Patrus defende palanque único para a candidata do PT no Estado

O PMDB entende que o projeto nacional passa pelo nome do ministro Hélio Costa como cabeça de chapa em Minas. Existiria até um acordo entre os partidos nesse sentido. “O PMDB não abre mão da cabeça de chapa em Minas. Essa é a única condição trabalhada para o ministro Hélio Costa. Agora, queremos o apoio do PT. Afinal de contas, sabemos a importância do PT na eleição contra o candidato do governador Aécio Neves”, assegurou o líder do PMDB na Câmara Federal, deputado Henrique Eduardo Alves (RN).

Patrus Ananias

Diante da perspectiva de transferência dos votos de Aécio para o vice-governador Antônio Anastasia, pré-candidato tucano ao Governo, os partidos das base aliada do presidente Lula devem cumprir o que foi negociado para cada Estado. E, para Minas, de acordo com Alves, caberá como opção preferencial no PT o projeto nacional, mantendo a legenda no comando do Palácio do Planalto.

“Isso foi acertado e a base deve estar unida em torno desse acordo. E a questão de Minas é a prioridade das prioridades dentro das negociações do PMDB. Afinal, o Estado possui a maior participação dentro da convenção. E não é só a questão do tamanho. O partido em Minas conta com uma representatividade de muita qualidade.”
Com relação ao suposto interesse do ministro Hélio Costa em ocupar a vaga de vice na chapa da ministra Dilma, o líder peemedebista garantiu que o partido nunca trabalhou com essa possibilidade. Segundo Eduardo Alves, o próprio ministro nunca manifestou qualquer movimento na direção da vaga de vice da ministra. “O ministro nunca se manifestou por essa opção. O ministro é o líder em todas as pesquisas de opinião em Minas e não há motivo para que os compromissos deixem de ser assumidos. O PMDB está firme na direção de disputar e ganhar as eleições em Minas Gerais”, garantiu o peemedebista.

Pré-candidato do PT ao Palácio da Liberdade, o ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Patrus Ananias, defendeu ontem palanque único em Minas Gerais para a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, pré-candidata petista à Presidência da República. O posicionamento também é defendido pela cúpula do PMDB. O ministro, no entanto, entende que o cabeça da possível chapa de consenso entre os dois partidos deva ser um petista. Os peemedebistas, até agora, também não abrem mão do posto.
Em Minas, o PT tem dois postulantes à sucessão do governador Aécio Neves (PSDB). Além de Patrus, o partido trabalha com o nome do ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel. A ala ligada a Pimentel, diante da falta de consenso, acredita na formação de dois palanques: um com o candidato petista e outro com o candidato peemedebista. Já Patrus, assim como o ministro das Comunicações, Hélio Costa, nome defendido pelo PMDB, acredita num único palanque. “Trabalho com a possibilidade do palanque único, tendo o PMDB e outros partidos da base como aliados”, disse.
O entendimento em Minas entre PMDB e PT é apontado por líderes dos dois partidos como fundamental para o projeto da sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Tanto que, nas duas legendas, há quem defenda entre os interlocutores o projeto nacional acima das questões regionais. Uma parcela da cúpula petista prefere ficar de fora da disputa em Minas.

Acha melhor apoiar o ministro Hélio Costa, pois assim haveria um palanque mineiro mais sólido para Dilma. Da mesma forma, há no PMDB quem defenda o apoio ao candidato do PT. “Temos de ver Minas a partir do olhar nacional. Mas o olhar nacional também precisa enxergar os valores de Minas”, afirmou Patrus.
Por isso, várias concessões deverão ser feitas em nome desse projeto comandado por Lula. No próximo dia 19, conforme antecipou o HOJE EM DIA, o presidente Lula estará na cidade de Jenipapo de Minas (Vale do Jequitinhonha) e Juiz de Fora (Zona da Mata), ao lado da ministra Dilma. O ministro Patrus e o ex-prefeito Pimentel também participarão da visita.
Mais uma vez, os petistas estarão mobilizados para algum tipo de sinalização do presidente. Há uma expectativa de que Lula recomende o caminho do PT em Minas. “Vou ouvir o presidente Lula e o vice-presidente José Alencar (PRB). Agora, como os velhos políticos de Minas diziam, a solução é natural e ela se impõe”, lembrou o ministro Patrus.
Assim como Pimentel, Patrus também intensificará sua presença em Minas nos próximos meses. No comando de um ministério que administra um orçamento para 2010 de R$ 40 bilhões, que será investido em projetos envolvendo 60 milhões de pessoas no país, o ministro aproveitará as “beiradas do tempo” para viabilizar seu nome dentro do PT mineiro e convencer o PMDB a abrir mão da cabeça de chapa. “Quero ser governador de Minas. Mas não tenho controle desse processo. Agora, trabalho para que a escolha do nome considere a posição do projeto nacional”, ressaltou.

Fonte: Jornal Hoje em Dia

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Por apoio a Dilma, PT cogita sacrificar petistas nos Estados

Disposto a consolidar ampla coligação em apoio à ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), o comando do PT fixou como estratégica a costura de alianças nos seis principais Estados do país, ainda que à custa do sacrifício dos próprios petistas.

Para viabilizar a campanha de Dilma à Presidência, o PT nem sequer descarta a hipótese de renunciar à candidatura em São Paulo –berço da sigla– em favor do lançamento do nome de Ciro Gomes (PSB-CE) ao governo do Estado.

Para Minas, prega o apoio ao peemedebista Hélio Costa, em detrimento de dois petistas: o ministro Patrus Ananias (Desenvolvimento Social) e o ex-prefeito Fernando Pimentel.

Hoje ministro das Comunicações, Hélio Costa, poderia ser convidado para a vice de Dilma, caso o atual governador Aécio Neves (PSDB) ocupe a vice de José Serra (PSDB) na corrida presidencial. Do contrário, a intenção da cúpula petista é lançar Hélio Costa para o governo, numa composição em que o PT concorreria ao Senado.

“Em São Paulo, o PT pode abrir mão do candidato se isso criar uma situação de expansão da aliança. Se o Ciro quiser ser candidato ao governo, se o [presidente do PMDB, Orestes] Quércia quiser, o PT pode discutir. Em Minas, seria bem mais fácil”, admitiu o líder do PT na Câmara, Cândido Vaccarezza, em consonância com Antonio Palocci e José Genoino.

“Temos que trabalhar com partidos potencialmente aliados para avaliar qual será o cenário necessário para viabilizar uma coligação grande de apoio a Dilma”, justificou o presidente nacional do PT, Ricardo Berzoini, para quem seria “contraditório” o rompimento do PT com o PMDB do Rio de Janeiro.

Além de São Paulo, Minas e Rio, o PT elegeu como fundamentais acordos no Paraná, no Rio Grande do Sul e na Bahia.

No Paraná, o cenário apontado como ideal é de lançamento do senador Osmar Dias (PDT) ao governo, oferecendo ao governador Roberto Requião (PMDB) vaga para o Senado.

Na Bahia, o PT investe na reaproximação do governador Jacques Wagner (PT) com o ministro Geddel Vieira Lima (Integração Nacional).

Para o Rio Grande do Sul, idealiza dois palanques para Dilma, do PMDB e do PT, mesmo que o preço seja o isolamento dos petistas no Estado.

Na sexta-feira, ao discursar no encontro da corrente CNB (Construindo o Novo Brasil), a maior do partido, o ex-ministro José Dirceu usou, segundo participantes, a expressão “enfiar a faca” para eliminação de resistência à construção de ampla aliança em torno de Dilma.

Escolhido candidato da corrente à presidência do PT, o presidente da BR, José Eduardo Dutra, foi mais brando: “O foco é a eleição de Dilma”.

O assédio a Ciro foi enfaticamente defendido durante a reunião. Nascido em Pindamonhangaba (SP) e com domicílio eleitoral no Ceará, Ciro teria de transferir o título para São Paulo. Seu nome é hoje cotado para a Presidência, mas não conta com apoio integral do PSB.

Para atrair o PSB, Berzoini defende a reedição de alianças em Pernambuco, no Ceará e no Rio Grande do Norte.

Sob o argumento de que é necessário reserva de energia para campanha de Dilma, a CNB prega a união em benefício de Dutra, seu candidato. Integrante do PT de Luta e de Massas, Vaccarezza propõe a composição também para presidente do partido. Mas a avaliação é que a disputa será inevitável