A “indústria da crise” contamina a mídia nacional

A gripe H1N1 (ex-gripe suina) está sumindo do noticiário deixando no ar uma série de perguntas não respondidas e principalmente a sensação de que foi mais um de uma sucessão de eventos midiáticos onde nós todos somos espectadores e protagonistas involuntários.A gripe foi apresentada durante várias semanas como uma gravíssima ameaça à humanidade, provocando a adoção de medidas que beiravam a histeria coletiva. De repente,as notícias minguaram, foram se tornando escassas, num processo muito similar ao que aconteceu com a chamada turbulência econômica global.

Tanto num como noutro caso houve um impacto inicial provocado por declarações alarmistas de autoridades diversas, seguidas por um bombardeio noticioso por parte da mídia gerando temor, preocupação e reações de todos os tipos entre os consumidores de informação.

Mas o que mais surpreende foi a forma como ambos os temas sumiram da agenda da imprensa, deixando no ar uma dúvida básica: será que eles eram tão relevantes como pareciam inicialmente?

Se não foram, faltou serenidade da imprensa e das autoridades para dar tanto à crise econômica mundial como à “epidemia” de gripe a sua dimensão real, poupando a população de um estresse desnecessário.

Mas se ambos os processos são tão graves quanto o quadro pintado inicialmente pela mídia e pelos governos, então os nossos com comunicadores e autoridades estão agora agindo irresponsavelmente ao deixarem a população sem o necessário seguimento informativo.

A sucessão recente de grandes eventos mundiais e nacionais segue uma mesma rotina efêmera e indica que a mídia e as autoridades, tanto políticas como corporativas, criaram o que poderíamos chamar de “indústria da crise”, ou seja, uma estratégia para buscar objetivos, nem sempre claros, usando como ferramenta principal os temores e inseguranças das pessoas comuns.

Outra característica comum de toda excitação informativa provocada pela combinação de interesses entre autoridades e imprensa é a despreocupação generalizada com as soluções. Grandes escândalos como o mensalão e outros sumiram da mídia e o que se vê são os principais acusados recuperando gradualmente o antigo status.

Mais uma vez fica a dúvida. Ou a acusação e os escândalos eram infundados e a mídia foi cúmplice em jogadas políticas escusas, ou tudo era verdadeiro e agora assistimos a uma irresponsável absolvição branca dos culpados. Onde está a função fiscalizadora da imprensa?

De dúvida em dúvida vamos começando a construir uma certeza: a de que a mídia e as autoridades estão chegando perigosamente perto do descrédito generalizado. A busca frenética por situações capazes de garantir visibilidade para os tomadores de decisões — e novas receitas para os formadores de opiniões — começa a tornar nítido o divórcio entre os interesses dos que têm poder e os desejos ou necessidades da população.

A ampliação da indústria da crise movida por interesses oficiais e corporativos pode, no médio prazo, contribuir para o desenvolvimento de uma paranóia coletiva, do tipo da surgida logo depois dos atentados de 11 de setembro de 2001, nos Estados Unidos.

Sem confiar nas informações da imprensa e das autoridades, a população sente-se órfã e pode repetir comportamentos irrefletidos como no fatídico dia 15 de maio de 2006, em São Paulo. Naquela segunda-feira, milhões de paulistas, assustados por uma onda de boatos e pelo sensacionalismo midiático sobre ações do crime organizado, simplesmente entraram em pânico e correram para suas casas, num toque de recolher não declarado.

O antídoto pode ser o sistema horizontal e descentralizado de informações criado pela internet. Mas como ele ainda é incipiente no Brasil, tanto pode funcionar a favor como contra. No caso do toque de recolher em São Paulo, o email e o MSN foram um ativador da insegurança ao propagar boatos. Mas no caso da gripe, os mexicanos deram uma lição de como usar a Web para evitar o pânico coletivo.

Desemprego no Brasil bate recorde

O mercado de trabalho no país reflete as conseqüências da crise financeira. O contingente de desempregados atingiu, em março, cerca de 2 milhões de pessoas – o maior contingente em 18 meses – e a taxa de desocupação do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgada hoje (24), avançou pelo terceiro mês consecutivo para o patamar mais alto desde setembro de 2007, ficando em 9%.

“Temos um cenário econômico não muito favorável, no qual se tem o anúncio de uma crise. Quando o cenário econômico não está favorável, isso se reflete no mercado de trabalho”, afirmou o coordenador da Pesquisa Mensal de Emprego do IBGE,  Cimar Azeredo.

De acordo com ele, a pesquisa de emprego comprova que, em função da turbulência econômica, postos de trabalho deixaram de ser criados e trabalhadores foram dispensados. Com exemplo, Azeredo citou a redução de 1,5% do emprego na indústria de fevereiro para março, o que representa a saíde de 54 mil trabalhadores do mercado.

“Esse comportamento da indústria, que não é diferente de outros grupamentos – ainda que menor nos outros – faz com que o mercado [de trabalho], além de não gerar [emprego], registre perda de postos, fazendo com que a fila da desocupação seja ainda maior”, afirmou, ao destacar que o setor industrial é o que apresenta maior taxa de dispensa.

A pesquisa de desemprego do IBGE mostra que na passagem de um mês para outro, a população desocupada no país aumentou 7,3% (141 mil pessoas) e 6,7% na comparação com março de 2008 (130 mil pessoas). Já o número de ocupados ficou estável em 21 milhões de pessoas, com acréscimo de 9 mil postos, considerados, porém, insignificantes no universo de desempregados.

“Esse contingente [de 9 mil], em termos relativos é zero por cento. É muito inferior ao aumento [do desemprego]. O contingente de desocupados está maior que o do mês passado em 141 mil, ou seja, enquanto a desocupação aumento em 7,3%, a ocupação não avança em nada. A conseqüência disso é uma taxa de [desocupação] de 9%”, reforçou Azeredo.

Se a Onda pega no Brasil. Espanhóis demitidos se vingam denunciando pirataria nas empresas

 

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A crise econômica criou na Espanha uma nova forma de vingança por parte dos empregados demitidos: eles passaram a denunciar seus ex-empregadores, no caso destes usarem software pirata no ambiente corporativo.

Segundo a associação Business Software Alliance (BSA), as denúncias de pirataria relacionadas à informática subiram 27% em fevereiro de 2009, se comparado ao mesmo mês de 2008.

O elevado crescimento se deve, possivelmente, à onda de demissões. “Com o aumento do desemprego, os ex-funcionários passaram a denunciar suas antigas empresas”, afirmou Julián Swan, diretor de marketing da BSA para Europa, Oriente Médio e África.
Segundo a BSA, associação com sede nos Estados Unidos que luta contra a pirataria de software, diversas empresas instalam produtos sem licença em seus computadores para economizar. Na Espanha, o uso de programas piratas pode render até cinco anos de prisão e multas de 200 mil euros.

Sem gastos do governo, PIB cresceria menos ainda em 2009, diz BC

O diretor de Política Econômica do Banco Central, Mário Mesquita, avaliou nesta segunda-feira (30), que, sem a contribuição dos gastos governamentais e de medidas determinadas pelo Executivo, o crescimento econômica deste ano seria menor. O BC informou hoje que a sua estimativa para o crescimento econômico de 2009 caiu de 3,2% para 1,2%. Deste modo, sem o governo, o crescimento seria menor do que 1,2% neste ano. Mesquita não soube precisar, porém, quanto a economia cresceria sem o aumento de gastos do governo. “Em momentos de recessão mundial, ou desaceleração, em geral o gasto público tem um efeito anticíclico [contrário ao movimento original, que é de queda], não só no Brasil, mas em todos os lugares. É menos sensível ao ciclo econômico do que os gastos do setor privado. A atuação do setor público, e a menor sensibilidade em relação ao ciclo, ajudam a amortizar as flutuações econômicas. Não só no caso do Brasil, mas de vários países”, disse Mesquita a jornalistas. Contribuições No relatório de inflação, divulgado hoje, o BC cita o setor de construção civil, dizendo que ele será favorecido pelas “novas linhas de financiamento imobiliário”, além de subsídios governamentais para construção de casas populares e pelos investimentos no âmbito do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). O mesmo acontece quando a autoridade monetária fala da taxa de investimentos. Neste caso, o BC cita, além do plano habitacional e do PAC, os financiamentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que teve seu orçamento reforçado em R$ 100 bilhões, além das despesas da Petrobras na exploração de petróleo e gás natural. Pelo lado da demanda, a instituição cita ainda os aumentos concedidos pelo governo ao salário mínimo, que subiu de R$ 415 para R$ 465 neste ano, além dos programas de assistência social. Por fim, a projeção de consumo do governo neste ano subiu de 2,2% para 2,4%. Projeções diferentes Segundo análise do diretor de Política Econômica do BC, Mário Mesquita, projeções econômicas não devem ser “necessariamente iguais”. “Projeção certa ou errada a gente vai ver no fim do ano quando saírem os dados do PIB”, disse ele. A previsão da autoridade monetária de crescimento econômico para 2009, que é de 1,2%, está abaixo da projeção da Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda, que é de 2% de aumento. A previsão do BC, porém, está acima da estimativa do mercado financeiro e da Confederação Nacional da Indústria (CNI), que preveem crescimento zero para 2009. O número da SPE serviu, inclusive, como base para os cortes de gastos de R$ 21,6 bilhões no orçamento deste ano. Se a previsão da autoridade monetária começar a se confirmar, isso significa que o governo pode ter de fazer novos bloqueios de despesas no orçamento deste ano.