Cinco razões que fazem o Ubuntu 9.10 melhor que o Windows 7

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PC World/EUA

Nova versão do Linux (e praticamente qualquer outra distribuição) faz tudo que se precisa no PC, por menos dinheiro e problemas.

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Mesmo reconhecendo que a Microsoft fez um bom trabalho com o Windows 7, que o novo sistema operacional está mais leve e é mais seguro que as versões anteriores já lançadas pela empresa, o que faz, então, um grande número de usuários continuar preferindo usar o Linux (sem contar os novos adeptos) e defender a plataforma open source com unhas e dentes?

Se os motivos listados abaixo lhe soam repetitivos, é porque eles continuam a ser os principais atrativos do sistema operacional Linux que a Microsoft ainda não conseguiu vencer.

Segurança
Está provado: o Windows 7 é, realmente, o Windows mais seguro já criado pela Microsoft. Mas é melhor do que o Vista? Sim, é. Mais rápido do que o Windows XP? Hum… não muito. Ele conta com toneladas de aplicativos para ele? Sim.

Mas o Windows 7 vai continuar enfrentando a infindável batalha dos malwares e ainda carrega muito de um modelo de segurança a era pré-internet? Sim, infelizmente a resposta é sim.

É possível manter um PC com Windows seguro, a partir de hábitos seguros e munidos das ferramentas adequadas. Isto é um pouco mais fácil para aqueles usuários com mais experiência em computadores e que não se deixam enganar facilmente pelos novos truques que os criminosos virtuais vem empregando.

O problema é que nem todo mundo tem esse conhecimento e mesmo os que têm não querem passar o tempo todo atentos a esse tipo de situação, não querem ter de se preocupar se serão hackeados enquanto fazem compras na web ou ter de pensar duas vezes antes de visitar um site ou clicar em um link que chegue pelo correio eletrônico.

No Linux, felizmente, esses problemas simplesmente não existem e os usuários podem usar seus computadores sem este tipo de preocupação.

Preço
Ok. Aqui vamos nós, uma vez mais, entrar na discussão sobre preço. Temos o novíssimo Ubuntu 9.10 funcionando perfeitamente em um PC da HP com processador Intel Pentium IV de 1,4 GHz e meros 512 MB de memória RAM, equipamento comprado em 2000. Seria impensável – e impossível – rodar qualquer versão decente do Windows 7 nesse equipamento.

Mas vamos deixar a questão do hardware de lado por um momento e pensar no preço do software. A versão mais barata do Windows 7 (Home Basic Full), no Brasil custa 329 reais – não existe a opção de atualização, embora aMicrosoft possa lançá-la no início do próximo ano. Em contrapartida, o preço do Ubuntu 9.10 é… zero. Basta baixá-lo, instalar e começar a usar.

Atualização mais fácil
Para atualizar o Ubuntu no PC mencionado acima, foram necessários os seguintes passos: baixar o arquivo e queimá-lo em um CD; iniciar o PC a partir deste disco e instalar o Ubuntu 9.10 nele. O tempo total para realizar isso foi inferior a uma hora.

instalação do Windows 7 a partir do XP é um processo muito mais complexo e, em nossos testes, consumiu cerca de oito horas. Uma forma de encurtar esse processo é contar com o auxílio de alguns programas extras com o Windows Easy Transfer e o PCmover, além do disco de instalação do sistema operacional propriamente dito.

Definitivamente, esse não é um processo simples, a não ser que você goste muito de lidar com tecnologia e decida fazer isso por sua conta e risco. Se realmente quer usar o Windows 7, o melhor a fazer é comprar um PC novo já com o sistema operacional instalado.

Compatibilidade de hardware
Ainda existe uma ilusão persistente de que o Linux suporta apenas um limitado conjunto de periféricos. Este é um conceito totalmente incorreto. O Ubuntu Linux é capaz de lidar com praticamente qualquer hardware disponível no mercado. Tudo bem que existem alguns itens específicos, em particular algumas placas gráficas e chipsets, para os quais será necessário baixar um driver adicional para poder obter o melhor desempenho gráfico possível.

Mas o que isso tem a ver com a comparação entre o Windows 7 e o Ubuntu? Muito. Ainda que a Microsoft tenha feito um trabalho muito melhor no quesito suporte a hardware com o novo Windows do que vimos no Vista, ainda existem alguns falhas de suporte com relação a alguns dispositivos bem comuns.

Por exemplo, o problema de sincronização do iPhone com o Windows 7 que parece resultado de um combinação entre a versão 64 bits do novo sistema operacional e algumas placas-mãe de alto desempenho que utilizam o chipset Intel P55 Express.

Ou que tal isso: as impressoras da HP ainda não possuem drivers compatíveis com o Windows 7. As informações mais recentes da consultoria IDC dão conta de que a HP detém 54% do mercado norte-americanos de impressoras. É inacreditável

Aplicativos
O senso comum sugere que o Windows tem a vantagem de possuir o maior número de aplicativos disponíveis do que a plataforma Linux. E de fato tem, é fato.

Mas quantos desses os usuários realmente precisam e utilizam? É claro que se o que o usuário realmente precisa são recursos que só existem, digamos, no Adobe Photoshop, então ele não tem qualquer motivo de pensar em usar o Ubuntu nem qualquer outra distribuição Linux. Nesse caso, a pergunta seria: então por que não escolher rodas o Snow Leopard em um Mac? Mas esta é outra discussão.

Entretanto, com exceção de jogos, nada parece apontar em favor do sistema operacional da Microsoft. O Ubuntu (e várias outras distribuições também) vem com uma suíte de aplicativos de produtividade gratuita que faz praticamente tudo que o Office da Microsoft é capaz de fazer.

Quer um cliente de e-mail? O Outlook Express não vem mais com o Windows 7 (embora se ainda seja possível baixá-lo do site da Microsoft). Já o Ubuntu oferece o Evolution, um dos melhores utilitários de e-mail já desenvolvidos.

Precisa fazer backup do seu PC? As duas plataformas oferecem isso, mas apenas o Ubuntu proporciona um serviço online, o Ubuntu One, com 2 GB de capacidade disponível (gratuito) e 50GB no serviço pago.

Caso necessite de uma ferramenta que não tenha vindo com a distribuição, basta visitar o Ubuntu Software Center, a “loja” do Ubuntu. As aspas estão aí porque tudo o que está lá é gratuito.

No caso do Windows, todo mundo conhece o caminho das pedras. Ou você compra o aplicativo que precisa (seja em uma loja física ou online) ou procura por algo que sirva no Download.com ou Tucows, por exemplo. Só não se esqueça de ter seu cartão de crédito em mão, afinal um bom software para Windows dificilmente será gratuito.

Não esperamos, mesmo, convencer fãs de carteirinha do Windows a trocar de plataforma. Nosso objetivo é acrescentar um pouco mais de lenha na discussão e colocar os usuários para pensar. Se puder, experimente o Ubuntu – e pode-se fazer isso mesmo sem mexer em nada na sua instalação Windows atual.

Quem sabe você não acabe descobrindo que esta distribuição (ou qualquer outra) do Linux é capaz de fazer tudo o que você precisa em um computador com muito menos problemas e sem precisar gastar nada.

O Ano que a Internet irá parar de crescer

 

Por Flávio Amaral

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Com a aproximação do fim de mais uma década, um novo bug muito parecido com o do milênio poderá causar problemas para os usuários de Internet. Neste caso, as consequências já são conhecidas e não hipotéticas como no ano 2000. E se nada for feito,  não será mais possível aos novos usuário ou aos novos dispositivos se conectarem à Internet. A data exata para isso acontecer, segundo uma aplicação rodando neste site é 686 dias a partir de hoje (17/08/2009) ou 04/07/2011.

A falha tem nome e se chama exaustão dos endereços IP versão 4. Os endereços IPs são quem realmente habilitam um equipamento, seja ele seu computador, seu celular 3G, PDA etc a se conectarem à Internet. Sem endereço IP, não há conexão. Se você  usa o sistema operacional Windows e quiser saber qual o endereço IP de seu computador, siga esses passos: clique em iniciar, depois em executar e digite cmd. Na janela de linha de comando, digite ipconfig. A linha que contiver endereço IP (IP Address) informará seu endereço. Para quem usa Linux, pode abrir uma janela de shell e digitar o comando ifconfig -a.

A versão de endereços IPs que usamos hoje é conhecida como IPv4 (versão 4). Dentre as muitas características dessa versão está o comprimento e o formato do endereço em si: 32 bits. Um exemplo de endereço IPv4 é: 192.168.1.1. São 4 octetos ou bytes totalizando 32 bits. Esse comprimento permite 2 elevado a 32 possiblidades ou seja, mais ou menos 4 bilhões de endereços. Mas isso é um valor teórico e os endereços realmente utilizáveis são uma porção menor que isso: cerca de 3,7 bilhões. Um número alto, mas não suficiente para as necessidades atuais. A adoção em massa da Internet não só em computadores, mas em celulares e PDAs também apressou seu esgotamento e com a chegada da TV digital, que usará a Internet para interatividade, mais endereços serão usados. E um dos países que mais sofrerá com isso é a China, como diz um artigo do site Slashdot.

Alguns sites, como o da empresa Hurricane Electric, nos EUA, colocaram uma aplicação on-line informando quantos endereços IPv4 ainda faltam para acabar e até existe uma aplicação no iPhone para informar sobre isso. Existem 460 mil endereços IPs ainda disponíveis, cerca de 10,9% do total, restando 686 dias para acabar, segundo a aplicação no dia 16/08/2009.

Segundo o Comitê Gestor da Internet no Brasil, instituição que dentre muitas tribuições é também responsável pela distribuição de blocos de endereços IPs no país, quando o último número de IPv4 for utilizado, a Internet não irá parar, mas a próxima pessoa que quiser conectar alguma coisa a ela, não poderá fazê-lo. Quem já utiliza a rede irá continuar a acessá-la normalmente.

A solução para isso já está em andamento faz tempo, mas pouca gente fala a respeito. Chama-se IPv6, ou versão 6 (a versão 5 foi empregada para outro uso e não foi e nem será utilizada em massa). O IPv6 não só elimina o problema da falta de endereços, mas deixará as conexões mais rápidas e adicionará mais segurança a elas. Mas voltando ao problema do endereço, o novo tamanho será de 128 bits, ou de 2 elevado a 128, o que irá proporcionar a seguinte quantidade de endereços:

340.282.366.920.938.463.463.374.607.431.768.211.456

Um número que eu nem saberia pronunciá-lo, mas que seria suficiente para colocar endereços IPs até em coleiras de cachorros.

A escrita de um endereço IPv6 é  diferende de um endereço IPv4. São usados valores de 16 bits separados por dois pontos e cada valor de 16 bits é escrito no formato hexadecimal, que usa as letras de A a F, além de números de 0 a 9. Um exemplo de um endereço IPv6 é:

2001:db8:31:1:20a:95ff:fef5:246e.

Bem diferente do exemplo que demos acima do IPv4: 192.168.1.1

Agora vamos ao que precisa ser executado. Os usuários finais não precisam fazer quase nada, exceto perguntar, ao comprar um equipamento ou serviço de conectividade, se eles funcionam com IPv6. Contudo, devemos fazer uma ressalva caso você possua um equipamento antigo. Neste caso, será necessário verificar com o fabricante alguma possível atualização de software/firmware. Mas o grande trabalho mesmo vai ficar nas mãos dos provedores e fabricantes. Eles terão que configurar seus equipamentos, sites e aplicações para que essa transição seja suave para os seus clientes. Fazer isso sem sair do ar e de forma barata vai ser um grande desafio.

Embora a data final esteja se aproximando, um dos motivos da demora das instituições começarem a pensar na migração é a complexidade da mesma. Quem já migrou endereços IPs de um parque de servidores sabe o trabalho. Sem falar na coordenação geral de toda a Internet fazendo a mesma coisa, pois se seu provedor fizer e outros não, você terá problemas em se comunicar.

Além do trabalho da troca de endereços, existe outro tão complexo: fazer as duas versões do protocolo (IPv4 e IPv6) se falarem por um tempo. Um artigo do site Ars Tecnica aborda o fato.Muitas das técnicas são baseadas em NAT (Network Address Translation) e tunelamento de pacotes IPv4 dentro de IPv6 e vice versa. O recurso de NAT permite que várias conexões de uma rede local compartilhem um único endereço IP que pode ser de um firewall da rede ou do roteador wireless.

O protocolo IPv6 já está em uso em várias redes, mas o seu volume perante o IPv4 é irrisório. Há um ano atrás, o montante de tráfego do protocolo IPv6 representava apenas 0,0026% do total do volume de dados transmitido na Internet.

Nem tudo é notícia ruim e, como em toda crise, há boas oportunidades à vista. Enxergo nesta transição uma excelente oportunidade para os profissionais de Informática, pois assim como foi no ano 2000, muita gente que sabia a linguagem de progamação COBOL ganhou bastante dinheiro para corrigir o bug do milênio. Todas as empresas vão precisar migrar para a nova versão, portanto trabalho não vai faltar. Vamos aprender IPv6.