The Economist critica privatizações de FHC e elogia governo Lula

Matéria da revista inglesa The Economist, Ed. Mar 5th 2009 [ http://www.economist.com/displayStory.cfm?story_id=13243343 ] , reconhece o equívoco de um dos principais pilares do governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB): a venda indiscriminada de empresas e bancos estatais. No texto, a publicação afirma que até há pouco tempo no Brasil, acreditava-se que um dos fatores prejudiciais à economia brasileira seria a influência estatal no setor financeiro. Segundo a revista, entretanto, esse controle estatal é o que dá hoje ao País uma situação favorável perante os demais países e, diante da crise mundial, confere uma “situação favorável incomum ao Brasil”.

A matéria se refere à manutenção da gestão estatal, por parte do governo Luiz Inácio Lula da Silva, do Banco do Brasil, da Caixa Econômica e do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), instituições financeiras líderes de empréstimos para empresas e que FHC tentou, sem sucesso, privatizar.

“Outros países estão tentando descobrir como alavancar bancos e direcionar o crédito para as necessidades identificadas. Isso é algo que o Brasil faz, inclusive quando não era ‘moda’. Nos bancos privados, as exigências de depósitos e garantias para financiamentos os impediram de correr os riscos financeiros que acabaram por derrubar bancos na Europa e nos Estados Unidos. Até agora, o crédito do Brasil foi ‘mordiscado’, mas não ‘triturado’”, destacou o texto.

A matéria também sustenta que, na comparação com seu passado recente e na comparação com outros países, a economia do Brasil está em boa forma. “O FMI prevê que somente os países em desenvolvimento na Ásia, África e Oriente Médio terão melhores resultados em 2009. Em comparação com o contexto anterior, no qual o Brasil sofria uma parada cardíaca a cada estresse de outras economias, isso é impressionante”, diz o texto.

O texto aponta ainda que as razões para a melhoria do crescimento do País estão fortemente atreladas à melhoria do nível da dívida do setor público, que foi um ponto fraco e agora se mantém abaixo dos 40% do PIB, e a outros fatores. “Os empréstimos em moeda estrangeira foram trocados principalmente por títulos em reais. Além disso, o País acumulou US$ 200 bilhões em reservas internacionais para defender o real; seu déficit em conta corrente é pequeno e, o mais importante, a crise não está aumentando a inflação. Isso permite que o Banco Central reduza a taxa básica de juros da economia, permitindo um custo mais barato para a dívida pública. É a primeira vez que o Brasil adota uma política monetária anticíclica”, afirma o texto.

Ao analisar a matéria, o deputado Fernando Ferro (PT-PE) afirmou que o Brasil tem fôlego para enfrentar a crise mundial por conta da resistência contra a onda de privatização que aconteceu na América Latina. “Conseguimos, no Brasil, sustentar como oposição, e com ajuda da reação da sociedade, esse processo de liquidação do patrimônio público. Agora se descobriu, no auge da crise, que é preciso a presença do Estado e estão todos tentando estatizar bancos falidos. Ou seja, transferir recursos públicos para a iniciativa privada”, afirmou.

Segundo ele, a privatização de empresas de energia e de telecomunicações no governo FHC teve consequências desastrosas. “Hoje nos deparamos com as maiores tarifas de energia elétrica do mundo e temos problemas com altas tarifas da comunicação por celular. Foram justamente as duas áreas privatizadas pelo governo anterior. O governo Lula conseguiu evitar a tragédia maior que teria sido a dilapidação da estrutura pública do Brasil”.

A Polemica dos Difusores na F1

090415difusorarte A decisão da Corte de Apelação da FIA (Federação Internacional de Automobilismo) de recusar os protestos feitos por quatro equipes (Ferrari, Red Bull, Renault e BMW) e aprovar o uso dos difusores traseiros adotados por Brawn GP, Toyota e Williams fez com que as equipes lançassem uma nova preocupação.
Na temporada que a redução de custos virou palavra de ordem na F-1, os times que não contam com o mesmo modelo de difusor traseiro adotado pelo trio terão de reavaliar os projetos e conceber uma peça semelhante, já que o difusor traseiro teria gerado uma redução de 0s5 por volta nos tempos feitos pelas equipes que o utilizam.

A Ferrari foi a primeira a anunciar que o impacto financeiro será imediato com a decisão da FIA. "Infelizmente esta decisão nos força a intervir em áreas fundamentais do design do carro para competir em condição de igualdade com outros times do ponto de vista técnico. Isso custará tempo e dinheiro", disse o chefão da escuderia, Stefano Domenicali.

 

"O que está acontecendo é estúpido, obrigando as equipes a gastarem tanto dinheiro em um momento de crise", lamentou o chefão da Renault, Flavio Briatore. Terceira força da F-1 em 2008, a BMW é outra que mostra preocupação com a aprovação dos difusores usados por três de suas concorrentes. "Sete equipes terão de investir muito forte para fazer as modificações necessárias nos seus carros", lamentou Mario Thiessen, chefão da equipe.

Já a Red Bull divulgou que o chefe da equipe, Adrian Newey, sequer irá a Xangai para trabalhar no desenvolvimento do difusor. Além de reestudar os projetos originais para a temporada 2009, as equipes terão de adaptar esta peça sem realizar testes em circuitos, já que o novo regulamento da FIA impediu os testes coletivos após o início do Mundial, justamente para cortar gastos. Agora, os times têm direito a apenas oito treinos mas em linha reta ou raio constante.

Desta forma, as mudanças terão de ser conduzidas no túnel de vento de cada equipe, mas este não pode ser feito com carros em dimensões reais, precisando ser em tamanho reduzido ao "carro verdadeiro", esta também outra exigência do regulamento deste ano.
O teste real na pista será mesmo durante os treinos livres de cada GP. E a primeira equipe que pode levar para a pista um novo difusor é a Renault, que já anunciou nesta semana ter o equipamento pronto para ser utilizado no GP da China, que tem a primeira atividade em pista na noite desta quinta-feira.

 

OS DIFUSORES NA FÓRMULA 1

AP

Difusor da Brawn GP é vazado e em forma de "V" para passagem de ar

AP

Na McLaren, difusor não tem furos e o ar não passa por baixo do carro

AFP

Fato que se repete no carro da Toro Rosso, que terá de mudar projeto

 

 

"A Renault não perdeu o bonde, como disse a Brawn, porque a FIA nos disse que isso era ilegal. A partir disso, o difusor foi abandonado. Temos um protótipo pronto", garantiu Andrew Ford, que representou a escuderia francesa na reunião da Corte de Apelação da FIA.
Uma das equipes que utiliza o difusor traseiro, que pemite uma maior passagem de ar pelo assoalho do carro e melhora assim a aerodinâmica do monoposto, a Williams acredita que as outras equipes também não demorarão para encontrar uma solução. "As outras equipes mudarão os designs dos carros e isso não demorará. Agora, temos de melhorar a competitividade do carro, o que também não deve demorar", adiantou o chefe-executivo da equipe, Adam Parr.
Após o GP da Austrália, em 29 de março, cinco equipes iniciaram os estudos para "copiar" a peça que tanto deu vantagem a Brawn GP, Toyota e Williams. Renault, Ferrari, McLaren, BMW e Red Bull passaram a desenhar um novo difusor em suas fábricas, apesar de oficialmente não terem confirmado a informação. A peça foi mostrada pela primeira vez no final de janeiro, após a divulgação dos modelos de Toyota e Williams para a temporada, e já havia sido contestada naquela ocasião.
Costumeiras equipes que andavam atrás em 2008, o "trio do difusor" aproveitou o mau desempenho no ano justamente para desenvolver o carro desta temporada, quando muitas mudanças foram feitas e a aerodinâmica passou a ser vital para um bom desempenho. Segundo estudos divulgados por revistas econômicas, a Toyota e a Honda, equipe que teve o espólio adquirido pela Brawn GP, eram as duas que tinham mais investimentos na F-1.

Privatização não é solução

PRIVATIZAÇÃO NÃO É SOLUÇÃO (por sugestão do leitor Nelson Antônio Fazenda)

amazonia

A "Mágica" Simples Das Telecomunicações

A recente disputa eleitoral ensejou um pequeno debate sobre a questão das privatizações. Mas, como se viu, nenhum candidato quis assumir uma posição favorável ao referido processo, que teve o seu auge durante o período do governo FHC (1995/2002).

Concluído o segundo turno com a esmagadora vitória do Presidente Lula, não apenas o ex-Presidente FHC surgiu para criticar o candidato derrotado, seu aliado, por não ter assumido a sua defesa naquele debate, como também diversos outros políticos e jornalistas importantes manifestaram-se publicamente atribuindo pelo menos parte do insucesso do candidato do PSDB ao fato de não ter tido ele a coragem de posicionar-se favorável à retomada do processo de privatização, incluindo até as maiores estatais brasileiras ainda existentes, como Petrobrás, Banco do Brasil, Eletrobrás e suas grandes subsidiárias (Furnas, Chesf e Eletronorte), entre outras.

Agora, quando o Presidente reeleito começa a rearticular as suas forças de apoio para definir o sentido da política que realmente deseja imprimir no seu segundo mandato, novamente os privatistas e defensores do "estado mínimo" voltam à carga, tentando induzir o Presidente a trair os seus compromissos já declarados, para então abraçar um programa de privatizações de grande amplitude, que incluiria até as chamadas "jóias da coroa".

Os argumentos apresentados por esses "pontas de lança" são sempre os mesmos, na maioria falsos ou pelo menos constituídos de meias verdades, sempre atribuindo todos os males à atuação do estado e todas as virtudes à iniciativa privada, pelo que se justificaria sempre a entrega total das atividades econômicas aos empresários privados, ficando para o estado apenas às ditas atividades típicas de governo, basicamente segurança, educação e saúde.

Em termos práticos, nos últimos anos os privatistas costumam apresentar como a melhor prova das vantagens da privatização o suposto sucesso do processo aplicado nas telecomunicações brasileiras no governo FHC, salientando-se que tudo de bom teria ocorrido com a passagem para o setor privado, enquanto tudo de ruim que acontecia antes se devia exclusivamente ao fato de que a atividade estava em mãos de empresas estatais. Esta idéia tem sido repisada e constantemente repassada para a opinião pública por todos os meios de divulgação possíveis, como se fosse uma verdade absoluta, o que de fato não é. Não é absoluta e nem mesmo verdade, como será demonstrado abaixo.

A história das telecomunicações brasileiras atravessa praticamente todo o século vinte e não pode ser resumida no quadro particular que se observava na primeira metade da última década do século, quando de fato o setor, como toda economia brasileira, passava por um momento de extrema debilidade, cuja deterioração possibilitou aos defensores da privatização convencer a maioria da população brasileira sobre o acerto da medida.

Além do mais, o que aconteceu depois também não foi, como pode parecer, uma conseqüência de suposta superioridade da iniciativa privada sobre as empresas estatais quanto à capacidade de administrar o setor, como desejam cantar em prosa e verso os defensores da privatização. Pois, se assim fosse, o setor de comunicações nem sequer teria ido parar nas mãos das estatais. Teria permanecido privado como nascera muitos anos antes.

Isto mesmo, por mais surpreendente que possa parecer aos mais jovens, o setor de comunicações no Brasil, desde as suas origens ainda no final do século dezenove, sempre foi privado, praticamente 100% privado. E com tal, fracassou! Por muitas e variadas razões, fracassou. Ainda no final dos anos 60 do século passado, as companhias telefônicas estaduais eram todas ou quase todas privadas, bem como algumas empresas que operavam as ligações interurbanas. E o serviço era péssimo. Na verdade constituía um sério entrave ao desenvolvimento do País. Em 1970, no Recife e em muitas outras capitais, depois de retirado o fone do gancho, o sinal de discagem demorava às vezes mais de 30 minutos. Para poder se comunicar entre a sua sede no Rio de Janeiro, os escritórios em Recife e as Usinas de Paulo Afonso, a CHESF tinha um sistema próprio de rádio SSB. Muitas empresas possuíam sistemas similares, pois as companhias telefônicas não tinham condições de prestar o serviço.

E não era uma questão de limitação do estágio da tecnologia de então, que supostamente não permitisse um melhor serviço. A tecnologia já existia e estava em uso em outros paises, que possuíam um bom serviço. Mas as nossas empresas privadas nacionais e estrangeiras, por esta ou aquela razão, não investiam o suficiente para atualizar e desenvolver os seus sistemas e o resultado era aquele: um péssimo serviço de comunicações.

Foi exatamente por isto que o estado interveio. Já no governo Goulart o assunto estava em debate. Mas, só com os militares pós 64 veio a ter o andamento que precisava. Primeiro foi criado o Ministério das Comunicações e também a Embratel, ainda nos anos 60.
A Embratel foi a primeira estatal do setor, criada com a finalidade específica de integrar todo o País com a implantação de uma moderna rede de microondas terrestre que iria permitir as comunicações interurbanas de alta qualidade (então praticamente inexistentes), bem como a transmissão de dados (sim, já existiam computadores) e também de sinais de televisão, além das comunicações internacionais via satélite (Intelsat, como se costumava explicitar). E tudo isto foi cumprido conforme planejado.

Em 1969, graças à Embratel, quase todo Brasil assistiu ao vivo pela TV o homem chegar à Lua. Logo as estações de televisão passaram a transmitir programas em rede nacional. E em 1970, todos devem lembrar da grande conquista da Copa do Mundo no México, com Pelé e Cia., assistida ao vivo, embora ainda em preto e branco. As cores viriam em 1972. Ao mesmo tempo, falava-se DDD e DDI com toda facilidade e qualidade, para todo o Brasil e o Mundo.
Enquanto isto, os sistemas telefônicos locais, cujas companhias permaneciam privadas, continuavam sendo o gargalo, com um serviço péssimo, incompatível com o sistema interurbano. Falava-se melhor de um estado para o outro, do que de uma rua para outra de um mesmo bairro, de uma mesma cidade. E não havia telefones novos para se "comprar". Foi aí que se impôs a solução estatal também para as companhias telefônicas privadas estaduais.

Entre 1971 e 1972, coincidentemente o período mais negro da ditadura, criou-se a Telebrás, holding que encampou as referidas empresas privadas estaduais e, faça-se justiça, colocou na direção da maioria delas técnicos competentes, muitos deles militares com cursos de pós-graduação e especialização em eletrônica e telecomunicações no exterior (na época, tais cursos estavam apenas começando no Brasil). Em pouco tempo essas empresas estavam reorganizadas e modernizadas tecnologicamente e, assim, os sistemas locais alcançaram o mesmo nível do que já existia no sistema da Embratel. A partir dali, as telecomunicações brasileiras, em mãos de empresas estatais, viveram um período áureo, reconhecido por todos.

Mas isto não aconteceu por um passe de mágica, mesmo tendo ocorrido no período do chamado "milagre econômico". Nem tampouco porque as empresas estatais fossem intrinsecamente melhores do que as empresas privadas. Tudo aconteceu porque houve decisão política para fazer, competência técnica e, principalmente, pela viabilização de um esquema de financiamento que a iniciativa privada não teria tido condições de equacioná-lo em sua plenitude. E, talvez o mais importante, a questão crucial. Não precisando correr atrás do lucro nos níveis de mercado, o capital público podia contentar-se com taxas de retorno mais modestas, resultando em tarifas justas, que de outra forma alcançariam patamares incompatíveis com o estágio de desenvolvimento da economia nacional e o nível de renda da maioria da população. Qualquer comparação com o que acontece hoje com as próprias telecomunicações e, particularmente, com o setor elétrico, não seria despropositada.

E como foi montado este esquema de financiamento? O modelo foi suportado basicamente em duas fontes de recursos. Primeiro, o Fundo Nacional de Telecomunicações – FNT, alimentado pelo Imposto Único Sobre Telecomunicações, cobrado diretamente nas contas dos serviços existentes e vinculado específica e unicamente a este fim: financiar a expansão do sistema de telecomunicações. Segundo, pela própria população, que contribuía para os investimentos comprando ações das empresas (aliás, esta participação não era inédita, pois fora utilizada por algumas empresas privadas, mas por si só não era suficiente para arrecadar o volume de recursos necessários). A verdade é que não se comprava telefone, ou a linha, como também se costumava dizer. O que se comprava eram ações das empresas, associadas ao direito de uso de uma linha. Estas ações eram de fato um investimento, uma poupança "forçada", rendiam juros e dividendos e posteriormente poderiam ser vendidas como na verdade o foram.

Em compensação a essa obrigatoriedade, com as linhas em operação as tarifas mensais pagas pelos usuários eram extremamente baixas, pois os custos operacionais de uma companhia telefônica são realmente baixos. O caro era o investimento, para o qual o usuário já tinha participado. Assim, tarifas justas mantinham o sistema saudável.

Com a crise geral da economia brasileira nos anos oitenta, que os tornaria conhecidos como a "década perdida", o Imposto Único Sobre Telecomunicações acabou sendo desvinculado do FNT e a sua arrecadação passou a ser jogada direto para o "bolo geral" do tesouro. Assim, o setor perdeu a liberdade sobre a sua principal fonte de financiamento, ficando dependente das consignações orçamentárias sempre sujeitas a contingenciamentos. Como a participação dos usuários sozinha não era suficiente, os investimentos não puderam ser continuados no ritmo previsto e as pessoas que haviam "comprado" os seus telefones (na verdade as ações) não puderam ser atendidas nos prazos corretos, que foram cada vez mais sendo postergados. E o pior ainda veio com a Constituição de 1988, cujo novo regime tributário consagrou de vez o fim dos "Impostos Únicos", transformando-os em ICMS destinados diretamente aos tesouros estaduais, geralmente com alíquotas muito maiores.

Assim, como aconteceu com outros setores (o rodoviário, por exemplo, foi destroçado até hoje com o desaparecimento do Imposto Único sobre Combustíveis e Lubrificantes, que alimentava o correspondente Fundo Rodoviário Federal), o setor de telecomunicações teve quebrada a espinha dorsal do seu esquema de financiamento e tornou-se inadimplente perante os que haviam "comprado" as novas linhas, apenas conseguindo, a duras penas, manter uma razoável qualidade nos serviços existentes.

A crise total que sobreveio na expansão do sistema foi, portanto, conseqüência absolutamente natural. Assim, depois do brilhante sucesso da década de 70, o setor de telecomunicações estatal entrava nos anos 90 praticamente desmoralizado perante a população, sobretudo depois dos pronunciamentos depreciativos do então Presidente Collor.

Nestas condições, não foi difícil ao governo FHC, com sua filosofia neoliberal, promover as medidas para privatização do setor da forma que convinha aos interessados, recorrendo antes a uma "mágica" simples, criada pelo seu Ministro das Comunicações. Investiu vários bilhões de dólares nas empresas telefônicas, colocando-as em ponto de bala para atender toda aquela demanda represada, mas não realizando de fato a instalação dos aparelhos (a propósito, ver o livro O Brasil Privatizado, de autoria do respeitado e saudoso Jornalista Aloysio Biondi, publicado em abril de 1999, com todos os detalhes a respeito dessa operação).

Note-se que o governo FHC tinha reais condições para fazer tal investimento, pois, montado no sucesso do controle da inflação, como parte do Plano Real editado ainda no governo Itamar Franco dispunha do chamado Fundo Social de Emergência, que dava direito ao Poder Executivo de gastar, sem prévia destinação orçamentária, até 20% de toda a arrecadação dos impostos federais. E FHC realmente gastou, inclusive no sistema de telefonia, haja vista a enorme dívida que deixou para o Povo Brasileiro, cujo montante e o seu conseqüente serviço até hoje têm prejudicado o crescimento da nossa economia.

Então, com as empresas rearrumadas por dentro, FHC privatizou-as. Daí, rapidamente elas começaram a instalar os telefones que antes haviam sido "vendidos" e agora já se encontravam estocados. Compreensivelmente, a população, atendida nos seus interesses, foi levada a creditar o resultado à "eficiência" das empresas privadas, em contraste com a "ineficiência" das estatais. Junte-se a isto as facilidades resultantes da evolução tecnológica ocorrida no período, incluindo o extraordinário desenvolvimento da informática, e o quadro estava perfeito para que só se enxergassem aspectos positivos na privatização das telecomunicações brasileiras.

Além disso, comparando-se indevidamente taxa de habilitação com compra de ações, alardeou-se até que "telefone baixou de preço", o que não corresponde à realidade. O verdadeiro custo de um telefone era e é a tarifa mensal que o usuário paga e que, desde a privatização cresceu astronomicamente, sobretudo o valor da assinatura básica. A ponto de grande parte da população não poder utilizar o sistema, simplesmente porque não pode pagar as contas mensais. Sabe-se que as companhias dispõem de vários milhões de terminais ociosos (que ainda seriam daqueles implantados pouco antes da privatização), para os quais se pretende até criar um tipo "especial" de usuário.

Quanto à telefonia móvel, o chamado celular, cabe explicitar que quando eles surgiram às empresas estatais de telefonia brasileira já se encontravam bastante fragilizadas pela crise econômico-financeira nacional, conforme acima mencionado. Mesmo assim, elas começaram a implantá-los, quase ao mesmo tempo em que no primeiro mundo. Tratando-se, porém, de uma tecnologia nova, seria absolutamente normal esperar que o preço inicial do serviço sofresse o impacto do alto custo de implantação, mas que tenderia naturalmente a cair, independentemente de quem o prestasse – empresa pública ou privada, como veio de fato a ocorrer, particularmente em virtude dos espetaculares ganhos tecnológicos observados.

Registre-se, ainda, que o quadro atualmente observado no setor das telecomunicações brasileiras não é estável. Desde a privatização têm acontecido muitas transformações, com empresas sendo vendidas, compradas, fundidas, incorporadas, desincorporadas, criadas e desaparecidas, tudo dentro de um processo, que quando nada mostra justamente a sua instabilidade. Mas, toda essa movimentação possibilitou também que as dívidas contraídas pelos novos donos para adquirir as empresas fossem transferidas integralmente para as próprias empresas. Na prática, isto significou a necessidade do estabelecimento de tarifas proporcionalmente mais elevadas, de modo a garantir altas taxas de retorno, suficientes para produzir saldos financeiros capazes de cobrir novos investimentos, assegurar o sagrado lucro dos acionistas e, além disso, pagar os pesados encargos da dívida que foi constituída para que elas próprias tivessem sido adquiridas. Aos novos donos, portanto, restaram apenas as benesses dos lucros.

Talvez, por aí se possa compreender porque uma grande empresa do setor que, quando privatizada, foi adquirida por US$ 2,3 bilhões, cerca de cinco anos mais tarde, depois de ter ampliado seu mercado e acrescido seu patrimônio, tenha sido vendida a um outro grupo por apenas US$ 400 milhões, sem que se tenha ouvido nenhuma espécie de queixa da parte do vendedor quanto a eventuais perdas.

As considerações acima sobre o setor de telecomunicações brasileiro tiveram como finalidade principal estabelecer a verdade sobre a sua evolução, ressaltando o importante papel desempenhado pela ação do estado a partir do final dos anos 60 do século passado, para afinal concluir que nem os graves problemas ocorridos a partir dos anos 80 foram devidos a uma "ineficiência" intrínseca às empresas estatais, nem a recuperação observada nos anos 90 foi uma decorrência direta da privatização e da decantada "eficiência" das empresas privadas. Como foi mostrado, a recuperação poderia ter ocorrido do mesmo modo com as empresas estatais e, neste caso, ter-se-ia evitado também os grandes impactos negativos da privatização na indústria nacional de equipamentos de telecomunicações, no fechamento de postos de trabalho e na remessa de lucros para o exterior. E, ainda mais, provavelmente estaríamos hoje pagando tarifas bem mais baixas.

Dito isto, voltemos ao tema inicial deste artigo. O Presidente Lula não pode se iludir com aqueles que estão acenando com a idéia de que uma retomada das privatizações seria capaz de impulsionar o tão desejável e esperado crescimento econômico. Ao contrário, em lugar de solução, a eventual privatização das grandes geradoras de energia elétrica, da Petrobrás e dos grandes bancos seria um desastre para a Nação. Além de retirar poder efetivo do governo, reduzindo a sua capacidade de atuação, nada de novo acrescentaria à economia e certamente seria responsável por grandes aumentos de preços nos seus produtos e serviços, acabando por prejudicar o desenvolvimento da economia nacional.

Finalmente, cabe explicitar que o ponto de vista aqui expresso não significa uma posição contrária à iniciativa privada. É fora de dúvida que o Brasil precisa da iniciativa privada e da sua capacidade empreendedora. Sem ela não haverá crescimento econômico nem desenvolvimento. Nem serão criados os empregos de que tanto necessitamos. Mas não seria simplesmente comprando estatais que o capital privado estaria cumprindo o seu papel. As oportunidades de negócios para os empreendedores impulsionarem a economia estão aí, seja no comércio, na indústria ou na agricultura. E até mesmo nos serviços públicos e na infra-estrutura, por que não? Os investidores poderão construir novas hidrelétricas, termelétricas, estradas ou seja lá o que for, mas para estes casos de serviços públicos e infra-estrutura, onde as atividades se caracterizam praticamente como monopólios, obrigatoriamente teriam de oferecer tarifas justas, capazes de manter a competitividade da economia e enquadrar-se na capacidade de pagamento da população, pois do contrário não estariam contribuindo para o desenvolvimento do País como, aliás, atualmente tem acontecido em alguns setores.
Recife, 30 de novembro de 2006.

Eng. José Antonio Feijó de Melo

Diretor ILUMINA-NE

Texto publicado originalmente no http://www.viomundo.com.br

Rapidinha – PREFEITURA DE GOVERNADOR VALADARES LANÇA OBRA DO PAC DO BAIRRO MÃE DE DEUS

 

Na noite de ontem foi de muita felicidades para os moradores do bairro Mãe de Deus e Altinópolis. Com a presença marcante da população local, do secretariado e de diversos vereadores da base de sustentação do governo a prefeita Elisa Costa anunciou a retomada imediata das obras do PAC. Obras essas que desde a gestão Fassarela, já tinha o projeto em tramitação em Brasília. Infelismente o s moradores da comunidades viram o sonho ser interrompido nos últimos 4 anos, pois a administração passada foi alvo de investigação por suspeita de uso indevido da verba e tiveram as obras paralisadas.

Num esforço da atual administração todas as correções foram feitas e a ordem de serviço já foi assinada.

Mostrando de fato que a administração tem como principal compromisso o desenvolvimento das comunidade em uma atitude louvável do Secretario de Obras, Cesar Coelho, foi pedido e acatado pela construtora que contratem o Maximo possível de mão de obra de moradores do bairro Mãe de Deus e Altinopolis.

Parabéns prefeita Elisa Costa

Protagonismo Juvenil: para além de palavras

Segue mais uma contribuição rcebida n meu imail e boa leitura

Luã Gabriel dos Santos

Faz algum tempo que o tema juventude vem ganhando bastante destaque nas discussões da sociedade civil organizada e do Estado. Isto se deve, a priori, pelo expressivo contingente ocupado por esta parcela da população, onde só no Brasil representa 27% (mais de 50 milhões de pessoas)[3], e também pelas vulnerabilidades que crescem a cada dia e que esses jovens enfrentam cotidianamente, como o aumento nas taxas de desemprego, da violência, das drogas, da marginalidade, dentre outras calamidades sociais.

Mas a juventude não deve ser identificada, nem classificada apenas como problema social. Para desmistificarmos este fenômeno, muitas vezes comum, é necessário inicialmente compreendermos o que de fato representa juventude.

Num primeiro momento, é importante deixarmos claro o quanto é complicado conceituar em termos etários a juventude. Sabe-se que juventude é o processo de transição da infância para a fase adulta, ou seja, do momento em que advêm as alterações fisiológicas até a maturidade social[4], onde ocorrem inúmeras mudanças psíquicas, físicas, bioquímicas, intelectuais e sociais. Porém, é importante destacarmos que neste período de constantes modificações nem todos os jovens percorrem o mesmo caminho[5].

São vários os autores que afirmam não haver uma única juventude, mas juventudes[6], no plural mesmo. Isto significa dizer que juventude representa, antes de qualquer coisa, uma enorme diversidade heterogênea, definida e caracterizada de acordo com as diferentes situações, vivências e referências presentes no contexto em que vive cada jovem.

A partir desta multiplicidade que representa a juventude, não podemos deixar de considerar a importância histórica deste segmento para a efetivação de mudanças políticas e sociais em todo o mundo.

É justamente este papel transformador e pró-ativo na busca por soluções aos diversos problemas que damos o nome de protagonismo juvenil[7]. O jovem protagonista é aquele que ocupa lugar de destaque em uma ação ou iniciativa de sua comunidade. Ou seja, o jovem como agente responsável por uma ou pelo conjunto de ações locais.

Dessa forma, podemos traduzir o vocábulo protagonismo juvenil, também, em outras palavras como autonomia, participação e cooperação. Logo, faz-se inevitável o reconhecimento da participação da juventude como elo transformador e essencial para a promoção do desenvolvimento local.

Este desenvolvimento ao qual falamos, não pode ser entendido somente como fator econômico, mas acima de tudo como uma nova proposta de desenvolvimento, mais responsável, humano, social e sustentável[8]. Neste sentido, para que de fato seja possível a construção desse novo desenvolvimento, a participação de atores sociais estratégicos, como a juventude, é de extrema importância.

Assim, para construir uma nova sociedade, mais justa e solidária, nada melhor do que considerar a juventude, sua autonomia e criatividade, como chave para a construção deste desenvolvimento local. Para isto dar certo, não basta o jovem participar apenas como uma imagem simbólica, decorativa ou manipulada. O jovem deve participar como protagonista no desenrolar desta história, do início ao fim.