Washington Post: CIA pagou US$ 5 milhões a cientista iraniano

O cientista nuclear iraniano Shahram Amiri, que disse ter sido sequestrado por agentes americanos, recebeu mais de 5 milhões de dólares da CIA, a agência de inteligência dos EUA, em troca de informações sobre o programa atômico do Irã, segundo o site do jornal "Washington Post".

De acordo com o jornal, Amiri trabalhou para a CIA durante mais de um ano. O diário acrescenta que o cientista recebeu a soma de dinheiro de um programa secreto que busca convencer a desertar cientistas e outras pessoas com informações sobre o programa nuclear iraniano.

Segundo funcionários dos EUA citados no site do jornal, Amiri não é obrigado a devolver o dinheiro, mas é possível que não possa ter acesso a ele após romper o que definiram como uma "significativa cooperação" com a CIA e retornar subitamente ao Irã.

Amiri, voltou ontem para o Irã e foi recebido como herói, depois de afirmar que tinha sido sequestrado por agentes americanos e que lhe ofereceram 50 milhões de dólares para que permanecesse no país. Os Estados Unidos asseguram que Amiri desertou do Irã por sua própria vontade, mas depois mudou de ideia e pediu para retornar ao país.

Amiri, que estava desaparecido há mais de um ano, se apresentou na segunda-feira na embaixada do Paquistão em Washington , onde pediu ajuda para voltar ao seu país de origem. A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, disse que ele foi para o país por vontade própria e estava livre voltar ao Irã.

O Irã trava uma disputa com as potências ocidentais, lideradas pelos Estados Unidos, sobre seu programa nuclear que, para o Ocidente, tem o objetivo de construir armas atômicas. O país persa insiste que seu objetivo é gerar eletricidade.

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Os reconhecimentos a FHC

por Emir Sader(*)

Que cada um expresse aqui o reconhecimento que FHC pede.

Felizmente para a oposição, FHC não se contêm, não consegue recolher-se ao fim de carreira intelectual e política melancólicos que ele merece. E cada vez que fala, o apoio ao governo e a Lula aumentam.

Agora reaparece para reclamar que não se lhe dá os reconhecimentos que ele julga merecer. Carente de apoio popular, ele vai receber aqui os reconhecimentos que conquistou.

Em primeiro lugar, o reconhecimento das elites dominantes brasileiras por ter usado sua imagem para implementar o neoliberalismo no Brasil. Por ter afirmado que ia “virar a página do getulismo”. Por ter, do alto da sua suposta sapiência, dito a milhões de brasileiros que eles são “inimpregáveis” , que ele assim não governava para eles, que não tinham lugar no país que o tinha elegido e para quem ele governava.

O reconhecimento por ter dito que “A globalização é o novo Renascimento da humanidade”, embasbacado, deslumbrado com o neoliberalismo.

O reconhecimento por ter quebrado o país por três vezes, elevado a taxa de juros a 48%, assinado cartas de intenção com o FMI, que consolidaram a subordinação do Brasil ao capital financeiro internacional.

O reconhecimento dos EUA por ter feito o Brasil ser completamente subordinado às políticas de Washington, por ter preparado o caminho para a Alca, para o grande Tratado de Livre Comércio, que queria reduzir o continente a um imenso shopping Center.

O reconhecimento a FHC por ter promovido a mais prolongada recessão que o Brasil enfrentou.

O reconhecimento a FHC por ter desmontado o Estado brasileiro, tanto quanto ele pôde. Privatizou tudo o que pôde. Entregou para os grandes capitais privados a Vale do Rio Doce e outros grandes patrimônios do povo brasileiro. Por isso ele é adorado pelas elites antinacionais, por isso montaram uma fundação para ele exercer seu narcisismo, nos jardins de São Paulo, chiquérrimo, com o dinheiro que puderam ganhar das negociatas propiciadas pelo governo FHC.

FHC será sempre reconhecido pelo povo brasileiro, que tem nele a melhor expressão do anti-Brasil, de tudo o que o povo detesta, ele serve para que se tome consciência clara do que o povo não quer, do que o Brasil não deve ser.

(*) Emir Sader é sociólogo