Lançamento de pesquisa Inovar para Incluir: jovens e desenvolvimento humano

A quarta-feira (10/03) foi marcada também pelo lançamento em português da pesquisa “Inovar para Incluir: jovens e desenvolvimento humano”, sobre aspectos econômicos, sociais e de mercado de trabalho dos jovens dos quatro países fundadores do Mercosul, Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, como forma de contribuir para o debate sobre a importância de se investir na juventude para avançar na questão do desenvolvimento humano.

A pesquisadora Regina Novaes, uma das idealizadoras do trabalho, ressaltou que é importante que o relatório chegue à ponta, sobretudo os pequenos municípios, e sirva como base para os que trabalham com as políticas públicas de juventude.

Segundo o estudo, o Brasil, 75º no Ranking do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), é o único país dos quatro que alcançou uma melhora substancial no médio prazo, com uma redução de mais de um terço da pobreza estrutural diz o estudo. Ele sugere que este comportamento está associado a um forte aumento nos investimentos no nível educativo dos jovens registrado nos últimos anos.

Outro ponto importante do dia foi o lançamento do Mapa dos Conselhos, um estudo realizado pela Comissão de Articulação e Diálogo do Conjuve com 105 Conselhos Estaduais e Municipais.

Fonte: Consultoria de Comunicação da Secretaria Nacional de Juventude

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O QUE É BOM PARA O LULA, É RUIM PARA O BRASIL?

Emir Sader *

A mídia mercantil (melhor do que privada) tem um critério: o que for bom
para o Lula, deve ser propagado como ruim para o Brasil. A reunião de
mandatários sulamericanos em Bariloche – que o povo brasileiro não pôde ver,
salvo pela Telesul, e teve que aceitar as versões da mídia – foi julgada não
na perspectiva de um acordo de paz para a região, mas na ótica de se o Lula
saiu fortalecido ou não.
O golpe militar e a ditadura em Honduras (chamados de “governo de fato”,
expressão similar à de “ditabranda”) são julgados na ótica não de se ação
brasileira favorece o que a comunidade internacional unanimemente pede – o
retorno do presidente eleito, Mel Zelaya -, mas de saber se o governo
brasileiro e Lula se fortalecem ou não. Danem-se a democracia e o povo
hondurenho.
A mesma atitude tem essa mídia comercial e venal diante da possibilidade do
Brasil sediar as Olimpíadas. Primeiro, tentaram ridicularizar a proposta
brasileira, a audácia destes terceiromundistas de concorrer com Tóquio, com
Madri, com Chicago de Obama e Michelle. Depois passaram a centrar as
matérias nas supostas irregularidades que se cometeriam com os recursos,
quando viram – mesmo sem destacar nos seus noticiários – que o Rio tinha
passado de azarão e um dos favoritos, graças à excelente apresentação da
proposta e ao apoio total do governo. Agora se preparam para, caso o Rio de
Janeiro não seja escolhido, anunciar que se gastou muito dinheiro, se viajou
muito, para nada. Torcem por Chicago ou outra sede qualquer, que não o Rio,
porque acreditam que seria uma vitória de Lula, não do Brasil.
São pequenos, mesquinhos, só vêem pela frente as eleições do ano que vem,
quando tentarão ter de novo um governo com que voltarão a ter as relações
promíscuas que sempre tiveram com os governos, especialmente com os 8 anos
de FHC. Não existe o Brasil, só os interesses menores, de que fazem parte as
4 famílias – Frias, Marinho, Civitas, Mesquita – que pretendem falar em nome
do povo brasileiro.
O povo brasileiro vive melhor com as políticas sociais do governo Lula?
Danem-se as condições de vida do povo. Interessa a popularidade que isso dá
ao governo Lula e as dificuldades que representa para uma eventual vitória
da oposição. A imagem do Brasil no exterior nunca foi melhor? A mídia
ranzinza e agourenta não reflete isso, porque representa também a
extraordinária imagem de Lula pelo mundo afora, em contraposição a de FHC, e
isto é bom para o Brasil, mas ruim para a oposição.
O que querem para o Brasil? Um Estado fraco, frágil diante das investidas do
capital especulativo internacional, que provocou três crises no governo FHC?
Um país sem defesa ou dependente do armamento norteamericano, como ocorreu
sempre? Menos gastos sociais e menos impostos para ter menos políticas
sociais e menos direitos do povo atendidos? Um povo sem autoestima,
envergonhado de viver em um país que eles pintam como um país fracassado,
com complexo de inferioridade diante das “potências”, que provocaram a maior
crise econômica mundial em 80 anos, que é superada pelos países emergentes,
enquanto eles seguem na recessão?
São expressões das elites brancas, ricas, de setores da classe média alta
egoísta, que odeia o povo e o Brasil e odeia Lula por isso. Adoram quem se
opõem a Lula – Heloísa Helena, Marina, Micheletti -, não importa o que digam
e representem. Sua obsessão é derrotar Lula nas eleições de 2010. O resto,
que se dane: o povo brasileiro, o país, a situação de vida da população
pobre, da imagem do país no mundo, da economia e do desenvolvimento
econômico do Brasil.
O que é bom para o Lula é ruim para eles e tentam fazer passar que é ruim
para o Brasil. É ruim para eles, as minorias, os 5% de rejeição do governo,
mas é muito bom para os 82% de apoio ao Lula.

* Filósofo, cientista político, professor da Univers.Estad.Rio de Janeiro

Uma decisão histórica – Lula pratica integração sulamerica

O governo anunciou uma linha de crédito de até R$ 10 bilhões para os países sul-americanos que se debatem com a escassez de financiamento em nível internacional. A medida é similar a que adotou internamente, colocando a disposição dos exportadores e empresas com dívidas externas US$ 50 bilhões de dólares das reservas internacionais do Brasil.
Dessa nova linha de crédito, de imediato, já estão disponibilizados R$ 3,5 bilhões para a Argentina. A importância da medida está no fato de que ela mostra a maturidade da política de comércio externo do Brasil. Marca, também, o caráter de nosso país como exportador de capital, tecnologia e serviços e, agora, de financiador, o que exigirá, no futuro, a constituição de um banco de exportação e importação, papel hoje reservado ao BNDES e ao Banco do Brasil (BB).
Por falar em banco, outra notícia relevante: estão concluídas as negociações para a constituição do Banco do Sul tendo os países participantes – Brasil, Argentina, Venezuela, Uruguai, Equador, Bolívia e Paraguai – chegado a um acordo sobre o seu capital. Este será de US$ 7 bilhões, em partes iguais de US$ 2 bilhões para Brasil, Argentina e Venezuela; US$ 800 milhões para Uruguai e Equador; e US$ 200 milhões para Bolívia e Paraguai.
Bom, também, que se tenha chegado a um acordo sobre arbitragem e tomada de decisões, sendo que, para empréstimos de até US$ 70 milhões, cada país tem um voto, e acima dessa quantia, só com o apoio de 2/3 do capital votante dos países membros do Banco do Sul.
Fechados esses entendimentos, restam a redação jurídica dos textos de fundação da instituição e sua aprovação pelos parlamentos dos 7 países. Com o Banco e a linha de crédito brasileira de R$ 10 bilhões, a América do Sul caminha para viabilizar a integração energética e de transportes, condição para sua interação econômica, como a que possibilitou o acordo do carvão e do aço para a Europa na década de 50.

Brasil-Argentina rifam dólar e apostam em moeda do Mercosul

Os presidentes Cristina Fernández de Kirchner e Luiz Inácio Lula da Silva assinaram nesta segunda-feira (8) em Brasília acordo que troca o dólar pelo real e o peso argentino no comércio entre os dois países. Depois do encontro com Lula, Cristina disse que os dois países partilham “uma mesma visão da política e da integração”. A medida entra em vigor no próximo dia 6, em caráter experimental.  data foi adiantada pelo ministro da Fazenda brasileiro, Guido Mantega. O acordo entre o Banco Central do Brasil e o Banco Central da Argentina estabelece o uso de moedas locais em transações comercias. A Argentina já é o terceiro maior parceiro comercial do Brasil, atrás apenas dos Estados Unidos e da China.
Rumo à moeda do Mercosul

“[Esse acordo vai] Valorizar as moedas locais porque até agora tínhamos uma moeda intermediária [dólar], agora não precisamos dessa moeda intermediária. Isso caminha no longo prazo em direção a uma moeda local, que acho que o Mercosul deveria ter. É um primeiro passo”, explicou o ministro.

Mantega acredita que o acordo pode ser estendido para os outros países do bloco. “Tendo dado esse primeiro passo, é possível fazer para os demais países”, disse. De acordo com o ministro da Fazenda, o comércio entre o Brasil e a Argentina movimenta US$ 25 bilhões.

O continuado enfraquecimento do dólar tem esvaziado gradativamente o papel seu papel como moeda-padrão nas transações internacionais. Embora a divisa estadunidense continue a desempenhar este papel em perto de dois terços das transações internacionais, no início da década esta fatia chegava a mais de três quartos.

“Defesa estratégica de nossos recursos”

Na entrevista coletiva após a reunião entre os dois presidentes, no Palácio do Planalto, Cristina qualificou a integração sul-americana de “visão estratégica”. “Num mundo que demanda cada vez mais alimentos e mais energia”, observoua presidente argentina, em discurso pronunciado no Itamaraty, a aliança Buenos Aires-Brasília também “tem a ver com a defesa estratégica de nossos recursos naturais”.

“Essa relação entre Brasil e Argentina, sustentadora do Mercosul e da unidade regional, assegura que a região pode desenvolver independência econômica, tecnológica e fundamentalmente de cabeças, dirigentes que pensem que é possível viver em uma região com identidade e com história própria, e não emprestada por ninguém”, afirmou Cristina Kirchner.

Para Cristina, a “aliança estratégica se deu fundamentalmente porque os dois países partilhamos uma mesma visão da política e da importância da integração, para voltarmos a conseguir a mobilidade ascendente, que é o verdadeiro progresso”. A presidente também opinou que existe “uma excelente oportunidade de negócios” entre a Argentina e o Brasil.

PIB argentino cresceu 60% desde 2003

Os dois chefes de Estado assinaram vários outros acordos bilaterais além do que substitui o dólar pelo real e o peso. Um deles trata do projeto da hidrelétrica de Garabi, no Rio Uruguai, compartilhado pelos dois países. Cristina  também manifestou interesse em comprar aviões da Embraer para reequipar a Aerolíneas Argentinas, em processo de reestatização após uma privatização selvagem que quase aniquilou a empresa aérea.

Ao discursar no Itamaraty, Cristina apresentou números sobre as mudanças ocorridas na Argentina desde a eleição de Néstor Kirchner, seu marido, em 2003. O desemprego caiu de quase 25% para 7,8% em meados do primeiro semestre de 2008. A dívida externa reduziu-se de 150% do PIB (Produto Interno Bruto) para 50% este ano. O PIB cresceu 60% nestes cinco anos.

Fonte: Portal Vermelho