Vereadora Cida Pereira-PT/MG defende projeto Ficha Limpa

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Dilma conquista votos no meio CUltural. Marcelo Camelo “Los Hermanos” declara voto. Veja entrevista completa.

marcelocamelo

 

Da nova geração da música, não tem ninguém que te chamou a atenção, além dos meninos do Hurtmold?
Ah, a Mallu, né? Por isso a chamei para participar do Sou. Tem uma banda francesa, Phoenix, que eu acho simpática. Gosto da esquisitice do Catatau, do Cidadão Instigado, da pessoalidade do Otto, dos Racionais.
Como você conheceu a Mallu?
Vi no YouTube, depois fui a um show dela no Rio. Aí a chamei para gravar no meu disco e nos conhecemos. Começamos um namorico devagar. Eu vinha pra cá, ela ia pro Rio…
O que mais te encantou nela?
É como se, quando ela tocasse, virasse eterna. Ela sai do universo mais óbvio de percepção que se teria dela e vira uma coisa maior, um universo inteiro. Quando ela tocava vinha uma força que eu achava estranha. Além disso adoro o modo como ela cria melodias. Foi uma ligação espiritual, imaterial.
Como você sentiu a cobrança pelo fato de ela ser muito mais nova?
Quando você se apaixona, você se apaixona. O radical da palavra é o mesmo de passividade. Porque, quando acontece, tu fica meio passivo. Não tem questionamento. Nosso encontro foi algo muito especial.

Imagem: Bruno Fernandes/ Folha imagem

Com Mallu Magalhães

Com Mallu Magalhães

Você ligou para os comentários sobre o seu relacionamento que insinuavam pedofilia?

Fiquei muito chateado, muito magoado. Mas os pais da Mallu são educados e inteligentes o suficiente para não dar ouvidos a comentários de pessoas que nem me conheciam.
Teve algum tipo de conversa especial com os pais dela?
No começo pode até ter tido algum tipo de desconfiança por parte dos pais dela, natural. Mas hoje eles me conhecem, vieram em casa. Então não sou mais uma pessoa imaginária, que se relaciona com a filha deles, sou eu de verdade. Já estamos juntos há um ano e meio.
No cotidiano, a diferença de idade, o fato de ela estar na escola, atrapalha alguma coisa?
É só um detalhe. Diferenças práticas acontecem. Ela tem aula de manhã, eu vou dormir às quatro da manhã e acordo ao meio-dia. Em um casal, uma pessoa pode gostar de carne, outra não. Aí, pô, um gosta de Rolling Stones, o outro de Bon Jovi, entendeu? Duas pessoas são muitas coisas. O infinito é o outro.
Você tem fama de perfeccionista
Já fui mais cricri. Agora eu tento decodificar o que crio para entender a ética do trabalho e limar o que está sobrando.
Mas alguém te deu um toque, disse que você tava muito chato?
Nem precisa, né? Quando você faz coisas artísticas, a própria obra é muito útil como conselheira, psicanalista. Você se transforma a partir do que fez.
E essa história de “Marcelo Camelo é o novo Chico”? Como você encara?
Não existe isso aí não, quem foi que te disse isso? [Risos.]
Você nunca escutou isso?
Não, não. Ninguém fala isso com convicção. É sempre um sujeito oculto que aparece no meio da informação. Até porque eu me sinto um compositor com motivos e trajetória diferentes do Chico. Mas sou fã dele pra caralho.
O começo do Los Hermanos tinha bastante influência hardcore, do rock do underground carioca. Do que mais você gostava?
Dos 7 aos 15 anos eu só ouvia Bon Jovi e Pearl Jam.
Não escuta mais as duas bandas?
Outro dia mesmo eu fui ver uns vídeos do Bon Jovi no YouTube. Eu acho o Jon Bon Jovi um grande compositor. Todo o meu lado melodioso, a minha procura pela melodia bonita, eu devo ao Bon Jovi, ele foi o meu alfabetizador musical [a repórter gargalha]. Pô, tu não gostava do Bon Jovi, não?
O meu Bon Jovi era o Nirvana.
Eu não gostava do Nirvana, por causa da ausência de melodias bonitas.

“Todo o meu lado melodioso, a minha procura pela melodia bonita, eu devo ao Bon Jovi”

Aliás, esta semana (da entrevista) é aniversário de morte do Kurt Cobain. Você lembra o que estava fazendo nesse dia?
Tava com os meus amigos. Eu até tocava Nirvana, gostava de “Polly”, que era a única música… [risos] legalzinha… Mas se o Bon Jovi tivesse morrido ia ser mais marcante pra mim [risos]. Na verdade senti muito a morte do Dorival [Caymmi]. Achei que foi pouco sentida pelo país. Aliás, essa é uma característica da modernidade: o nego não para pra sentir a morte de ninguém. Isso me preocupa.
Qual a sua primeira lembrança musical?
“La Bamba” e “Twist and Shout”. Lá em casa quem trouxe o violão pra minha vida foi um irmão da minha mãe que é um puta músico. Foi o primeiro cara que eu vi tocando violão. Ele e o Gustavo, que é um amigo meu de rua, que tocava igual ao Jon Bon Jovi [risos].
Você fez faculdade de jornalismo. Na época você já queria ser músico?
Achei que queria ser biólogo, depois escolhi jornalismo, pois já fazia fanzine, gostava de escrever sobre música. Eu tocava, mas não tinha escolha estética, não cantava nem compunha de um jeito que eu achasse que vingaria alguma coisa. No fim da faculdade que a banda pegou, e eu resolvi largar o curso.

 

No início dos Los Hermanos

Por que você acha que o Los Hermanos fez tanto sucesso?

Tocávamos no circuito alternativo, frequentado por jornalistas. Com isso fomos convidados para tocar no Abril Pro Rock e logo depois gravamos o primeiro disco. Éramos muito diferentes do que acontecia no Rio na época. Fizemos algo mais romântico, que misturava samba, Bon Jovi e músicas mais pesadas, coisa que ninguém fazia na época.
Você liga para as críticas?
Ligo.
Lê tudo o que sai sobre seu disco?
Leio.
Fica chateado quando falam mal?
Fico.
Alguém já te tirou do sério?
A crítica musical é muito ruim no Brasil. Sinto que as pessoas não conversam com elas mesmas emocionalmente a ponto de se deixar invadir por coisas de universos diferentes. Existe uma parte da crítica que só quer música pulsante, estrangeira e feliz.
Você já chegou a responder alguma crítica ruim?
As pessoas transformam muito as coisas que eu digo, mas eu procuro não brigar. Eu já fui vitimizado por isso de jeitos muito violentos. Eu já apanhei, né!
Você está falando do Chorão?
Isso. Um cara fez uma entrevista escrota com a gente. Queria informação polêmica. Aí resolveu botar um aposto que sugeria que jamais faríamos propagandas como a que o Charlie Brown fez para a Coca-Cola. Então, quando li, liguei para o Chorão e ele disse: “Imagina, cara, deixa pra lá, tá tranquilo”. Aí eu pensei: “Pô, que ótimo, então tá esclarecido”. Mas um dia íamos tocar em um festival, e ele entrou no avião já meio alterado, me xingou, xingou o Rodrigo, falou que a próxima vez ia sair atropelando.
E atropelou?
Ele bateu boca e eu disse que essa parada estava me incomodando. Eu falei: “Pô, cara, não fica assim… Você tá caindo na pilha do jornalista”. Aí ele levantou de um jeito que eu nunca vi na vida, me deu uma cabeçada e um soco muito do nada. Eu tive que fazer duas cirurgias por causa dessa porra. No dia ele ficou arrependido, chorou, pediu desculpas.
E você desculpou?
Eu disse que um dia desculparia, mas que na hora tava doendo muito. Acho que ainda preciso trabalhar um pouco isso aí.
Em uma entrevista para a revista Tpm, a repórter te perguntou se você era um cara sensível, e você disse que também tem um lado bruto. Quando é que a sua brutalidade aparece?
Acho que todo mundo é um pouco bruto, um pouco sensível. Eu sinto muita compaixão pelas pessoas. Mas talvez, se alguém tentar tomar aquilo que me é mais caro, minha liberdade, minha mulher, meus pais, eu me torne uma pessoa violenta. Até hoje só saí do sério ao tentar apertar um parafuso, afinar um violão… Mas eu tenho como princípio não bater em coisas com sistema nervoso.
Você cresceu em uma família amorosa, teve pais carinhosos?
Tenho três irmãos, e lá em casa é a maior delicadeza. É até estranho porque o meu pai é filho de imigrante português, dono de botequim, analfabeto a vida inteira, cascudão. Mas ele é a pessoa mais doce do mundo.

Imagem: Arquivo pessoal

Cabeludo nos anos 90, com o pai, a mãe e um dos irmão

Cabeludo nos anos 90, com o pai, a mãe e um dos irmão

Qual foi a última vez que chorou?

Hoje cedo. Choro direto. Cinema acho sacanagem. Fico mexido três dias com cada filme.
Esse seu lado bruto é uma mentira.
Até o fim do papo descubro e te conto [risos].
Você foi adolescente problemático?
Um pouquinho… A escola é um lugar que te obriga a conviver com grupos de interesses distintos e com pessoas exclusivamente da sua idade. Eu era mais introspectivo.
Você é vaidoso? Se preocupa com o que veste, por exemplo?
Só tenho medo de ficar careca. Os cremes que estão no banheiro são todos da Mallu. Eu aplico minha vaidade na música, na busca do melhor acorde. Na moda eu tenho dificuldade de identificar o que é legal, o que não é [risos]. Mas agora eu descobri que meu estilo é surfwear. Vou explorar mais isso [risos].
Como chegou a essa conclusão?
Um amigo olhou pra mim e disse: “Pô, tu é meio Passarela de Jacarepaguá”, que é um lugar perto de onde eu cresci, parecido com a Galeria do Rock, cheio de loja. O apelido do pessoal da minha rua era Urussanga Beach [risos]. E por ali era moda surfwear na época. Então acho que esse é meu estilo. Eu não entendo de moda, mas eu acompanho as paradas. Aquele Marc Jacobs se veste bem pra caramba. Sabe ele? O Bispo do Rosário também é um homem elegante. Tem alguma coisa de caber na roupa que ele usa.

“Deus já falou comigo uma vez. Ouvi do fundo da alma: faaaaaz!”

Você surfa?
Tenho problema com equilíbrio. Aprendi a andar de bicicleta aos 28. Mas jogo bola benzão, basquete, vôlei. Sou o rei da embaixadinha, faço que nem o Ronaldinho Gaúcho, aquela que você roda o pé em cima da bola… Teve uma época que eu encasquetei com isso. Adrenalina eu não sou muito afeito. Ela é feita pra você correr quando acha que vai morrer… Prefiro deixar pra usar nessa hora. Mas um cara que eu respeito muito é o Kelly Slater. Dizem que tudo na vida é onda, e um cara que é tantas vezes campeão mundial nisso é um cara que tem uma força especial.
Do que você tem medo?
Respeito muito o mar, tenho certo medo de criaturas bioluminescentes e de pessoas fantasiadas. Dessas que ficam entregando panfleto na rua, sabe? Acho que existe ali uma ausência de self-consciousness.
Você acredita em Deus?
Teve alguém que disse que Deus é um ponto de interrogação. Achei essa imagem bonita. Não acredito em uma figura, mas sim que fazemos parte de uma parada maior, e que ela é incompreensível a nós. Acho que a matemática, a natureza e todas essas coisas são uma simbologia desse ente maior. Mas é só o bicho pegar que todo mundo se apega a alguma coisa. Se você fechar os olhos e pensar muito na cor verde ou no número 24, é isso que você vai ver em todo lugar. Você como observador transforma o objeto
observado. Com Deus também é assim. Deus já falou comigo.
E falou o quê?
Foi uma única vez. Eu tava indo dormir e ouvi do fundo da minha alma. Ele disse: “Faaaaaaaaaaaaz!!!”.
Faz o quê?
Sei lá, cara. Só sei que eu fiz. Sigo fazendo.

Imagem: Arquivo pessoal

Salta em uma cachoeira, em raro momento de adrenalina

Salta em uma cachoeira, em raro momento de adrenalina

Qual a sua posição em relação à legalização das drogas?

Sou a favor. Acho que deveriam pegar todo o dinheiro da droga e investir em educação. O problema todo é a falta de educação. A proibição tira a tua malemolência, a tua capacidade de lidar com aquela parada. Acho que deveria existir um centro de estudo que dissesse pra você quais são as consequências daquilo, uma orientação real. E, caso você tenha um problema, um sistema de saúde preparado para te amparar.
Cigarro você fuma?
Desde os 20. Um maço dura três dias.
E drogas ilícitas, você já usou?
Só usei maconha, mas parei porque não estava me fazendo bem. Aprendi o que aquilo fazia com a minha cabeça, com o meu corpo, com as funções. Pra mim não estava mais legal emocionalmente.
Este ano vai ter eleição, o que você acha do governo Lula?
Eu sou Lula Futebol Clube. Poucas vezes eu olhei para um cara e acreditei nele que nem eu acredito no Lula. Votaria nele novamente, mas sei que ele não faria isso porque respeita a democracia.
Vai votar na Dilma?
Vou, está decidido já.
Vamos ter Copa do Mundo. Você gosta de futebol?
Ô! Sou Vascão. Fiquei emocionado quando a torcida do Vasco fez um grito com a melodia de “Anna Julia”.
O que você sente quando alguém te pede para tocar “Anna Julia”?
É a música pela qual as pessoas me reconhecem. É lembrada pelas pessoas que não leem Segundo Caderno. Criaram um mito de que a gente não gostava da música. Mas aquilo era uma reação à nossa gravadora, que era pautada pelo sucesso imediato, pela vontade de angariar dinheiro o mais rápido possível. Mas a gente tinha uma carreira pra defender. Só não queríamos ficar conhecidos como uma banda de uma música só. Mas a gente sempre adorou a música. Uma vez recebi uma carta linda de uma mãe dizendo que tinha um filho autista, fazia musicoterapia, não reagia a nada, só a “Anna Julia”. Isso é lindo.
Você recebe muitas cartas de fãs?
Recebo algumas. Uma vez uma menina bem jovem que tinha câncer disse que ouviu o Sou e que aquilo era o alento da vida dela. Música é uma parada muito séria, mexe com as pessoas. Ou então uma história de uma pessoa que se matou e deixou uma carta que era a letra de uma música minha. Fiquei muito perturbado, não toco mais essa música.

 

Tirando o Bon Jovi… Você não tem nenhum ídolo?
Pô, tu vai ficar fazendo piada com o Bon Jovi… Tem a Guiomar. Um cara me deu o telefone de uma mulher que trabalhou para a Guiomar. Tive uma crise de choro assim que ela disse alô, só de saber que ela havia estado com a Guiomar Novaes. Acredita?
Você disse que já passou perrengue financeiro. Qual a importância do dinheiro pra você?
Tenho um senso de responsabilidade com as pessoas queridas. Não quero que minha família passe mais necessidade. Faltar dinheiro para comida ou remédio é muito foda. O resto é tranquilo. O bom é que as coisas que eu gosto de fazer custam muito pouco dinheiro. Gosto de tocar, não custa nada.
Você ganhou dinheiro com o Los Hermanos?
A equipe é grande, então não é uma quantidade de dinheiro que te possibilita ficar dez anos parado. A turnê do Bloco… deu prejuízo. A do Ventura foi bem-sucedida, e a do 4 rendeu uma graninha pra nós. O Barba tem um apartamento próprio, eu dei um para os meus pais, mas moro em um alugado. O Bruno comprou uma casa pra ele, o Rodrigo tem um dinheiro dele, mas não é um dinheirão.
Você já foi casado, né?
Já. Durante três anos. Mas a música é meio megera. Ela diz ou ela ou eu. Todos os discos dos Hermanos eu tive que me separar para poder compor. Eu me separava e depois compunha, me separava e depois compunha, todos. No Sou, inclusive. Eu separei pra poder compor. É punk isso.
Você é ciumento?
Sou bastante. Meu ciúme não é uma flecha, é um vulto. Tem a ver com possessividade, com querer a pessoa só pra você. Mas eu tento transformar em uma coisa boa, uma coisa bonita. Com a Mallu é pior, porque é a primeira vez que eu namoro uma pessoa famosa. Mas também não é nada preocupante, porque eu não sou besta de dar mole pra mim mesmo, né?

“É como se, quando ela [Mallu] tocasse, virasse eterna. Um universo inteiro”

Ela diz que o fato de passar a compor mais em português tem influência sua. No que ela te influenciou?
Na naturalidade de fazer as músicas. Ela tem um jeito muito especial de fazer as coisas de um modo menos pensado, e isso tem uma resultante estética muito bonita.
Como você era com a mulherada na adolescência?
Não fazia muito sucesso, não. Era na minha, não tinha muito êxito.
Sua vida sexual começou tarde?
Com uns 18, 19 anos. Foi meio tarde, mas só na faculdade eu fiquei mais saidinho. Eu era de uma ruazinha de Jacarepaguá e do nada fui para o universo da zona sul. Eu era diferente daquele povo. Não faltava vontade nem hormônios, mas eu não me dava bem.
O amor é o principal combustível das suas composições?
Quando falamos que o modo como você observa o mundo diz mais sobre o instrumento de observação do que sobre o objeto observado, eu tô falando também de amor. O amor é uma forma de ver o mundo. A minha tentativa em ser amoroso é também uma tentativa de ter amor pra mim.
Quais são as suas principais composições românticas?
Acho que “Janta”, que eu canto com a Mallu. “Dois barcos”, que é uma música triste do disco 4, e “Anna Julia”. Você não sabe a quantidade de Anna Julia que tem por causa da música. Um dia num táxi comentando isso com alguém o motorista gritou: “Minha filha chama Anna Julia!”. Eu respondi: “Fui eu que fiz a música”. E ele: “Mas fui eu que fiz a filha”.
Quais são suas músicas de amor favoritas?
Esse pessoal da música instrumental, a Guiomar, o Dilermando, a Chiquinha Gonzaga. Eles elevam o espírito, botam tudo nas nuvens. Mas música de amor é “Carinhoso”. Não tem pra ninguém. Na adolescência eu curtia o Weezer, um clássico da paixonite.

 

Você é romântico?

Sou. O meu irmão diz uma coisa bonita: a felicidade é um gesto físico. Tipo quando você faz carinho em um gato. No fundo você está fazendo carinho em você mesmo. O romance você cria com gestos românticos.

Qual a maior loucura de amor que você já fez na vida?

Poxa… mudar pra São Paulo. Morar aqui nesse lugar cinza e estranho [em tom de brincadeira]. Só pra ficar mais perto da Mallu.
A possibilidade de ela mudar para o Rio existiu em algum momento?
Estamos trabalhando essa ideia [risos]. Eu digo a ela que para quem trabalha com criação artística é muito interessante, porque promove uma contemplatividade do mundo.
Sua televisão é enorme. Você gosta de ver o quê?
Minha TV a cabo é meio banguela. Mas eu adoro National Geographic, History Channel. Na TV aberta adoro A grande família e Big Brother. Sou nível pay per view. Deste último eu não gostei muito, mas meu brother favorito é o Dhomini, porque ele é complexo, contraditório. Também torci muito pela Grazi.
O que você está lendo agora?
Estou apaixonado pela escritora portuguesa Maria Gabriela Llansol. Ela é tão diferente de tudo que nem consigo classificar o que ela faz.
Li também que você adora Claudinho & Buchecha. Dos fenômenos pop nacionais, do que mais você gosta?
O Calypso eu demorei um tempinho para entender, porque eles utilizam um código diferente do que estou habituado. Adoro Claudinho & Buchecha, a Kelly Key. Funk carioca acho bom pra caralho. A estética daquela garotada é coisa de gênio.
E aí, achou a tal da sua brutalidade?
Deixei minha brutalidade naquela parede ali [mostra uma parece do escritório de seu apartamento, toda rabiscada, com traço forte em azul]. Talvez eu seja mesmo esse cara sensível e romântico. Pronto, pode escrever que eu assumo. Sou sensível, romântico mesmo.

Emir Sader: primeiro balanço da campanha eleitoral

 

Com a saída dos dois principais candidatos dos seus cargos e com as duas pré-candidaturas lançadas, praticamente começou a campanha eleitoral, nas condições em que ela existirá até seu resultado final, em outubro, daqui a 6 meses. Essas primeiras escaramuças permitem compreender as armas que cada lado pretende lançar, seus elementos de força e de debilidade.

 

por Emir Sader

 

As condições de fundo não variarão ao longo de toda a campanha: o sucesso do governo Lula, a popularidade deste e a comparação inquestionavelmente favorável ao governo do petista em comparação com o governo FHC. No entanto, se a candidatura da Dilma pretende jogar a fundo esta carta, já se vê como a candidatura Serra pretende neutralizar a desvantagem que sofre. Seu discurso no pré-lançamento aponta para a continuidade, mas não apenas com o governo Lula e sim com uma suposta continuidade de um processo longo, de 25 anos, desde o fim da ditadura. Poderia, assim, deslocar a comparação dos governos petista e tucano, sem se assumir como oposição. A habilidade deste discurso seria o de reivindicar, ao mesmo tempo, os governos FHC e Lula, buscando evitar suas contraposições.
O objetivo da candidatura opositora é assim deslocar a comparação dos dois governos para a das trajetórias dos dois candidatos, o que abre espaço para todo tipo de ataque a Dilma, que foi a tônica maior da ação opositora em abril. A imprensa e os dirigentes opositores se concentraram em descobrir “gafes” da Dilma, em difundir seu suposto caráter “autoritário”, assim como seu suposto “despreparo” para governar, seja por não ter sido candidata e governante antes, seja porque não conseguiria domar seja o PT, seja o PMDB. A atividade jornalística foi implacável, seja com afirmações reais da Dilma tiradas do contexto, seja forjando situações falsas.
A oposição marcou a pressão a candidatura da Dilma marcando sua saída de bola, e permitindo aparecer fraquezas – seja reais, seja dadas pela brutal desproporção dos meios de imprensa com que contam os dois blocos. O que revela as terríveis consequências para uma disputa equitativa e democrática do monopólio privado dos meios de comunicação, assim como o fracasso da política governamental de comunicação. No seu oitavo ano, com pelo menos cinco anos de sucesso total do governo, este não conta com meios próprios para se comunicar com a população, deixando a candidatura da Dilma na dependência do que a mídia privada decidir.
Dois elementos novos surgiram nesta frente no mês de abril. O primeiro, a decisão dos órgãos da mídia privada de simplesmente não noticiar a pesquisa da Vox Populi, que contrariava o surpreendente resultado daquela realizada pelo Datafolha – organicamente vinculado à candidatura tucana -, preparatória para um clima mais favorável ao lançamento da candidatura Serra. É um patamar superior de manipulação, de mentira, de desinformação. A FSP fez a crítica da forma da Vox Populi formular questões da pesquisa, no dia anterior, deixando entrever que havia uma pesquisa em andamento, para depois impor a mentira do silêncio, no que foi acompanhada, de forma orquestrada, pelos outros órgãos da imprensa privada, confirmando que há uma estratégia de conjunto, articulada, por parte dos órgãos opositores na campanha eleitoral.
A outra novidade foi a assunção, por parte de uma executiva da FSP, de que, “diante da fraqueza da oposição”, a mídia assumia o papel de partido opositor. Uma revelação só surpreendente por aceitar o que a esquerda tem denunciado há tempos: a mídia privada tornou-se o verdadeiro partido opositor, aqui e nos outros países da América Latina. As conseqüências da confissão – ou da gafe, em um momento de sinceridade -, são muito graves para a declinante credibilidade dessa imprensa, que tentava ainda preservar certo nível de objetividade jornalística, com dificuldades cada vez maiores, conforme foram totalmente abolidas as fronteiras entre os editoriais e o noticiário, com a total identificação entre um e outro, com os colunistas funcionando como ventríloquos que papagueiam o que a direção do jornal diz. Além de que deixa de haver qualquer ingenuidade por parte dos empregados dessas empresas, que deixam de ser jornalistas “profissionais”, para serem simplesmente militantes dos partidos da mídia privada.
Essas condições balizaram a campanha em abril, mês em que a oposição retomou a iniciativa, depois de ela estar plenamente em mãos do governo até ali, com o discurso e a ação do Lula e da Dilma dando a tônica da campanha.
Descontando os graus de manipulação das pesquisas, fica claro que houve uma clara transferência de votos de Lula para a Dilma, o que levou ao virtual empate técnico atual. A margem de vantagem para Dilma está na proporção significativa de eleitores que se dizem dispostos a votar pelo candidato de Lula, mas que ainda manifestam preferência por Serra, ao lado de uma margem ainda grande de gente que não conhece Dilma. Esta é a disputa de fundo, que faz com que Lula tenha um papel essencial e que Serra trate de passar como uma continuidade do governo, para tentar segurar essas preferências.
Por outro lado, parece que a brutal campanha para forjar formas de rejeição da Dilma pode ter gerado o fim do seu crescimento exponencial. O lançamento da candidatura do Serra e a promoção aberta da sua candidatura pela mídia monopolista certamente também o ajudam.
O certo é que a iniciativa foi retomada pela oposição em abril, revelando fraquezas na organização e na orientação da campanha da Dilma, quando começa a surgir como candidata e não mais como ministra. Para isso contribuiu decisivamente o alinhamento partidário da mídia privada, um dado de realidade, que seguirá presente ao longo de toda a campanha.
A projeção para maio vai depender da capacidade da candidatura do campo popular recolocar o tema das diferenças: diferenças entre os governos FHC e Lula, diferenças do governo Lula e e do governo Serra em SP, diferenças de plataformas. Em suma, desconstruir, pela agenda positiva de propostas o discurso serrista da continuidade e da diluição das diferenças. Para isso contarão com os programas televisivos, com as intervenções de Lula e da própria Dilma, contra a reiterada campanha de difamação da oposição, valendo-se do controle monopolista da mídia. Nesse enfrentamento, o fortalecimento das redes alternativas de difusão terá um papel determinante.

Fonte: Blog do Emir/Carta Maior

As mentiras da Folha de S.Paulo e a nova pesquisa

A Folha mente, mente, mente, desesperadamente. Mentirá no fim de semana com nova pesquisa, em que tratará de rebater, com cifras manipuladas – por exemplo, como sempre faz, dando um peso desproporcional a São Paulo em relação aos outros estados –, a irresistível ascensão de Dilma, que tratará de esconder até onde possa e demonstrar que o pífio lançamento de Serra o teria catapultado às alturas.

As elites de um país, por definição, consideram que representam os interesses gerais do mesmo. A imprensa, com muito mais razão, porque está selecionando o que considera essencial para fazer passar aos leitores, porque opina diariamente em editoriais – e em matérias editorializadas, que não separam informação de opinião, cada vez mais constantes – sobre temas do país e do mundo.

A FSP, como exemplo típico da elite paulistana, é um jornal que passou a MENTIR abertamente, em particular desde o começo do governo Lula. Tendo se casado com o governo FHC – expressão mais acabada da elite paulistana -, a empresa viveu mal o seu fracasso e a vitória de Lula. Jogou-se inteiramente na operação “mensalão”, desatada por uma entrevista de uma jornalista tucana do jornal, que eles consideravam a causa mortis do governo Lula, da mesma forma que Carlos Lacerda,na Tribuna da Imprensa, se considerava o responsável pela queda do Getúlio.

Só que a história se repetiria como farsa. Conta-se que, numa reunião do comitê de redação da empresa, Otavio Frias Filho – herdeiro da empresa dirigida pelo pai -, assim que Lula ganhou de novo em 2006, dava voltas, histérico, em torno da mesa, gritando “Onde é que nós erramos, onde é que nós erramos”, quando o candidato apoiado pela empresa, Alckmin, foi derrotado.

O jornal entrou, ao longo da década atual, numa profunda crise de identidade, forjada na década anterior, quando FHC apareceu como o representante mor da direita brasileira, foi se isolando e terminou penosamente como o político mais rejeitado do país, substituído pelo sucesso de Lula. Um presidente nordestino, proveniente dos imigrantes, discriminados em São Paulo, apesar de construir grande parte da riqueza do estado de que se apropria a burguesia. Derrotou àquele que, junto com FHC, é o político mais ligado à empresa – Serra -, que sempre que está sem mandato reassume sua coluna no jornal, fala regularmente com a direção da empresa, aponta jornalistas para cargos de direção – como a bem cheirosa jornalista brasiliense, entre outros – e exige que mandem embora outros, que ele considera que não atuam com todo o empenho a seu favor.

O desespero se apoderou da direção do jornal quando constatou não apenas que Lula sobrevivia à crise manipulada pelo jornal, como saía mais forte e se consolidava como o mais importante estadista brasileiro das últimas décadas, relegando a FHC a um lugar de mandatário fracassado. O jornal perdeu o rumo e passou a atuar de forma cada vez mais partidária, perdendo credibilidade e tiragem ano a ano, até chegar à assunção, por parte de uma executiva da empresa, de que são um partido, confissão que não requer comprovações posteriores. Os empregados do jornal, incluídos todos os jornalistas, ficam assim catalogados como militantes de um partido (tucano, óbvio) político, perdendo a eventual inocência que podiam ainda ter. Cada edição do jornal, cada coluna, cada notícia, cada pesquisa cada editorial, ganharam um sentido novo: orientação política para a (debilitada, conforme confissão da executiva) oposição.

Assim, o jornal menos ainda poderia dizer a verdade. Já nunca confessou a verdade sobre a conclamação aberta à ditadura e o apoio ao golpe militar em 1964 – o regime mais antidemocrático que o país já teve -, do que nunca fez uma autocrítica. Menos ainda da empresa ter emprestado seus carros para operações dos órgãos repressivos do regime de terror que a ditadura tinha imposto, para atuar contra opositores. Foi assim acumulando um passado nebuloso, a que acrescentou um presente vergonhoso.

Episódios como o da “ditabranda”, da ficha falsa da Dilma, da acusação de que o governo teria “matado” (sic) os passageiros do avião da TAM, o vergonhoso artigo de mais um ex-esquerdista que o jornal se utiliza contra a esquerda, com baixezas típicas de um renegado, contra o Lula, a manipulação de pesquisas, o silêncio sobre pesquisas que contrariam as suas (os leitores não conhecem até hoje, a pesquisa da Vox Populi, que contraria a da FSP que, como disse um colunista da própria empresa, era o oxigênio que o candidato do jornal precisava, caso contrário o lançamento da sua candidatura seria “um funeral” (sic). Tudo mostra o rabo preso do jornal com as elites decadentes do país, com o epicentro em São Paulo, que lutam desesperadamente para tentar reaver a apropriação do governo e do Estado brasileiros.

Esse desespero e as mentiras do jornal são tanto maiores, quanto mais se aprofunda a diminuição de tiragem e a crise econômica do jornal, que precisa de um presidente que tenha laços carnais com a empresa e teria dificuldades para obter apoios de um governo cuja candidata é a atacada frontalmente todos os dias pelo jornal.

Por isso a FOLHA MENTE, MENTE, MENTE, DESESPERADAMENTE. Mentirá no fim de semana com nova pesquisa, em que tratará de rebater, com cifras manipuladas – por exemplo, como sempre faz, dando um peso desproporcional a São Paulo em relação aos outros estados -, a irresistível ascensão de Dilma, que tratará de esconder até onde possa e demonstrar que o pífio lançamento de Serra o teria catapultado às alturas. Ou bastaria manter a seu candidato na frente, para fortalecer as posições do partido que dirigem.

Mas quem acredita na isenção de uma pesquisa da Databranda, depois de tudo o que jornal fez, faz e fará, disse, diz e dirá, como partido assumido de oposição? Ninguem mais crê na empresa da família Frias, só mesmo os jornalistas-militantes que vivem dos seus salários e os membros da oposição, com a água pelo pescoço, tentando passar a idéia de que ainda poderiam ganhar a eleição.

Alertemos a todos, sobre essa próxima e as próximas mentiras da Folha, partido da oposição, partido das elites paulistas, partido da reação conservadora que quer voltar ao poder no Brasil, para mantê-lo como um país injusto, desigual, que exclui à maioria da sua população e foi governado para um terço e não para os 190 milhoes de habitante.

Por isso a FOLHA MENTE, MENTE, MENTE, DESESPERADAMENTE.

Fonte: Blog do Emir

Datafolha: Dilma dispara e encosta em Serra;diferença é de apenas 4 pontos

Pesquisa Datafolha publicada na edição deste domingo (28) do jornal Folha de S.Paulo, mostra que a pré-candidata do PT à Presidência, ministra Dilma Rousseff, cresceu cinco pontos nas pesquisas de intenção de voto de dezembro para janeiro, atingindo 28%. No mesmo período, a taxa de intenção de voto no governador de São Paulo, José Serra (PSDB), recuou de 37% para 32%. Com isso, a diferença entre os dois pré-candidatos recuou de 14 pontos para 4 pontos de dezembro para cá.

De acordo com a nova sondagem do Datafolha, o deputado federal Ciro Gomes, pré-candidato do PSB, tem 12% das intenções de voto; e a pré-candidata do PV, senadora Marina Silva, tem 8%. Na pesquisa anterior, Ciro aparecia com 13% e Marina já possuía 8%.

A margem de erro da pesquisa, que foi divulgada neste sábado (27), é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. Ela foi realizada entre os dias 24 e 25 de fevereiro. Foram ouvidas 2.623 pessoas com idades maiores de 16 anos. Destas, 9% disseram que vão votar branco, nulo ou em nenhum dos candidatos e 10% informaram que estão indecisos.

A sondagem confirma resultados de pesquisas de outros institutos, que já refletiam uma tendência de crescimento rápido da candidatura Dilma Rousseff e a queda do pré-candidato tucano.

Outros cenários

A pesquisa também apresentou um cenário sem a presença de Ciro Gomes. Nessa simulação, as intenções de voto em Serra ficam em 38% (ante 40% na pesquisa realizada entre 14 e 18 de dezembro); Dilma atinge 31% (ante 26% da pesquisa anterior); e Marina Silva fica com 10% (11% no levantamento de dezembro).

No cenário de um segundo turno, numa eventual disputa entre Serra e Dilma, o tucano aparece com 45% das intenções de voto e a petista com 41%. Ou seja, também em um eventual segunda etapa do pleito, Dilma encosta no tucano, apresentando uma diferença de apenas quatro pontos novamente. O levantamento realizado em dezembro apontava que, nessa situação, Serra teria 49% das intenções de voto e Dilma, 34%. Em outro cenário de segundo turno, Dilma vence com 48%, contra 26% de Aécio.

Aprovação recorde de Lula

A pesquisa avaliou também o índice de aprovação do presidente Lula. Na mostra, a aprovação ficou em 73% (de ótimo e bom). Na pesquisa de dezembro, este índice foi de 72%, o mais alto patamar de popularidade apurado pelo Datafolha.

Com agências

A encruzilhada TUCANA

É um pouco disso. Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come.

A Cupula tucana já não sabe mais o que fazer. A cada pesquisa que sai, o tucano fica sem rumo, crese a presão para o José Serra definir para que ele vai sair candidato, mais crese também as especulações que ele não disputaria a presidencia da republica. Optando assim por uma disputa mais tranquila e segura para o governo paulista. Na contramão dessa histora a candidatura Dilma se consolidade e começa a conquistar a militancia por todos os cantos do nosso Brasil. Na última pesquisa publicada no final de semana os numeros confirman que Dilma pega o elevador de subida, enquanto o seu oponente desse ladeira abaixo.

A candidatura do PSDB, a cada dia que passa fica mais intrigante, pois ao mesmo tempo que ele ver a sua candidatura a presidencia da republica ficando complicada, ele começa também a ter problemas no estado de São Paulo, sem contar do inferno astral na qual se encontra o seu principal aliado o DEM, que também o afeta.

Os proximos 15 dias seram cruciais para a sobrevivencia do PSDB, apesar que eles procuram, procuram, procuram, mais não acham a luz no fim do tunel.

Pesquisa pelo governo de minas aponta Helio Costa na dianteira

Saiu uma nova pesquisa eleitoral em Minas Gerais. Foi feita pelo DataTempo/CP2. Ganhou as páginas do diário mineiro ‘O Tempo’. A sondagem indica que Hélio Costa (PMDB) mantém o favoritismo na briga pelo governo do Estado. O ministro das Comunicações lidera em todos os cenários. Está à frente dos dois nomes do PT –Fernando Pimentel e Patrus Ananias. Antonio Anastasia (PSDB), o preferido do governador Aécio Neves, é o lanterninha. A pesquisa testou também as chances eleitorais do vice-presidente José Alencar (PRB). Se fosse à disputa como único representante do bloco que gravita em torno de Lula, sem PMDB e PT, Alencar também bateria o indicado de Aécio. Vão abaixo os cenários: Cenário um: – Hélio Costa: 47,83% – Patrus Ananias: 14,92% – Antonio Anastasia: 11,65% Cenário Dois: – Hélio Costa: 48,36% – Fernando Pimentel: 15,98% – Antonio Anastasia: 11,89% Cenário três, sem candidato do PT: – Hélio Costa: 57,94% – Antonio Anastasia: 15,69% Cenário quatro, com Alencar e sem nomes de PT e PMDB: – José Alencar: 53,61% – Antonio Anastasia: 14,53%. A pesquisa inclui, de resto, dois cenários em que os nomes do PT são confrontados com o de Anastasia, sem Hélio Costa e sem Alencar. Fernando Pimentel, o ex-prefeito petista de Belo Horizonte, prevaleceria sobre o candidato de Aécio por 35,47% a 24,40%. Patrus Ananias, o ministro petista do Bolsa Família, derrotaria o tucano Antonio Anastasia por 33,78% por 20,02%. O levantamento foi feito entre os dias 12 e 18 de fevereiro. Ouviram-se 2.078 pessoas. A margem de erro é de 2,15 pontos percentuais. Donos de índices confortáveis de aprovação em Minas, Aécio Neves e Lula tem praticamente o mesmo poder de influência sobre o eleitor do Estado. Os pesquisadores perguntaram o que faria o eleitor se Lula pedisse para votar num candidato ao governo de Minas -24,30% responderam que “com certeza” votariam no candidato do presidente. Outros 31,57% disseram que o apoio de Lula ajudaria, mas não seria decisivo na hora de fazer a opção por um dos candidatos. Somando-se os dois percentuais, conclui-se que 55,87% dos eleitores mineiros admitem que a opinião de Lula tem ou pode ter influência na hora de votar. E quanto a Aécio? 21,90% disseram que votariam no indicado do governador “com certeza”; 32% responderam que a opinião do governador os ajudaria a decidir, mas não seria decisiva. Ou seja, 53,90% admitem que vão ou podem vir a se guiar pela opinião de Aécio. A pesquisa permite tirar pelo menos quatro conclusões: 1. O PMDB vai reforçar na negociação da aliança pró-Dilma a exigência de que o PT nacional retire do caminho de Hélio Costa os petistas Pimentel e Ananias. A pesquisa indica que, aos olhos de hoje, Hélio Costa iria à campanha com potencial para levar o governo do segundo maior colégio eleitoral do país no primeiro turno. 2. José Alencar emerge da pesquisa como algodão entre os cristais do PMDB e do PT. Revela-se uma grande alternativa pacificadora. Há, porém, pelo menos um senão: a família de Alencar torce o nariz para a idéia de vê-lo no centro do ringue. Prefere que ele se concentre na luta contra o câncer. 3. Se quiser eletrificar Anastasia, Aécio Neves terá de trabalhar como um mouro. O prestígio do governador é alto. Mas não serviu, por ora, para iluminar o seu poste. 4. As perguntas sobre o poder de influência de Lula e Aécio junto ao eleitor restringiram-se à disputa para o governo mineiro. Porém… Porém, pode-se intuir que a dupla influirá também na opção dos mineiros em relação à refrega presidencial. Bom para Dilma Rousseff, cujo cabo-eleitoral desfruta, em Minas, da mesma capacidade de fazer a cabeça do eleitor exibida por Aécio. Com uma vantagem: sabe-se que Lula é Dilma 100%. Não há a mesma certeza em relação ao grau de envolvimento de Aécio na campanha de José Serra. Nesta semana, a propósito, de volta de uma licença de 11 dias, Aécio deve receber um telefonema de Serra. Deseja vê-lo, para um acerto de ponteiros.