Mensalão de Serra para Grupo Abril vira caso de polícia

O Ministério Público Estadual (MPE) abriu investigações para apurar corrupção no contrato de 220 mil assinaturas da revista Nova Escola, sem licitação, entre a Secretaria de Educação de São Paulo e a Fundação Victor Civita (do Grupo Abril).

O valor do contrato alcança R$ 3,7 milhões.
Entre as irregularidades e dúvidas, constata-se:
– A Secretaria da Educação desconsiderou a existência de outras publicações da área, beneficiando a editora Abril.

– O governo Serra não consultou os professores e passou para a fundação privada os endereços pessoais dos professores, sem qualquer comunicado ou pedido de autorização. Isso fere a constituição federal, pois dados cadastrais pessoais não podem ser repassados a terceiros sem autorização da pessoa.
– Além disso, se a assinatura é para fins profissionais, porque não informar o endereço de trabalho do professor? O governo de São Paulo pagará horas de jornada extra ao professor pela leitura do material profissional em casa?

– Qual a prioridade deste material, neste valor, no contexto dos investimentos em educação, e diante de outras carências e pauta de reivindicação dos educadores?

O promotor Antonio Celso Campos de Oliveira Faria, designado para ocaso, oficiou a FDE – órgão do governo estadual responsável pela contratação -, solicitando que esclareça os motivos da contratação. A diretora de projeto especiais da FDE foi intimada a prestar depoimento nos próximos dias.
Faria também oficiou a Apeoesp (Sindicato dos Professores do Estado de São Paulo) a informar se foi consultada sobre a escolha da Nova Escola – e se ocorreram reclamações por parte dos professores devido ao fornecimento de seus endereços particulares.

O promotor ainda notificou outras editoras que atuam no ramo educacional, consultando se teriam condições de participar do processo licitatório que sequer foi aberto.

Alunos dão exemplos de preservação e cobram das escolas engajamento com o meio ambiente

 

Marina silva

Amanda Guimarães está entre os cerca de 700 alunos que participam da 3ª Conferência Nacional Infanto-Juvenil de Meio Ambiente, em Luziânia (GO). A menina de 13 anos cursa a 8ª série em uma escola da rede pública de ensino de Salvador (BA) e dá exemplos do que já é feito em sua sala de aula – tonéis preparados pelos próprios estudantes para coleta seletiva do lixo e projetos para reduzir o desperdício de papel e de água na instituição de ensino.

Ao comentar a iniciativa de reunir crianças e adolescentes com idade entre 11 e 14 anos para discutir o fortalecimento da escola nas políticas de meio ambiente, Amanda avaliou como “super importante” que os mais jovens sejam o foco da conversa. “Somos o futuro e é preciso conscientização.”
Ela lembrou que algumas instituições de ensino do país se mostram “engajadas” quando o assunto é proteger o meio ambiente ,mas que a maioria “apenas fala mas não pratica”. Em Salvador, Amanda faz parte da Comissão de Qualidade de Vida e de Meio Ambiente de sua escola e garantiu que os professores promovem com regularidades palestras e oficinas de educação ambiental.

Durante visita a Brasília pela primeira vez, a menina deixou um recado para crianças e adolescentes de todo o país: “Vamos preservar o meio ambiente porque o futuro depende de nossas ações. A partir do momento em que comecei a conhecer melhor as necessidades do país, passei a me engajar.”
João Pedro Marsola, de 14 anos, veio de Santa Cruz do Rio Pardo (SP) como um dos delegados na conferência. Para ele, o encontro serve para “conscientizar ainda mais”. Entre um debate e outro, ele contou que a escola onde estuda já promove atividades como visitas a sítios, onde os estudantes plantam árvores, conhecem as nascente de rios e entrevistam agricultores da região.

Questionado sobre o que pretende levar da conferência, ele disse que espera aprender a cuidar do meio ambiente e garantiu que todo o conhecimento adquirido na capital federal será repassado ao irmão, de 17 anos, e aos amigos do interior de São Paulo.
“Vou passar tudo. Tenho um amigo que, uma vez, chupou cinco balas e colocou os papéis em um canto da sala. Pedi que ele recolhesse porque aquilo não era certo. Ele não gostou do que eu disse, mas recolheu os papéis.”