Ecologicamente CORRETO. Supermercados de vários estados oferecem descontos a quem não usa sacolas plásticas

O mundo produz 500 bilhões de sacolas plásticas por ano, quase 1,5 bilhão por dia. No Brasil, são distribuídas 1 bilhão de sacolas plásticas por mês nos supermercados. Isso equivale a 66 sacolas por pessoa. Cada uma leva até 300 anos para se decompor. Não usar sacola de plástico é bom para o meio ambiente e pode ser bom para o bolso. Em Curitiba, até padaria aposta na onda verde para convencer o consumidor a usar sacolas ecológicas. Segundo o gerente Pedro Farinha, mais de mil sacolas reutilizáveis já foram vendidas só na padaria em que ele trabalha, incentivando os consumidores a deixar de usar as sacolinhas plásticas.

Em uma rede de supermercados do Paraná, quem abrir mão das sacolas de plástico ganha descontos na boca do caixa. “A cliente que é consciente, levando em caixinhas de papelão ou embalagem retornável, ganha desconto de R$ 0,03 a cada cinco itens”, explica a caixa.

A ideia vem sendo testada pela empresa também para o Nordeste e já rendeu R$ 70 mil em descontos aos consumidores. “Está funcionando há quatro meses no Nordeste, onde já deixaram de ser consumidas em torno de 2,3 milhões de sacolas”, contabiliza o diretor de operações Elton Brito.

A campanha em uma rede de supermercados, em São Paulo, começou em 2005. Já foram vendidas quase 700 mil sacolas retornáveis. Mas consumidores que ainda não se habituaram ao uso têm lá suas razões. “Acho complicado, porque faço sempre compras grandes. Fica difícil trazer a própria sacola”, justifica a paisagista Ana Lucia Marguti. “Na correria do dia-a-dia você não para para pensar em trazer a própria sacola e retornar com ela”, diz o professor Fabio Braz.

Logo a rede percebeu que apesar das sacolinhas agradarem, elas não retornavam aos supermercados. O consumidor deixava em casa, guardada. Foi aí que nasceu a ideia de premiar quem se lembrasse da sacola nas próximas compras. Na rede, o cliente vai acumulando pontos e troca por descontos. Só no mês passado, 100 mil sacolinhas de plástico deixaram de ser usadas nas lojas da rede.

“Nós estamos em uma campanha de redução e melhor aproveitamento da sacola plástica. Tem sacolas retornáveis, tem uso de caixa de papelão, que vem dos fornecedores. São várias as ações, o cliente acaba se engajando em momentos diferentes”, aponta o gerente de gestão Paulo Pompilio.

É fundamental que o comércio varejista se engaje nesta campanha contra o uso indiscriminado de sacolas plásticas descaráveis. Mais do que o valor pago pelo uso de formas alternativas, é o debate que a campanha incentiva. Precisamos fazer com que este seja mais um item no conceito de responsabilidade social das empresas. Por menor que ela seja.

Os mercados deveriam também treinar os embaladores nos caixas a não colocar duas sacolas para um volume pequeno de produtos. Hoje, o uso de duas sacolas é automático, independe do peso coloca nelas. No supermercado da minha vizinhança, eu coloco até 5 litros de leite em uma sacola sem problemas. E quando eu peço para os ensacadores usarem apenas uma sacola por volume de compras, geralmente crianças carentes da região, eles se espantam e tentam me convencer de que elas não aguentam. Costumo também retornar sacolas, mesmo essas descartáveis.

Há várias formas para se medir o nível de civilidade de uma sociedade. Para mim, a forma como ela trata seu lixo, é a mais importante. Aqui em casa é praticamente zero a perda. Temos coleta de lixo reciclável e um liquidificador que transforma praticamente todo o lixo orgânico em um fertilizante líquido.

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Alunos dão exemplos de preservação e cobram das escolas engajamento com o meio ambiente

 

Marina silva

Amanda Guimarães está entre os cerca de 700 alunos que participam da 3ª Conferência Nacional Infanto-Juvenil de Meio Ambiente, em Luziânia (GO). A menina de 13 anos cursa a 8ª série em uma escola da rede pública de ensino de Salvador (BA) e dá exemplos do que já é feito em sua sala de aula – tonéis preparados pelos próprios estudantes para coleta seletiva do lixo e projetos para reduzir o desperdício de papel e de água na instituição de ensino.

Ao comentar a iniciativa de reunir crianças e adolescentes com idade entre 11 e 14 anos para discutir o fortalecimento da escola nas políticas de meio ambiente, Amanda avaliou como “super importante” que os mais jovens sejam o foco da conversa. “Somos o futuro e é preciso conscientização.”
Ela lembrou que algumas instituições de ensino do país se mostram “engajadas” quando o assunto é proteger o meio ambiente ,mas que a maioria “apenas fala mas não pratica”. Em Salvador, Amanda faz parte da Comissão de Qualidade de Vida e de Meio Ambiente de sua escola e garantiu que os professores promovem com regularidades palestras e oficinas de educação ambiental.

Durante visita a Brasília pela primeira vez, a menina deixou um recado para crianças e adolescentes de todo o país: “Vamos preservar o meio ambiente porque o futuro depende de nossas ações. A partir do momento em que comecei a conhecer melhor as necessidades do país, passei a me engajar.”
João Pedro Marsola, de 14 anos, veio de Santa Cruz do Rio Pardo (SP) como um dos delegados na conferência. Para ele, o encontro serve para “conscientizar ainda mais”. Entre um debate e outro, ele contou que a escola onde estuda já promove atividades como visitas a sítios, onde os estudantes plantam árvores, conhecem as nascente de rios e entrevistam agricultores da região.

Questionado sobre o que pretende levar da conferência, ele disse que espera aprender a cuidar do meio ambiente e garantiu que todo o conhecimento adquirido na capital federal será repassado ao irmão, de 17 anos, e aos amigos do interior de São Paulo.
“Vou passar tudo. Tenho um amigo que, uma vez, chupou cinco balas e colocou os papéis em um canto da sala. Pedi que ele recolhesse porque aquilo não era certo. Ele não gostou do que eu disse, mas recolheu os papéis.”