Patrícia Amorim: “Aqui, o Bruno não joga mais”

A presidente do Flamengo, em entrevista exclusiva a ÉPOCA, diz que vai processar o goleiro por perdas e danos e pretende demiti-lo por justa causa, seguindo a orientação dada nesta sexta-feira (16) pelo conselho de juristas convocado pelo clube: “Ele não é o modelo que queremos aqui na Gávea”

RUTH DE AQUINO

 Daryan Dornelles
PATRÍCIA AMORIM, presidente do Flamengo

Quando foi eleita em janeiro a primeira mulher presidente do Flamengo, Patrícia Amorim, mãe de quatro filhos, de 3 a 13 anos, encarou um time cheio de moral, campeão brasileiro pela primeira vez em 17 anos. No dia seguinte à posse, ela recebeu um telefonema com um alerta: “O Bruno está dizendo que o time não vai entrar no ônibus enquanto não receber o resto do prêmio”. Patrícia diz que dobrou a manga da camisa social, desceu de seu escritório e encontrou Bruno “com aquela cara de mau, meio teatral”. Explicou que ia investigar o que tinha acontecido e mandou todo mundo entrar no ônibus para treinar. Eles obedeceram.

Patrícia achava que seu jeito de professora conseguiria conter a indisciplina no Flamengo: “Eu abomino essa permissividade”. Eram atrasos e faltas de alguns jogadores que, segundo ela, “se julgam inatingíveis”. Ou se julgavam. Com a prisão de seu ex-capitão Bruno, o clube decidiu incluir nos contratos uma cláusula exigindo “conduta ilibada dentro de fora de campo” (leia a cláusula ao fim deste texto), compatível com a imagem que o Flamengo quer passar a seus 33 milhões de torcedores. Se o atleta não se comportar, a nova cláusula prevê “rescisão imediata do contrato, sem qualquer ônus para o Flamengo”.
O conselho de juristas convocado pelo Flamengo para decidir o destino de Bruno acaba de recomendar a Patrícia que demita Bruno por justa causa, por todo o desgaste causado à marca e à imagem do clube. Os juristas que fizeram essa recomendação são: Mário Pucheu, advogado, Theophilo Miguel, juiz federal, os desembargadores Marcus Faver, Siro Darlan e Walter D’Agostino, além dos desembargadores do trabalho Marcelo Antero e José da Fonseca Martins Júnior.
A presidente fala com serenidade e firmeza, mas está cansada. Chega à Gávea sem um pingo de maquiagem, embora assessores tenham dado a ela um kit importado com cosméticos para os momentos de exposição pública em que as olheiras precisam ser disfarçadas. Ela não gosta de se maquiar, tem uma pele bonita e bem cuidada. Para posar, passa displicentemente uma base no rosto, penteia os cabelos compridos e repicados na frente. Seu figurino é sempre masculino, diz, “tudo abotoado até o pescoço”, como acha que deve se vestir uma mulher que comanda tantos marmanjos. “No início, senti que para eles foi meio constrangedor ter uma mulher na presidência. Alguns me chamam de rainha”.
Seu desafio inicial já era enorme: “arrumar a casa”, as finanças e as instalações do Flamengo. O clube estava quebrado, financeiramente e fisicamente. Havia uma dívida de R$ 350 milhões. E as instalações, naquele terreno nobre com uma das vistas mais espetaculares do Rio, a Lagoa Rodrigo de Freitas, estavam abandonadas, enferrujadas, um desrespeito aos sócios do clube, segundo Patrícia: “Tirei daqui de dentro 30 caminhões de entulho, 9 toneladas de lixo, e vou consertando tudo aos poucos”.

Ela jamais pensou que sua missão mais urgente poderia ser outra – moralizar a Gávea, impedir que o clube fosse contaminado por jogadores bandidos. Os maiores ídolos acabaram envolvidos nos últimos meses com traficantes, fuzis, brigas, orgias e, para culminar, um crime macabro: o assassinato de Eliza Samudio, 25 anos, a mãe de Bruninho, de 4 meses, suposto filho do capitão com cara de mau. A pressão foi tanta que Patrícia precisou tomar remédio para dormir. A partir de segunda-feira, vai tirar uma licença para descansar do noticiário policial e deixar o diretor, Zico, cuidando da equipe. Ela falou a EPOCA vestida de vermelho e colocou um colarzinho preto com brilho porque, afinal de contas, é mulher.

ÉPOCA – O advogado do goleiro Bruno pediu habeas corpus para ele. Caso o goleiro seja libertado, caso os depoimentos não sejam suficientes para sua condenação e ele se apresente no clube, o que fará o Flamengo?
Patrícia Amorim – Aqui, o Bruno não joga mais. Não dá. Desgastou demais a marca e a imagem do clube. E sua postura é inaceitável. Sempre teve reações intempestivas, assumiu a posição de capitão como se pudesse mandar em todos, como se fosse o dono da verdade. Havia um descontrole sim. Xingava, chutava até a garrafinha do isotônico. Enquanto o Léo Moura saía do campo chorando e outro jogador saía de cabeça baixa, ele saía chutando muito o portão no vestiário.

ÉPOCA – Como era sua relação com o capitão do time?
Patrícia – Eu dizia ao Bruno que estava errado. Depois ele pedia desculpas, dizia que estava com a cabeça quente. Vinha me contar a história de ter sido abandonado, e ser criado pela avó. O problema é que o Bruno via a liderança sempre como uma postura para se impor berrando. Eu não precisava levantar a voz. Ele chegava na minha sala com uma postura de valente e saía com outra, dócil.

ÉPOCA – Como foi a briga do Bruno com o Petkovic?
Patrícia – Ah, ele achou que o Pet não jogou tudo que podia jogar. Aí acho que era uma disputa normal mesmo, de futebol, e nisso não vejo tanto problema.

ÉPOCA – Quais foram as conversas mais difíceis com o goleiro?
Patrícia – Quando ele xingou os torcedores, por exemplo. Começou a dizer que estava ‘insustentável’ a relação com a torcida e que ele ‘só ia treinar se falasse com a presidente’. Eu disse a ele que tinha gente ali na arquibancada ganhando salário mínimo. Muitos no estádio não ganhariam a vida inteira o que ele ganhava num mês. Falei da oportunidade que ele teve na vida, do talento. Achei que tinha adiantado, mas não teve efeito. Dei tanta lição de moral, nem gosto de pensar nisso. Aí, ao defender o Adriano, que tinha brigado com a namorada, ele perguntou ‘qual homem não tinha saído na mão com a mulher’. Eu o chamei aqui imediatamente, mandei ele se retratar e ele pediu desculpas publicamente ao lado da filha.

ÉPOCA – O Flamengo não deveria ter advertido os jogadores antes, quando Adriano apareceu em fotos com fuzis de mentirinha, e Vagner Love chegou escoltado por supostos traficantes armados numa favela? O clube não poderia advertir, punir e ameaçar rescindir o contrato?
Patrícia – Quando a corda já está esticada, fica difícil. Eu sempre fui muito presente desde que fui eleita presidente. Tinha um negócio errado, eu falava direto. Descontava o dia. Mas nunca adiantou. Esse trabalho de contenção deveria ter sido feito ao longo da formação desses jogadores. Essa geração cresceu com bad boys como ídolos, desde o Romário e o Edmundo. Em 1994, por exemplo, o Flamengo tinha outro tipo de bad boy. Era mais malandragem, menos violência. Olha como as coisas pioraram. Antes, eles tinham um monte de mulheres, faziam filhos fora do casamento, mas pelo menos eles assumiam os filhos. Os clubes e a estrutura do futebol não se preocuparam com esses desvios e isso passou a fazer parte do contexto. A coisa tomou outro vulto agora. Esse universo deles inclui agredir mulheres e dar essas festas inacreditáveis, até com jumentos e anões. Em vez de jogadores, passaram a ser celebridades. Quem é a referência do Flamengo hoje?

ÉPOCA – Que medidas concretas foram tomadas depois que ele foi acusado de sequestrar Eliza no Rio e estar envolvido em seu crime em Minas Gerais?
Patrícia – A primeira coisa que fizemos foi afastar imediatamente, antes mesmo que fosse detido. Mas não podíamos proibi-lo de treinar longe dos outros, antes de ser indiciado. Depois, suspendemos o pagamento porque ele não está prestando o serviço para o qual foi contratado. Bruno ganha um salário de R$ 150 mil por mês, e se juntar luvas, patrocínio, e bônus pelas vitórias, acredito que sua remuneração mensal no ano passado tenha ficado em R$ 250 mil. Ficamos pensando como faríamos a rescisão do contrato com ele: justa causa ou não? Discutimos duas noites seguidas. Não se chegou à unanimidade.

ÉPOCA – Com todas essas acusações pesadas contra o Bruno, e o clube há duas semanas em manchetes policiais, isso já não seria suficiente para demitir o goleiro?
Patrícia – Há jogadores que não têm contrato de imagem, só de trabalho, como é o caso do Bruno, cujo contrato é regido pela CLT. Para rescindir o contrato dele sem justa causa, o Flamengo teria de pagar 6 milhões de euros. Aí eu não podia ser irresponsável, agir só com paixão, e dizer “manda embora”, sob risco de prejudicar o clube. Exatamente por eu não ter competência na área criminal, reuni um conselho de notáveis para discutir e chegar a uma conclusão. E eles acabam de me recomendar a rescisão do contrato do Bruno por justa causa. Se exigirmos dele também compensação por perdas e danos, o valor que pediremos será igual ao da rescisão.

ÉPOCA – Seu desejo pessoal seria desligar totalmente o goleiro o mais rápido possível?
Patrícia – Com certeza. Tudo isso foi um baque enorme. Eu gostaria sim que ele fosse demitido por todo o desconforto e desgaste que causou ao Flamengo e aos torcedores, desde que não haja nenhum tipo de dolo para o clube.

ÉPOCA – Como tem reagido a torcida?
Patrícia – Tem de tudo. Desde o torcedor que se diz humilhado, com o coração sangrando, até os que mantêm o carinho pelo goleiro porque se recusam a acreditar na culpa dele, especialmente as crianças. Ídolo é ídolo. Ele vendia mais camisas do que o Rogério Ceni. No Maracanã, depois do jogo com o Botafogo no Maracanã, uma família de flamenguistas chegou a mim perto do vestiário e a filha, de 9 anos, me fez o seguinte pedido: ‘Se você for visitar o Bruno, diz que eu amo ele?’ Eu fiquei desconcertada, nem sabia o que dizer.

ÉPOCA – Não seria preciso mexer no time para passar uma mensagem e disciplinar os jogadores?
Patrícia – Eu herdei uma situação em que alguns jogadores gozavam de regalias, ou privilégios. Não gostava disso, mas, com o título brasileiro este ano, eu não tinha como mexer em nada, nem na base do time nem na comissão técnica. Era como mexer num vespeiro. Existia um sentimento geral que me incomodava muito, do tipo: ‘Ah, na hora do jogo esses aí decidem’. Como se isso bastasse. Era um time vencedor. E a torcida quer a mão na taça. Grita no estádio o nome do jogador. Picha os muros quando o time joga mal. As renovações foram muito mais complicadas e desgastantes depois do título. Jogadores e treinadores achavam que podiam tudo. Eu tinha coragem mas enfrentava um time fechado, com muito corporativismo. O bom foi que esses privilégios começaram a incomodar o próprio grupo e também aos formadores de opinião. Comecei a tratar tudo com transparência, sem esconder os problemas. E chamei o Zico porque não há melhor pessoa para estabelecer esses parâmetros de comportamento. E nós não vamos mais ficar reféns de atleta nenhum. Porque já enfrentamos o pior. Nada pode ser pior do que o que aconteceu no caso Bruno.

ÉPOCA – Quais são os maiores desafios do Flamengo?
Patrícia – Grupos dominantes fragmentaram o clube. Eu não sou de feudo nenhum, não pertenço a grupo nenhum, eu pertenço ao Flamengo. Isso me deixa muito à vontade para receber todos os empresários e ouvi-los. E também para criticar comportamentos que me dão pavor, como o de cartolas que adoram sair em fotos abraçados com jogadores. Precisamos sim de investimento, precisamos pagar aos poucos as dívidas. Nos primeiros meses, só conversei sobre dinheiro aqui e não sobre futebol. A sorte é que meu marido é economista e eu me cerquei de pessoas que entendem de finanças.

ÉPOCA – Houve conversas suas com os jogadores depois que Bruno foi preso?
Patrícia – Falei com alguns em particular, o Leo Moura, o Pet, o Lomba, que substituindo o Bruno, o Willians, que era companheiro de quarto do goleiro. Mas também reuni o grupo e perguntei a eles: ‘Quem garante que isso não vai acontecer de novo?’ Todo mundo ficou mudo.

ÉPOCA – E as categorias de base? Existe um plano para formar jogadores com outro tipo de caráter e valores?
Patrícia – Aí, sim, precisamos de um investimento grande. Vamos construir escolas aqui dentro. Este é o foco. O clube precisa assumir sua função de formador, não só de atletas. Esses meninos têm que sair do Flamengo como grandes homens, em primeiro lugar. Se puderem também ser grandes jogadores, ótimo. O clube precisa retomar sua relação direta com os jogadores, sua ascendência, em vez de ficar nas mãos de empresários e de assessores de imprensa dos jogadores, como se tivesse lidando com um bando de celebridades. O que eu defendo é a volta da responsabilidade, tanto dos jogadores quanto dos dirigentes.

ÉPOCA – Em algum momento desse drama, sendo mãe de quatro filhos, dois deles gêmeos, houve algum arrependimento por ter se candidatado à presidente do Flamengo?
Patrícia – Olha, noutro dia uma senhora chegou para mim e disse: ‘Ai, eu não queria estar no seu lugar, deve ser terrível’. E eu respondi que estou no lugar que eu quero estar. O Flamengo é muito mais do que o Bruno, é a tradição, a história, tem uma enorme força de mercado e público. O Flamengo é um tesouro. Não só no futebol. É o Flamengo do Cesar Cielo, do Diego Hipólito. Perdemos agora algumas batalhas mas no fim tenho certeza de que existe um arco-íris esperando por nós. E como tudo que o Zico fala tem uma força enorme, tenho convicção de que vamos unir o Flamengo e sair dessa. Zico é o Flamengo que deu certo.

A nova cláusula nos contratos dos jogadores do Flamengo

"O atleta X (nome do atleta), se obriga expressamente em honrar a imagem e o bom nome do CRF e de seus patrocinadores, mantendo conduta ilibada dentro e fora de campo, observando as regras de boa conduta e imagem pública que lhe são pertinentes, sob pena de rescisão imediata do contrato, sem qualquer ônus para o CRF.
§1º – A inobservância do disposto nesta cláusula acarretará sanções legais ao atleta e quem mais tiver dado causa à violação, respondendo administrativa, civil e criminalmente, inclusive por danos morais, materiais e à imagem, sem prejuízo de outras medidas judiciais cabíveis."

Nova pesquisa mostra diferença de 5% entre as torcidas de Fla e Timão

Uma nova pesquisa sobre torcidas de futebol aponta mais uma vez a do Flamengo como a maior do Brasil. De acordo com o Instituto Análise/Insight Comunicação, 22% dos adultos brasileiros são rubro-negros, contra 17% de corintianos e 11% de são-paulinos. A diferença de 5% entre Fla e Timão é 2% a mais do que a da pesquisa do Datafolha do mês passado, que mostrou a torcida rubro-negra com 17% e a alvinegra com 14% – a do São Paulo teve 8%.

A pesquisa foi realizada entre abril e dezembro de 2009, em 70 cidades, abrangendo todas as regiões metropolitanas e o interior do país. Foram 9 mil entrevistas pessoais e domiciliares. A amostra representa a população adulta brasileira, a partir dos 16 anos, e inclui as classes A, B, C, D e E.

A torcida do Atlético-MG aparece em 14º lugar na pesquisa, com apenas 1%, mas só foram considerados os torcedores que identificaram o time pelo nome completo; ou seja, quem chamou o Galo de “Atlético” não foi considerado, o que pode ter prejudicado sua colocação na pesquisa. O Palmeiras ficou em quarto lugar, com 9%, e o Vasco tem a quinta maior torcida, com 6%, mesmo percentual que declarou torcer apenas pela seleção brasileira.

No quesito renda familiar, o São Paulo lidera entre os três mais populares. A torcida tricolor tem média de R$ 1.517,45, contra R$ 1.336,37 dos corintianos e R$ 1.149,09 dos rubro-negros. Entretanto, a torcida com maior renda média familiar é a do Internacional, com R$ 1.657,69, à frente de Santos (R$ 1.654,72) e Fluminense (R$ 1.647,52).

A torcida do Flamengo volta a ficar na frente quando o assunto é poder de compra. O potencial de consumo dos rubro-negros, medido através da multiplicação da renda familiar pelo tamanho da torcida, é de 20,8%. Os corintianos somam 19,1%, e os são-paulinos, 13,7%.

POR ONDE ANDAM OS TUCANOS? OS CAMINHOS DA ENTREGA

Laerte Braga

Torcedores de futebol costumam cismar com determinados jogadores e atribuir-lhes um papel que não têm, transformando-os em ídolos sem que se consiga perceber a razão consciente disso. É o caso de Obina no Flamengo, de Tartá no Fluminense, como foi o caso do jogador Fio que Jorge Ben Jor um dia chamou de “maravilha” e acabou trazendo-lhe uma baita dor de cabeça. Fio acreditou que fosse “maravilha” mesmo.

Foi para os Estados Unidos, onde em matéria de futebol quem tem um olho é rei e terminou entregador de pizzas, por sinal profissão rentável por lá.

Delivery. Entrega.

O deputado Paulo Renato, ex-ministro da Educação do governo de Fernando Henrique Cardoso é um dos mais importantes entregadores do esquema tucano. Ocupa hoje a Secretaria da Educação do governo de São Paulo – José Serra – e sua missão é exatamente privatizar as universidades estaduais. Vale dizer, o serviço de delivery.

Paulo Renato, como todo o comando tucano, agitado com a perspectiva de voltar ao poder em 2010, começou também a pensar o processo de entrega da PETROBRAS. A CPI da PETROBRAS é o primeiro passo para a retomada do processo de privatização caso consigam eleger Serra ou Aécio para a presidência da República.

O deputado e secretário considera que há uma ilegalidade na permanência da PETROBRAS como estatal e nos supostos privilégios que dispõe se levarmos em conta o mercado e as empresas privadas do setor. O deputado afirma que a PETROBRAS “ofende o plano nacional de desestatização”.

Cínico e sem o menor respeito por nada que não seja ele próprio e sua conta bancária o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso chegou à época, em seu governo, cogitar da mudança do nome da empresa para PETROBRAX, dissociando sua imagem de petróleo do Brasil para “universalizá-la” e vendeu 13% de suas ações na Bolsa de Valores de New York, a célebre Wall Street.

A delivery só não se consumou com por conta da reação popular. Foi no governo de FHC que o monopólio estatal do petróleo foi extinto, no ápice de um processo que começou no governo Geisel – Mário Henrique Simonsen – com os chamados contratos de risco. E foi FHC que baixou o decreto permitindo à empresa celebrar contratos sem licitação em determinadas circunstâncias, visando agilizar e compatibilizar a PETROBRAS com as regras do mercado.

Uma das formas usadas pelos tucanos para consumar o processo de entrega do País ao capital estrangeiro, acelerar sua transformação em colônia de Wall Street, banqueiros, etc, é o controle da mídia, dos meios de informação.

A palavra monopólio transformou-se em sinônimo de maldição, de atraso. A entronização do deus mercado sinalizou no caminho de novos tempos, segundo FHC, mais dinheiro para a saúde, educação, etc, etc. Ficou tudo um caos. Privatizado. Investir no SUS, segundo o ex-presidente “é cuidar da hipocondria dos brasileiros”. O negócio é investir em planos privados de saúde.

Qual é a cara dos EUA? São muitas. Desde empresas falidas como a GM, a FORD, a CHRYSLER, até a casa de sanduíches McDonalds. Como a cara da França é o Louvre, mas é a Citroen – empresa associada a grupos de Israel – e a cara da Inglaterra é o Big Ben, a rainha, ou o Rolls Royce, embora James Bond nos últimos filmes estivesse pilotando milagrosos BMW.

Com a entrega da VALE – cortou seus investimentos em 37%, está transferindo sua sede para a Suíça e teve dez vezes mais em lucro o que os caras pagaram para “comprar” – do setor de telefonia, de energia, toda a farra privatista de FHC, sobraram PETROBRAS, BANCO DO BRASIL, CAIXA ECONÔMICA FEDERAL e BANCO NACIONAL DO DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO E SOCIAL (BNDES).

O filé num mercado ávido de fontes de energia é o petróleo.

A PETROBRAS é uma das poucas caras que o Brasil tem como nação soberana e senhora dos seus destinos.

José Serra está com a camionete à porta pronta para a entrega aos compradores caso venha a ser o próximo presidente. Ele, ou Aécio Neves.

A CPI é um atalho na tentativa de desmoralizar a empresa, de criar a sensação que precisamos entrar no século XXII já no início do século XXI e marchar impávidos para a condição de norte-americanos de segunda categoria.

Como dizia a canção do “Subdesenvolvido”. “Você pensa como americano, mas não vive como americano, não come como americano.”

Tucanos não têm escrúpulos. Nem eles e nem seus aliados DEMocratas. São corruptos e venais na genética. Agora mesmo, logo após o escândalo das diretorias no Senado, dos cargos de confiança – a filha de FHC morando em São Paulo e trabalhando em Brasília com direito a horas extras no gabinete de Heráclito Fortes -, das passagens, do castelo do sonegador e torturador Edmar Moreira, sabe-se que o senador Efraim Araújo construiu uma casa de praia e ocupou boa parte de um terreno público na obra. Está tendo que explicar à Justiça.

Toda essa intrincada rede de corrupção é apenas conseqüência do projeto maior. O da entrega. É preciso ter esse tipo de gente no bolso e é isso que fazem. Os restos do banquete aos Efraims da vida. O grosso para eles e o Brasil para as grandes empresas falidas na esteira da sonegação, da farsa do mercado movido a dinheiro público.

É por aí que os tucanos andam. É esse o caminho da entrega. Não é por outra que nesses grandes golpes do tucanato são escalados jogadores do primeiro time como o pilantra Tasso Jereissati, ou o responsável pela privatização e mediocrização do ensino superior Paulo Renato.

E todo o processo montado desde a aposta em Collor e concretizada no Collor II, FHC.

A PETROBRAS é hoje uma das maiores empresas petrolíferas do mundo. Dispõe de tecnologias desenvolvidas a partir de técnicos brasileiros é objeto de cobiça de empresas e países outros. As descobertas das reservas petrolíferas do chamado pré-sal aumentaram essa cobiça dos estrangeiros sobre a empresa.

Aos tucanos está conferido o papel e o emprego de entregadores. São como corretores do “negócio”. A CPI cumpre essa finalidade. Tentar criar uma rede de mentiras e farsas que envolva a cidadão comum – Miriam Leitão está aí a soldo deles para isso, vender mentiras – e transforme, mais uma vez, o Brasil num país sem cara. Um México da vida, grande depósito de lixo dos EUA.

Todo esse esquema se assemelha àqueles filmes de terror em que plantas que devoram seres humanos vão deitando raízes por todos os cantos e trazendo desde pigmeus DEMocratas a monstros tucanos. Raízes que controlam significativa parte do Judiciário. Os juízes, desembargadores e ministros que freqüentam os resorts em “congressos” financiados pela FEBRABAN – FEDERAÇÃO BRASILEIRA DOS BANCOS -. No Legislativo, onde espalham o veneno – são raízes traiçoeiras e venenosas a despeito de buscarem mostrar flores perfumadas e coloridas – em deputados e senadores padrão Jereissati, Artur Virgílio, Heráclito Fortes, Efraim Araújo, ou em governadores como Serra, Aécio, Yeda Crusius, enfim, toda a podridão imaginável e inimaginável no simples papel que de delivery de um País, uma Nação inteira.

O controle da mídia é simples. Remuneram jornalistas venais, redes de tevê, jornais, revistas e rádios com fortes verbas publicitárias. Caso do contrato de Serra com A editora ABRIL, que edita VEJA, ou com Gilmar Mendes, presidente da STF DANTAS INCORPORATION LTD empregando em suas faculdades jornalistas globais, falo de Heraldo Pereira, um dos âncoras de tele jornais da GLOBO. É “funcionário” do esquema. Aparece na tevê com cara de sério e “informando verdades” do patrão.

Por trás de toda essa manobra para a CPI da PETROBRAS o que existe é só isso. Os caminhos da entrega do Brasil, da transformação do País em colônia de um modelo falido. São os caminhos tucanos, os caminhos por onde andam os tucanos.