E agora seu Tarsso

Tarsso Jereissati

Tarsso Jereissati

Deve-se aos repórteres Fernando Rodrigues e Fábio Zanini a descoberta da penúltima anomalia escondida nas dobras do orçamento do Senado.

O senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) cultiva o hábito de usar um pedaço da verba que banca as passagens dos congressistas para fretar jatinhos.

A prática é vedada pelo regulamento que disciplina o custeio dos bilhetes.

Mas o senador tucano obteve uma autorização especial, muito especial, especialíssima.

Concedeu-a o ex-diretor-geral do Senado, Agaciel Maia –aquele cuja cabeça foi à bandeja depois que se soube que ocultara a posse de vistosa mansão.

A deferência de Agaciel foi sacramentada com o beneplácito de Efraim Moraes (DEM-PI), que respondeu pela primeira-secretaria do Senado até 2 de fevereiro.

Conforme registros levados ao Siafi, sistema que armazena os gastos da União, o aluguel dos jatinhos que transportaram Tasso sorveu das arcas da Viúva R$ 469 mil.

Foram R$ 335 mil entre 2005 e 2007. E R$ 134 mil desde então. Ouvido, o grãotucano admitiu o uso dos jatinhos. Aluga-os invariavelmente na TAM.

Mas exibiu comprovantes de despesas nos quais reconhece o dispêndio de “apenas” R$ 358 mil. Curiosamente, Tasso dispõe de um avião particular.

Um jato Citation, que adquiriu em 2005. Sobreveio, então, uma dúvida: Por que diabos o senador precisa voar nas asas do erário?

Tasso alega que, às vezes, seu avião desce à manutenção. Só pendura o aluguel de jatos no bolso do contribuinte quando o seu está indisponível.

Serve-se, segundo diz, do saldo das passagens dos vôos de carreira, que não o aprazem. A cota mensal do senador para a aquisição de bilhetes aéreos é de R$ 21.230.

Quando um empresário do porte de Tasso Jereissati troca os negócios privados pela política, sujeita-se às mais comezinhas regras da vida pública.

Qualquer criança imberbe é capaz de intuir que o custeio de jatinhos com o dinheiro do alheio não é coisa que pareça apropriada.

Mas no Senado dos dias que correm o impróprio, o inoportuno, o inconveniente, o inadequado e (por que não dizer?) o indecoroso vão ganhando hedionda naturalidade.