Dilma defende educação como principal fator de inclusão social no Brasil

A candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, em entrevista ao Programa 3 a 1, da TV Brasil, defendeu a educação como principal fator para promover maior inclusão social no Brasil. Ela disse que o fortalecimento da educação precisa significar valorização financeira e social do professor.

“A educação será um dos fatores de maior inclusão daqui para frente. É com a educação de qualidade, que está baseada na valorização do professor, que está baseada em salários decentes para o professor e em formação continuada. O que eu acho é que o Brasil pode ser uma economia desenvolvida nesta década que começa em 2011. Para isso, quero ser presidente do Brasil”, disse Dilma na entrevista à  TV Brasil. Foram três blocos nos quais ela falou sobre seu programa de governo e sobre questões que envolvem a campanha.

Dilma rechaçou a ideia de que no Brasil se investe em ensino superior público e não se investe tanto no ensino básico. “Essa é a questão mais falsa que este país já enfrentou. Essa coisa da gente fazer uma segregação entre ensino universitário e ensino fundamental não é verdadeira. Toda avaliação, como o Ideb [Índice de Desenvolvimento da Educação Básica], mostrou que se tem um melhor nível da educação básica, quanto mais se contar com professores formados nas universidades e em alguns casos com pós-graduação. O Brasil, para dar qualidade ao ensino básico, precisa formar professores capacitados a ensinar nossas crianças e nossos jovens. Temos que exigir que os nossos professores tenham curso superior, incluindo pós-graduação e temos de pagá-lo muito melhor do que pagamos”, destacou.

A questão do salário dos professores, de acordo com Dilma, é crucial. “Não dá para falar da qualidade de educação e não dar formação continuada para os professores, não dar uma coisa que eu acho gravíssima, a valorização da profissão. Como é que um jovem que está estudando matemática vai ser professor se, por exemplo, no estado mais rico do país ele ganha R$1.800. Nós precisamos de professores de matemática, de física, de biologia e de química. Nós precisamos capacitar os nossos professores. O salto que nós podemos dar de agora para o futuro e nos transformar em uma país efetivamente desenvolvido passa por uma valorização social do professor. Nos temos que valorizar o status do professor na sociedade. Só tem um jeito de fazer isso: pagar salários adequados.”

A candidata do PT disse ainda que o piso nacional do magistério, que atualmente está em R$ 1.050, ainda é insuficiente e defendeu que o governo gaste dinheiro na formação do professor. “Aí vale ampliação das faculdades públicas. Muitos professores não têm como pagar ensino privado. O ProUni [Programa Universidade Para Todos] facilitou isso ao dar bolsa e tem que ter financiamento, mas tem que fortalecer o ensino universitário federal”, defendeu.

“Não se faz educação de qualidade só com laboratório, só com prédios melhores. Só se faz de um jeito, valorizando o professor. Primeiro, formando-o bem. Segundo, pagando bem para atrair as pessoas mais capacitas para começar a formar os jovens e as crianças deste país”.

Dilma ainda disse que pretende continuar a política de interiorização das universidade federais iniciada no governo Lula. “Acho que fizemos um esforço grande ao voltar a investir em faculdades federais e mais ao interiorizá-las. Porque não se pode admitir que o aluno, que não tem grandes recursos, fique mudando de uma cidade para a outra para estudar. Construir campus no interior deste país é fundamental para melhorar a qualidade do ensino”, acrescentou.

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Alunos do ProUni recebem bolsas para graduação na Espanha

Brasília – Filho de um porteiro aposentado e de uma empregada doméstica, o universitário Rubens Lima recebeu hoje (5) conselhos do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, antes da viagem que fará à Espanha. Ele é um dos dez alunos do Programa Universidade para Todos (ProUni) selecionados para um curso de graduação na Universidade de Salamanca.

Depois do encontro com Lula, Rubens falou de sua felicidade, misturada à preocupação de sua mãe, com a oportunidade de estudar na Espanha. “No começo, fiquei assustado. Contei para minha mãe que havia ganhado uma bolsa de estudos e ela ficou feliz. Mas quando disse que era em outro país, ela ficou preocupada”, disse.

Lula também aproveitou o encontro com os bolsistas para rebater as críticas feitas ao ProUni. Para ele, as notas dos estudantes são a prova de que a opção do governo em conceder bolsa a jovens pobres foi acertada.

“A nota de vocês é a gratificação que nós queríamos. Que a política educacional teve uma retribuição extraordinária pelos alunos que estudaram”, disse o presidente acrescentando que “ainda tem gente que não gosta do ProUni, que tem sisma do ProUni”.

“O orgulho de vocês irem estudar lá fora é porque quando criamos o ProUni havia muita gente que não acreditava no programa, diziam que não ia dar certo e que íamos nivelar o estudo por baixo, por colocar jovens da periferia e de escolas públicas nas universidades”, afirmou Lula.

O ministro da Educação, Fernando Haddad, que também participou da cerimônia, disse que o desempenho dos alunos selecionados é semelhante ao de estudantes de países desenvolvidos. “Eles tiveram desempenho compatível com qualquer estudante de países desenvolvidos e, a partir do convênio com o governo espanhol, a universidade está acolhendo esses estudante com bolsas integrais”, afirmou.

Para o ministro, os dez alunos selecionados estão “entre os 2%, 3% mais [qualificados] do país. Entre os 2,5 milhões de estudante que fizeram o Enem e entre os 200 ou 300 [melhores] do país”.

Haddad revelou que meta a inicial do ProUni, de conceder 720 mil bolsas, dever ser superada já no próximo semestre. “Seguramente, vamos superar. Basta apenas mais 22 mil bolsas para superar esta meta”.

Tanto Lula, quanto Haddad, ressaltaram que a partir do convênio com a universidade de Salamanca novas parcerias podem ser fechadas com outros países.

“O acordo entre o [Ministério da Educação] MEC e a Universidade de Salamanca é o primeiro grande passo de uma grande caminhada para que a gente possa estabelecer convênios com outras universidades e, quem sabe numa troca, possamos mandar nossos alunos para lá e possamos receber alunos de outras universidades aqui no Brasil, porque em alguns centros do país já temos um ensino de excelência”, afirmou Lula.

O convênio entre o MEC e a Universidade de Salamanca vai beneficiar até 40 estudantes brasileiros de baixa renda que poderão estudar na universidade espanhola. O ProUni vai oferecer dez bolsas anualmente, com duração de quatro anos. Elas incluirão os cursos de biologia, biotecnologia, estatística, farmácia, física, informação e documentação, engenharia de edificações, engenharia de materiais, matemática e sociologia.

Fonte: Agencia Brasil
Ivan Richard
Repórter da Agência Brasil

MEC suspende 1.766 bolsas de estudos e desvincula 15 instituições do ProUni

 

O Ministério da Educação (MEC) suspendeu 1.766 bolsas de estudo e desvinculou 15 instituições privadas de ensino superior do Programa Universidade para Todos (ProUni). As medidas foram tomadas depois que a Secretaria de Educação Superior (Sesu) encontrou irregularidades na oferta e no preenchimento das bolsas.

Os alunos que foram desligados do programa tinham perfil de renda incompatível com o programa, que oferece bolsas a alunos de baixa renda que queiram estudar em instituições particulares do ensino superior.
O ministério fez um cruzamento do CPF dos bolsistas com a Relação Anual de Informações Sociais (Rais), o Registro Nacional de Veículo Automotores (Renavam) e bases de dados de universidades públicas. Foi constatado que 598 eram proprietários de veículos caros, incompatíveis como o perfil de renda exigido pelo programa. Trinta e quatro já tinham curso superior, 631 eram matriculados em universidades públicas e 561 tinham empregos com renda superior à permitida.

Estes bolsistas podem ser obrigados a devolver o dinheiro das bolsas. Os nomes serão encaminhados à Advocacia Geral da União (AGU) para que seja instaurado um processo. Segundo a secretária de Educação Superior, Maria Paula Bucci, essa "malha fina" deverá ser repetida todos os anos.
Maria Paula acredita que as fraudes são pequenas perto do número de bolsas concedidas. “O percentual é de 0,4% dentro dos 396 mil bolsistas ativos. Toda regra tem um certo índice de descumprimento”, disse.
As bolsas integrais do ProUni são reservadas a estudantes com renda familiar de até um salário mínimo e meio (R$ 697,50), por membro da família. As bolsas parciais, que custeiam 50% da mensalidade, podem ser pleiteadas por candidatos com renda familiar de até três salários mínimos (R$ 1.395) per capita.

Já as 15 instituições que foram desligadas ofereciam menos bolsas do que deveriam. Nesse caso, a Receita Federal poderá pedir ressarcimento já que essas faculdades recebem isenção fiscal para oferecer as bolsas do programa. Outras 31 instituições estão na mesma situação e fizeram um termo de saneamento com o ministério. Durante certo período, elas terão que oferecer 5% a mais de bolsas para compensar o que não foi ocupado anteriormente. Os bolsistas dessas faculdades poderão continuar estudando sem custos até que completem seus cursos.

Em abril deste ano, um relatório divulgado pelo Tribunal de Contas da União (TCU), baseado em auditoria realizada entre os meses de junho e novembro de 2008, apontava falhas na comprovação e na fiscalização da renda dos alunos beneficiados pelo ProUni.

Mais Jovens na Universidade

O escândalo da minissaia de Geisy Arruda é apenas um detalhe de um fenômeno muito maior: a entrada dos mais pobres no ensino superior brasileiro. Em breve –e breve significa mais três ou quatro anos– as classes C, D e E serão maioria nas universidades.

Uma consultoria especializada em ensino superior (Hoper) informa que, de 2004 até 2008, o número de alunos da classe C cresceu 84%, e da classe D, 52%. Isso significa um batalhão de quase 680 mil pessoas.

São brasileiros com mais expectativas profissionais, já que, ao entrarem na faculdade, imaginam-se com mais chance de um bom emprego. É gente que, em geral, tende a tornar-se mais crítica e ciosa de seus direitos –vejam como Geisy Arruda defendeu seus direitos.

É também gente, que, em geral, tem mais garra. Não é fácil sobreviver ao ensino médio público, trabalhar à noite e estudar de dia.

Aposto que está aí o nascimento, aos poucos, de uma nova elite brasileira. Sem perder o olhar crítico e a demanda por mais qualidade de ensino, os acadêmicos deveriam olhar com menos preconceitos para o ensino superior privado.

Assim como é melhor um jovem concluir o ensino médio público, por pior que seja, é melhor ter quatro anos de uma escola privada no ensino superior.

Folha Online

David Barros defende juventude como política de Estado

O presidente do Conjuve, David Barros, defendeu com muita veemência a transformação das políticas de juventude em políticas de Estado. Ele participou, no fim da tarde de ontem (27), do seminário político “Juventude e Projeto Nacional”, organizado por jovens partidários da corrente Campo Democrático. O evento contou também com a presença do Secretário Nacional de Juventude, Beto Cury, e da deputada federal pelo PC do B/RS, Manuela Dávila.

O seminário acontece em Brasília, nos dias (27 e 28), e tem reunido, nos debates, mais de 200 jovens que têm discutido mecanismos para inserir a juventude na pauta política das próximas eleições. O presidente do Conjuve fez um balanço positivo sobre a atuação do Conselho nessa última gestão, mas defendeu como prioridade daqui para frente a transformação das políticas de juventude em políticas de Estado.

“É a única forma de garantirmos que as conquistas sejam mantidas e que não aconteça um retrocesso, sobretudo se houver uma mudança nos rumos governamentais a partir de 2010”, disse. Barros também alertou que é necessário haver uma mobilização nacional em prol da implementação do Marco Legal da juventude.

Segundo ele, é de vital importância que o tripé que compõe o marco legal – a PEC da juventude, o Plano Nacional de Juventude e o Estatuto da Juventude – sejam aprovados até o primeiro semestre do ano que vem. “Eu temo que se isso se arrastar até as próximas eleições o marco possa não ser aprovado”, comentou.

Barros falou também que a juventude deve se mobilizar e pautar o Legislativo no que diz respeito à aprovação de leis voltadas para a melhoria de vida dessa parcela da sociedade. “Devemos lutar contra os estereótipos que tratam os jovens como inimigos públicos e tentar barrar as leis punitivas como a diminuição da maioridade penal e o toque de recolher”, afirmou.

Outros desafios importantes, de acordo com Barros, são criar uma rede nacional de conselhos da juventude, lutar por uma melhoria na capacitação dos profissionais que trabalham com os jovens e reforçar o Conjuve como entidade responsável pela monitoração das ações governamentais voltadas para os jovens.

Projovem Urbano

O Secretário Nacional de Juventude, Beto Cury, afirmou também estar preocupado com a não aprovação do marco legal da juventude antes das eleições. Ele disse ainda que os desafios são muitos e uma das metas é inserir um milhão de jovens nas quatro modalidades do Projovem. “É fundamental pensarmos nos milhões de jovens sem assistência que estão excluídos do estado democrático de direito sem garantia a cidadania e a uma vida digna”, comentou.

Na opinião do secretário, tão importante como inserir os jovens nos programas é criar portas de saída para que eles possam caminhar com as próprias pernas sem depender eternamente das benesses do Estado. “Para que isso se cumpra é necessário garantir o básico acesso ao mercado de trabalho e à educação e isso estamos procurando fazer”, afirmou Cury.

Outra preocupação do secretário é em relação ao atraso na aprovação do Orçamento para 2010. “Nossa intenção é inserir mais 200 mil jovens no Projovem Urbano, chegando ao total de 500 mil beneficiados, o que pode ser prejudicado com o atraso”, lamentou.

A deputada federal Manuela Dávila disse que o país possui uma dívida histórica com a juventude, mas reconheceu que o atual governo tem consciência disso, tanto que a juventude é uma das prioridades dos projetos governamentais. “Devemos reconhecer a importância dos programas de governo como o ProUni que possibilitou que 500 mil jovens tivessem acesso às universidades”, disse.

A deputada lembrou também que a criação da Secretaria Nacional de Juventude e do Conjuve foram conquistas importantes para o fortalecimento da democracia no país, ao dar voz aos anseios dos jovens. “São dois órgãos que sempre estiveram engajados e presentes na defesa dos interesses da juventude desse país”, afirmou.

Manuela também ressaltou a importância da aprovação do marco legal para a juventude e disse estar preocupada com relação ao calendário. “O tempo corre contra, assim o jovem deve se mobilizar e pressionar o Congresso para a sua aprovação antes das eleições”, finalizou.

Por Marcelo Rebelo
Assessor de Comunicação do Conjuve

Educação: direito e valorização para um novo projeto de desenvolvimento.

A representante da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ensino (CNTE), Maria Izabel Azevedo Noronha (Bebel), e o vice-presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Tiago Ventura, foram os painelistas da oficina "Educação: direito e valorização para um novo projeto de desenvolvimento", realizada dia 14 pela CUT Nacional, em São Paulo.

Tiago destacou o novo papel do Estado, com ampliação do acesso por meio de ações afirmativas para negros e indígenas, e a luta da UNE pela aplicação do Plano Nacional de Assistência Estudantil, particularmente em relação à creche para as mães, alimentação, transporte e bolsas de estudo. Frisou também a importância de um Estado mais presente, responsável pela educação pública e capaz de regular o ensino privado, condenado "pelo aumento abusivo nas mensalidades e pela falta de democracia".

Denunciando o sucateamento e o arrocho de recursos a que a universidade brasileira foi submetida durante o desgoverno Fernando Henrique, Tiago destacou a importância da derrubada da DRU (Desvinculação das Receitas da União) pela Câmara, agora em apreciação pelo Senado, pois tem sangrado 20% da verba desta importante área social.

O vice-presidente da UNE também apresentou as linhas gerais do projeto de reforma universitária dos estudantes brasileiros, defendendo que haja o pleno exercício da autonomia universitária: "são necessários novos patamares de investimento, com a destinação de 10% do PIB. Para além das medidas emergenciais, é preciso dar garantias para que a universidade goze da autonomia de gestação administrativa, didático-pedagógica e financeira. Daí a nossa luta pela aplicação mínima de 75% do orçamento da educação no ensino superior, caracterizando política de Estado". Sobre as novas formas de financiamento, lembrou Tiago, "a UNE defende a vinculação de 50% da arrecadação com royalties do petróleo da camada pré-sal em educação pública". Para a entidade, frisou, é preciso que haja "controle público sobre o ensino privado, com o reconhecimento do ensino superior como um bem público e a exploração privada como uma concessão do Estado, que deve ter a obrigação de regular, fiscalizar e garantir a qualidade do ensino".

Na avaliação da representante da CNTE e presidente da Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo), Maria Izabel defendeu a necessidade de um efetivo Sistema Nacional Articulado de Educação (SNAE), que faça jus à determinação constitucional de que a educação é um direito. Por isso, ressaltou Bebel, os professores propõem seis eixos: "o papel do Estado na garantia de direito à educação de qualidade, com organização e regulação da educação nacional; qualidade da educação, com gestão democrática e avaliação; democratização do acesso, permanência e sucesso escolar; formação e valorização dos trabalhadores em educação; financiamento da educação e controle social; justiça social, educação e trabalho: inclusão".

Bebel lembrou que na contramão destas propostas, atentando contra a diversidade e a igualdade, a Desvinculação das Receitas da União foi responsável pelo assalto a R$ 70 bilhões da educação. "Lutamos pelo fim da DRU porque defendemos um Estado provedor de políticas públicas, que regule o atendimento à população". Outro ponto fundamental para a melhoria da qualidade da educação, para a valorização do setor e de seus profissionais, acrescentou, é a implementação do Piso Salarial Nacional da Educação, que vem sendo boicotado pelos governos estaduais tucanos, que buscam inviabilizar a medida.

Ao ver a educação com interface mais ampla, declarou a representante da CNTE, a entidade tem procurado envolver não só os profissionais que atuam nas escolas, mas os estudantes, pais de alunos e as próprias administrações, "para que o país avance". Por isso, ressaltou Bebel, o parâmetro defendido pela CNTE é o do custo-aluno-qualidade, valorizando a elevação permanente do conhecimento e da capacidade crítica do aluno em sua formação. Este avanço, alertou, obviamente não será possível com uma visão tacanha como a manifestada pelas administrações que atentam contra a Lei do Piso, e que são as mesmas que precarizam as relações de trabalho, não fazendo concursos públicos e mantendo um alto número de profissionais admitidos em caráter temporário (ACT). Os governos tucanos de Aécio Neves (MG), onde cerca de 50% dos profissionais de educação são ACTs, e de José Serra (SP), com 47% de ACTs são exemplos desta triste prática.

"Precisamos melhorar as condições de trabalho dos profissionais de educação, garantir uma unidade entre teoria e prática, a centralidade do trabalho como princípio educativo, a gestão democrática das escolas e dos sistemas", acrescentou Bebel.

Em nome da CUT Nacional, o diretor executivo Adeilson Telles lembrou do significado da educação para o aprofundamento da democracia participativa e da luta da Central "para fazer com que todos os avanços conquistados nas políticas de governo se transformem em política de Estado". "Daí a nossa luta para efetivar mecanismos que se traduzam em políticas públicas para ser implementadas", concluiu Adeilson.

Entrevista do secretário Beto Cury para o Portal PSB

 

por Catherine Fátima Alves última modificação 31/08/2009 17:57

O secretário Nacional de Juventude, Beto Cury, ministrou a aula inaugural do primeiro Curso de Políticas Públicas para a Juventude, uma iniciativa da Fundação João Mangabeira, em parceria com a Universidade da Juventude.

beto cury
Em entrevista exclusiva ao jornalista Gustavo Sousa Jr do Portal PSB, Cury apresentou as políticas públicas de juventude implementadas pelo governo federal. Segundo o Secretário, um dos principais desafios é combinar políticas públicas estruturantes com programas de governo, assegurando os diretos à juventude.
Entre as áreas onde os resultados já podem ser observados está a educação, onde o governo tem conseguido ampliar, a cada dia, o acesso ao ensino superior. Além disso, tem investido na formação técnica e profissionalizante, importante iniciativa para a inclusão dos jovens. "O Brasil tem hoje 4,5 milhões de jovens fora do mercado de trabalho, sem acesso à educação", denunciou.
Confira a íntegra da entrevista.

Portal PSB – Como você avalia a iniciativa da Fundação João Mangabeira em realizar um curso voltado especificamente às políticas públicas para a juventude?
Cury – Acho muito importante, pois permite que gestores de juventude nos estados e municípios, militantes sociais juvenis das organizações não-governamentais tenham a possibilidade de aprofundar e apreender mais sobre o tema juventude, que é um tema recente na agenda das políticas públicas. Essa iniciativa da Fundação João Mangabeira, da Juventude do PSB, em parceria com a Universidade da Juventude, não tenho dúvida, fortalece este processo muito positivo que o Brasil está vivendo, essa onda positiva de construir políticas públicas direcionadas aos nossos jovens. É um processo que avançou muito nos últimos quatro anos e meio, com a consciência de que temos ainda uma longa trajetória. E essa iniciativa da Fundação, do PSB, contribui para fortalecer esse processo.

Portal PSB – As políticas públicas já existentes atendem às necessidades da juventude?
Cury – Eu diria que, como a dívida social é muito grande e nós começamos a resgatar essa dívida de uns anos pra cá, elas estão atendendo. Agora, evidentemente, é um processo. Elas atendem a boa parte da juventude, principalmente aquela parcela mais vulnerável socialmente, mais excluída. Quando se observa o Prouni [Programa Universidade para Todos], o Projovem [Programa Nacional de Inclusão de Jovens], são ações que estão gerando inclusão digital, formação profissional, oportunidade para que o jovem possa fazer o ensino superior. Geram a oportunidade de ter um diploma de ensino fundamental para aqueles que teriam pouquíssima perspectiva de voltar à escola ou de chegar à universidade se não fossem programas como esses. Agora, a dívida [social] é muito grande. É um processo que tem que ter continuidade. Por isso que temos afirmado que é fundamental transformar o tema juventude em Política de Estado, ou seja, perene, duradouro, permanente, que não mude de acordo com a troca de governos. Dessa forma, conseguiremos fazer com que essa dívida com a juventude brasileira seja paga mais rapidamente, uma dívida que o Estado acumulou e que esse governo começa a resgatar, mas que tem que ter continuidade nos próximos governos.

Portal PSB – O estimulo na retomada da oferta de cursos técnicos pode contribuir para a inclusão social da juventude?
Cury – Eu não tenho dúvida nenhuma disso. O investimento que o governo tem feito em ensino técnico, em ensino tecnológico, essa retomada que, infelizmente, governos anteriores abandonaram, é fundamental. Para o jovem nessa faixa etária, dos 20 aos 23 anos, o ensino médio somente pelo lado da educação é importante, mas é insuficiente do ponto de vista da atratividade. Então, o jovem ter a possibilidade de fazer um ensino médio tecnológico, profissionalizante, fazer o ensino superior tecnológico, é essencial para que essa boa parcela da juventude que deixou a escola, retome e tenha motivação para voltar às escolas e, consequentemente, concluir seus estudos. E, é claro, ter inclusive melhores oportunidades no mercado de trabalho, que a cada dia é mais existente. Portanto, acho que esse investimento que o governo federal tem feito nas escolas técnicas é essencial para asseguram mais oportunidades e garantir mais direitos aos jovens brasileiros.

Portal PSB – As questões relacionadas à juventude já estão arraigadas na cultura dos políticos e dos gestores públicos?
Cury – Ainda não. Está em processo. Eu até costumo brincar que nós precisamos criar uma cultura juvenil entre os nossos agentes políticos e gestores públicos, conquistar corações e mentes. O tema juventude é um tema contemporâneo, da democracia moderna, fundamental para a democracia republicana que queremos construir no Brasil. Estamos falando de um universo de 50 milhões de brasileiros entre 15 e 29 anos. Até muito recentemente, quando se pensava do ponto de vista de política pública, havia uma linha que considerava um grupo até os 18 anos – em razão do Estatuto da Criança e do Adolescente -, depois entrava imediatamente no grupo de adultos, com direito às políticas universais, sem entender que a juventude tem singularidades, tem particularidade.
Nos últimos quatro anos tem um movimento que envolve a sociedade civil , parlamento, organizações da ONU e governos federal, estaduais e municipais, que têm implementado programas, que têm constituído secretarias, coordenadorias, conselhos de juventude. Eu diria que isso tudo é um processo que já avançou muito, mas que ainda tem uma trajetória pra ser consolidada.

Eu espero, e esse é o grande desafio, que esse tema seja de fato consolidado na agenda das políticas públicas. Aquele ou aquela que assumir a Presidência da República em 2011, independentemente da sua posição política ou identidade maior ou menor com os temas sociais, que esse ou essa governante tenha, na política de juventude, um processo que será continuado, aprofundado e aperfeiçoado, para que nós não tenhamos nenhuma interrupção de um processo muito rico, que começou quatro anos e meio atrás, em 2005, com o governo do presidente Lula, e que possa dar continuidade a esse resgate da dívida que o Brasil tem com seus jovens.