A policia tem uma nova arma contra as plantações de entorpecentes

A polícia suíça se deparou com uma enorme plantação de maconha quando estava fazendo pesquisas no Google Earth.

De acordo com oficiais, a descoberta aconteceu durante uma investigação que levou à prisão de 16 pessoas e à apreensão de 1,2 tonelada de maconha e de 900 mil francos suíços – o equivalente a 780 mil dólares.

Segundo o especialista da unidade de narcóticos da polícia de Zurique, Norbert Klossner, a plantação foi encontrada no nordeste do distrito de Thurgan no ano passado.

Com mais de 7,5 quilômetros quadrados, a àrea estava escondida dentro de um campo de trigo.

Utilizando o mecanismo de busca Google Earth, policiais localizaram o endereço de dois fazendeiros suspeitos de envolvimento com tráfico de drogas e rapidamente identificaram o terreno ilegal.

“Foi uma descoberta interessante”, disse Klossner.

A promotora Gabi Alkalay contou a repórteres em Zurique que a investigação será concluída em fevereiro, quando então os acusados serão oficialmente julgados.

A gangue vendeu aproximadamente 7,7 toneladas de haxixe e maconha de 2004 a 2008, gerando uma receita anual de até 10 milhões de francos suíços.

NOS CORREDORES DA PREFEITURA

Rola nos corredores da prefeitura de Governador Valadares, que na ultima reunião do secretariado da prefeita Elisa Costa ela botou a boca no trombone a respeito das contratações. Ela disse que está trombano nos corredores da prefeitura pessoas que nem colocaram um olho durante a campanha eleitoral. finalizou dizendo que a partir de agora não vai permitir, pois cargo na prefeitura só quem participou da campanha

Revolução Cubana: 50 anos de resistência e dignidade

Segue mais um artigo interessante que foi postado no Le MOnde edição brasileira.
Arrancados de séculos de opressão e atraso, os cubanos jamais se resignarão. Como um país pobre pode construir uma sociedade mais justa para todos. Depois de 50 anos da revolução, Cuba tem a mais baixa taxa de mortalidade infantil e um dos maiores pólos culturais da América Latina

Tiago Nery

(12/01/2009)

Equilibrando-se entre o realismo e a utopia, a Revolução Cubana está completando 50 anos. Nos primeiros dias de janeiro de 1959, após pouco mais de dois anos de luta guerrilheira, o Exército Rebelde, liderado por Fidel, Raul, Camilo e Guevara, entrava triunfalmente em Havana, iniciando um novo capítulo na história do país. O impacto da Revolução iria transcender em muito seus limites territoriais, repercutindo sobre sucessivas gerações de jovens, trabalhadores e intelectuais de várias partes do mundo, sobretudo da América Latina. Pela primeira vez, a própria idéia de revolução, que soava sempre tão distante para os latino-americanos (a exemplo das revoluções mexicana, russa e chinesa), passava a ser um tema da atualidade.

A polarização da época da Guerra Fria fez com que muitas análises sobre a Revolução Cubana estivessem impregnadas pelo clima daquele período e ignorassem as verdadeiras origens do movimento comandado por Fidel Castro. A revolução de 1959 tem profundas raízes na trajetória histórica nacional, cujos antecedentes remontam ao período da luta pela independência. Cuba foi a última colônia da América Latina a libertar-se da Espanha, em 1898, num processo que se estendeu por um período de 30 anos, em que se sucederam duas guerras de independência. A primeira, conhecida como a “Guerra dos dez anos” (1868-1878), foi liderada pelo advogado e proprietário de terras Carlos Manuel de Céspedes, considerado o “pai da pátria”. A segunda, iniciada em 1895, teve como principal ideólogo o advogado, jornalista e poeta José Martí, principal intelectual cubano e um dos mais importantes do continente, que desencadeou um movimento mobilizando amplos setores populares.

Antes de se tornar socialista, a Revolução Cubana foi um movimento de afirmação da soberania nacional. Já Fidel e Guevara representavam a sublimação do tradicional caudilho latino-americano em líder autenticamente popular

No momento em que a vitória das forças independentistas estava próxima a concretizar-se, o governo dos EUA resolveu entrar no conflito, provocando uma guerra contra a Espanha. Vitoriosos, os norte-americanos reconheceram a independência de Cuba, apesar de imporem, em 1902, uma emenda constitucional (emenda Platt), que permitia aos Estados Unidos exercerem o direito de intervenção no sentido de “preservar a independência cubana”. Com isso, Cuba tornava-se, na realidade, um protetorado dos EUA.

A atuação norte-americana frustrou as expectativas de liberdade e soberania que alimentaram o movimento desde o início. A desilusão com o desfecho serviria como elemento crucial para a formação de uma singular consciência nacionalista, que passaria a reivindicar uma terceira guerra emancipatória – contra o imperialismo estadunidense. Dessa forma, o processo revolucionário que derrubou a ditadura de Fulgencio Batista retomaria a trajetória dos movimentos independentistas do século 19, vinculando a libertação nacional e social aos desafios da Guerra Fria (Ayerbe, 2004).

O movimento revolucionário de 1959, iniciado em 1953, com a criação do Movimento 26 de Julho, guarda profundas conexões com aquele liderado por Martí algumas décadas antes. Em A história me absolverá, histórica autodefesa de Fidel Castro por ocasião de sua prisão, após a frustrada tentativa de tomar o quartel de Moncada, o futuro líder da revolução afirmou: “Impediram que chegassem às minhas mãos os livros de Martí. Parece que a censura da prisão os considerou demasiado subversivos. Ou será porque considerei Martí o autor intelectual do 26 de Julho?” (Castro, 1979, p. 22). Percebe-se, dessa forma, que antes de se tornar socialista, a Revolução Cubana foi um movimento de afirmação da soberania nacional. A guerra revolucionária não recebeu nenhuma ajuda da então URSS, assim como o Partido Socialista Popular (comunista), que inicialmente rejeitara as ações armadas e havia condenado o assalto ao Moncada, só apoiaria a guerrilha em sua fase final.

Comentando sobre a originalidade do processo cubano, o crítico literário Antonio Candido (1992) afirmou que líderes como Fidel e Guevara representavam uma formação política singular e aparentemente impossível: a sublimação do tradicional caudilho latino-americano em líder autenticamente popular. Dessa maneira, assim como em Cuba o caudilho potencial transformou-se em líder responsável, comprometido com o socialismo, a tradição radical, vinda de pensadores como José Martí, permitiria que o marxismo se ajustasse à realidade do país.

as experiências socialistas do século 20 foram obrigadas a dividir seus esforços entre a sobrevivência em relação aos inimigos externos e a construção de uma sociedade que se pretendia mais justa e avançada

A queda do Muro de Berlim e o fim da URSS só viriam confirmar que Cuba não era um satélite soviético. Por acreditar que, sem o apoio do bloco socialista, a queda do regime cubano seria apenas uma questão de tempo, o governo dos EUA endureceu o bloqueio econômico nos anos 1990, por meio de medidas extraterritoriais como a emenda Torricelli e a lei Helms-Burton. De acordo com o direito internacional, o embargo unilateral é considerado uma medida ilegal. Recentemente, a Assembléia Geral das Nações Unidas aprovou, pela 17ª vez consecutiva, uma resolução que condena os EUA pelo bloqueio imposto a Cuba há 47 anos. Dos 192 países que pertencem à ONU, 185 condenaram o embargo estadunidense.

Mesmo com o recrudescimento das sanções, o governo cubano conseguiu não apenas manter mas também melhorar algumas das principais conquistas sociais da revolução. No âmbito da saúde, Cuba atingiu recentemente a mais baixa taxa de mortalidade infantil da sua história: 5,3 em cada mil nascidos vivos. Trata-se da segunda menor taxa das Américas, ao lado do Canadá. Na área cultural, a Casa das Américas, fundada por Haydée Santamaría, continua sendo um importante centro de difusão da literatura latino-americana. Igual importância tem o festival internacional de cinema de Havana, que acaba de realizar sua 30ª edição.

Além dos avanços, a Revolução Cubana também apresenta contradições e problemas. Por exemplo, muitos questionam o regime de partido único, o monopólio da imprensa estatal e as restrições a algumas liberdades individuais. Ademais, nos últimos anos, em virtude das reformas econômicas introduzidas com o colapso do campo socialista, a sociedade cubana passou a experimentar um nível de desigualdade ao qual não estava acostumada.

No entanto, entre as principais fragilidades das críticas endereçadas a Cuba, ressalta-se a ausência de perspectiva histórica, que ignora os contextos e os desafios que influenciaram as escolhas dos dirigentes cubanos, sempre condicionadas pela ação dos sucessivos governos norte-americanos. Além disso, deve-se observar que as experiências socialistas do século 20 foram obrigadas a dividir seus esforços entre a sobrevivência em relação aos inimigos externos e a construção de uma sociedade que se pretendia mais justa e avançada. No caso de Cuba, a pressão do exterior tem sido incessante ao longo dos últimos 50 anos. Segundo o historiador Luis Fernando Ayerbe, “nenhum sistema pode desenvolver suas potencialidades vivendo em clima de permanente conflito, que é justamente o mais favorável ao fortalecimento das tendências autoritárias existentes” (Ayerbe, 2004, p.119).

Com seus erros e acertos, a Revolução Cubana mostrou a muitos povos que um país pobre pode construir uma sociedade mais justa para todos. Trata-se de uma ilha, arrancada de séculos de opressão e atraso, que se ergueu para construir uma nova história, a que lhe foi negada. Darcy Ribeiro afirmou certa vez que, na América Latina, só havia dois destinos: ser resignado ou ser indignado. Os cubanos jamais se resignarão.

Referências Bibliográficas:

AYERBE, Luis Fernando. A Revolução Cubana. São Paulo: Editora UNESP, 2004. (Coleção Revoluções do século XX)

CANDIDO, Antonio. “Cuba e o socialismo” In: SADER, Emir (Org.) Por que Cuba?. Rio de Janeiro: Revan, 1992.

CASTRO, Fidel. A história me absolverá. 3ª ed. São Paulo: Alfa – Omega, 1979.

FMI PEDE NACIONALIZAÇÃO DOS BANCOS

Enquanto o FMI (Fundo Monetário Internacional) recomendou abertamente ontem a nacionalização de bancos privados para enfrentar a atual crise de crédito, o secretário do Tesouro norte-americano, Timothy Geithner, afirmou que em breve anunciará um novo pacote de ajuda às instituições financeiras.

 Confrontado com a opção pela nacionalização de alguns bancos, Geithner afirmou: “Nosso sistema financeiro pertence a acionistas privados e é gerido por instituições privadas. Nós gostaríamos de fazer o possível para mantê-lo dessa maneira”.

 Várias opções vêm sendo consideradas pelo Tesouro para a segunda etapa do socorro ao sistema financeiro, que deverá custar, no mínimo, US$ 350 bilhões. Essa é a segunda parcela do pacote de US$ 700 bilhões aprovado pelo Congresso no ano passado.

 Entre as saídas, figura a criação de um “banco podre” estatal. As instituições privadas transfeririam para esse “banco podre” os chamados títulos “tóxicos” (resultados de empréstimos malfeitos e sem garantias) de suas carteiras.

 Em troca, o governo converteria esses ativos “tóxicos” em títulos que poderiam ser transformados em ações dos bancos caso o Tesouro queira. Com isso, o governo aumentaria o poder de pressão sobre os bancos, como já vem fazendo.

 Embora Geithner fale em “sistema privado”, com os socorros realizados até aqui (e que já se estenderam a quase 300 bancos), os contribuintes norte-americanos já são, individualmente e na prática, os principais acionistas das duas maiores instituições no país. O governo já tem 6% das ações do Citigroup e cerca de 8% das do Bank of America.

 Depois de ter recebido US$ 45 bilhões em dinheiro público, por exemplo, o Citigroup foi pressionando pelo Tesouro a abandonar a compra de um jato de US$ 50 milhões. Agora, o Bank of America está sendo instado a adiar para 2010 o pagamento de eventuais bônus.

 Essa “estatização branca”, como vem sendo chamada, poderá aumentar ainda mais com a criação do “banco podre” estatal. Seu objetivo é limpar as carteiras de empréstimos dos bancos e permitir que eles voltem a assumir novos riscos, fornecendo mais crédito.

 Hoje, o mercado de crédito está travado justamente porque os bancos temem emprestar mais, levar novos calotes e assim aumentarem ainda mais o rombo em suas carteiras.

 Até agora, segundo relatório do FMI divulgado ontem, só os bancos norte-americanos precisaram de mais de US$ 2,2 trilhões para cobrir perdas com esses ativos “tóxicos”. Segundo o Fundo, serão necessários pelo menos mais US$ 500 bilhões para que o sistema se estabilize -o que não significa que todas as perdas serão cobertas.

 Nacionalização
 Diante dos rombos trilionários, o diretor do Departamento para o Mercado Financeiro e de Capitais do FMI, o espanhol Jaime Caruana, defendeu com todas as letras ontem a nacionalização de alguns bancos.

 “Sobre a possibilidade de eventuais nacionalizações, a intervenção total das autoridades talvez se faça necessária”, afirmou Caruana. “Nesse caso, a questão de quanto pagar pelos ativos dos bancos é menos importante, já que as autoridades estarão no controle.”

 Caruana acrescentou que “a “limpeza” das carteiras dos bancos é fundamental, pois o crédito vai continuar deteriorando se a confiança não for readquirida”. “Isso precisa ser feito imediatamente”, disse.

 Apesar do discurso pró-mercado, os EUA já nacionalizaram bancos no passado. No fim da década de 1980 foi criada a Resolution Trust Corporation, que assumiu carteiras “podres” dos então chamados “bancos zumbis”, impôs perdas aos acionistas e afastou controladores das instituições.

 Depois de limpos, os bancos foram vendidos, fundidos com outros ou eliminados. Na época, o plano consumiu US$ 130 bilhões e envolveu bancos pequenos, médios e regionais.

 Com um novo pacote de ajuda a caminho, as ações dos bancos lideraram ontem.

 

fonte. Folha de são Paulo

A Crise das Universidades

Segue um artigo interessante sobre os reais problemas das universidades brasileiras. O artigo e do filosofo Paulo Ghiraldeli

 

Há pouco tempo a PUC-SP estava aos gritos: “crise”. Começamos 2009 e outras grandes instituições particulares de ensino superior repetem o grito: “crise!” E as greves e manifestações se alastram. Apareceu na imprensa: donos de escolas choram, sindicatos viram porco-espinho e professores ficam devendo em super-mercado. Funcionários da limpeza padecem – continuam trabalhando mesmo sem receber. Os alunos? Bem, ainda estão nas férias. Eis as universidades problemáticas apontadas: Unib (Universidade Ibirapuera), Universidade São Marcos e Unisa (Universidade de Santo Amaro). As três instituições respondem por cerca de 30 mil alunos. E se pegarmos faculdades isoladas, então, o quadro paulistano complicado assusta um pouco. É a crise? Sim! Mas não é a crise mundial. Nem é a crise de diminuição de demanda. É claro que com o MEC na situação em que está, boa coisa não se poderia esperar, mas não é culpa só do MEC não. O MEC conseguiu derrubar o número de alunos que terminam o ensino médio e procuram uma universidade. Sabemos disso. Mas não podemos culpar o MEC, pois o ministro atual não inova nos erros, apenas repete os do passado (ainda que capriche para não deixar de repetir algum). Falta criatividade ao ministro para errar diferente. A maior crise é a de gestão das próprias universidades – estas acima apontadas e outras que estão mancando. Pois há universidades que, nesse mesmo período, continuaram a crescer e investir. Aliás, no caso da São Marcos, há investimento. Finalmente a universidade comprou um prédio próprio. O diretor executivo Ernani de Paula, o Ernaninho, chegou a pouco na universidade para salvá-la da má administração dos irmãos – ele reconhece isso – e está negociando bem com os professores. No meio disso, ousadamente, adquiriu um prédio gigantesco no Ipiranga, que era do banco Sudameris. Isso mostra bem que cada caso é um caso, e que se cabe a palavra “crise”, ela deve ser aplicada com muito cuidado a cada situação. O fato é que há muito tempo o ensino superior brasileiro vem sendo dirigido por pessoas que não são do ramo. E se são do ramo, nunca aprenderam a administrar, apenas copiaram o que já se fazia no modelo de administração das universidades estatais – todas elas visivelmente “gastadeiras” e muitas delas com uma eficiência de ensino e pesquisa duvidosa. Portanto, não há crise, e sim crises. Todavia, há uma medida geral a ser tomada. Aliás, ela já foi tomada. Essa medida é de 1996. É a LDB. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBN 9.034/96) criou a possibilidade de cada universidade se organizar segundo seus próprios critérios, exercendo sua criatividade. As universidades estatais não se mexeram, é claro. Mas o esquisito foi ver que salvo raríssimos casos – e assim mesmo de maneira tímida – as universidades particulares também ficaram paradas. Não tiveram pessoas nos seus staffs para criar novas formas de organização física e humana. A maioria continuou com “departamentos e faculdades” ou “coordenações de cursos e direção”. E foi proliferando o número de funcionários desnecessários. Aliás, manteve um número grande de professores com pouca titulação e com poucas horas de trabalho. Isso gerou professores pouco compromissados com o estabelecimento e um grande gasto na folha de “direitos trabalhistas”. Seria melhor ter menos professores, mas com mais titulação e pagos de modo adequado (com uma carreira atrativa). Agindo de modo errado, essas universidades se mostraram estar aquém de pegar o que a LDB deu para todas em termos de liberdade. Não sabendo criar, não souberam procriar. Quase toda universidade particular brasileira é uma réplica piorada de universidade estatal. Organiza seu sistema de ensino, pesquisa e extensão de modo a copiar o que funciona mal na universidade estatal – inclusive o sistema de fofoca e politicalha. Ora, a universidade estatal, por sua vez, não passa de um sistema falido. Um elefante branco que só se vangloria porque, diante da universidade particular, pode apresentar um volume de pesquisa maior e cantar de galo. Mas, em termos comparativos com o exterior, nossa universidade estatal não serve à democracia, e tem uma dificuldade imensa de fomentar o pensamento crítico e gerar o trabalhador prático e cidadão segundo as demandas do país. A universidade particular, sendo feita de aposentados da universidade estatal, é ela própria a réplica disso, só que mais envelhecida. Talvez mais experiente, mas com pouca criatividade. Tem experiência, sim, mas é a experiência do fracasso. Quem vai romper isso? O executivo de uma dessas universidades “em crise” que tiver a coragem de criar, de ver como se faz no exterior, e perceber que pode reorganizar sua escola segundo um registro de menos dinheiro para coisas tolas, e mais dinheiro no bolso do bom trabalhador, vencerá fácil. Algumas medidas são fáceis de tomar. Basta não ser muito bobo. Eis algumas medidas necessárias. Primeiro. O dinheiro deve cair no bolso dos BONS professores, e não ser distribuído por igual. E se a quebra de isonomia é impossível, então há a necessidade de critérios rigorosos para se contratar. O cabide de empregos deve ceder espaço para um criterioso e prático exame de ingresso de cada professor. E também de cada técnico e de cada funcionário. Uma universidade que paga professores incompetentes e funcionários estúpidos vai amargar olhar para o rosto deles em assembléia, fazendo greve sem, no entanto, terem realmente ensinado algo ou trabalhado de modo correto. Além disso, os cargos intermediários de chefias devem ser reduzidos. Em geral as universidades particulares ficam inchadas, sendo que os proprietários perdem o controle do estabelecimento para burocratas, não raro, aposentados de alguma universidade federal. E o que é pior, nem sempre esses burocratas administraram bem a federal em que estavam – lá, eles também enganaram. Em segundo lugar, cada universidade deve saber articular de modo ótimo a pesquisa feita no laboratório da escola com o estudo feito virtualmente; a universidade do futuro não deve ter alunos em seu prédio para fazer aquilo que eles podem fazer virtualmente. O prédio é o local dos grandes laboratórios, onde o aluno aparece para trabalhar com o material que ele não tem disponível em casa ou na cidade: clínicas, arquivos, salas de experimentos etc. Nesses laboratórios há o professor que realmente sabe ensinar, e não o que sabe fazer o “blá-blá-blá”. E no ensino virtual, o mesmo deve ocorrer. Aluno que realmente aprende é aluno que indica no “boca-a-boca” aquela universidade para o irmão ou colega – é isso que faz uma escola, não o outdoor monstruoso. Em terceiro lugar, deve haver o aumento do número de cursos feitos em uma mesma seqüência. A terminalidade ideal deve ser a meta. Em seis anos de estudo um aluno deve ter chances de receber mais certificados e se inserir no mercado parcialmente, mas no mercado da sua profissão. Isso amplia a chances de ganho do aluno e diminui a inadimplência diante da escola. Em quarto lugar, a pós-graduação deve estar articulada com a graduação através do mecanismo de orientação de estudos, iniciado bem precocemente – e agora, com rédea curta por meio virtual –, sendo que quem entra em uma universidade não deve sair dela muito cedo. Deve gostar de ficar nela. Deve se sentir com chances ali dentro para crescer, para sair da graduação e fazer especialização e mestrado ali mesmo. Universidade que não cuida com carinho de seus doutores e não os coloca também na graduação, gerando mecanismos para que eles criem o canal de sobrevida do aluno na instituição por no mínimo seis anos, está mal administrada. Ela não faz o trabalho de seus doutores alcançar o ponto ótimo, então não segura seus alunos. Tudo passa por saber aproveitar a liberdade da LDB e a autonomia universitária para potencializar o trabalho de um dos ramos mais lucrativos que há no mercado brasileiro: a venda do ensino. Quem consegue entrar em crise nesse ramo é caso de desistir da vida. É claro que eu poderia escrever um livro de medidas desse tipo que já deram certo em vários lugares no exterior, e em alguns poucos aqui no Brasil. Mas fico por aqui. Pois o problema dessa crise é que há muito administrador errado no lugar errado na hora errada. Os proprietários das universidades em crise deveriam perceber isso. E se são eles próprios os administradores, deveriam pensar em vender a escola, pois não estão sabendo tocar o negócio.