As mentiras da Folha de S.Paulo e a nova pesquisa

A Folha mente, mente, mente, desesperadamente. Mentirá no fim de semana com nova pesquisa, em que tratará de rebater, com cifras manipuladas – por exemplo, como sempre faz, dando um peso desproporcional a São Paulo em relação aos outros estados –, a irresistível ascensão de Dilma, que tratará de esconder até onde possa e demonstrar que o pífio lançamento de Serra o teria catapultado às alturas.

As elites de um país, por definição, consideram que representam os interesses gerais do mesmo. A imprensa, com muito mais razão, porque está selecionando o que considera essencial para fazer passar aos leitores, porque opina diariamente em editoriais – e em matérias editorializadas, que não separam informação de opinião, cada vez mais constantes – sobre temas do país e do mundo.

A FSP, como exemplo típico da elite paulistana, é um jornal que passou a MENTIR abertamente, em particular desde o começo do governo Lula. Tendo se casado com o governo FHC – expressão mais acabada da elite paulistana -, a empresa viveu mal o seu fracasso e a vitória de Lula. Jogou-se inteiramente na operação “mensalão”, desatada por uma entrevista de uma jornalista tucana do jornal, que eles consideravam a causa mortis do governo Lula, da mesma forma que Carlos Lacerda,na Tribuna da Imprensa, se considerava o responsável pela queda do Getúlio.

Só que a história se repetiria como farsa. Conta-se que, numa reunião do comitê de redação da empresa, Otavio Frias Filho – herdeiro da empresa dirigida pelo pai -, assim que Lula ganhou de novo em 2006, dava voltas, histérico, em torno da mesa, gritando “Onde é que nós erramos, onde é que nós erramos”, quando o candidato apoiado pela empresa, Alckmin, foi derrotado.

O jornal entrou, ao longo da década atual, numa profunda crise de identidade, forjada na década anterior, quando FHC apareceu como o representante mor da direita brasileira, foi se isolando e terminou penosamente como o político mais rejeitado do país, substituído pelo sucesso de Lula. Um presidente nordestino, proveniente dos imigrantes, discriminados em São Paulo, apesar de construir grande parte da riqueza do estado de que se apropria a burguesia. Derrotou àquele que, junto com FHC, é o político mais ligado à empresa – Serra -, que sempre que está sem mandato reassume sua coluna no jornal, fala regularmente com a direção da empresa, aponta jornalistas para cargos de direção – como a bem cheirosa jornalista brasiliense, entre outros – e exige que mandem embora outros, que ele considera que não atuam com todo o empenho a seu favor.

O desespero se apoderou da direção do jornal quando constatou não apenas que Lula sobrevivia à crise manipulada pelo jornal, como saía mais forte e se consolidava como o mais importante estadista brasileiro das últimas décadas, relegando a FHC a um lugar de mandatário fracassado. O jornal perdeu o rumo e passou a atuar de forma cada vez mais partidária, perdendo credibilidade e tiragem ano a ano, até chegar à assunção, por parte de uma executiva da empresa, de que são um partido, confissão que não requer comprovações posteriores. Os empregados do jornal, incluídos todos os jornalistas, ficam assim catalogados como militantes de um partido (tucano, óbvio) político, perdendo a eventual inocência que podiam ainda ter. Cada edição do jornal, cada coluna, cada notícia, cada pesquisa cada editorial, ganharam um sentido novo: orientação política para a (debilitada, conforme confissão da executiva) oposição.

Assim, o jornal menos ainda poderia dizer a verdade. Já nunca confessou a verdade sobre a conclamação aberta à ditadura e o apoio ao golpe militar em 1964 – o regime mais antidemocrático que o país já teve -, do que nunca fez uma autocrítica. Menos ainda da empresa ter emprestado seus carros para operações dos órgãos repressivos do regime de terror que a ditadura tinha imposto, para atuar contra opositores. Foi assim acumulando um passado nebuloso, a que acrescentou um presente vergonhoso.

Episódios como o da “ditabranda”, da ficha falsa da Dilma, da acusação de que o governo teria “matado” (sic) os passageiros do avião da TAM, o vergonhoso artigo de mais um ex-esquerdista que o jornal se utiliza contra a esquerda, com baixezas típicas de um renegado, contra o Lula, a manipulação de pesquisas, o silêncio sobre pesquisas que contrariam as suas (os leitores não conhecem até hoje, a pesquisa da Vox Populi, que contraria a da FSP que, como disse um colunista da própria empresa, era o oxigênio que o candidato do jornal precisava, caso contrário o lançamento da sua candidatura seria “um funeral” (sic). Tudo mostra o rabo preso do jornal com as elites decadentes do país, com o epicentro em São Paulo, que lutam desesperadamente para tentar reaver a apropriação do governo e do Estado brasileiros.

Esse desespero e as mentiras do jornal são tanto maiores, quanto mais se aprofunda a diminuição de tiragem e a crise econômica do jornal, que precisa de um presidente que tenha laços carnais com a empresa e teria dificuldades para obter apoios de um governo cuja candidata é a atacada frontalmente todos os dias pelo jornal.

Por isso a FOLHA MENTE, MENTE, MENTE, DESESPERADAMENTE. Mentirá no fim de semana com nova pesquisa, em que tratará de rebater, com cifras manipuladas – por exemplo, como sempre faz, dando um peso desproporcional a São Paulo em relação aos outros estados -, a irresistível ascensão de Dilma, que tratará de esconder até onde possa e demonstrar que o pífio lançamento de Serra o teria catapultado às alturas. Ou bastaria manter a seu candidato na frente, para fortalecer as posições do partido que dirigem.

Mas quem acredita na isenção de uma pesquisa da Databranda, depois de tudo o que jornal fez, faz e fará, disse, diz e dirá, como partido assumido de oposição? Ninguem mais crê na empresa da família Frias, só mesmo os jornalistas-militantes que vivem dos seus salários e os membros da oposição, com a água pelo pescoço, tentando passar a idéia de que ainda poderiam ganhar a eleição.

Alertemos a todos, sobre essa próxima e as próximas mentiras da Folha, partido da oposição, partido das elites paulistas, partido da reação conservadora que quer voltar ao poder no Brasil, para mantê-lo como um país injusto, desigual, que exclui à maioria da sua população e foi governado para um terço e não para os 190 milhoes de habitante.

Por isso a FOLHA MENTE, MENTE, MENTE, DESESPERADAMENTE.

Fonte: Blog do Emir

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Presidente Lula diz que seguirá na vida pública após 2010

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Quando terminar o segundo mandato como presidente da República, em 31 de dezembro de 2010, Luiz Inácio Lula da Silva quer continuar na vida pública. O desejo foi manifestado pelo presidente em entrevistas publicadas, no fim de semana, nos jornais La Nación (Argentina) e ABC (Espanha). Ao diário de Buenos Aires, Lula disse que "gostaria de trabalhar, e muito, no tema da integração latino-americana".

O outro foco de interesse para trabalho público futuro, acrescentou o presidente, seria a África, com seus problemas de atraso econômico e tecnológico. "Quero ver se posso ajudar de alguma maneira", disse. "Em 1º de janeiro de 2011, quero ir para casa e descansar. Depois, veremos. O que posso adiantar agora é que não tenho a intenção de me aposentar da vida pública", resumiu o presidente ao ABC.

Na longa entrevista ao La Nación, o presidente disse que "Dilma pode ser a futura presidente do Brasil". Mas emendou, em tom de recado aos petistas, que, para eleger a ministra-chefe da Casa Civil, é preciso "construir uma coalizão e saber se o PT quer que ela seja a candidata."

Lula chamou de "privilégio" ter uma disputa eleitoral à sucessão dele com dois candidatos como Serra e Dilma. E emendou: "Se os candidatos forem Dilma, Serra e Ciro Gomes também será um luxo. Igualmente, se Aécio Neves (concorrer)". O presidente festejou esse leque de candidatos e explicou o motivo: não são nomes de direita. "Vejo companheiros de esquerda, de centro esquerda, progressistas. Isso é um avanço extraordinário para o Brasil", afirmou.

Apesar dos inúmeros contenciosos comerciais com a Argentina, Lula minimizou o tempo todo a situação entre os dois países e disse que "a única divergência" é no futebol: "Se o Pelé é melhor ou não do que o Maradona".

O diário ABC quis saber se o Brasil, assim como a Espanha, aspira a integrar o G-8 (o grupo dos sete países mais ricos e a Rússia). O presidente respondeu apenas que a consolidação de fóruns "mostra que não é mais possível excluir os países em desenvolvimento das instâncias de decisões mundiais". E concluiu: "Os países ricos sabem que não se pode falar em governabilidade global sem a participação dos emergentes".

Dilma Rousseff é a dama de ferro com os pés no barro

Sobrenome: Rousseff; nome: Dilma; idade: 61 anos. Você não a conhece? Mas ouvirá falar dela, cada vez mais, até o fim de 2010, quando acontecerá a eleição presidencial no Brasil.

Há quatro anos ela detém o segundo cargo político mais importante do país: chefe da Casa Civil do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Uma espécie de primeiro-ministro não oficial. É uma função exaustiva (“Um Paris-Dacar a cada dia”, ela diz), mas discreta, longe dos holofotes que se focam em Lula.

Uma discrição relativa, que já deveria ser tratada quase no passado. Pois Dilma, como muitos de seus compatriotas a chamam – evitemos “Dilminha”, uma familiaridade que ela não aprecia muito – está se tornando a estrela política do Brasil.

Alan Marques / Folha imagem - 25.mar.2009  
Dilma acena aos jornalistas ao chegar ao Centro Cultural Banco do Brasil, em Brasília

E isso, por uma razão muito importante. O presidente Lula, a quem a Constituição proíbe de disputar um terceiro mandato de quatro anos, a escolheu como sua princesa herdeira. A menos que aconteça algo inesperado, ela será a candidata em 2010 pelo Partido dos Trabalhadores (PT), fundado por Lula em 1980, e no poder graças a ele desde 2002. Imaginemos que Dilma seja eleita: uma mulher, pela primeira vez presidente, oito anos após a eleição de um operário. Seria matar dois coelhos com uma cajadada só, e bom para a imagem da democracia brasileira.

Lula não possui herdeiro natural em um partido que ele domina com sua forte personalidade. A escolha de Dilma se impôs a ele aos poucos. É uma aposta segura. A futura candidata está na política desde sempre, e como! Ela é filha de um advogado comunista de origem búlgara. Esse intelectual bon vivant lhe transmitiu o gosto pela leitura e pelos cigarros. Ela tinha 15 anos quando ele morreu.

O golpe de Estado pelos militares em 1964 levou essa estudante idealista e determinada para o militantismo radical. Ela se juntou a uma organização que pregava a luta armada, casou com outro militante, de quem logo se divorciou, passou a estudar economia e mergulhou na clandestinidade após o endurecimento da ditadura no fim de 1968. Ela admirava Jean-Paul Sartre, os guerrilheiros vietnamitas e Fidel Castro. O encontro com um “velho” comunista de 31 anos, Carlos Araújo, que se tornaria seu segundo marido, a envolveu um pouco mais no combate.

Ela adotou nomes falsos, dos quais sua ficha de polícia ainda tem registro: Luiza, Estella, Marina. Aprendeu a manejar um fuzil, a fabricar explosivos ao mesmo tempo em que pregava a prioridade do trabalho político, da “luta de massa” sobre a ação militar. Ela não participou diretamente de nenhuma operação armada, mas esteve estreitamente associada à mais famosa delas: o roubo, no Rio de Janeiro em 1969, de US$ 2,5 milhões do cofre da amante de um ex-governador. Quando a polícia a deteve, em janeiro de 1970 em São Paulo, ela tinha uma arma em seu poder.

“Você não pode imaginar a quantidade de segredos que pode sair de um ser humano que é maltratado”, ela confessou recentemente. Será que ela se referia a ela mesma? As testemunhas de então se lembram que, depois de sua detenção, ela enfrentou com coragem 22 dias de torturas. Ela só saiu da prisão quase quatro anos mais tarde: “Tive tempo suficiente para aprender a tricotar e fazer crochê”.

Sua juventude agitada não causou nenhum arrependimento na ex-guerrilheira: “Nós éramos ingênuos e generosos. Queríamos salvar o mundo”. Ela certamente mudou sua visão e seus métodos: “Aprendi a importância da democracia. Mas tenho orgulho de não ter mudado de lado”.

Ela teve uma filha, Paula, se divorciou novamente em 2000, e no meio tempo teve uma brilhante carreira político-administrativa, especialmente como secretária de Minas e Energia em Porto Alegre. Lula, a cujo partido ela filiou-se tardiamente, lhe ofereceu o mesmo posto em nível federal antes de lhe confiar em 2005 a “Casa Civil”, onde ela rapidamente adquiriu a reputação de uma “dama de ferro”.

Seus trunfos? A inteligência, a força de trabalho, as qualidades como administradora. Seu defeito? Ela nunca passou pela prova das urnas. Sob aconselhamento e auxílio de Lula, seu principal defensor, Dilma Rousseff tenta se tornar conhecida. Ela põe “o pé no barro”, como se diz aqui. Há vários meses ela está em formação pré-eleitoral acelerada. Ela acompanha com frequência o presidente em suas atividades oficiais, divide os palanques com ele, cede entrevistas à imprensa. Várias vozes do PT se puseram à sua disposição para tecer uma teia nacional.

Apesar da imensa popularidade de seu principal defensor, sua vitória em 2010 não é garantida. Ela terá como provável adversário um homem de peso, José Serra, governador de São Paulo e ex-rival de Lula nas urnas, derrotado em 2002.

Como é de se esperar no Brasil, paraíso da cirurgia estética, Dilma já mudou de visual. Alguns golpes estratégicos de bisturi rejuvenesceram e suavizaram seus traços. Ela perdeu 10 kg, adotou um penteado mais moderno e mais ruivo, substituiu seus óculos de míope por lentes de contato. Ela cuida de sua maquiagem, sorri com mais frequência e usa palavras mais simples em público.

O “produto” Dilma logo estará pronto para venda. Lula lhe deixou de herança seu velho slogan de campanha, que já se ouve nos comícios do PT: “Brasil! Urgente! Dilma presidente!”

Tradução: Lana Lim

Artigo publicado no Jornal Le MOnde

Desenho ‘South Park’ tem presidente Lula para salvar a Terra

A popularidade do presidente Lula no exterior está cada vez maior. Após ser chamado de "o cara" pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, Lula caiu nas graças dos cartunistas

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Lula tem rápidas aparições no episódio, com duas pequenas falas ("no, no" e "no changes"). O presidente faz parte de uma comissão formada pelos principais chefes de Estado do mundo para livrar a Terra da invasão de um bandido intergaláctico.

Stan, um dos personagens da série, acaba esfaqueando o ladrão alienígena. Assim o dinheiro que estava com o criminoso espacial termina sendo dividido entre as potências mundiais, em vez de ser devolvido a Polícia Espacial. No fim, o planeta é ‘enjaulado’ por não ter sido honesto. Este é o sexto episódio da 13ª temporada do desenho.

No desenho, os personagens também recebem apoio dos maiores líderes mundiais. "O cara", na opinião do presidente Obama, fica ao lado de personalidades como a chanceler alemã Angela Merkel e o presidente da França, Nicolas Sarkozy.

South Park foi criado em 1997 por Matt Stone e Trey Parker e ficou famosa pelo humor negro e as críticas impiedosas que costuma dirigir à sociedade americana. O desenho foi criado por Matt Stone e Trey Parker e desde seu início, em 1997, é exibido pelo canal de televisão estadunidense Comedy Central.

A série se passa na pequena e gelada cidade fictícia de South Park, Colorado, e é estrelada por quatro garotos que falam palavrões a todo momento. São eles: Eric Cartman, Stan Marsh, Kenny McCormick e Kyle Broflovski.

Desde o dia em que foi estreado, em 13 de agosto de 1997, o desenho exibiu 181 episódios, em 12 temporadas. A décima terceira temporada começou a ser exibida no início de 2009. O desenho está contratado para produzir novos episódios até a décima quinta temporada, em 2011.

– Assista o episódio ‘Pinewood Derby’ na íntegra (em inglês)

Privatização não é solução

PRIVATIZAÇÃO NÃO É SOLUÇÃO (por sugestão do leitor Nelson Antônio Fazenda)

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A "Mágica" Simples Das Telecomunicações

A recente disputa eleitoral ensejou um pequeno debate sobre a questão das privatizações. Mas, como se viu, nenhum candidato quis assumir uma posição favorável ao referido processo, que teve o seu auge durante o período do governo FHC (1995/2002).

Concluído o segundo turno com a esmagadora vitória do Presidente Lula, não apenas o ex-Presidente FHC surgiu para criticar o candidato derrotado, seu aliado, por não ter assumido a sua defesa naquele debate, como também diversos outros políticos e jornalistas importantes manifestaram-se publicamente atribuindo pelo menos parte do insucesso do candidato do PSDB ao fato de não ter tido ele a coragem de posicionar-se favorável à retomada do processo de privatização, incluindo até as maiores estatais brasileiras ainda existentes, como Petrobrás, Banco do Brasil, Eletrobrás e suas grandes subsidiárias (Furnas, Chesf e Eletronorte), entre outras.

Agora, quando o Presidente reeleito começa a rearticular as suas forças de apoio para definir o sentido da política que realmente deseja imprimir no seu segundo mandato, novamente os privatistas e defensores do "estado mínimo" voltam à carga, tentando induzir o Presidente a trair os seus compromissos já declarados, para então abraçar um programa de privatizações de grande amplitude, que incluiria até as chamadas "jóias da coroa".

Os argumentos apresentados por esses "pontas de lança" são sempre os mesmos, na maioria falsos ou pelo menos constituídos de meias verdades, sempre atribuindo todos os males à atuação do estado e todas as virtudes à iniciativa privada, pelo que se justificaria sempre a entrega total das atividades econômicas aos empresários privados, ficando para o estado apenas às ditas atividades típicas de governo, basicamente segurança, educação e saúde.

Em termos práticos, nos últimos anos os privatistas costumam apresentar como a melhor prova das vantagens da privatização o suposto sucesso do processo aplicado nas telecomunicações brasileiras no governo FHC, salientando-se que tudo de bom teria ocorrido com a passagem para o setor privado, enquanto tudo de ruim que acontecia antes se devia exclusivamente ao fato de que a atividade estava em mãos de empresas estatais. Esta idéia tem sido repisada e constantemente repassada para a opinião pública por todos os meios de divulgação possíveis, como se fosse uma verdade absoluta, o que de fato não é. Não é absoluta e nem mesmo verdade, como será demonstrado abaixo.

A história das telecomunicações brasileiras atravessa praticamente todo o século vinte e não pode ser resumida no quadro particular que se observava na primeira metade da última década do século, quando de fato o setor, como toda economia brasileira, passava por um momento de extrema debilidade, cuja deterioração possibilitou aos defensores da privatização convencer a maioria da população brasileira sobre o acerto da medida.

Além do mais, o que aconteceu depois também não foi, como pode parecer, uma conseqüência de suposta superioridade da iniciativa privada sobre as empresas estatais quanto à capacidade de administrar o setor, como desejam cantar em prosa e verso os defensores da privatização. Pois, se assim fosse, o setor de comunicações nem sequer teria ido parar nas mãos das estatais. Teria permanecido privado como nascera muitos anos antes.

Isto mesmo, por mais surpreendente que possa parecer aos mais jovens, o setor de comunicações no Brasil, desde as suas origens ainda no final do século dezenove, sempre foi privado, praticamente 100% privado. E com tal, fracassou! Por muitas e variadas razões, fracassou. Ainda no final dos anos 60 do século passado, as companhias telefônicas estaduais eram todas ou quase todas privadas, bem como algumas empresas que operavam as ligações interurbanas. E o serviço era péssimo. Na verdade constituía um sério entrave ao desenvolvimento do País. Em 1970, no Recife e em muitas outras capitais, depois de retirado o fone do gancho, o sinal de discagem demorava às vezes mais de 30 minutos. Para poder se comunicar entre a sua sede no Rio de Janeiro, os escritórios em Recife e as Usinas de Paulo Afonso, a CHESF tinha um sistema próprio de rádio SSB. Muitas empresas possuíam sistemas similares, pois as companhias telefônicas não tinham condições de prestar o serviço.

E não era uma questão de limitação do estágio da tecnologia de então, que supostamente não permitisse um melhor serviço. A tecnologia já existia e estava em uso em outros paises, que possuíam um bom serviço. Mas as nossas empresas privadas nacionais e estrangeiras, por esta ou aquela razão, não investiam o suficiente para atualizar e desenvolver os seus sistemas e o resultado era aquele: um péssimo serviço de comunicações.

Foi exatamente por isto que o estado interveio. Já no governo Goulart o assunto estava em debate. Mas, só com os militares pós 64 veio a ter o andamento que precisava. Primeiro foi criado o Ministério das Comunicações e também a Embratel, ainda nos anos 60.
A Embratel foi a primeira estatal do setor, criada com a finalidade específica de integrar todo o País com a implantação de uma moderna rede de microondas terrestre que iria permitir as comunicações interurbanas de alta qualidade (então praticamente inexistentes), bem como a transmissão de dados (sim, já existiam computadores) e também de sinais de televisão, além das comunicações internacionais via satélite (Intelsat, como se costumava explicitar). E tudo isto foi cumprido conforme planejado.

Em 1969, graças à Embratel, quase todo Brasil assistiu ao vivo pela TV o homem chegar à Lua. Logo as estações de televisão passaram a transmitir programas em rede nacional. E em 1970, todos devem lembrar da grande conquista da Copa do Mundo no México, com Pelé e Cia., assistida ao vivo, embora ainda em preto e branco. As cores viriam em 1972. Ao mesmo tempo, falava-se DDD e DDI com toda facilidade e qualidade, para todo o Brasil e o Mundo.
Enquanto isto, os sistemas telefônicos locais, cujas companhias permaneciam privadas, continuavam sendo o gargalo, com um serviço péssimo, incompatível com o sistema interurbano. Falava-se melhor de um estado para o outro, do que de uma rua para outra de um mesmo bairro, de uma mesma cidade. E não havia telefones novos para se "comprar". Foi aí que se impôs a solução estatal também para as companhias telefônicas privadas estaduais.

Entre 1971 e 1972, coincidentemente o período mais negro da ditadura, criou-se a Telebrás, holding que encampou as referidas empresas privadas estaduais e, faça-se justiça, colocou na direção da maioria delas técnicos competentes, muitos deles militares com cursos de pós-graduação e especialização em eletrônica e telecomunicações no exterior (na época, tais cursos estavam apenas começando no Brasil). Em pouco tempo essas empresas estavam reorganizadas e modernizadas tecnologicamente e, assim, os sistemas locais alcançaram o mesmo nível do que já existia no sistema da Embratel. A partir dali, as telecomunicações brasileiras, em mãos de empresas estatais, viveram um período áureo, reconhecido por todos.

Mas isto não aconteceu por um passe de mágica, mesmo tendo ocorrido no período do chamado "milagre econômico". Nem tampouco porque as empresas estatais fossem intrinsecamente melhores do que as empresas privadas. Tudo aconteceu porque houve decisão política para fazer, competência técnica e, principalmente, pela viabilização de um esquema de financiamento que a iniciativa privada não teria tido condições de equacioná-lo em sua plenitude. E, talvez o mais importante, a questão crucial. Não precisando correr atrás do lucro nos níveis de mercado, o capital público podia contentar-se com taxas de retorno mais modestas, resultando em tarifas justas, que de outra forma alcançariam patamares incompatíveis com o estágio de desenvolvimento da economia nacional e o nível de renda da maioria da população. Qualquer comparação com o que acontece hoje com as próprias telecomunicações e, particularmente, com o setor elétrico, não seria despropositada.

E como foi montado este esquema de financiamento? O modelo foi suportado basicamente em duas fontes de recursos. Primeiro, o Fundo Nacional de Telecomunicações – FNT, alimentado pelo Imposto Único Sobre Telecomunicações, cobrado diretamente nas contas dos serviços existentes e vinculado específica e unicamente a este fim: financiar a expansão do sistema de telecomunicações. Segundo, pela própria população, que contribuía para os investimentos comprando ações das empresas (aliás, esta participação não era inédita, pois fora utilizada por algumas empresas privadas, mas por si só não era suficiente para arrecadar o volume de recursos necessários). A verdade é que não se comprava telefone, ou a linha, como também se costumava dizer. O que se comprava eram ações das empresas, associadas ao direito de uso de uma linha. Estas ações eram de fato um investimento, uma poupança "forçada", rendiam juros e dividendos e posteriormente poderiam ser vendidas como na verdade o foram.

Em compensação a essa obrigatoriedade, com as linhas em operação as tarifas mensais pagas pelos usuários eram extremamente baixas, pois os custos operacionais de uma companhia telefônica são realmente baixos. O caro era o investimento, para o qual o usuário já tinha participado. Assim, tarifas justas mantinham o sistema saudável.

Com a crise geral da economia brasileira nos anos oitenta, que os tornaria conhecidos como a "década perdida", o Imposto Único Sobre Telecomunicações acabou sendo desvinculado do FNT e a sua arrecadação passou a ser jogada direto para o "bolo geral" do tesouro. Assim, o setor perdeu a liberdade sobre a sua principal fonte de financiamento, ficando dependente das consignações orçamentárias sempre sujeitas a contingenciamentos. Como a participação dos usuários sozinha não era suficiente, os investimentos não puderam ser continuados no ritmo previsto e as pessoas que haviam "comprado" os seus telefones (na verdade as ações) não puderam ser atendidas nos prazos corretos, que foram cada vez mais sendo postergados. E o pior ainda veio com a Constituição de 1988, cujo novo regime tributário consagrou de vez o fim dos "Impostos Únicos", transformando-os em ICMS destinados diretamente aos tesouros estaduais, geralmente com alíquotas muito maiores.

Assim, como aconteceu com outros setores (o rodoviário, por exemplo, foi destroçado até hoje com o desaparecimento do Imposto Único sobre Combustíveis e Lubrificantes, que alimentava o correspondente Fundo Rodoviário Federal), o setor de telecomunicações teve quebrada a espinha dorsal do seu esquema de financiamento e tornou-se inadimplente perante os que haviam "comprado" as novas linhas, apenas conseguindo, a duras penas, manter uma razoável qualidade nos serviços existentes.

A crise total que sobreveio na expansão do sistema foi, portanto, conseqüência absolutamente natural. Assim, depois do brilhante sucesso da década de 70, o setor de telecomunicações estatal entrava nos anos 90 praticamente desmoralizado perante a população, sobretudo depois dos pronunciamentos depreciativos do então Presidente Collor.

Nestas condições, não foi difícil ao governo FHC, com sua filosofia neoliberal, promover as medidas para privatização do setor da forma que convinha aos interessados, recorrendo antes a uma "mágica" simples, criada pelo seu Ministro das Comunicações. Investiu vários bilhões de dólares nas empresas telefônicas, colocando-as em ponto de bala para atender toda aquela demanda represada, mas não realizando de fato a instalação dos aparelhos (a propósito, ver o livro O Brasil Privatizado, de autoria do respeitado e saudoso Jornalista Aloysio Biondi, publicado em abril de 1999, com todos os detalhes a respeito dessa operação).

Note-se que o governo FHC tinha reais condições para fazer tal investimento, pois, montado no sucesso do controle da inflação, como parte do Plano Real editado ainda no governo Itamar Franco dispunha do chamado Fundo Social de Emergência, que dava direito ao Poder Executivo de gastar, sem prévia destinação orçamentária, até 20% de toda a arrecadação dos impostos federais. E FHC realmente gastou, inclusive no sistema de telefonia, haja vista a enorme dívida que deixou para o Povo Brasileiro, cujo montante e o seu conseqüente serviço até hoje têm prejudicado o crescimento da nossa economia.

Então, com as empresas rearrumadas por dentro, FHC privatizou-as. Daí, rapidamente elas começaram a instalar os telefones que antes haviam sido "vendidos" e agora já se encontravam estocados. Compreensivelmente, a população, atendida nos seus interesses, foi levada a creditar o resultado à "eficiência" das empresas privadas, em contraste com a "ineficiência" das estatais. Junte-se a isto as facilidades resultantes da evolução tecnológica ocorrida no período, incluindo o extraordinário desenvolvimento da informática, e o quadro estava perfeito para que só se enxergassem aspectos positivos na privatização das telecomunicações brasileiras.

Além disso, comparando-se indevidamente taxa de habilitação com compra de ações, alardeou-se até que "telefone baixou de preço", o que não corresponde à realidade. O verdadeiro custo de um telefone era e é a tarifa mensal que o usuário paga e que, desde a privatização cresceu astronomicamente, sobretudo o valor da assinatura básica. A ponto de grande parte da população não poder utilizar o sistema, simplesmente porque não pode pagar as contas mensais. Sabe-se que as companhias dispõem de vários milhões de terminais ociosos (que ainda seriam daqueles implantados pouco antes da privatização), para os quais se pretende até criar um tipo "especial" de usuário.

Quanto à telefonia móvel, o chamado celular, cabe explicitar que quando eles surgiram às empresas estatais de telefonia brasileira já se encontravam bastante fragilizadas pela crise econômico-financeira nacional, conforme acima mencionado. Mesmo assim, elas começaram a implantá-los, quase ao mesmo tempo em que no primeiro mundo. Tratando-se, porém, de uma tecnologia nova, seria absolutamente normal esperar que o preço inicial do serviço sofresse o impacto do alto custo de implantação, mas que tenderia naturalmente a cair, independentemente de quem o prestasse – empresa pública ou privada, como veio de fato a ocorrer, particularmente em virtude dos espetaculares ganhos tecnológicos observados.

Registre-se, ainda, que o quadro atualmente observado no setor das telecomunicações brasileiras não é estável. Desde a privatização têm acontecido muitas transformações, com empresas sendo vendidas, compradas, fundidas, incorporadas, desincorporadas, criadas e desaparecidas, tudo dentro de um processo, que quando nada mostra justamente a sua instabilidade. Mas, toda essa movimentação possibilitou também que as dívidas contraídas pelos novos donos para adquirir as empresas fossem transferidas integralmente para as próprias empresas. Na prática, isto significou a necessidade do estabelecimento de tarifas proporcionalmente mais elevadas, de modo a garantir altas taxas de retorno, suficientes para produzir saldos financeiros capazes de cobrir novos investimentos, assegurar o sagrado lucro dos acionistas e, além disso, pagar os pesados encargos da dívida que foi constituída para que elas próprias tivessem sido adquiridas. Aos novos donos, portanto, restaram apenas as benesses dos lucros.

Talvez, por aí se possa compreender porque uma grande empresa do setor que, quando privatizada, foi adquirida por US$ 2,3 bilhões, cerca de cinco anos mais tarde, depois de ter ampliado seu mercado e acrescido seu patrimônio, tenha sido vendida a um outro grupo por apenas US$ 400 milhões, sem que se tenha ouvido nenhuma espécie de queixa da parte do vendedor quanto a eventuais perdas.

As considerações acima sobre o setor de telecomunicações brasileiro tiveram como finalidade principal estabelecer a verdade sobre a sua evolução, ressaltando o importante papel desempenhado pela ação do estado a partir do final dos anos 60 do século passado, para afinal concluir que nem os graves problemas ocorridos a partir dos anos 80 foram devidos a uma "ineficiência" intrínseca às empresas estatais, nem a recuperação observada nos anos 90 foi uma decorrência direta da privatização e da decantada "eficiência" das empresas privadas. Como foi mostrado, a recuperação poderia ter ocorrido do mesmo modo com as empresas estatais e, neste caso, ter-se-ia evitado também os grandes impactos negativos da privatização na indústria nacional de equipamentos de telecomunicações, no fechamento de postos de trabalho e na remessa de lucros para o exterior. E, ainda mais, provavelmente estaríamos hoje pagando tarifas bem mais baixas.

Dito isto, voltemos ao tema inicial deste artigo. O Presidente Lula não pode se iludir com aqueles que estão acenando com a idéia de que uma retomada das privatizações seria capaz de impulsionar o tão desejável e esperado crescimento econômico. Ao contrário, em lugar de solução, a eventual privatização das grandes geradoras de energia elétrica, da Petrobrás e dos grandes bancos seria um desastre para a Nação. Além de retirar poder efetivo do governo, reduzindo a sua capacidade de atuação, nada de novo acrescentaria à economia e certamente seria responsável por grandes aumentos de preços nos seus produtos e serviços, acabando por prejudicar o desenvolvimento da economia nacional.

Finalmente, cabe explicitar que o ponto de vista aqui expresso não significa uma posição contrária à iniciativa privada. É fora de dúvida que o Brasil precisa da iniciativa privada e da sua capacidade empreendedora. Sem ela não haverá crescimento econômico nem desenvolvimento. Nem serão criados os empregos de que tanto necessitamos. Mas não seria simplesmente comprando estatais que o capital privado estaria cumprindo o seu papel. As oportunidades de negócios para os empreendedores impulsionarem a economia estão aí, seja no comércio, na indústria ou na agricultura. E até mesmo nos serviços públicos e na infra-estrutura, por que não? Os investidores poderão construir novas hidrelétricas, termelétricas, estradas ou seja lá o que for, mas para estes casos de serviços públicos e infra-estrutura, onde as atividades se caracterizam praticamente como monopólios, obrigatoriamente teriam de oferecer tarifas justas, capazes de manter a competitividade da economia e enquadrar-se na capacidade de pagamento da população, pois do contrário não estariam contribuindo para o desenvolvimento do País como, aliás, atualmente tem acontecido em alguns setores.
Recife, 30 de novembro de 2006.

Eng. José Antonio Feijó de Melo

Diretor ILUMINA-NE

Texto publicado originalmente no http://www.viomundo.com.br

Obama conquista jovens na França ao admitir arrogância dos EUA

Barack Obama Capitol

Estrasburgo (França), 3 abr (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, conquistou hoje um público de três mil pessoas que o aplaudiu com entusiasmo especial quando admitiu, com pesar, que, "às vezes, a América se mostrou arrogante e diminuiu, e até mesmo ridicularizou", seus aliados europeus.
Em uma reunião na qual se submeteu a perguntas dos cidadãos, Obama também reagiu com entusiasmo quando falou sobre o fechamento de Guantánamo, a prisão americana em território cubano para detentos suspeitos de terrorismo internacional.

Em um clima relaxado, os presentes, em sua maioria estudantes alemães e franceses, explodiram em gritos e aplausos quando Obama e sua mulher, Michelle apareceram no pavilhão esportivo.
A primeira-dama cumprimentou os jovens no palco e depois passou a ouvir atentamente seu marido na primeira fila.
O presidente primeiro fez um discurso de meia hora no qual estabeleceu como meta um mundo sem armas nucleares, e assegurou que os Estados Unidos e a Europa enfrentarão, com sucesso, os desafios do século XXI sempre que estiverem juntos.

Depois, dedicou 30 minutos a responder a perguntas do público sobre o legado que sua Presidência quer deixar, o que espera dos europeus na "guerra contra o terror", se alguma vez se arrependeu de concorrer à Presidência e, em um tom mais pessoal e leve, o processo de escolha de um cachorro para a Casa Blanca.
Sobre seu legado, insistiu na esperança de um panorama mais pacífico e ecológico; aos europeus, pediu mais esforço no Afeganistão; admitiu que sente saudades da privacidade que tinha antes e, por último, assegurou que, "em breve", se resolverá a dúvida sobre o animal de estimação que prometeu às filhas.

Obama e a beleza interior

O futuro chegou. Um presidente negro nos Estados Unidos dá passos para restaurar o profissionalismo na Casa Branca – é o que anunciam os periódicos americanos ao ver o staff de Obama. Ele indicou para vários cargos pessoas da Era Clinton, antes profissionais tidos como competentes que simples políticos aliados. Vai dar certo? Não sabemos, mas sabemos que os passos até agora estão na direção correta. Ele tem muito a favor, pode dar certo.Tudo indica que o século XXI poderá ser mais um “século americano”. Obama tomará posse sob a expectativa do mundo. A cobertura da CNN é clara: toma posse o imperador da Nova Roma. A China e outros países populosos sofrem com a recessão americana, e mostram que não estavam preparados para assumir a hegemonia do mundo. Quando Roma não consome, os que diziam que iriam assaltar o futuro se mostram incapazes de oferecer alternativas, e até podem voltar a comer escorpião – ou quase! Obama promete tirar todos da crise. O centro do Império e as províncias. Ele é o primeiro americano hifenado (John Dewey dizia que o ítalo-americano, o afro-americano etc. eram os americanos típicos), isto é, o verdadeiro americano, que chega à presidência toma o comando do mundo. Seu hífen poderá fazê-lo pensar com uma cabeça mais cosmopolita que outros presidentes.

Ao mesmo tempo, nasce a primeira criança que não será vítima de câncer. Os jornais anunciaram na semana passada. Fruto de engenharia genética ela realiza o sonho que, no cinema, apareceu muitas vezes antes como terror que como conquista benéfica. Gattaca foi o filme que mostrou essa transição: alguns seriam geneticamente superiores. Uma raça de super homens, de modo antes natural que por qualquer praga jogada por Hitler.

Assim, enquanto o preconceito de cor que, enfim, queria nos impôr uma falsa desigualdade, começa a cair para valer, surge a diferença de genes, e esta não será uma falsa desigualdade. Logo seremos desiguais não por uns passarem fome na infância e outros não; seremos desiguais por uns serem geneticamente programados para vencer e outros não. Não vamos construir Gattaca, certamente (filme de Andrew Niccol, 1997, com Uma Thurman) . Pois Gattaca é uma caricatura. Mas vamos construir algo que pode ser pior, ou tão cruel quanto.

A democracia étnica vence com Obama. A democracia genética perde no momento em que vence a ciência, que promete a todos um futuro melhor. Mas não vamos renunciar à ciência – é claro! Não somos malucos. Para que possamos dar realmente o pulo prometido pela ciência precisamos, então, continuar a batalha democrática. A questão da democracia racial deverá ser substituída pela democracia genética. Teremos de criar situações para que os filhos dos pobres, no mundo todo, também possam nascer sob as condições que vão ser oferecidas aos filhos dos ricos para obter a melhoria genética. E não digo mais condições outras que não as condições genéticas. Vamos ter de criar um gigantesco serviço social de busca de melhorias genéticas para todos. Será um grande engodo irônico e terrível se viermos a terminar a primeira metade desse século com uma população adulta imune geneticamente a muitas doenças, por nascimento, enquanto que uma outra parte da população esteja condenada a ter doenças que os ricos terão esquecido de uma vez por todas – sem vacina.

Sendo assim, o Welfare State que Obama quer reconstruir para os Estados Unidos deverá ser capaz de fazer algo muito mais difícil do que todos os outros Estados de Bem Estar prometidos ao longo da história. Terá de ser capaz de dar condições a todo o Império, ou seja, ao mundo todo, salvo alguns poucos bárbaros renitentes (Bin Laden e sua turma?), a condição de gerar filhos imunes ao câncer e outras coisas que irão ser coibidas geneticamente. Logo logo, também, tudo isso não será mais negativo. Além de imunes a doenças, as crianças poderão ser programadas para a genealidade. É horrível imaginar que a melhoria de vida de cada um no mundo, do ponto de vista da estrutura corporal, não virá acompanhada do direito da maioria de gerar filhos nas condições genéticas dos mais afortunados.

O mundo de Obama não será a luta pela igualdade da cor, do que vai “fora” do corpo, mas do que vai “dentro”. Quando nossos pais assistiam Flash Gordon, eles imaginaram isso? Não! Nem nós, ao vermos Jornada nas Estrelas, levávamos a sério essas coisas. Mas eles chegaram. Não tínhamos pensado nisso seriamente, tínhamos? Não tínhamos pensado para valer que o futuro chegaria.

Paulo Ghiraldelli Jr., filósofo

O Filósofo da Cidade de São Paulo