“O Estado nunca deixou de ser importante na economia”

Por Moriti Neto

Dos quatro analistas que tiveram previsões citadas, apenas Maílson da Nóbrega respondeu às perguntas da reportagem da Fórum. Ministro da Fazenda entre 1988 e 1990, quando a Presidência da República era ocupada por José Sarney, o economista atualmente é sócio da Tendências Consultoria Integrada e articulista da revista Veja, da Editora Abril.
Aliás, a ligação dele com a grande mídia vem de longe. O ex-ministro admite a intervenção de Roberto Marinho na sua nomeação ao Ministério da Fazenda. A pedido do próprio Sarney, Maílson foi “sabatinado” pelo fundador das Organizações Globo. “A Globo tinha um escritório, em Brasília, no Setor Comercial Sul. Fui lá e fiquei mais de duas horas com o doutor Roberto Marinho. Ele me perguntou sobre tudo, parecia que eu estava sendo sabatinado. Terminada a conversa, falou: ‘Gostei muito, estou impressionado’. De volta ao Ministério, entro no gabinete e aparece a secretária: ‘Parabéns, o senhor é o ministro da Fazenda’. Perguntei: ‘Como assim?’ E ela: ‘Deu no plantão da Globo’”, contou a Carlos Sardenberg (hoje, comentarista de economia da Rede Globo) na edição de março de 1999 da revista Playboy.
Na entrevista à Fórum, ele comenta sobre os fundamentos que fizeram com que o Brasil tivesse menor vulnerabilidade à crise econômica, reconhece a importância do Estado, mas defende o neoliberalismo como modelo de sistema econômico.
Fórum – Passado um ano do estouro da crise, como o senhor avalia a situação do Brasil?
Maílson da Nóbrega – O Brasil se saiu muito bem no teste da crise. Ficou provado que a vulnerabilidade do país a crises externas melhorou dramaticamente.

Fórum – Quais foram os fundamentos que garantiram ao país uma situação “menos grave” do que em outras nações?
Maílson – O conjunto é amplo e resulta de transformações institucionais e mentais dos últimos 20 anos. As principais defesas do Brasil foram: um sistema financeiro sólido, fruto da ação do Proer (Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Fortalecimento do Sistema Financeiro Nacional, de 1996) e do saneamento dos bancos estaduais, incluindo o fechamento da maioria; estabilidade macroeconômica, que deriva do tripé câmbio flutuante/metas de inflação/política fiscal responsável; a autonomia operacional do Banco Central; reservas internacionais robustas e superiores à dívida externa; e a classificação de grau de investimento pelas principais agências de avaliação de riscos.

Fórum – O senhor considera que o Brasil foi um dos últimos a entrar em crise e um dos primeiros a sair?
Maílson – Não. Essa é a visão do governo, que não correspondente à realidade. O certo é de dizer que o Brasil se saiu bem na crise, mas a China e a Índia tiveram desempenho melhor do que o nosso, principalmente porque não passaram pela recessão. Apenas sofreram uma desaceleração do ritmo de crescimento.

Fórum – No início da crise, em setembro de 2008, houve exagero da mídia e de analistas ao destacar os “aspectos catastróficos” da crise no Brasil?
Maílson – Confesso que não me recordo de ter visto alguém falar em catástrofe para o Brasil. Uma parte dos analistas se mostrava pessimista com os desdobramentos da crise, mas não a ponto de prever um desastre no país. Outros, entre os quais me incluo, apostavam que desta vez o Brasil estava mais bem preparado para enfrentar o vendaval.

Fórum – Veículos da mídia não entenderam a conjuntura da crise, transferindo para o Brasil o mesmo peso que o fenômeno teve em outros países? Houve desconhecimento sobre como funcionariam medidas do governo federal? O que dificultou a avaliação?
Maílson – O Brasil tem uma imprensa livre, independente e competente. A meu ver, a crise foi adequadamente noticiada. Na verdade, alguns dos principais veículos fizeram alertas para que não se menosprezasse o efeito da crise no Brasil, numa época em que o presidente da República assegurava que ela “não atravessaria o Atlântico”.

Fórum – Mas, em dado momento, a impressão era de que estávamos na antessala da catástrofe. Foram subestimadas as possibilidades de medidas existentes com os fundamentos da economia nacional que vinham sendo praticados?
Maílson – Na minha opinião, a visão de catástrofe foi mais presente no exterior, particularmente logo após a quebra do [banco] Lehman Brothers. O mundo esteve realmente à beira do maior desastre do sistema capitalista, o que nos atingiria inapelavelmente. As apostas em relação ao Brasil não chegaram a esse ponto.

Fórum – Há reconhecimento da importância do papel do Estado, do setor público, depois da crise?
Maílson – O Estado nunca deixou de ser importante na economia. O sistema capitalista somente começou a ter condições de livrar o mundo da “Armadilha Malthusiana” – aquela em que a renda per capita varia essencialmente pelas taxas de natalidade e mortalidade – depois que o Estado se consolidou na Europa por volta do século XV. Sem o Estado não há como preservar direitos de propriedade, fazer respeitar os contratos, manter níveis saudáveis de concorrência no mercado, regular o sistema financeiro e assim por diante. O Estado é fundamental em momentos de crise como o atual, pois pode suprir, via política fiscal, o vazio deixado pela contração do consumo e do investimento. Estão equivocadas as análises que sugerem a volta da intervenção estatal do passado. Alguém imagina que uma empresa estatal brasileira pode voltar a deter o monopólio dos serviços de telefonia? Ou que os Estados Unidos voltem a intervir como intervinham na
aviação civil? Na verdade, o que veremos será uma revisão da regulação financeira, com o objetivo de eliminar as falhas constatadas nesta crise e evitar que os mesmos erros sejam repetidos. E isso é bom. Até que venha a próxima crise. Como é fatal que aconteça.

Fórum – O governo decretou medidas de proteção, os bancos públicos tiveram protagonismo, aquecendo o mercado de crédito, baixaram juros e ainda tiveram lucros. Isso não é um modelo de fortalecimento do papel do Estado na economia?
Maílson – Como disse o economista Edmar Bacha, três defeitos do Brasil viraram virtude nesta crise: a elevada taxa de juros – havia espaço para queda, o que não estava disponível na mesma magnitude nos países ricos; níveis excessivos de compulsórios dos bancos no Banco Central – o BC não precisou inventar, como os seus congêneres no mundo desenvolvido, bastou reduzir os compulsórios e a liquidez fluiu rapidamente para o sistema financeiro; e a grande participação de bancos públicos na oferta de crédito – como eles não têm a mesma preocupação com os riscos que estão presentes nas instituições privadas, puderam expandir o crédito sem preocupação maior com os riscos. Tudo isso contribuiu para enfrentar a crise, mas não significa que esses defeitos deixaram de existir. Em algum momento no futuro, terão que ser enfrentados. Quanto à rentabilidade dos bancos públicos, tudo indica que a melhoria de seus sistemas de
avaliação de riscos pode ter evitado que a expansão rápida de seus empréstimos se torne ruinosa no futuro, como ocorreu mais de uma vez no passado. É cedo, todavia, para dizer que não haverá um preço a pagar pela agressiva expansão do crédito nessas instituições.
Fórum – Sobre crescimento, o que podemos, de fato, esperar para este ano e o ano que vem?
Maílson – A recuperação do Brasil é muito forte. Em 2010, a economia poderá crescer perto de 5%.

Fórum – O discurso do neoliberalismo sofreu com a crise? O modelo terá que ser revisto? Se sim, o que pode surgir como alternativa?
Maílson – O neoliberalismo é usado por segmentos da esquerda em sentido pejorativo. Como já se disse, chamar alguém de neoliberal é quase um xingamento. Dificilmente o mundo vai retroagir às épocas de excessiva intervenção do Estado na economia. Não há como pensar no retorno ao passado. Alguém concordaria com a volta de controle de preços, de licenças prévias para exportação ou de um Banco Central concedendo crédito para a agricultura e as exportações? Ou apoiaria o retorno de um tempo em que os brasileiros não podiam ter cartão de crédito internacional, compravam apenas mil dólares para viajar, andavam em “carroças” produzidas pela indústria automobilística brasileira ou esperavam dois anos ou mais para ter uma linha telefônica? O Brasil melhorou muito com a abertura da economia, a privatização, a criação de agências reguladoras, a autonomia do Banco Central, a austeridade fiscal e a maior integração aos fluxos
mundiais de comércio e finanças. O chamado “neoliberalismo” é um conjunto de ideias que estão por trás dessa melhoria. Assim como a ciência, as instituições e a gestão das políticas públicas evoluem. Não há que falar em alternativa a modelos, mas no que podemos fazer, via reformas, para radicalizar a democracia, melhorar o ambiente de negócios, reduzir as ineficiências derivadas da deterioração da infraestrutura e promover uma revolução da educação. É isso que aumentará o potencial de crescimento da economia e a redução ainda maior da pobreza. O resto é espuma.

Fórum – Antes, quando a economia não corria riscos, antes do estouro da crise, analistas diziam que o Brasil só estava bem porque “surfava” em um momento positivo do mundo. Agora, que o país saiu da situação com relativa força, alguns apontam que é uma tendência natural, que todos estão saindo. Enfim, que análise pode-se fazer disso?
Maílson – Quem fez essa declaração ignora as transformações do Brasil. O momento positivo do mundo ajudou, mas o desempenho do Brasil tem a ver com avanços institucionais dos anos 1980 para cá e da corajosa decisão do presidente Lula de jogar fora as ideias equivocadas do PT e preservar a política econômica herdada de seu antecessor. O presidente tem, sim, a ver com o êxito recente do Brasil, mais pelo que não fez do que pelo que realizou.

Fórum – O que ainda pode ser feito no país para o fortalecimento visando ao futuro da economia?
Maílson – Falta muito. O país está em transição rumo a uma economia capitalista e próspera, com melhor distribuição de renda. Para isso, é preciso eliminar as amarras do passado que nos limitam a capacidade de crescer mais, tais como o sistema tributário caótico, a legislação trabalhista anacrônica, a previdência social insustentável no longo prazo, o ambiente de negócios ainda desfavorável ao investidor privado, a infraestrutura deficiente, a corrupção e a influência ainda elevada de visões estatizantes, que ressurgiram com vigor recentemente, como se viu na proposta do novo marco regulatório do Pré-Sal.

Essa matéria é parte integrante da edição impressa da Fórum de outubro. Nas bancas.

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Melhoria de renda aqueceu economia, dizem especialistas

A ascensão social de 19,5 milhões de brasileiros nos últimos três anos, verificada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), diminuiu os efeitos da crise internacional sobre a economia brasileira. O movimento ampliou o mercado consumidor e, assim, fez girar um círculo virtuoso de aumento de demanda, produtividade e emprego.

Segundo Rogério César de Souza, do Instituto de Estudos para Desenvolvimento Industrial (Iedi), foram esses fatores de ascensão social que colocaram o Brasil em condição favorável neste ano, quando comparado a outros países. “E isso é bom para a indústria em particular”, diz, citando o consumo de alimentos e da construção civil. O Iedi reúne as maiores indústrias brasileiras.

O economista do Iedi lembra que a indústria sofreu muito com a diminuição de exportações, durante o auge da crise internacional, mas “cresce de forma contínua se valendo do mercado interno”. Além do setor industrial, os bancos comemoram a expansão das atividades financeiras ocorridas a partir do aumento das pessoas com renda na faixa intermediária.

Segundo dados da Febraban (Federação Brasileira de Bancos), entre 2005 e 2008 o número de contas correntes passou de 95 milhões para 125,7 milhões. As contas de caderneta de poupança saltaram de 71,8 milhões para mais de 92 milhões. O total de cartões de crédito no período teve o maior crescimento: passou do patamar de 68 milhões para 124 milhões.

O diretor de Estudos e Políticas Sociais do Ipea, Jorge Abrahão de Castro, diz que a “elevação desse conjunto grande de pessoas no mercado” se dá também com a diminuição das desigualdades sociais. Para ele, a sustentabilidade do movimento depende da manutenção da política de ganhos salariais efetivos, de políticas sociais que favoreçam a incorporação o produtores e pode ser incrementada com a diminuição dos juros.

A trajetória de ascensão apontada pelo Ipea poderá também repercutir nas eleições gerais do próximo ano. Para o cientista político Alberto Carlos Melo de Almeida, o processo já é verificado há algum tempo e não favorece diretamente nenhum candidato, mas influencia a pauta eleitoral. “Haverá o tema da melhoria de vida, mas em outro patamar.”

Segundo Almeida, o eleitor vai querer mais ascensão de renda nos próximos anos. “A sensação de insatisfação pode aumentar entre as pessoas que melhoraram sua condição de vida”, avalia. Para ele, a aquisição da casa própria e de um automóvel podem alimentar sonhos de consumo dos setores emergentes da população.

A participação da população na base da pirâmide social (pessoas com rendimento individual de até R$ 188) diminuiu cerca de 23%, de acordo com o estudo do Ipea. Sete em cada dez pessoas que ascenderam são do Sudeste e Nordeste. Apesar do avanço, a Região Nordeste concentra a metade dos brasileiros pertencentes ao primeiro estrato social.(Edição: Enio Vieira)

(Envolverde/Agência Brasil)

Um PIB. Cinco estrelas na eleição?

Estimativas de mercado e governo convergem para PIB em alta de 5% em 2010; Lula prepara ainda pacote político

CHUTAR OU “estimar de modo informado” os números do crescimento econômico é um esporte quase tão desacreditado quanto o campeonato mundial de baratinhas, o de corridas de carros Fórmula 1, embora de modo um tanto injusto -ou ao menos pelos motivos errados (economistas batem muito seus carros no muro, mas raramente de propósito).
Mas conviria prestar atenção ao fato de que tanto os números da propaganda do governo como os das estimativas do mercado para o PIB de 2010 convergem para 5%. Há autoridades do governo mais otimistas até que o ministro da Fazenda, Guido Mantega.

Miguel Jorge, ministro do Desenvolvimento, falou ontem em 5%. O economista Luciano Coutinho, presidente do BNDES, vem repetindo tal número faz tempo. Das consultorias mais sérias, a MB Associados subiu ontem sua projeção para o crescimento de 2010 de 4% para 5%. Os economistas do Bradesco ficam por aí, com 4,9%; os do Itaú, com 4,8%.
E daí? Prestar atenção à sintonia das expectativas públicas e privadas parece uma atitude assemelhada a ressaltar a importância das conjunções planetárias, na idiótica astrologia. Porém, esse início de disseminação do otimismo não é de todo sem consequência para o ânimo dos agentes econômicos -e também é reflexo desse mesmo ânimo. Não se trata de animação sem fundamento.
Os números do PIB foram melhores do que se poderia esperar, e os do comércio mal sentiram o choque inicial da crise no mercado de trabalho, que, no entanto, se dissipou rapidamente. A resistência do emprego foi uma das maiores surpresas do ano.

O clima de concórdia público-privado vai muito além das estatísticas. Lula agregou politicamente a maior parte da grande empresa. Nos itens da “pax” empresarial luliana podem ser lembrados: subsídios, aumento do crédito subsidiado (via BNDES), criação de fundos paraestatais de investimento (como aqueles para habitação e infraestrutura), apoio legal, extralegal e “muito legal” a fusões e aquisições, salvação de megaempresas quebradas etc.
Mesmo a intervenção do governo no mercado bancário, via expansão da atividade dos bancos estatais, nas internas é bem-vista pela banca, que em parte se beneficiou dela. Baixou, de resto, o tom das críticas ao nível da taxa de juros. O “mercado” faz menos alarde até a respeito da expansão do gasto público. Nem mesmo a desprivatização do petróleo suscita crítica forte. É um espanto.

A fim de deixar ainda menos barato o efeito de uma alta do PIB de eventuais 5% em 2010, o governo prepara sua política expansionista de propaganda política para o ano da eleição.
Além do já conhecido bumbo do petróleo verde-amarelo e da expansão de gastos públicos ainda maior para o ano que vem, soube-se ontem que Lula prepara uma “consolidação das leis sociais”, segundo as palavras do próprio presidente em entrevista ao jornal “Valor Econômico”.
Sabe-se lá o que sairá dessa ideia e se tal projeto de lei tem alguma chance de prosperar. Mas é certo que haverá uma grande consolidação da imagem do governo Lula por meio dessa iniciativa: a da propaganda de uma marca renovada, ou talvez requentada, e registrada para “entrar na história”. No mínimo, para entrar na história da eleição.

Juventude, é preciso acreditar

Por. Luciano Menezes

  toque de reoclher

O desenvolvimento de nossa personalidade se dá no conflito e no confronto diário de nossas relações intrapessoais e interpessoais tais como: comigo mesmo; com os outros; com o mundo e com o Transcendente.

Devemos descobrir e apontar quais são os nossos sonhos, ideais e utopias que carregamos. Questionarmos em que mundo estamos? Darmos conta quais são as razões concretas de nossas esperanças? Digamos que esse é o primeiro passo para identificar e enfocar os nossos princípios básicos. O que realmente acreditamos para fazermos a diferença na sociedade.

Não é fácil desenvolver o caminho da construção do eu, ou seja, de nossa identidade juvenil. A pergunta que fazemos qual é o sentido do autoconhecimento? Às vezes confundimos como: uma pessoa, um indivíduo, um cidadão, um sujeito, não sabemos qual é o melhor conceito? Ou tudo é mesma coisa? Será que todos estão comprometidos com a vida do ser humano?

A auto-realização se dá na interação do sujeito e com o objeto. Quanto mais intensificarmos os significados de nossa existência, a experiência do sentido terá mais lucidez e eficácia.

Ser jovem hoje exige busca de informação de tudo o que acontece no mundo pós-moderno e globalizado. O grande desafio hoje está nos valores e estes, estão em crise. A alternativa da crise é tirar o “s” da crise e crie uma possibilidade fiel e criativa de fazer a mesma coisa de modo diferente de ser mais ousado e empreendedor.

A pós-modernidade nos faz pensar e nos organizar para que tenhamos cada vez mais direcionamento vocacional e exige capacitação e competência profissional na formação de valores tanto morais, éticos, estéticos, culturais, sociais, econômicos, políticos e religiosos com argumentos comprometidos coerentes e fiéis às potencialidades que possuímos e queremos desenvolver, com filosofia própria de vida e no serviço do resgate da cidadania.

O sistema capitalista está aí com sistema de ideologia própria, total e única com seus próprios interesse de apropriação, exploração e dominação de tudo e de todos, um só “céu” e uma só “terra” tanto dos recursos materiais e humanos, uma dimensão sem fronteiras, sem divisões e sem limites, liberdade individual (liberalismmo) e sem oposição ideológica. Seu maior objetivo é formar no mundo um único bloco econômico capitalista, que todos sejam “iguais” e que na verdade alguns são mais “iguais” do que outros. Isso é injustiça e o poder fica na mão apenas de alguns. Onde mais ou menos 20% da população mundial retêm 80% da riqueza do mundo e sendo que 80% da população têm 20% da riqueza.

O sistema NEOLIBERAL está aí. Um novo para ratificar o “novo” que vem e pronto. O que vamos fazer, juventude!?Nossa atitude muda o mundo; o modo como vemos o mundo é muito mais importante do modo do que o mundo é. O mundo vai ser melhor quando eu for melhor

Juventude, a concepção de mundo que eu tenho é muito importante. Qual é a sua? O que fazer? Quais as razões e ações para fazer a diferença? Mudar o sistema não resolve, fazer revolução não soluciona, derrubamos o capitalismo e oferecer o que em troca? Começarmos de pequeno no exercício participativo, cooperativo e solidário, que seja um processo democrático que comece na família entre pais e filhos, depois para comunidade e sociedade.

Os jovens sentem-se mais apoiados e seguros quando os adultos se dispõem a conversar e a dar conselhos; ficam mais autônomos quando são chamados a dar opinião sobre questões importantes; aprendem noções de ética se são incentivados a discutir valores pessoais; e constroem melhor a própria identidade quando aprendem sobre tradições com os mais velhos. Eis uma solução.

Outro desafio e ter uma visão integradora e solidária. Saber organizar e cooperar com responsabilidade e com comprometimento, pensar naquilo que acreditamos e sonhamos para a melhor qualidade de vida. Sem drogas, sem doenças sexualmente transmissíveis – aids… ter saúde física, mental e espiritual.

O nosso olhar crítico dever ser alargado e dizer não para os canais abertos de TV ou outros meios de comunicação social, que incitam os jovens a se tornarem consumidores compulsivos e afetivos – sexuais dependentes.

Que a juventude seja unida nas diversas diferenças culturais e sociais. Pensarmos globalmente e agir localmente. Ter a permanente humildade de nossas convicções e está assessorando-se no intuito de unir forças, necessidades, desejos, sonhos e esperanças. Ninguém é melhor do que todos nós juntos. Cativando-se e deixando-se cativar por aqueles que nos querem bem e por aqueles que nos desafiam na oportunidade de crescer. A nossa missão é estimular outros jovens que por vezes perderam os seus referenciais e o seu sentido de vida. Que todos tenham mais vida e vida em plenitude.

Pensemos que hoje nós podemos fazer o melhor de nós, para que amanhã ao olharmos o passado, chegarmos à conclusão de que a nossa vida realmente valeu a pena ter sido vivida. Mas o que fazer para mudar? Tomemos hoje a decisão de mudar a nossa vida. Definir quais são os nossos objetivos, sonhos mais ardentes, ambições e lutemos por eles. Usemos as ferramentas que temos à mão. Aproveitemos as oportunidades.

[Por Luciano Osmar Menezes. Texto produzido durante o curso de Especialização em Juventude Contemporânea – Unisinos]

Espanhoes vendem orgão para sair da crise

A crise econômica que afeta a Espanha levou dezenas de pessoas a colocar à venda seus órgãos na internet, segundo a associação de consumidores Facua, que denunciou nesta terça-feira esta prática proibida em um comunicado.
A organização também alerta as autoridades para os sites que realizam esse tipo de comércio. Entre os candidados a vender seus órgãos, não estão apenas espanhóis, mas como muitos latino-americanos.

 

"São ofertas de venda de rins, pulmões e medula óssea realizadas por pessoas que dizem estar atravesando graves problemas financeiras e pedem quantias que oscilam entre 15.000 e um milhão de euros", acrescenta o comunicado.
A economia espanhola entrou em recessão no final de 2008 e o desemprego registrou um forte aumento, chegando a 15,5% da população ativa, segundo a Eurostat, ou seja, a taxa mais elevada da zona euro.

Renato Rabelo: A grande encruzilhada do governo Lula

A partir de 2007 o Brasil retoma o patamar de desenvolvimento do PIB anual acima dos 5% e a tendência apontava para uma aceleração do seu crescimento a níveis mais altos ainda, durante um período mais longo, mantendo assim em 2008 esse ritmo. Entretanto, este ascenso desenvolvimentista está enfrentando pesado obstáculo desde setembro do ano passado com a expansão da crise econômica e financeira mundial. 
O governo Lula, desde o seu início, foi levado a estabelecer uma forma de pacto político, decorrente da correlação das forças políticas de então, com duplo compromisso contraditório: responder ao apoio da base democrática e popular que o apoiou desde 1989 e, ao mesmo tempo, estabelecer um acordo que cedia aos interesses da oligarquia financeira beneficiária da política neoliberal implantada desde início de 1990.
Esse pacto manifesto na “Carta aos Brasileiros” é que deu ao novo governo uma característica de dualidade, como já afirmávamos desde sua posse em 2003. A expressão desse tipo de pacto na formação do governo ficou demonstrada no papel de Antonio Palocci, titular do Ministério da Fazenda, na escolha de um presidente para o Banco Central da confiança dos grandes círculos financeiros internos e externos, como avaliadores do acordo. O restante do governo foi completado com muitas figuras de origem democrática e progressista, vinculados ao campo popular.
Foi esse tipo de coalizão política e social que permitiu – em condições de crescimento da economia mundial – que o primeiro governo Lula estabilizasse a crítica situação por que passava o país e começasse a distribuir renda primária aos mais deserdados. Simultaneamente, o governo buscou a afirmação de uma nova política externa “Sul-Sul”, de integração do subcontinente e diversificação comercial, dando ao Brasil importante protagonismo no cenário externo.
O segundo governo Lula colocou o centro de gravidade de suas ações na aceleração do desenvolvimento e no reforço dos programas sociais. A dualidade que se refletia na luta entre continuidade e mudança, neoliberais e anti-neoliberais, desenvolvimentistas e ortodoxos, os partidários de políticas públicas universais ou focalizadas, estatistas e mercadistas, esteve sempre presente e se elevou numa maior contenda com a saída acidental de Palocci da Fazenda, substituído por Guido Mantega, personalidade de feição progressista. Foi se configurando na política econômica um caráter “hibrido” (desenvolvimentismo X ortodoxia liberal). Apesar desses limites e contradições o Brasil começou uma fase ascendente de desenvolvimento desde ano de 2007.
Novo desafio, nova oportunidade
Porém, o início da fase aguda da crise sistêmica do capitalismo iniciada em setembro deste ano, atingindo toda economia mundial, impõe uma nova situação. O Brasil, com suas reservas e aplicação de elevados investimentos em curso, não foi atingido de imediato, mas começa a ser impactado com a recessão que se alastra mundo afora, tornando-se incerto o desdobramento dessa situação de crise, sobretudo nos próximos seis primeiros meses de 2009.
Em virtude da dimensão da crise em marcha – que põe em xeque a exacerbada globalização financeira liberalizante e ao próprio hegemonismo unipolar dos EUA – os povos e países da chamada periferia do sistema são jogados diante de ingentes desafios: encontrar novas respostas políticas e econômicas que não se limitem a remediar o impasse da nova grande crise do capitalismo, mas, distinguir novas oportunidades e caminhos para transformar o Brasil em uma nação soberana, democrática, próspera e socialmente avançada. Muitos exemplos da história demonstram que esses momentos de grandes crises do sistema, que ocorrem no seio dos países capitalistas centrais, criam oportunidades aos países dependentes e subdesenvolvidos para buscar seus caminhos próprios de desenvolvimento nacional.
Reconstruir o pacto político  
Em face da crise o desafio é mais político que econômico. É chegada a hora de reconstruir o pacto político. Esta é a saída para o enfrentamento da crise. Dar maior força a base popular e democrática, aos trabalhadores e as camadas médias, em aliança com os empresários da produção e do comércio. Construir assim um grande pacto pela defesa e impulso do desenvolvimento, da economia nacional e do mercado interno, da renda do trabalho e do emprego. Em conseqüência da ação crescente da crise capitalista estamos diante de um risco maior: a recessão. Por isso, toda iniciativa e mobilização deve se voltar para viabilizar os meios que visem à expansão, e não retração da economia.
Em suma, deve ser superada a política da desregulamentação financeira, de juros altos e do câmbio livre da fase da economia “cassino”, submetida a fortes injunções da hegemonia dos grandes agentes financeiros. Hoje, manter juro real básico no patamar de 8% é o mesmo que continuar acelerando o carro para o abismo da depressão econômica. E deixar o câmbio livre de qualquer controle é voltar a cavar a vulnerabilidade externa do país. Em resposta a essa situação, impõe-se o nivelamento do juro real básico ao patamar internacional nesse tempo de crise, o controle do câmbio e de certa forma do fluxo de entrada e saída de capitais.
A encruzilhada diante do governo
O novo contexto gerado pela grande crise, tendo em conta a eleição geral de 2010, onde estará em disputa à presidência da República, leva o governo Lula a estar diante de uma encruzilhada: manter um nível de desenvolvimento e emprego positivo, barrando a recessão, ou ser vencido pela retração econômica e expansão do desemprego. Prevalecendo a primeira vertente o prestígio popular do governo e do presidente se elevará ainda mais, podendo irromper forte clamor nacional pela continuidade de Lula.
Se o governo conduz bem o país diante de grave crise global estimula a consciência de que a mudança do presidente em momento delicado como esse, na direção desse complexo empreendimento, pode ser muito arriscado.  No período da grande depressão na década de 1930 nos EUA, o presidente Franklin Delano Roosevelt, com o projeto do New Deal que reergueu a nação norte-americana, superando a grande crise do capitalismo, foi reeleito quatro vezes, talvez não chegando à quinta porque faleceu. 
Mas, se prevalece a segunda vertente, o presidente Lula pode perder o prestígio e a confiança hoje depositada na sua condução à frente da Nação e possibilitar o aparecimento de salvadores, reforçando o discurso revanchista da oposição, dificultando a vitória do candidato que seja escolhido como seu sucessor. 
Esta é objetivamente a encruzilhada política que vive o governo, sendo a reconstrução do pacto político, de uma forma ou de outra, a via necessária para seguir a vertente que leva ao êxito da crise.

Do seqüestro da economia a possíveis portas de saída

Segue um artigo interessante publicado no LeMond
Quando os apostadores tomam ciência do tombar da jogatina, suplicam à velha viúva, a quem antes acossavam, que lhes socorra com mais dinheiro, transferindo a riqueza socialmente construída aos mesmos que até aquele momento ganharam apenas especulando

por Marcos Aurélio Souza


É difícil antever com precisão aonde ainda nos levará a crise financeira iniciada a partir da débâcle do quimérico mercado hipotecário dos Estados Unidos. Um vendaval de proporções arrasadoras, cujo resultado simbólico mais significante, provavelmente, tenha sido o abalo sísmico provocado na fé de dois dos homens mais poderosos do mundo nos mecanismos de ajuste automático dos mercados para resolver suas irreprimíveis e destemidas estripolias.

A fim de estancar a sangria que ameaçava a própria estrutura do sistema capitalista, Paul Bernanke, presidente do FED, e Henry Paulson, lugar tenente do tesouro norte-americano, se viram forçados, e não hesitaram, em estatizar a Fannie Mae e Freddy Mac – gigantes do financiamento de crédito imobiliário do país, – além da AIG, a toda poderosa corporação mundial do ramo de seguros. Enquanto dirigiam em alta velocidade, assistiam pelo retrovisor ao rápido agonizar do Lehman Brothers, o quarto maior banco de investimentos dos Estados Unidos, que finalmente sucumbiria sem que os dois ex-talibãs, guiando pelos pulsos, orientassem as mãos invisíveis do mercado para também lhe prestar socorro.

Esta última atordoante cena apenas precipitou o congelamento do crédito interbancário, movido pela desconfiança dessas instituições de que seus pares estavam fortemente alicerçados numa enorme montanha de títulos podres. Maria da Conceição Tavares, com sua lucidez exacerbada, estava absolutamente certa quando vaticinava de que ou se agia em tempo ou o entupimento do sistema circulatório do sistema levaria inevitavelmente à trombose [1]. Na mosca! O sangue coagulou.

A desregulamentação do mercado financeiro serviu para sua substituição em favor da cobiça de mega especuladores

Ocorre que desde o final década de 1970, com o desmonte de Bretton Woods em favor da desregulamentação dos mercados financeiros, a especulação a fim de se obter altos rendimentos à custa da produção real tornou-se uma grande arma com a qual os Bangsters [2] tomam de assalto toda a economia para daí pedir resgates que na atual crise, acredita-se, tenham colocado sob empenho algo acima de um terço do PIB norte-americano.

Assim como Galbraith [3] constatou que a grande corporação industrial, ao “decidir o que o freguês vai querer e vai pagar”, submeteu o mercado, tomando seu lugar para preservar seus interesses imediatos, levando a hipótese da soberania do consumidor a tomar seu lugar apenas em compêndios dos livros didáticos de economia, é preciso perceber, nas sucessivas crises das últimas três décadas, que a desregulamentação do mercado financeiro serviu para sua substituição em favor da cobiça de mega especuladores. Para Noam Chomky, a livre circulação do capital financeiro não comprometeu apenas o mercado, mas a própria democracia, ao criar o chamado “parlamento virtual” [4], que, entre outras coisas, “controlam de perto os programas governamentais e “votam” contra eles, se os consideram “irracionais”, quer dizer, se são em benefício do povo e não do poder privado concentrado.”

Nas bolsas de todo mundo criaram-se mecanismos extraordinários, auxiliados por uma tecnologia de informação que permite comunicação de decisões em alguns segundos, para se inventar riqueza sem lastro algum na economia real. Enquanto o PIB mundial soma um produto total na casa dos US$ 60 tri, o mercado de derivativos soma US$ 600 tri, dez vezes mais [5]. Para não ficar de fora de tão vetusta farra, o capital produtivo, por sua vez, rebaixou salários e diminuiu investimentos, ao mesmo tempo em que a produtividade do trabalho aumentou. Assim, parte dos lucros das empresas foi destinada à ciranda

Entretanto, quando os apostadores tomam ciência do tombar da jogatina, suplicam à velha viúva, a quem antes acossavam, que lhes socorra com mais dinheiro, transferindo a riqueza socialmente construída aos mesmos que até aquele momento ganharam apenas especulando, sob a ameaça de que se assim não for, o caos se instalará por toda economia, afetando toda população, que, nesse caso, já sofre ou será penalizada com a perda milhões de empregos [6]. Poucos têm capacidade de planejar um seqüestro com tamanha engenhosidade.

Adotar uma forma de tributo que penalize esse tipo de movimentação. Na linha do que se propõe com a taxa Tobin, cuja função seria a de destinar os fundos arrecadados para o combate à pobreza nos países pobres

Caso as nações mais ricas, que têm efetivo poder de decisão, consigam desvencilhar-se de seus piratas somalis, alojados em Wall Street e demais praças financeiras, elas terão de exercer um papel mais profundo que meramente construir um novo marco regulatório que impeça a sanha especulativa de apontar seus canhões contra os muros que eventualmente se ergam a fim de inibir sua ação predatória. É preciso adotar medidas que penalizem esse tipo de movimentação, na forma de um tributo, na linha do que se propõe com a taxa Tobin, cuja função seria a de destinar os fundos arrecadados para o combate à pobreza nos países pobres.

De acordo com a carta de princípios da ATTAC, a criação de um imposto modesto de 0,1% sobre as transações financeiras especulativas poderia assegurar algo em torno de US$ 100 bi por ano, oriundos principalmente dos países mais industrializados, para financiar a luta contra a pobreza. Valor irrisório face aos montantes que foram injetados até agora pelos governos dos países ricos para garantir liquidez no sistema financeiro internacional. O papel econômico de tal tributação seria, do mesmo modo, determinante, uma vez que devolveria “às políticas monetárias nacionais um pouco de autonomia que elas perderam face aos mercados financeiros.” [7]

O controle do câmbio também deveria compor o front das grandes discussões sobre as formas de saída da crise. É por meio dessa política que o país pode garantir a soberania sobre a sua moeda, diminuindo sua fragilidade financeira devido à continuada defasagem de seu câmbio causada pela fuga de capitais, e oferecer um horizonte mais estável para que a produção se organize e planeje seus investimentos.

A luta incessante pelo lucro e pelo benefício particular não trouxe o benefício prometido em forma de felicidade e bem estar para a absoluta maioria da população mundial

À crise financeira somam-se as crises energética, ambiental e de alimentos. São como quatro dos sete selos do apocalipse cujos resultados de seu desenvolvimento deverão nos revelar, em breve futuro, o que nos reserva os três últimos. Entretanto, este é um processo que longe de ser fatalista, pode e deve ser revertido pela capacidade humana de transformar sua realidade. E isto implica colocar pelo avesso a organização da sociedade sob o capitalismo. É preciso reconhecer que a luta incessante pelo lucro e pelo benefício particular não trouxe o benefício prometido em forma de felicidade e bem estar para a absoluta maioria da população mundial. Ao contrário, as lutas imperialistas deflagradas a fim de assegurar às grandes corporações os recursos necessários ao seu crescimento tiveram o papel histórico de jogar os moradores dos países periféricos na mais absoluta miséria.

Conceitos econômicos como crescimento, investimentos, entre outros, têm de ser revistos para agregarem outras dimensões da realidade social. A provável corrida a ser travada pelas nações com o objetivo de garantir soberania alimentar e energética pode ser dada como exemplo disso. A se concretizar o que muitos observadores indicam, poderemos presenciar uma aceleração das disputas por terra e água, expulsando ainda mais camponeses do campo, aumentando a concentração de terras, devastando o meio ambiente, e tudo isso ser computado no PIB como “investimentos produtivos”.

O papel dos governos locais, principalmente dos grandes centros, deve ser repensado. Num quadro de desemprego, a primeira porta aonde os desempregados vão bater é na das prefeituras. A combinação de políticas econômicas anti-cíclicas no nível federal, que permitam manter ou aumentar o nível de emprego, com iniciativas locais pode gerar sinergias de modo impedir a deterioração do mercado de trabalho.

A atual crise do capitalismo deve ser vista como uma oportunidade para repensar o modelo de exploração com o intuito de alcançar a sua superação

Uma possível porta de saída, entre outras tantas que podem ser elencadas, seria considerar a organização dos trabalhadores em grupos cooperados de produção e prestação de serviços. Para que isso ocorra é indispensável impedir que as poupanças locais sejam capturadas no circuito financeiro para investimentos em títulos do governo ou para a especulação. Na Alemanha, de acordo com o documento Projeto Política Nacional ao Desenvolvimento Local [8], criou-se no nível das cidades e vilas um sistema chamado caixas de poupança cuja finalidade primeira é financiar as atividades produtivas locais.

De todo modo, a atual crise do capitalismo deve ser vista como uma oportunidade para repensar o modelo de exploração com o intuito de alcançar a sua superação. Não é possível imaginar que se construirá um mundo socialmente justo e pacífico quando os projetos de pequenos e selecionados bangsters se sobrepõem a mais elementar noção de segurança à vida e à dignidade humanas. Essa é a grande transformação que permanece a reivindicar nossa atenção e dedicação permanentes.

Marcos Aurélio Souza é colaborador do Caderno Brasil do Le Monde Diplomatique. Texto anterior:

Lia de Itamaracá não conta no PIB
O indicador que deveria medir a riqueza nacional ignora as relações culturais e afetivas estabelecidas num espetáculo artístico. Também não considera trabalho a criação dos filhos. Omissões como estas levam cada vez mais gente a indagar: para que serve um índice que só enxerga relações mercantis?

[1] http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=15281

[2] Termo usado por Roosevelt para definir a mesma espécie de senhores que hoje atua nas bolsas vendendo e ganhando dinheiro com coisas sem valor algum.

[3] John Kenneth Galbraith. O Novo Estado Industrial.

[4] Noam Chomsky. Disponível em: http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=15292

[5] Em entrevista à Agência Carta Maior, Carlos Lessa afirma a possibilidade de que esse valor possa ter chegado ao valor dos quatrilhões.

[6] A OIT estima que até o final de 2009 mais 20 milhões de desempregados em todo o mundo se some aos 180 milhões atualmente existentes. Além disso, deverá aumentar o número de trabalhadores vivendo com apenas US$ 2 ao dia.

[7] François Chesnais. Tobin or Not Tobin. Porque tributar o capital financeiro. Pg51

[8] Ainda em fase de conclusão e disponível na página do professor Ladislau Dowbor: http://dowbor.org/06dlfinal.pdf