Para salvar Sarney, PMDB ameaça Dilma

O PT do Senado se reúne outra vez amanhã para decidir de votará no Conselho de Ética pelo desarquivamento de denúncias contra José Sarney (PMDB-AP).

Aloisio Mercadante (SP), o líder, quer que os três representantes do partido no Conselho votem pelo desarquivamento. Dos três, dois hesitam.

O senador João Pedro (PT-AM) votará contra o desarquivamento. Não está nem aí para pressões. Era suplente. Virou senador sem voto. Deve o mandato a Lula, seu velho amigo.

Foi Lula que obrigou o senador Alfredo Nascimento (PR-AM), atual ministro dos Transportes, a escolher João Pedro para ser seu suplente.

Uma vez que Nascimento se elegeu, Lula o nomeou ministro. E João Pedro assumiu a vaga dele no Senado.

Delcídio Amaral (PT-MS) e Ideli Salvatti (SC) são candidatos aos governos dos seus Estados. Não querem votar contra Sarney no Conselho para não ficar mal com Lula. Mas temem a reação das ruas.

Os principais cabeças do PMDB no Senado já avisaram: se o PT votar pelo desarquivamento de alguma denúncia contra Sarney, o troco será dado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

A CCJ ouvirá amanhã a ex-secretária da Receita Federal Lina Vieira sobre seu suposto encontro com a ministra Dilma Rousseff, da Casa Civil.

Lina contou à Folha de S. Paulo que Dilma lhe pediu para apressar as investigações em torno dos negócios suspeitos de Fernando, o filho empresário de Sarney.

Dilma nega o encontro e a conversa com Lina.

Bem, se Lina repetir na CCJ o que contou ao jornal e se o PT, nesta quarta-feira, votar pelo desarquivamento de alguma denúncia contra Sarney, o PT e o governo que se preparem…

O PMDB se diz disposto a dar seus votos na CCJ para que Dilma seja convocada – e, quem sabe? – acareada com Lina. É tudo o que o governo não quer.

O jogo está cada vez mais pesado dentro do Senado. Vale tudo para segurar Sarney na cadeira de presidente.

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Senador se diz preocupado com redução da maioridade penal

 

Uma experiência precoce no presídio contribuirá para aumentar a criminalidade juvenil, visto que a taxa de reincidência no sistema carcerário brasileiro é bem superior àquela registrada nas instituições que abrigam menores infratores. O argumento é do senador João Pedro (PT-AM), que ocupou o Plenário, na manhã desta sexta-feira (08), para manifestar sua preocupação com a redução da maioridade penal para 16 anos, aprovada pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) e que deverá ainda ser decidida em plenário.

– A idéia de que a redução da maioridade tem impacto intimidatório e que remeteria à diminuição da criminalidade não se sustenta. Rebaixar a idade penal para que os indivíduos com menos de 18 anos não sejam envolvidos pelo crime equivale a jogar na criminalidade jovens cada vez menores. Ao adotarmos o critério de 16 anos, os traficantes recrutarão os de 15; se reduzirmos para 11, na manhã seguinte, os de 10 serão aliciados como soldados do tráfico. – alegou ainda o senador.

João Pedro disse que é preocupante essa decisão tomada pela CCJ. Em sua opinião, a votação apertada que levou a essa decisão reflete a aflitiva divisão de opinião entre os senadores e aconselha melhor discussão desse tema complexo pela sociedade e pelos legisladores brasileiros.

– Quero unir-me a todos aqueles que perfilam pela manutenção da idade para a imputabilidade aos atuais 18 anos, sobretudo aos profissionais que trabalham na área da infância e da juventude, que lutam, diuturnamente, não apenas para reprimir a prática de atos infracionais, mas para garantir a reeducação e reinserção dos menores em conflito com a lei no meio social e familiar de outrora. A juventude quer inclusão social e não redução da maioridade penal. Moderação, equilíbrio e bom senso é tudo que a sociedade brasileira espera e merece de seus legisladores.