primeira página de O Globo de quarta-feira (7), enfeitada pela foto a cores de uma dúzia de graciosos alunos de escolas particulares da Zona Sul do Rio, “apartidários” e “apolíticos”, a lançar “novíssimo movimento estudantil” pela reforma do ensino, não resisti à tentação de questionar outra vez esse jornalismo.

Por Argemiro Ferreira, em seu blog

Os leitores, eu e a torcida do Flamengo temos visto muitas fraudes no passado recente. Sabemos que às vezes elas nascem assim. Por que uma dúzia de moças e rapazes bonitos e bem vestidos, do Leblon, Ipanema, Gávea e adjacências, tornam-se notícia dessa forma em O Globo — quase sempre amplificada depois por outros veículos audiovisuais do mesmo império Globo de mídia?
Pergunto, em primeiro lugar, se jornalisticamente aquela reuniãozinha de adolescentes bem nascidos merece tal espaço na mídia nacional. Que diabo, como filhos do privilégio representam muito menos do que, por exemplo, um grupo de adolescentes sofridos do Nordeste, tão afetados como eles pelo adiamento da prova do Enem — o pretexto invocado em O Globo.

A aristocracia da elite branca

A diferença entre alunos do Nordeste e os de escolas particulares da Zona do Sul do Rio começa nos sobrenomes. Se prevalecem lá os Silva, como a família do atual presidente, os reunidos em O Globo são De Lamare, Di Célio, Bevilacqua, Lontra, Bustamante, Bekken, Glatt e outros de igual linhagem — famílias talvez afinadas com a ideologia dos irmãos Marinho.
A foto posada (com grande angular) da primeira página, feita em condomínio da Gávea, permite a suposição de que o tal “novíssimo movimento estudantil” anunciado pela sigla Nove (de “Nova Organização Voluntária Estudantil”) pode ter nascido na própria redação de O Globo e tem entre suas causas até o repúdio à ação afirmativa. São todos brancos, se não de sangue azul.
Para o jornalista Ali Kamel, guardião zeloso da doutrina da fé empenhado em uniformizar o discurso ideológico nos veículos do império Globo, “não somos racistas” no Brasil. A partir dessa tese nossa elite rejeita em nome da igualdade racial quotas destinadas a favorecer o ingresso na universidade de não brancos — talvez para perpetuar os privilégios atuais até o final dos tempos.
Nas páginas internas da mesma edição impressa de O Globo, conforme tive o cuidado de conferir na versão digital que a reproduziu, a reportagem foi estrategicamente colocada ao lado da coluna de Merval Pereira — a que abraça com fidelidade canina as ordens da cúpula do império de mídia mais arrogante do país e ostensivamente dedicado desde 2005 à derrubada do presidente.

A tradição coerente do golpismo

Os 12 (ou Nove) de O Globo parecem representar exatamente a tradição desse jornal (e dos Marinho), que ao longo dos anos, em matéria de educação, foi sempre retrógrado e antidemocrático — em especial quando a UNE e as entidades estaduais filiadas a ela lutavam contra o golpismo militar e na subseqüente ditadura que torturou, matou, censurou a imprensa e perseguiu o movimento estudantil.
Não por acaso o império Globo floresceu à sombra da ditadura por aplaudir os generais. Orgulha-se hoje — ao lado do El Mercúrio, pinochetista do Chile, e do Clarín argentino — de estar entre as maiores corporações de mídia do continente, premiadas pelos algozes da democracia e pelos interesses externos porque sempre ficaram contra os dos respectivos países.
Em texto posterior, publicado na quinta-feira (8) e motivado pela reação do presidente da União Nacional dos Estudantes, Augusto Chagas, o jornal condescendeu em expor a resposta deste aos 12 de O Globo. Mas além de ter tido o cuidado de minimizá-lo e situá-lo ao pé de outra página, ainda aduziu minieditorial no qual acusa a UNE de “peleguização”.

Contra os interesses nacionais

Fica claro que “pelegos”, na visão dos irmãos Marinho, são os líderes da UNE, criada corajosamente na década de 1940 para defender os interesses do país contra o avanço do Eixo nazifascista. De nada importa ao jornal a explicação de que os fóruns da entidade não são gatos pingados da elite; reúnem mais de 1.500 centros acadêmicos do país, nos quais atuam centenas ou milhares de estudantes.
Como Chagas, também o presidente da União Brasileira de Estudantes Secundaristas (Ubes), Ismael Cardoso, tentou informar ao império Globo de mídia que as entidades realmente representativas dos estudantes há muito debatem a questão do Enem e até fizeram críticas à pressa para implantar a nova prova — pressa que pode ter contribuído para o vazamento.
A motivação dos 12 de O Globo é outra. Se não foram escolhidos por ninguém, representam quem — ou o que? Têm só de se submeter à ideologia golpista do jornal, na contramão da história e do aperfeiçoamento democrático. É o que basta para saírem na primeira página. Resta agora guiarem-se pelos editoriais. Por exemplo, aplaudindo a Colômbia submissa, sob ocupação militar dos Estados Unidos, e a Honduras do golpe, repudiada no mundo inteiro.

Uma decisão histórica – Lula pratica integração sulamerica

O governo anunciou uma linha de crédito de até R$ 10 bilhões para os países sul-americanos que se debatem com a escassez de financiamento em nível internacional. A medida é similar a que adotou internamente, colocando a disposição dos exportadores e empresas com dívidas externas US$ 50 bilhões de dólares das reservas internacionais do Brasil.
Dessa nova linha de crédito, de imediato, já estão disponibilizados R$ 3,5 bilhões para a Argentina. A importância da medida está no fato de que ela mostra a maturidade da política de comércio externo do Brasil. Marca, também, o caráter de nosso país como exportador de capital, tecnologia e serviços e, agora, de financiador, o que exigirá, no futuro, a constituição de um banco de exportação e importação, papel hoje reservado ao BNDES e ao Banco do Brasil (BB).
Por falar em banco, outra notícia relevante: estão concluídas as negociações para a constituição do Banco do Sul tendo os países participantes – Brasil, Argentina, Venezuela, Uruguai, Equador, Bolívia e Paraguai – chegado a um acordo sobre o seu capital. Este será de US$ 7 bilhões, em partes iguais de US$ 2 bilhões para Brasil, Argentina e Venezuela; US$ 800 milhões para Uruguai e Equador; e US$ 200 milhões para Bolívia e Paraguai.
Bom, também, que se tenha chegado a um acordo sobre arbitragem e tomada de decisões, sendo que, para empréstimos de até US$ 70 milhões, cada país tem um voto, e acima dessa quantia, só com o apoio de 2/3 do capital votante dos países membros do Banco do Sul.
Fechados esses entendimentos, restam a redação jurídica dos textos de fundação da instituição e sua aprovação pelos parlamentos dos 7 países. Com o Banco e a linha de crédito brasileira de R$ 10 bilhões, a América do Sul caminha para viabilizar a integração energética e de transportes, condição para sua interação econômica, como a que possibilitou o acordo do carvão e do aço para a Europa na década de 50.