Lupi: Em 2010, o País vai gerar dois milhões de novos empregos

 

A geração de emprego e a qualificação profissional foram temas abordados pelo ministro do Trabalho, Carlos Lupi, no Bom Dia Ministro desta quinta-feira (22). Lupi também falou sobre a criação de mais de 252 mil empregos com carteira assinada. Veja abaixo a síntese da opinião do ministro sobre temas importantes para os trabalhadores.

Redução da carga horária
“Sou amplamente favorável a essa redução. Hoje, toda a Europa pratica menos de 40 horas – em torno de 37,5 horas. Dos 50 estados americanos, praticamente quase todos têm menos de 40 horas semanais. Acho inclusive que isso é um ganho para as empresas. Porque dá mais produtividade do trabalhador, do seu serviço. A carga de 40 horas é uma medida saudável. O trabalhador brasileiro precisa ter um pouco mais de tempo para ficar com a sua família.”

Crescimento do emprego
“O Brasil vai crescer muito. No auge da crise, o mundo todo se descapitalizava e o Brasil crescia a sua reserva. A indústria nacional aplicando muito e o mercado interno, muito forte. Tivemos ganhos reais do salário de todas as categorias. O salário mínimo aumentou, nos últimos sete anos, mais de 60%. Todos esses fatores somados permitiram que o Brasil tivesse esse comportamento diferenciado de crescimento da economia. Para que isso acontecesse, adotamos medidas específicas para cada área. Para o setor automobilístico, isenção do IPI para o carro novo e investimentos através do Fundo de Amparo do Trabalhador (FAT), liberando recursos para capital de giro para empresas que vendem carros usados. Demos várias isenções fiscais para o setor produtivo – indústria da carne, da metalurgia. Ampliamos para mais de 300 mil trabalhadores o seguro-desemprego. Esse ano, o abono salarial será pago a mais de 16 milhões de brasileiros. O salário mínimo teve, em 1º de fevereiro, ganho real acima da inflação. Tudo isso permitiu com que o País chegasse, em setembro a 252 novos postos de trabalho – 932 mil acumulados no ano. Dos 20 maiores países do mundo, o Brasil é o que mais gerou emprego. Chegaremos em dezembro a mais de 1,100 milhão de novos postos de trabalho. Em 2010, vamos bater novo recorde: serão dois milhões de empregos”

Copa do Mundo e Olimpíadas
“As pessoas precisam ter noção de quanto são importantes esses dois eventos para o Brasil. Teremos uma divulgação no mundo, como nunca tivemos, em dois eventos sequenciais. Isso nos obriga a trazer investimentos maciços, por exemplo, na área de transportes e de serviços. Temos que melhorar a capacidade hoteleira e a qualidade dos serviços de restaurante, de hotelaria e de transporte. Isso tudo significa investimento e mais emprego. Vamos ter muitos investimentos e, nos próximos anos, vamos começar a bater recordes na geração de emprego. Um dos papéis do Ministério do Trabalho é investir na qualificação profissional. Esse ano 200 mil trabalhadores beneficiados pelo bolsa-família serão qualificados para a área de construção civil. Pretendemos preparar este ano 4,2 mil pessoas só no Rio de Janeiro no setor de turismo. Com a decisão mais recente das olimpíadas, estamos trabalhando para que em 2010 os investimentos sejam direcionados principalmente aos setores que terão maior crescimento de geração de emprego, que são as áreas de construção, serviço, hotelaria e transporte.”

Trabalho escravo
“Temos a ação governamental chamada Equipe Móvel do Ministério do Trabalho, que é um trabalho conjugado entre Ministério Público, Ministério da Justiça, Polícia Federal e governos estaduais, onde se trabalha fortemente para combater o trabalho escravo. Há uma lista suja com as empresas flagradas com trabalhos análogos ao do escravo, com condições subumanas ao trabalhador. Elas são impedidas de ter financiamento e acabam fechando. Tem um projeto de lei no Senado Federal para confiscar as terras onde for comprovado trabalho análogos ao escravo para a União, uma ótima forma para punir com mais rigor aqueles que usam o ser humano.”

Portadores de deficiência
“A fiscalização está agindo firmemente, mas infelizmente a grande maioria das empresas não está cumprindo a legislação. Entendo que existam setores que têm dificuldades para adaptar o portador de necessidade especial, como o de transportes por exemplo. Agora, outros não têm desculpa, é pura discriminação. Estamos combatendo isso. Será obrigatório em todos os cursos de qualificação oferecidos pelo Ministério pelo menos10% das vagas para portadores de necessidades especiais ou deficientes físicos. Esse é um instrumento a mais para que esta parcela da população tenha uma qualificação e consiga mais rapidamente uma vaga no mercado de trabalho.”

Serviço Nacional de Emprego
“O Sine tem uma característica muito especial por ser uma parceria muito forte que o governo federal faz com os estados. Está completando 34 anos fortalecido. Em todas as cidades que têm mais de 200 mil habitantes o Sine faz o trabalho para intermediação de mão-de-obra. Ou seja, receber o trabalhador que está precisando de emprego, catalogar, verificar se ele precisa de algum treinamento, averiguar solicitações, a demanda do mercado de trabalho e as empresas que precisam desse trabalhador. Através do Sine pode-se também emitir a carteira de trabalho e solicitar o seguro-desemprego.”

Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT
“Promover a segurança e a saúde do trabalhador é uma das responsabilidade do Ministério. Atuamos na fiscalização das empresas, que devem cumprir a lei. Os vales-alimentação, conhecido como ticket, ofereceram um ganho real para o trabalhador. Gerou melhoria de condições de vida e mais emprego na área de restaurantes. Hoje já são quase 12 milhões de beneficiários, mas precisamos avançar muito. O trabalhador deve acionar o Ministério no caso de achar que a empresa não está cumprindo com o PAT. Temos superintendências em todos os estados. “

Geração de empregos no sudeste
“São Paulo foi o maior gerador de emprego de todo o Brasil, maior inclusive do que o Rio de Janeiro, pelas características do estado – por ser um estado muito forte na industrialização e, principalmente, por ser o estado maior gerador de emprego e possuir a maior população do Brasil.
Nossa perspectiva para 2010 é muito positiva, não só na indústria do petróleo e em toda sua cadeia produtiva, como em todo o setor da economia. O Brasil está com setor de comércio reagindo fortemente; construção civil e serviços estão crescendo muito bem. A indústria, que no começo do ano teve um fraco desempenho, se recuperou. Mesmo no auge da crise eu já previa esses um milhão de emprego. Todo mundo achava que era otimismo demais. Eu tenho certeza que em 2010 vamos viver o melhor ano da economia brasileira, o maior crescimento do Produto Interno Bruto e o maior crescimento na geração de emprego.”

Fonte: Em Questão

Entrevista com Rosana Souza, secretária nacional de Juventude da CUT

“Nosso objetivo é envolver a juventude trabalhadora no projeto sindical da CUT”, afirma

A primeira secretária da recém criada Secretaria Nacional da Juventude, Rosana Souza, do ramo químico de São Paulo, de 32 anos, falou em entrevista ao Portal Mundo do Trabalho sobre o desafio de representar a juventude da CUT e de sua atuação ao longo

do mandato.

 

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Como é ser a primeira secretária nacional de Juventude da CUT?

Eu tenho orgulho de estar à frente desta Secretaria e reconheço o tamanho da responsabilidade para que possamos colocar a juventude como um dos agentes principais na construção da sociedade. Esta luta vem de longa data, desde a fundação do Coletivo Nacional da Juventude Trabalhadora da CUT, em 1997. Portanto, já existe um trabalho voltado à juventude, que hoje conta com 18 coletivos estaduais. E agora conseguimos institucionalizar a discussão no interior da CUT.

O que você detectaria, em um primeiro momento, como a principal demanda?

Acho que a questão do trabalho decente é a principal. A cada dia os jovens estão ingressando mais cedo no mercado,  abandonando o processo educacional e sem acesso a qualificação profissional. A maioria, que vem de famílias mais pobres, é obrigada a aceitar postos de trabalho precários, ao contrário dos filhos das classes mais altas, que podem disputar os melhores empregos ou entrar mais tarde no mercado de trabalho. Além disso, essa realidade traz consigo o adoecimento provocado pelo trabalho. Visualizando este cenário, precisamos ter bastante atenção sobre a inserção do jovem no mundo do trabalho com o propósito de reduzir os impactos sobre a sua saúde e seu acesso à educação.

Já existe a definição da estratégia política?

Ainda não. Ela será construída coletivamente, após a posse da direção, que ocorrerá no dia 28 de agosto. A idéia é fazer um seminário com a participação de todos os secretários e secretárias estaduais eleitos nos CECUTs  e com os representantes dos ramos que têm algum trabalho de juventude já organizado.  A partir deste momento é que vamos traçar um planejamento e começar a construir a política nacionalmente, com bastante participação.

Como será atuação da Secretaria?

Ela atuará com os coletivos estaduais da mesma forma que ocorre com os demais coletivos da CUT, que já têm suas secretarias. O Coletivo Nacional da Juventude precisa contemplar todos os ramos e estaduais da CUT. Então nenhum segmento ficará de fora da elaboração da estratégia da CUT sobre as políticas que desenvolveremos sobre a juventude trabalhadora.

O que você, enquanto secretária, espera da estrutura CUT?

Espero o apoio da Executiva da Nacional e dos sindicatos que representam os mais diversos setores. Assim como, diálogo com as demais secretarias porque o tema juventude não pode ser uma discussão isolada. A aproximação com as secretarias de Formação, Mulheres, Saúde do Trabalhador e de Combate ao Racismo é fundamental para a construção de políticas que atendam as demandas da juventude. Sem isso, não conseguiremos colocar em prática as propostas elaboradas pelo Coletivo.

Na sua avaliação qual o principal problema dos jovens no mercado de trabalho?

A ocupação de postos precários e a informalidade, ao lado da falta de representação nos sindicatos, o que torna difícil a interlocução. Por isso, iremos trabalhar em conjunto com os movimentos sociais. A UNE (União Nacional dos Estudantes), por exemplo, será uma grande aliada neste processo, assim como a juventude rural. Chegar aos trabalhadores informais é um grande desafio. Dialogamos com a juventude sindicalista, com juventude trabalhadora que são representadas pelos sindicatos da CUT, mas temos dificuldade com a juventude estudantil, rural e do mercado informal.

E a questão das políticas públicas?

Na nossa avaliação, o Estado precisa ter um papel maior na execução de políticas públicas voltadas para a juventude. Precisamos ter mecanismos de participação popular para que a juventude tenha espaços para opinar e decidir sobre as políticas públicas que queremos, como aquelas voltadas para educação, cultura, esporte e lazer.