Compromisso com a juventude é renovado com a posse do Conselho

Para dar continuidade às ações em prol da juventude montes-clarense, a Secretaria Municipal de Juventude realizou neste mês a posse do Conselho Municipal de Juventude. O evento, realizado na Câmara Municipal de Montes Claros no último dia 19, marcou o início dos novos membros que terão o dever de formular e propor diretrizes voltadas para as políticas públicas de juventude, promover o intercâmbio entre as organizações juvenis nacionais e internacionais, desenvolver estudos e pesquisas sobre a realidade socioeconômica dos jovens.

O Conselho da Juventude é composto por 24 membros titulares, sendo 8 do poder público municipal e 16 da sociedade civil. Nesse atual Conselho formado, a sociedade civil não indicou todos os representantes possíveis, tendo apenas 10 conselheiros. A representação do poder público contempla, além da Secretaria Municipal da Juventude, Esporte e Lazer, todas as secretarias que possuem programas voltados para os jovens. Segundo o secretário-adjunto de Juventude, Diego de Macedo Fróes, essa composição foi estruturada para que as ações sejam articuladas em toda a esfera governamental, contribuindo para que a política juvenil se transforme em uma política de estado em Montes Claros.

“Decidimos fazer a posse aqui na Câmara Municipal porque tivemos a intenção de valorizar a importância democrática do Conselho, pois a Câmara é um local onde se aprovam leis e se fiscaliza a administração pública. A restruturação deste Conselho é uma forma de valorizar e incluir a juventude em nossa gestão nas decisões políticas”, destacou o secretário-adjunto, que ainda disse que essa iniciativa demonstra o compromisso do prefeito Luiz Tadeu Leite com a juventude de Montes Claros. “Essa ação está sendo feita apenas pela atual administração para garantir o direito de participar das ações de políticas públicas”, concluiu.

 

Durante a posse, ainda foi exibido um vídeo sobre a função do Conselho Municipal da Juventude produzido no projeto Jovens Jornalistas da cidade de Sete Lagoas. Os presentes também assistiram às apresentações musicais de Luiza Costa e do grupo de Hip Hop missionários Mc’s. O Conselho Municipal de Juventude foi criado em 12 de abril de 2006 pela lei 3.546 e está vinculado à Secretaria Municipal da Juventude, Esporte e Lazer.

COMPOSIÇÃO – O Conselho conta com representantes dos movimentos juvenis, religiosos, artísticos, voltados ao empreendedorismo, contemplando as diversas juventudes existentes em nossa cidade. Os membros do Conselho são escolhidos para mandato de dois anos, mediante a indicação dos representantes das entidades previstas em lei. Os cargos de presidente e vice-presidente são alternados a cada ano entre governo e sociedade civil.

Dois representantes de cada entidade, um titular e outro suplente, foram empossados no Conselho. Os representantes do poder público municipal que tomaram posse foram: Daniel Dias da Silva e Edson de Jesus Rodrigues, da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social; Rômulo Ferreira da Silva e Thiago Coutinho Pimenta, da Secretaria Municipal de Educação; Diego de Macedo Fróes e Oscar Barreto Neto, da Secretaria Municipal de Juventude, Esporte e Lazer; Maria Cândida Pimenta Gonçalves e Saulo Aquino Alves, da Secretaria Municipal de Saúde; Ramon de Carvalho Guimarães e Rafael Lopes Nogueira Guimarães, da Secretaria Municipal de Meio Ambiente; Wanderson Carvalho de Oliveira e Laura Amélia Flávio Guimarães Pereira, da Secretaria Municipal de Cultura; Fabiano Gomes e Filipe Calaça Barbosa, da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, Turismo e Tecnologia; e Alfredo Ramos Neto e Frank Wanderley de Lima, da Câmara Municipal de Montes Claros.

Já os representantes empossados da sociedade civil foram: Juliano Gonçalves Pereira e Kátia Santana Barbosa, da Sociedade São Vicente de Paulo; Lucas Felipe dos Santos Medeiros e Lucas Felipe de Oliveira Araújo Santos, do Diretório dos Estudantes de Montes Claros (DEMC); Flankley Clayton Pereira e Ana Paula Antunes, da Faculdade de Ciência e Tecnologia de Montes Claros (Facit); Luís Felipe Maia Costa e Lucas Vasconcelos Paulino, do Diretório Central dos Estudantes da Unimontes (DCE); Thiago Abreu de Sá e Cinthya Santana, do Diretório Acadêmico UFMG Montes Claros (DA); Maurício Antônio Santos Silva e Maria José Rodrigues da Mata, da Juventude Evangélica Igreja Batista de Montes Claros; Hyldon Herbert Dias Mendes e Vinícius Lessa Costa, da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL); Manoel Messias Bispo e Marcos Madureira de Brito, da Juventude Hip Hop; Ivan Pereira Siqueira e Samuel Rodrigo da Silva, da Liga Montesclarense de Futebol; e Jaciara Mendes e Kelington Mendes Mota, da Associação Comercial, Industrial e de Serviços de Montes Claros (ACI).

Fonte: Prefeitura Municipal de Montes Claros

"Carta de Serra Negra

Dia 13 de Fevereiro de 2011

Entre os dias 05 e 13 de fevereiro a União da Juventude Socialista se reuniu e debateu intensamente os desafios a serem vencidos neste ano de 2011, sob a perspectiva revolucionária de tomar as ruas para construir um novo Brasil.
O povo elegeu em 2010 a primeira presidenta do Brasil, em meio a um bombardeio de preconceitos e hipocrisias amplamente difundidos pelas elites e a direita. Derrotando as forças retrógradas, o voto em Dilma Rousseff se fez para aprofundar as mudanças iniciadas pelo governo Lula de construção de uma nação forte, democrática e com oportunidade para todos os brasileiros.

Entretanto, as primeiras medidas anunciadas pelo novo governo mostram distanciamento dos objetivos para o qual foi eleito. O discurso da austeridade fiscal não representa o sentimento e as expectativas depositadas pelo povo com o voto em Dilma. A lógica de enfrentar a inflação elevando os juros é algo que só serve aos banqueiros, que acumularam 4,8 trilhões de reais nos últimos trinta anos em nosso país com pagamento de juros. O povo brasileiro decidiu nas urnas e nas ruas por um programa que valorize o trabalho, um salário mínimo que garanta uma vida digna para os trabalhadores e suas famílias, defendido pelas centrais sindicais, e não a especulação financeira. Não há saídas isoladas para os problemas candentes da sociedade brasileira e é urgente transformações como uma reforma política que valorize os partidos políticos, a reforma tributária, a reforma dos meios de comunicação e a reforma da educação, todas elas devendo ser a tônica do debate que almejamos realizar.

No esteio de mobilização da jornada de lutas do movimento estudantil brasileiro, entraremos firmes na luta por um PNE que supere as desigualdades históricas da educação. Ainda não atinge 15% o número de jovens que têm acesso ao ensino superior e, dos que nele chegam, apenas 25% estudam em universidades públicas. À maioria, restam instituições de ensino que, em numerosos casos, não apresentam qualidade, assistência estudantil, pesquisa, extensão e até condições razoáveis de pagamento das mensalidades e demais custos acadêmicos. Cobraremos os compromissos assumidos com a juventude brasileira

Pintaremos as universidades de povo defendendo a radical ampliação de suas vagas, ocupando-as e afirmando seu papel fundamental na solução dos problemas da população e na construção de um novo projeto nacional de desenvolvimento para o Brasil. Lançamos aqui nosso movimento ao 52º Congresso da União Nacional do Estudantes. “Transformar o sonho em realidade” é o nome e só o faremos com povo na rua, afinal nossos sonhos não são utopias, visto que representam milhares de jovens brasileiros.

Transformar sonhos em realidade é nossa razão de ser. Com a política no comando, a ideologia como cimento e a organização revolucionária como força material a União da Juventude Socialista mergulha de corpo e alma num calendário de intensas lutas. Buscamos dessa forma dar consequência ao nosso objetivo principal: construir uma UJS capaz de buscar a hegemonia entre os jovens brasileiros, consolidando-se como a maior força juvenil de luta pelo Socialismo no país. Viva o Socialismo! Viva a União da Juventude Socialista!"

Em encontro com blogueiros, Nicolelis fala sobre ciência, democracia, política e jornalismo

O movimento dos Blogueiros Progressistas do Rio Grande do Norte recebeu, na noite desta sexta-feira (28), o neurocientista Miguel Nicolelis, professor da Universidade de Duke (EUA) e co-fundador do Instituto Internacional de Neurociência de Natal Edmond e Lilly Safra. O evento, realizado no auditório da Livraria Siciliano (Shopping Midway Mall), serviu como preparação para o 1º Encontro de Blogueiros Progressistas do RN, marcado para os dias 25, 26 e 27 de março.

O tema do bate-papo foi “Redes sociais, participação política e desenvolvimento da ciência”. Nicolelis iniciou dizendo que sua participação no evento demonstrava o poder dessas novas formas de comunicação. “Estou no Twitter há apenas 15 dias, mas já estou aqui para falar sobre redes sociais – mesmo sem saber nada sobre isso”, brincou, arrancando risos da plateia.

Em seguida, disse que o título da palestra poderia ser “Eu juro que eu sou eu”, fazendo referência ao debate travado com uma badalada blogueira potiguar, a quem teve que provar que seu recém-criado perfil no Twitter não era um fake.

Nicolelis aproveitou o episódio como gancho para tratar da questão da identidade no contexto das redes sociais. Ele sustentou que o modelo de mundo que conhecemos, bem como nossa identidade, não passa de uma “simulação” do cérebro. Emendou dizendo que a “cultura do ‘eu’ é uma ilusão”.

“Eu me defrontei com essa ilusão ao tentar provar que eu sou eu. Eu me engajei num debate com uma jornalista que foi uma das coisas mais fascinantes. Comecei a falar das minhas opiniões, primeiro sobre a política do RN, mas não funcionou”.

“Pare pra pensar: nós vivemos num mundo em que qualquer um pode ser eu, qualquer um pode assumir qualquer personalidade. O sucesso das redes sociais, em minha opinião de neurocientista, se deve, primeiro,  a uma coisa que vou tratar no livro que será lançado no próximo mês. Daqui a algumas centenas de anos não vamos precisar disso aqui, teclado, celular… Nós vamos pensar e nos comunicar, nos amalgamar numa rede conscientemente sem a necessidade dessas coisas pouco eficientes, como os nossos dedos, os teclados… Nós já estamos observando, mesmo com os limites que temos, já vivemos os primórdios de uma sociedade onde a identidade real não faz diferença nenhuma”, discorreu.

O neurocientista destacou que as redes sociais “conseguiram fazer as identidades, às quais a gente se apegou tanto, desaparecerem”. “Você pode assumir o que você sempre quis ser, mas não podia por medo do preconceito. Nós ainda não conseguimos lidar com o fato que as pessoas são de diferentes matizes. As redes têm essa vantagem de permitir que as pessoas possam assumir [suas ideias] livremente”.

“Não existe isso de imparcialidade”

Após discorrer sobre as redes sociais e a dispersão da identidade, Nicolelis afirmou que a ideia da “imparcialidade”, tanto jornalística quanto científica, não passa de “balela”. “Como neurocientistas, estamos cansados de saber que não existe isso de imparcialidade, como pretendem os jornalistas. Não existe imparcialidade nem jornalística nem científica”.

Para comprovar sua sentença, relembrou a cobertura midiática das eleições presidenciais do ano passado, quando a imprensa tradicional, mesmo se dizendo “imparcial”, se alinhou à candidatura do candidato do PSDB/DEM, o ex-governador de São Paulo José Serra.
“O que aconteceu no Brasil na eleição passada foi a demonstração da falácia de certos meios de imprensa e do partidarismo que invadiu essa opinião dita imparcial. Mas o desmentido só ocorreu nesse lugar capilarizado chamado blogosfera. A guerra da informação foi travada aí. A eleição foi ganha na trincheira da blogosfera, porque os desmentidos eram instantâneos”, comentou.

Nicolelis defendeu que a “teia” – termo que disse preferir usar para se referir às redes sociais – que está se formando no Brasil “é um fenômeno mundial de relevância fundamental”. Para ele, a blogosfera teve um papel de destaque nas eleições de 2010.

“Essa teia já ganhou uma eleição do ponto de vista da informação, já derrotou o exército de uma mídia que tem opinião, mas que exerceu essa opinião sem dizer. Aí é que tá o engodo. A opinião é legítima, mas esconder que tem opinião não é”.Miguel Nicolelis frisou que outro efeito provocado pelo surgimento dessa teia é o fato de considerar “inevitável a quebra do monopólio do conhecimento, da noticia e do fato”. “Cada um de nós pode ser o propagador de um fato, de uma interpretação do fato”.

Mesmo ressaltando sua condição de neófito, Nicolelis demonstrou entusiasmo com o potencial dessa “teia” desembocar no surgimento de um novo modelo de democracia, em que os indivíduos tenham um novo papel.

“A democracia representativa é muito interessante, mas ela faliu, porque o grande objetivo dos representantes dos indivíduos do planeta é representar a si mesmo. Existe um potencial imenso de uma nova democracia, onde os indivíduos tenham um novo papel, em que possam ser agentes atuantes e definidores da nossa cidadania”.