Unicamp debaterá pesquisas sobre juventude

“Problematizando as Juventudes na Contemporaneidade” . Este será o tema do I Seminário VIOLAR, que se propõe a reunir profissionais envolvidos com o campo de pesquisa das juventudes e suas múltiplas formas de manifestação e produção de sentidos, contribuindo na criação de uma nova rede de investigação que possa promover uma necessária cooperação acadêmica entre Universidades e pesquisadores, bem como implementar esse campo de pesquisa na temática da juventude na Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). O seminário, que ocorrerá nos dias 11, 12 e 13 de agosto de 2010, na UNICAMP, em Campinas (SP), será organizado em cinco grandes eixos que reunirão os(as) pesquisadores(as) inscritos para apresentação e debate de suas pesquisas.

O objetivo do evento é buscar meios de articular pesquisas em torno das várias questões que abrangem o mundo juvenil, entre elas, as violências e as alternativas de resistências encontradas pelos jovens que produzem outros processos de subjetivação, em busca da autonomia, da liberdade e de condições de vida mais humanas. Ao aglutinar pesquisadores(as) de diferentes áreas que se debruçam sobre o tema é possível dar maior visibilidade à produção já existente e o levantamento de novas questões a serem pesquisadas, contribuindo como apoio ou contra-ponto às políticas públicas existentes e para as ações sociais voltadas ao público juvenil.

Este seminário se inscreve dentro de um contexto atual, no qual as juventudes têm sido uma preocupação corrente que tem mobilizado governos e a sociedade civil em seus diferentes níveis. Tal atenção se deve, sobretudo pelas condições de vida destes(as) jovens brasileiros(as) e que aumentam a vulnerabilidade a qual estão submetidos(as), como as condições de pobreza, a baixa escolaridade e as mortes por homicídio, revelando em recentes pesquisas que a taxa de mortes entre jovens de 15 a 29 anos passaram da média anual de 24,8 mil entre 1999-2001 para 27,2 mil entre 2004-2006, número que consiste em 37,5% de todas as mortes juvenis neste período[1].

As questões juvenis que serão debatidas e articuladas no evento são traduzidas pelos seus eixos temáticos: Juventudes e Educação – Juventudes e Trabalho – Juventudes e Cultura – Juventudes e Violências e Juventudes, Sexualidade e Saúde.

O I Seminário VIOLAR, sendo uma iniciativa do VIOLAR (Laboratório de Estudos sobre Violência, Imaginário e Juventude) do Programa de Pós Graduação da Faculdade de Educação da Unicamp, em parceria com a Faculdade de Educação da Universidade Estadual da Bahia e com a Universidade Estadual do Oeste do Paraná, pretende posteriormente produzir materiais de pesquisa e realizar o intercâmbio entre Universidades e Instituições de Pesquisa que priorizem a temática da juventude em seus diferentes percursos.

Fonte: Site da Unicamp

Pelo fim do vestibular

siba_machado_senador

Li a biografia de Albert Einstein (gosto muito dessa leitura), fiquei impressionado. O autor nos afirma que este pensador foi um mal aluno, desinteressado e para concluir sua faculdade precisou da ajuda dos colegas.Acontece que Einstein desde muito cedo teve a "luz" de sua grande criação e como tal, a escola não estava a seu tempo e não tinha como ajudá-lo. Quando chegou perto do epicentro de sua teoria, sentiu que faltou sua principal ferramenta: a fundamentação matemática. Entrou em tristeza, depressão e por pouco não desistiu de seu propósito. A biografia nos diz que quem o salvou foi um ex-professor e sua esposa que entendia razoavelmente de matemática.

Outro caso interessante é o de Isaac Newton, nascido de sete meses, doentio e de aparência física muito feia (não era nenhum gatinho). Também já entrou na faculdade pensando muito além de seu tempo e como tal, a escola era um tédio. Superou tudo e se tornou num dos cérebros mais venerados em todo o mundo. E o que dizer de Santo Agostinho e sua vida de libidinagem (senhor dá-me a castidade, mas não ainda) até seu convertimento e suas grandes contribuições para a filosofia?

Entendo, defendo e luto muito pela qualidade do ensino. Quando entrei na Ufac, o curso (geografia) não dispunha dos laboratórios elementares para seu funcionamento. E o que dizer do tempo em que os professores que davam aulas nos municípios isolados do Estado, sem biblioteca, sem internet e com uma comunidade acadêmica incipiente para motivar um estudante a fazer um curso superior?

Quer dizer que enquanto a "qualidade" não chegar, todas essas pessoas estarão impedidas de ingressar na faculdade?

O governo do Acre promoveu juntamente com a Ufac a formação de todos os professores da rede estadual urbana e rural e agora também a rede municipal em todos os municípios e sem vestibular. Também negociou a instalação do curso de economia em quinze dos municípios mais pobres do Estado (o Acre tem apenas 22 municípios).

O que pretendo mesmo é uma escola que leve os alunos à motivação! Motivados, o céu é o limite. O que queremos é a capacidade de pensar, criar e inovar. Com esses ingredientes, a "qualidade" será uma realidade ao alcance de muitos.

Diversas universidades estão testando alternativas para inovar na forma de recrutar novos alunos. A federal da Bahia e a UNB já incrementaram algumas novidades interessantes. Uma forma que estar tomando corpo nas UNIFES é o bacharelado por área comum.

Exemplo: a área de ciências da natureza/exatas formam um bacharelado como tronco comum (física, matemática, química, biologia, etc) com duração de 2 ou 3 anos. Ao final o aluno (a) escolhe o curso específico e conclui com a especialização. A Unicamp tem um curso de 2 anos conhecido como ciências da terra (geografia e geologia) depois o aluno escolhe em qual deles se especializa.

O ingresso dos alunos nesse bacharelado se dar por aproveitamento de notas e presença no ensino médio dentro (ainda) da capacidade das vagas oferecidas. As salas de aula foram aumentadas para comportar turmas de 50 alunos, com mini auditórios, vídeo conferências, bibliotecas, internet e outras formas de conhecimento extra sala. Os professores tiveram que reinventar o formato das aulas.

O foco do ensino é na pesquisa individual, ficando a sala de aula para os debates, seminários e apresentação de trabalhos. Ou seja, fazer do ensino uma iniciação científica.

Numa visita que fiz à Universidade de Padova na Itália, pedi para conhecer a sala onde Galileu ministrava suas aulas. Funcionava como nos comícios das campanhas eleitorais que conhecemos hoje: um pequeno palanque de onde ele falava e embaixo os alunos ouviam e certamente também o indagavam. (o curioso é que não vi cadeiras). E olhe que Galileu teve brilhantes alunos e naquelas condições.

Isto me diz que quando a vontade quer, os instrumentos por piores que sejam, só ajudam. Avante! Não é a forma de entrar na faculdade o nosso maior problema, e sim como a gente sai.

Siba Machado é suplente de senador pelo PT-AC e assessor especial do governo do Acre.