Lançada Campanha para Jovens Contra Violência Doméstica

A motorista Fernanda Silveira de Oliveira tinha 16 anos quando começou a sofrer agressões do marido, na época com 18 anos. Foram dez anos de violência até que resolveu largá-lo. Fernanda nunca denunciou as agressões. Segundo ela, era muito jovem, não sabia a quem recorrer e tinha medo que os pais soubessem que apanhava do companheiro.

Hoje, Fernanda, com 48 anos, sabe que existem instrumentos importantes para punir os homens que agridem suas companheiras, como a Lei Maria da Penha. Ela tem plena consciência da importância de denunciar esse tipo de violência que, segunda Fernanda, atinge também os jovens casais, como foi o seu caso. “Estes dias vi uma menina no meio da rua apanhando do companheiro. Ela deveria ter uns 14 anos e ele, 17”, disse.

Na comunidade onde mora, em Mogi das Cruzes, a motorista Fernanda Silveira de Oliveira se transformou numa espécie de orientadora individual contra esse tipo de crime. Segundo ela, todas as vezes que aparece uma oportunidade aconselha as mulheres para que denunciem as agressões que sofrem de seus companheiros.

Para combater esta modalidade de violência, a Secretaria Especial de Políticas Para Mulheres lançou hoje (1º) a campanha Maltrato Zero, em parceria com a Secretaria Geral Ibero-Americana (Segib) e o apoio da Secretaria Nacional da Juventude.

Pela primeira vez, os homens aparecem em uma campanha contra a violência doméstica alertando sobre o problema. “A violência não é um problema das mulheres, é um problema social”, afirmou a ministra Nilcéa Freire.

Segundo a ministra, é importante conscientizar os jovens – a campanha pretende atingir 150 milhões de jovens em todo o mundo. “Cada vez mais os casais jovens tendem a resolver seus conflitos com violência”. Por isso, a campanha privilegiou os rostos jovens para dialogar com esta população- “muitas campanhas do tipo são direcionadas para mulheres adultas. Queremos conversar com todas, mas principalmente as jovens”, disse.

De acordo com Nilcéa Freire, a ideia da campanha surgiu durante a última reunião de chefes de Estado em El Salvador, no ano passado. “Outro aspecto importante desta campanha é fazer um diálogo em todos os países ibero-americanos”, afirmou.

A campanha Maltrato Zero será veiculada em 21 países nos idiomas português e espanhol. Nas peças publicitárias, uma mulher afirma que nenhum homem em sua vida está acima dela. Em outro spot, um homem diz que “das mulheres que fazem parte da minha vida, nenhuma será menos do que eu”.

Para o secretário-geral da Segib, Enrique Iglesias, “é preciso criar a cultura de não violência nestes países”. Além do material informativo, a campanha tem também um website: http://www.maltratozero.com.

Para a motorista Fernanda, a campanha pode ser um bom começo no processo de conscientização. “Mas acho que não depende apenas do governo. As famílias devem conversar com seus filhos e explicar que a violência não é a solução dos problemas”, afirmou.

Publicado pelo Portal Terra, 01/10/09.

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Brasil é penúltimo na América do Sul em participação da mulher na política, diz ONU

O Brasil é o penúltimo colocado no ranking que mede a participação feminina nas câmaras federais entre os países da América do Sul. A Argentina lidera o levantamento, com 40% de mulheres parlamentares. A última posição é da Colômbia, com 8,4% de assentos ocupados por mulheres. O Brasil, como penúltimo, tem apenas 9% das cadeiras.

Os números foram divulgados hoje (30) pela Organização das Nações Unidas (ONU), que lançou no Rio de Janeiro o relatório Progresso das Mulheres no Mundo 2008/2009. No mundo, o país com maior representatividade da mulher na política é a Suécia, com 47%. Depois vem Cuba, com 43%, Finlândia, com 41%, e Dinamarca.

A diretora da ONU do Fundo para a Mulher (Unifem), Inês Alberdi, comentou a posição brasileira em relação aos países sul-americanos. “Quanto à presença de mulheres nos parlamentos nacionais, o Brasil está muito atrás, tem um percentual muito baixo. Por outro lado, é líder nas iniciativas de combater as desigualdades e a violência”, disse.

Para a deputada estadual Inês Pandeló (PT), presidente da Comissão de Defesa das Mulheres da Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), não basta a legislação brasileira prever cota de 30% de candidatas mulheres nas eleições. “Onde tem cotas, foi ampliada a participação feminina em espaços de poder, incluindo na política. Mas estamos vendo que não basta só ter a vaga na chapa. São precisos outros instrumentos, como a reforma política, com o financiamento público de campanha e a possibilidade de mais mulheres assumirem esse espaço”, afirnou.

A Secretária Especial de Políticas Públicas para as Mulheres, a ministra Nilcéa Freire, também ressaltou a necessidade das mulheres assumirem maior poder político no país. “O Brasil figura quase como o lanterninha da representação das mulheres noParlamento. Nós acabamos de instituir uma comissão tripartite – Executivo, Parlamento e sociedade civil – para fazer uma revisão da legislação sobre cotas eleitorais”, informou. Segundo a ministra, o objetivo é examinar por que os 30% da cota obrigatória de candidatas não se transformam em um percentual semelhante de mulheres eleitas.

“Há que se verificar também a questão do financiamento, a capacitação das mulheres nos partidos políticos, destinação de recursos do fundo partidário para as candidaturas femininas, tempo nos programas eleitorais, se há proporcionalidade. Ou seja, trabalhar a questão da igualdade de oportunidades e tratamento, para que o percentual estabelecido como ação afirmativa possa ser garantido na prática”, disse.

Além de abordar a participação política das mulheres, o relatório também trata de questões como violência e saúde. A versão integral, em português, pode ser acessada no site www.unifem.org/progress/2008.