Dilma defende educação como principal fator de inclusão social no Brasil

A candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, em entrevista ao Programa 3 a 1, da TV Brasil, defendeu a educação como principal fator para promover maior inclusão social no Brasil. Ela disse que o fortalecimento da educação precisa significar valorização financeira e social do professor.

“A educação será um dos fatores de maior inclusão daqui para frente. É com a educação de qualidade, que está baseada na valorização do professor, que está baseada em salários decentes para o professor e em formação continuada. O que eu acho é que o Brasil pode ser uma economia desenvolvida nesta década que começa em 2011. Para isso, quero ser presidente do Brasil”, disse Dilma na entrevista à  TV Brasil. Foram três blocos nos quais ela falou sobre seu programa de governo e sobre questões que envolvem a campanha.

Dilma rechaçou a ideia de que no Brasil se investe em ensino superior público e não se investe tanto no ensino básico. “Essa é a questão mais falsa que este país já enfrentou. Essa coisa da gente fazer uma segregação entre ensino universitário e ensino fundamental não é verdadeira. Toda avaliação, como o Ideb [Índice de Desenvolvimento da Educação Básica], mostrou que se tem um melhor nível da educação básica, quanto mais se contar com professores formados nas universidades e em alguns casos com pós-graduação. O Brasil, para dar qualidade ao ensino básico, precisa formar professores capacitados a ensinar nossas crianças e nossos jovens. Temos que exigir que os nossos professores tenham curso superior, incluindo pós-graduação e temos de pagá-lo muito melhor do que pagamos”, destacou.

A questão do salário dos professores, de acordo com Dilma, é crucial. “Não dá para falar da qualidade de educação e não dar formação continuada para os professores, não dar uma coisa que eu acho gravíssima, a valorização da profissão. Como é que um jovem que está estudando matemática vai ser professor se, por exemplo, no estado mais rico do país ele ganha R$1.800. Nós precisamos de professores de matemática, de física, de biologia e de química. Nós precisamos capacitar os nossos professores. O salto que nós podemos dar de agora para o futuro e nos transformar em uma país efetivamente desenvolvido passa por uma valorização social do professor. Nos temos que valorizar o status do professor na sociedade. Só tem um jeito de fazer isso: pagar salários adequados.”

A candidata do PT disse ainda que o piso nacional do magistério, que atualmente está em R$ 1.050, ainda é insuficiente e defendeu que o governo gaste dinheiro na formação do professor. “Aí vale ampliação das faculdades públicas. Muitos professores não têm como pagar ensino privado. O ProUni [Programa Universidade Para Todos] facilitou isso ao dar bolsa e tem que ter financiamento, mas tem que fortalecer o ensino universitário federal”, defendeu.

“Não se faz educação de qualidade só com laboratório, só com prédios melhores. Só se faz de um jeito, valorizando o professor. Primeiro, formando-o bem. Segundo, pagando bem para atrair as pessoas mais capacitas para começar a formar os jovens e as crianças deste país”.

Dilma ainda disse que pretende continuar a política de interiorização das universidade federais iniciada no governo Lula. “Acho que fizemos um esforço grande ao voltar a investir em faculdades federais e mais ao interiorizá-las. Porque não se pode admitir que o aluno, que não tem grandes recursos, fique mudando de uma cidade para a outra para estudar. Construir campus no interior deste país é fundamental para melhorar a qualidade do ensino”, acrescentou.

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Alunos do ProUni recebem bolsas para graduação na Espanha

Brasília – Filho de um porteiro aposentado e de uma empregada doméstica, o universitário Rubens Lima recebeu hoje (5) conselhos do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, antes da viagem que fará à Espanha. Ele é um dos dez alunos do Programa Universidade para Todos (ProUni) selecionados para um curso de graduação na Universidade de Salamanca.

Depois do encontro com Lula, Rubens falou de sua felicidade, misturada à preocupação de sua mãe, com a oportunidade de estudar na Espanha. “No começo, fiquei assustado. Contei para minha mãe que havia ganhado uma bolsa de estudos e ela ficou feliz. Mas quando disse que era em outro país, ela ficou preocupada”, disse.

Lula também aproveitou o encontro com os bolsistas para rebater as críticas feitas ao ProUni. Para ele, as notas dos estudantes são a prova de que a opção do governo em conceder bolsa a jovens pobres foi acertada.

“A nota de vocês é a gratificação que nós queríamos. Que a política educacional teve uma retribuição extraordinária pelos alunos que estudaram”, disse o presidente acrescentando que “ainda tem gente que não gosta do ProUni, que tem sisma do ProUni”.

“O orgulho de vocês irem estudar lá fora é porque quando criamos o ProUni havia muita gente que não acreditava no programa, diziam que não ia dar certo e que íamos nivelar o estudo por baixo, por colocar jovens da periferia e de escolas públicas nas universidades”, afirmou Lula.

O ministro da Educação, Fernando Haddad, que também participou da cerimônia, disse que o desempenho dos alunos selecionados é semelhante ao de estudantes de países desenvolvidos. “Eles tiveram desempenho compatível com qualquer estudante de países desenvolvidos e, a partir do convênio com o governo espanhol, a universidade está acolhendo esses estudante com bolsas integrais”, afirmou.

Para o ministro, os dez alunos selecionados estão “entre os 2%, 3% mais [qualificados] do país. Entre os 2,5 milhões de estudante que fizeram o Enem e entre os 200 ou 300 [melhores] do país”.

Haddad revelou que meta a inicial do ProUni, de conceder 720 mil bolsas, dever ser superada já no próximo semestre. “Seguramente, vamos superar. Basta apenas mais 22 mil bolsas para superar esta meta”.

Tanto Lula, quanto Haddad, ressaltaram que a partir do convênio com a universidade de Salamanca novas parcerias podem ser fechadas com outros países.

“O acordo entre o [Ministério da Educação] MEC e a Universidade de Salamanca é o primeiro grande passo de uma grande caminhada para que a gente possa estabelecer convênios com outras universidades e, quem sabe numa troca, possamos mandar nossos alunos para lá e possamos receber alunos de outras universidades aqui no Brasil, porque em alguns centros do país já temos um ensino de excelência”, afirmou Lula.

O convênio entre o MEC e a Universidade de Salamanca vai beneficiar até 40 estudantes brasileiros de baixa renda que poderão estudar na universidade espanhola. O ProUni vai oferecer dez bolsas anualmente, com duração de quatro anos. Elas incluirão os cursos de biologia, biotecnologia, estatística, farmácia, física, informação e documentação, engenharia de edificações, engenharia de materiais, matemática e sociologia.

Fonte: Agencia Brasil
Ivan Richard
Repórter da Agência Brasil