Iniciativa de ONG inspira criação de Fundo para a Juventude em Iguatu

O objetivo do Fapj, que já está no seu segundo ano de funcionamento, é apoiar projetos realizados por jovens.

O Instituto Elo Amigo, ONG que trabalha na região Centro-Sul do Ceará, em parceria com outras 67 instituições, mantém hoje o Fundo de Apoio a Projetos de Jovens (Fapj), que ampara projetos nos municípios de Acopiara, Cairús, Jucás, Iguatu, Orós e Quixelô. O objetivo do Fapj, que já está no seu segundo ano de funcionamento, é apoiar projetos realizados por jovens. A experiência serve de inspiração para proposta do Conselho de Juventude de Iguatu, que planeja criar um Fundo Municipal voltado para a juventude.

Através de edital, o Fapj contempla com dois mil reais, jovens com idade entre 16 a 29 anos, em grupo ou sozinhos, que queiram iniciar um projeto de geração de renda ou ação social. Marcos Silva, presidente do Conselho Municipal de Juventude de Iguatu (Comjuve Iguatu) e membro da ONG, afirma que o valor do recurso é pequeno, pois a finalidade do projeto é valorizar ações menores. Os recursos foram adquiridos pela Fundação Kellogg, instituição norte-americana.

Natália Alves Mendes, membro da coordenação do (Fapj), ressalta a importância do projeto pelas mudanças ocorridas. “Muitos jovens querem desenvolver projetos importantes para a comunidade, mas não encontram espaço.” Ela afirma que o Fapj contribuiu para a integração dos grupos formados pela juventude dos seis municípios contemplados pelo projeto. Além disso, Natália destaca a nova perspectiva de vida despertada nos jovens. “O fundo gerou uma oportunidade de mudança de futuro”.

Inspirado nesta iniciativa, o Comjuve planeja incluir o Fundo para Juventude na legislação do município. O órgão, criado pela Secretaria Municipal de Esporte e Juventude de Iguatu há cinco meses, iniciou a campanha “Juventude Já” com o objetivo de estabelecer a lei para a criação do Fundo Municipal de Juventude. A proposta do Comjuve é que a Prefeitura disponibilize recursos para apoiar ações sociais realizadas por jovens.

“Quando uma ação como esta é transformada em política pública, o município tem dois ganhos: um projeto sem prazo definido para acabar e um alcance maior deste em toda a comunidade”, explica Marcos Silva, observando a abrangência e o tempo maior que esta ação pode alcançar.

Marcos ressalta duas mudanças que ele considera significativas nas comunidades onde moram os jovens contemplados pelo Elo Amigo, e que podem ser multiplicadas com o Fundo Municipal. “Houve um avanço na forma como a comunidade vê o jovem. Agora, ele é visto como meio de solução, e não mais como problema”. Outra mudança destacada pelo presidente do Comjuve é no comportamento dos jovens. “Eles se tornaram mais responsáveis quando tiveram que assumir as demandas do projeto, tiveram que tornar o trabalho mais organizado. Nisso nós tivemos um ganho de gestão”, ressalta Marcos Silva.

A “Campanha Juventude Já” está em fase de planejamento. Os jovens do Conselho estão estudando como se faz um projeto de lei, de onde virão os recursos para compor o fundo municipal, em que serão aplicados e quais experiências semelhantes já existem. Tudo isso para criar a proposta que será enviada a Câmara de Vereadores.

Mais informações:

Marcos Silva, presidente do Conselho Municipal de Juventude de Iguatu, (88) 9915-8025/ Natália Alves Mendes, integrante da coordenação do Fundo de Apoio a Projetos de Jovens, (88) 9980-1551

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Entrevista do secretário Beto Cury para o Portal PSB

 

por Catherine Fátima Alves última modificação 31/08/2009 17:57

O secretário Nacional de Juventude, Beto Cury, ministrou a aula inaugural do primeiro Curso de Políticas Públicas para a Juventude, uma iniciativa da Fundação João Mangabeira, em parceria com a Universidade da Juventude.

beto cury
Em entrevista exclusiva ao jornalista Gustavo Sousa Jr do Portal PSB, Cury apresentou as políticas públicas de juventude implementadas pelo governo federal. Segundo o Secretário, um dos principais desafios é combinar políticas públicas estruturantes com programas de governo, assegurando os diretos à juventude.
Entre as áreas onde os resultados já podem ser observados está a educação, onde o governo tem conseguido ampliar, a cada dia, o acesso ao ensino superior. Além disso, tem investido na formação técnica e profissionalizante, importante iniciativa para a inclusão dos jovens. "O Brasil tem hoje 4,5 milhões de jovens fora do mercado de trabalho, sem acesso à educação", denunciou.
Confira a íntegra da entrevista.

Portal PSB – Como você avalia a iniciativa da Fundação João Mangabeira em realizar um curso voltado especificamente às políticas públicas para a juventude?
Cury – Acho muito importante, pois permite que gestores de juventude nos estados e municípios, militantes sociais juvenis das organizações não-governamentais tenham a possibilidade de aprofundar e apreender mais sobre o tema juventude, que é um tema recente na agenda das políticas públicas. Essa iniciativa da Fundação João Mangabeira, da Juventude do PSB, em parceria com a Universidade da Juventude, não tenho dúvida, fortalece este processo muito positivo que o Brasil está vivendo, essa onda positiva de construir políticas públicas direcionadas aos nossos jovens. É um processo que avançou muito nos últimos quatro anos e meio, com a consciência de que temos ainda uma longa trajetória. E essa iniciativa da Fundação, do PSB, contribui para fortalecer esse processo.

Portal PSB – As políticas públicas já existentes atendem às necessidades da juventude?
Cury – Eu diria que, como a dívida social é muito grande e nós começamos a resgatar essa dívida de uns anos pra cá, elas estão atendendo. Agora, evidentemente, é um processo. Elas atendem a boa parte da juventude, principalmente aquela parcela mais vulnerável socialmente, mais excluída. Quando se observa o Prouni [Programa Universidade para Todos], o Projovem [Programa Nacional de Inclusão de Jovens], são ações que estão gerando inclusão digital, formação profissional, oportunidade para que o jovem possa fazer o ensino superior. Geram a oportunidade de ter um diploma de ensino fundamental para aqueles que teriam pouquíssima perspectiva de voltar à escola ou de chegar à universidade se não fossem programas como esses. Agora, a dívida [social] é muito grande. É um processo que tem que ter continuidade. Por isso que temos afirmado que é fundamental transformar o tema juventude em Política de Estado, ou seja, perene, duradouro, permanente, que não mude de acordo com a troca de governos. Dessa forma, conseguiremos fazer com que essa dívida com a juventude brasileira seja paga mais rapidamente, uma dívida que o Estado acumulou e que esse governo começa a resgatar, mas que tem que ter continuidade nos próximos governos.

Portal PSB – O estimulo na retomada da oferta de cursos técnicos pode contribuir para a inclusão social da juventude?
Cury – Eu não tenho dúvida nenhuma disso. O investimento que o governo tem feito em ensino técnico, em ensino tecnológico, essa retomada que, infelizmente, governos anteriores abandonaram, é fundamental. Para o jovem nessa faixa etária, dos 20 aos 23 anos, o ensino médio somente pelo lado da educação é importante, mas é insuficiente do ponto de vista da atratividade. Então, o jovem ter a possibilidade de fazer um ensino médio tecnológico, profissionalizante, fazer o ensino superior tecnológico, é essencial para que essa boa parcela da juventude que deixou a escola, retome e tenha motivação para voltar às escolas e, consequentemente, concluir seus estudos. E, é claro, ter inclusive melhores oportunidades no mercado de trabalho, que a cada dia é mais existente. Portanto, acho que esse investimento que o governo federal tem feito nas escolas técnicas é essencial para asseguram mais oportunidades e garantir mais direitos aos jovens brasileiros.

Portal PSB – As questões relacionadas à juventude já estão arraigadas na cultura dos políticos e dos gestores públicos?
Cury – Ainda não. Está em processo. Eu até costumo brincar que nós precisamos criar uma cultura juvenil entre os nossos agentes políticos e gestores públicos, conquistar corações e mentes. O tema juventude é um tema contemporâneo, da democracia moderna, fundamental para a democracia republicana que queremos construir no Brasil. Estamos falando de um universo de 50 milhões de brasileiros entre 15 e 29 anos. Até muito recentemente, quando se pensava do ponto de vista de política pública, havia uma linha que considerava um grupo até os 18 anos – em razão do Estatuto da Criança e do Adolescente -, depois entrava imediatamente no grupo de adultos, com direito às políticas universais, sem entender que a juventude tem singularidades, tem particularidade.
Nos últimos quatro anos tem um movimento que envolve a sociedade civil , parlamento, organizações da ONU e governos federal, estaduais e municipais, que têm implementado programas, que têm constituído secretarias, coordenadorias, conselhos de juventude. Eu diria que isso tudo é um processo que já avançou muito, mas que ainda tem uma trajetória pra ser consolidada.

Eu espero, e esse é o grande desafio, que esse tema seja de fato consolidado na agenda das políticas públicas. Aquele ou aquela que assumir a Presidência da República em 2011, independentemente da sua posição política ou identidade maior ou menor com os temas sociais, que esse ou essa governante tenha, na política de juventude, um processo que será continuado, aprofundado e aperfeiçoado, para que nós não tenhamos nenhuma interrupção de um processo muito rico, que começou quatro anos e meio atrás, em 2005, com o governo do presidente Lula, e que possa dar continuidade a esse resgate da dívida que o Brasil tem com seus jovens.

O dia em que o PIG falou a verdade

A sabedoria popular diz que no amor e na guerra vale tudo. Na guerra feroz entre Globo e Record está valendo até fazer algo que não é do feitio do PIG: dizer a verdade!

Por Luana Bonone

Globo x Recor. A briga continua.

Globo x Recor. A briga continua.

Globo e Record revelam verdades uma a respeito da outra que já eram conhecidas dos movimentos sociais e de todos aqueles que se dedicam a estudar um pouquinho da história da comunicação no Brasil, mas ignoradas pela maior parte da população que assiste diariamente o Jornal Nacional… opa! Quer dizer, a maioria que agora assiste o Jornal da Record. E essa é exatamente a bronca da poderosa Globo: os índices de audiência do Jornal Nacional (JN) caíram, aliás, não só do JN, a Record chegou a ficar como líder de audiência por cinco horas seguidas em um único dia. Assim começou essa briga de cachorros grandes.

De um lado do ringue, com 44 anos de concessão, liderança de audiência e 48% de toda a publicidade oficial investida pela União (isso mesmo, verba pública!) só para o seu canal de TV, a poderosa Rede Globo da família Marinho, abençoada, naturalmente, pelo próprio Papa. Na outra ponta, com índices de audiência em ascensão, a bênção (e outras “cositas mas”) da Igreja Universal do Reino de Deus, e várias ex-estrelas globais, a Rede Record do bispo Edir Macedo.

Primeiro round

A poderosíssima começou batendo forte: na manhã do dia 11 de agosto, as manchetes de praticamente toda a imprensa escrita brasileira eram uníssonas: “Edir Macedo e mais nove viram réus por lavagem de dinheiro” (este título é do Estado de S. Paulo). No mesmo dia o tema entrou na pauta do JN e não saiu mais. Todos os dias mais denúncias acerca de como a Record foi construída com a contribuição dos fiéis da Igreja Universal. E para desqualificar a igreja, repórteres da Globo foram até os cultos gravar os apelos dos bispos para que os fiéis se desfaçam de seus bens materiais em favor da igreja, e para alcançar suas graças, é claro.

A Record respondeu com um verdadeiro documentário sobre a relação histórica e indecorosa da Globo com a Ditadura Militar, sobre como a Globo manipulou o debate entre Lula e Collor em 89, sobre o direito de resposta que Brizola ganhou na Justiça, sobre como a emissora escondeu os movimentos “Diretas Já!” e anos após o “Fora-Collor” pelo tempo que conseguiu, e a Record vai além, refere-se aos atuais proprietários da concessão como “um dos filhos Marinho” e ainda denuncia a Rede Globo por “monopólio”, com este termo.

Segundo round

Mas, além de um extenso patrimônio que vai desde jornal impresso até a rede de TVs, passando por rádio, portal na internet, etc., a Globo tem cachorrinhos adestrados a seu serviço, e rapidamente acionou o mais fiel deles: a revista Veja, que nesta semana discorre sobre a briga das emissoras em nove páginas dedicadas a expor a “ambição” do bispo Edir Macedo. A revista afirma que os índices de audiência da Globo permanecem o triplo da Record, desconsiderando que há horários em que a emissora ligada ao bispo tem batido o empreendimento da família Marinho todos os dias, como é o caso do reality show A Fazenda (não dava pro PIG se manter tão sincero por muito tempo… acho que a verdade provoca urticárias nos filhotes Marinho e na famiglia Civita). Vamos aguardar a resposta da Record a este flanco de ataque.

Bastidores

Enquanto o Brasil assiste ao embate aberto entre as emissoras que brigam pela audiência com programações que a cada dia perdem em qualidade, nos bastidores, a Abert (Associação Brasileira das Empresas de Rádio e TV) — que tem a Globo e a Record como associadas — se retira oficialmente do processo da Conferência Nacional de Comunicação (Confecom). As emissoras também se unificam em outro ponto: a campanha aberta de desmoralização do Senado e a tentativa de atingir a ministra Dilma Rousseff, pauta sempre seguinte à matéria do arranca-rabo entre as emissoras nos respectivos jornais.

Briga de cachorro grande

Bom, em briga de cachorro grande não é aconselhável se meter… até porque se qualquer mortal se mete no meio desses dois verdadeiros pit bulls, a nova disputa será quem dá a primeira patada certeira na presa que se apresenta. Assim, penso que a reação dos movimentos sociais e ativistas pela democratização da comunicação em geral deve ser direcionada a quem cria estas feras: o Estado. E o melhor espaço para cobrar que se ponha focinheira nos pit-bulls eletrônicos é a Confecom.

Utilizemos todas as denúncias da Globo em relação à Record e vice-versa. Utilizemos os instrumentos que o PIG nos deu no dia em que disse a verdade. Mas utilizemos no flanco certo, para garantir que seja fortalecido um sistema público de rádio e TV, para que as rádios comunitárias parem de ser perseguidas e fechadas, para que haja uma gota ao menos de republicanismo no trato das concessões. É na Conferência de Comunicação que podemos unificar outras vozes por um novo marco regulatório para a comunicação no país.

Em tempo, as focinheiras não são para que as feras deixem de se atacar (que morram!), e nem para impedir que haja liberdade de imprensa, objeto sagrado de defesa aos que querem ampliação da democracia no país. Entretanto, contra a liberdade de “empresa” e em defesa da liberdade de imprensa de fato, é preciso democratizar o acesso aos veículos, e é preciso regulamentar o funcionamento dos meios de comunicação, pois há emissoras que já cumpriram todos os critérios da lei vigente para perder as concessão e ainda assim apenas três ou quatro famílias são donas de todas as opiniões que são propagadas no país, oligopolizando o espaço do debate público brasileiro.

As focinheiras não são nenhuma espécie de censura, são, antes, alusão a um artigo raro na comunicação brasileira: regulamentação. Para que os pit bulls eletrônicos parem de agredir algo tão caro aos brasileiros e brasileiras que sempre lutaram e continuam lutando em prol do Brasil: a nossa democracia.

Mensalão de Serra para Grupo Abril vira caso de polícia

O Ministério Público Estadual (MPE) abriu investigações para apurar corrupção no contrato de 220 mil assinaturas da revista Nova Escola, sem licitação, entre a Secretaria de Educação de São Paulo e a Fundação Victor Civita (do Grupo Abril).

O valor do contrato alcança R$ 3,7 milhões.
Entre as irregularidades e dúvidas, constata-se:
– A Secretaria da Educação desconsiderou a existência de outras publicações da área, beneficiando a editora Abril.

– O governo Serra não consultou os professores e passou para a fundação privada os endereços pessoais dos professores, sem qualquer comunicado ou pedido de autorização. Isso fere a constituição federal, pois dados cadastrais pessoais não podem ser repassados a terceiros sem autorização da pessoa.
– Além disso, se a assinatura é para fins profissionais, porque não informar o endereço de trabalho do professor? O governo de São Paulo pagará horas de jornada extra ao professor pela leitura do material profissional em casa?

– Qual a prioridade deste material, neste valor, no contexto dos investimentos em educação, e diante de outras carências e pauta de reivindicação dos educadores?

O promotor Antonio Celso Campos de Oliveira Faria, designado para ocaso, oficiou a FDE – órgão do governo estadual responsável pela contratação -, solicitando que esclareça os motivos da contratação. A diretora de projeto especiais da FDE foi intimada a prestar depoimento nos próximos dias.
Faria também oficiou a Apeoesp (Sindicato dos Professores do Estado de São Paulo) a informar se foi consultada sobre a escolha da Nova Escola – e se ocorreram reclamações por parte dos professores devido ao fornecimento de seus endereços particulares.

O promotor ainda notificou outras editoras que atuam no ramo educacional, consultando se teriam condições de participar do processo licitatório que sequer foi aberto.