Melhoria de renda aqueceu economia, dizem especialistas

A ascensão social de 19,5 milhões de brasileiros nos últimos três anos, verificada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), diminuiu os efeitos da crise internacional sobre a economia brasileira. O movimento ampliou o mercado consumidor e, assim, fez girar um círculo virtuoso de aumento de demanda, produtividade e emprego.

Segundo Rogério César de Souza, do Instituto de Estudos para Desenvolvimento Industrial (Iedi), foram esses fatores de ascensão social que colocaram o Brasil em condição favorável neste ano, quando comparado a outros países. “E isso é bom para a indústria em particular”, diz, citando o consumo de alimentos e da construção civil. O Iedi reúne as maiores indústrias brasileiras.

O economista do Iedi lembra que a indústria sofreu muito com a diminuição de exportações, durante o auge da crise internacional, mas “cresce de forma contínua se valendo do mercado interno”. Além do setor industrial, os bancos comemoram a expansão das atividades financeiras ocorridas a partir do aumento das pessoas com renda na faixa intermediária.

Segundo dados da Febraban (Federação Brasileira de Bancos), entre 2005 e 2008 o número de contas correntes passou de 95 milhões para 125,7 milhões. As contas de caderneta de poupança saltaram de 71,8 milhões para mais de 92 milhões. O total de cartões de crédito no período teve o maior crescimento: passou do patamar de 68 milhões para 124 milhões.

O diretor de Estudos e Políticas Sociais do Ipea, Jorge Abrahão de Castro, diz que a “elevação desse conjunto grande de pessoas no mercado” se dá também com a diminuição das desigualdades sociais. Para ele, a sustentabilidade do movimento depende da manutenção da política de ganhos salariais efetivos, de políticas sociais que favoreçam a incorporação o produtores e pode ser incrementada com a diminuição dos juros.

A trajetória de ascensão apontada pelo Ipea poderá também repercutir nas eleições gerais do próximo ano. Para o cientista político Alberto Carlos Melo de Almeida, o processo já é verificado há algum tempo e não favorece diretamente nenhum candidato, mas influencia a pauta eleitoral. “Haverá o tema da melhoria de vida, mas em outro patamar.”

Segundo Almeida, o eleitor vai querer mais ascensão de renda nos próximos anos. “A sensação de insatisfação pode aumentar entre as pessoas que melhoraram sua condição de vida”, avalia. Para ele, a aquisição da casa própria e de um automóvel podem alimentar sonhos de consumo dos setores emergentes da população.

A participação da população na base da pirâmide social (pessoas com rendimento individual de até R$ 188) diminuiu cerca de 23%, de acordo com o estudo do Ipea. Sete em cada dez pessoas que ascenderam são do Sudeste e Nordeste. Apesar do avanço, a Região Nordeste concentra a metade dos brasileiros pertencentes ao primeiro estrato social.(Edição: Enio Vieira)

(Envolverde/Agência Brasil)

Anúncios

Desemprego no Brasil bate recorde

O mercado de trabalho no país reflete as conseqüências da crise financeira. O contingente de desempregados atingiu, em março, cerca de 2 milhões de pessoas – o maior contingente em 18 meses – e a taxa de desocupação do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgada hoje (24), avançou pelo terceiro mês consecutivo para o patamar mais alto desde setembro de 2007, ficando em 9%.

“Temos um cenário econômico não muito favorável, no qual se tem o anúncio de uma crise. Quando o cenário econômico não está favorável, isso se reflete no mercado de trabalho”, afirmou o coordenador da Pesquisa Mensal de Emprego do IBGE,  Cimar Azeredo.

De acordo com ele, a pesquisa de emprego comprova que, em função da turbulência econômica, postos de trabalho deixaram de ser criados e trabalhadores foram dispensados. Com exemplo, Azeredo citou a redução de 1,5% do emprego na indústria de fevereiro para março, o que representa a saíde de 54 mil trabalhadores do mercado.

“Esse comportamento da indústria, que não é diferente de outros grupamentos – ainda que menor nos outros – faz com que o mercado [de trabalho], além de não gerar [emprego], registre perda de postos, fazendo com que a fila da desocupação seja ainda maior”, afirmou, ao destacar que o setor industrial é o que apresenta maior taxa de dispensa.

A pesquisa de desemprego do IBGE mostra que na passagem de um mês para outro, a população desocupada no país aumentou 7,3% (141 mil pessoas) e 6,7% na comparação com março de 2008 (130 mil pessoas). Já o número de ocupados ficou estável em 21 milhões de pessoas, com acréscimo de 9 mil postos, considerados, porém, insignificantes no universo de desempregados.

“Esse contingente [de 9 mil], em termos relativos é zero por cento. É muito inferior ao aumento [do desemprego]. O contingente de desocupados está maior que o do mês passado em 141 mil, ou seja, enquanto a desocupação aumento em 7,3%, a ocupação não avança em nada. A conseqüência disso é uma taxa de [desocupação] de 9%”, reforçou Azeredo.

Espanhoes vendem orgão para sair da crise

A crise econômica que afeta a Espanha levou dezenas de pessoas a colocar à venda seus órgãos na internet, segundo a associação de consumidores Facua, que denunciou nesta terça-feira esta prática proibida em um comunicado.
A organização também alerta as autoridades para os sites que realizam esse tipo de comércio. Entre os candidados a vender seus órgãos, não estão apenas espanhóis, mas como muitos latino-americanos.

 

"São ofertas de venda de rins, pulmões e medula óssea realizadas por pessoas que dizem estar atravesando graves problemas financeiras e pedem quantias que oscilam entre 15.000 e um milhão de euros", acrescenta o comunicado.
A economia espanhola entrou em recessão no final de 2008 e o desemprego registrou um forte aumento, chegando a 15,5% da população ativa, segundo a Eurostat, ou seja, a taxa mais elevada da zona euro.

Se a Onda pega no Brasil. Espanhóis demitidos se vingam denunciando pirataria nas empresas

 

eco_pirataria_01

A crise econômica criou na Espanha uma nova forma de vingança por parte dos empregados demitidos: eles passaram a denunciar seus ex-empregadores, no caso destes usarem software pirata no ambiente corporativo.

Segundo a associação Business Software Alliance (BSA), as denúncias de pirataria relacionadas à informática subiram 27% em fevereiro de 2009, se comparado ao mesmo mês de 2008.

O elevado crescimento se deve, possivelmente, à onda de demissões. “Com o aumento do desemprego, os ex-funcionários passaram a denunciar suas antigas empresas”, afirmou Julián Swan, diretor de marketing da BSA para Europa, Oriente Médio e África.
Segundo a BSA, associação com sede nos Estados Unidos que luta contra a pirataria de software, diversas empresas instalam produtos sem licença em seus computadores para economizar. Na Espanha, o uso de programas piratas pode render até cinco anos de prisão e multas de 200 mil euros.

Manchetes dos principais jornais nesta terça

Jornais nacionais

Folha de S.Paulo
Governo reduz tributo de carro, moto e construção

Agora S.Paulo
INSS dá novo benefício para os autônomos

O Estado de S.Paulo
Imposto do cigarro compensa parte do pacote de isenções

Jornal do Brasil
Para fugir do desemprego

O Globo
Orçamento sofre corte maior e IPI da construção é reduzido

Gazeta Mercantil
Governo deixará de arrecadar R$ 3,07 bi com renúncia fiscal

Valor Econômico
Quatro grupos avaliam a compra do Ponto Frio

Correio Braziliense
Lula manda conta da crise para fumantes

Estado de Minas
Fim de auxílio para moradia divide o TCE

Diário do Nordeste
Governo reduz imposto para a construção civil

Extra
Governo derruba imposto e preço de cimento e tinta vai despencar

Correio do Povo
Benefícios para construção, carros e motos. E “castigo” para fumantes

Zero Hora
Rede estadual perderá mais 10% dos professores em corrida à aposentadoria

Protagonismo Juvenil: para além de palavras

Segue mais uma contribuição rcebida n meu imail e boa leitura

Luã Gabriel dos Santos

Faz algum tempo que o tema juventude vem ganhando bastante destaque nas discussões da sociedade civil organizada e do Estado. Isto se deve, a priori, pelo expressivo contingente ocupado por esta parcela da população, onde só no Brasil representa 27% (mais de 50 milhões de pessoas)[3], e também pelas vulnerabilidades que crescem a cada dia e que esses jovens enfrentam cotidianamente, como o aumento nas taxas de desemprego, da violência, das drogas, da marginalidade, dentre outras calamidades sociais.

Mas a juventude não deve ser identificada, nem classificada apenas como problema social. Para desmistificarmos este fenômeno, muitas vezes comum, é necessário inicialmente compreendermos o que de fato representa juventude.

Num primeiro momento, é importante deixarmos claro o quanto é complicado conceituar em termos etários a juventude. Sabe-se que juventude é o processo de transição da infância para a fase adulta, ou seja, do momento em que advêm as alterações fisiológicas até a maturidade social[4], onde ocorrem inúmeras mudanças psíquicas, físicas, bioquímicas, intelectuais e sociais. Porém, é importante destacarmos que neste período de constantes modificações nem todos os jovens percorrem o mesmo caminho[5].

São vários os autores que afirmam não haver uma única juventude, mas juventudes[6], no plural mesmo. Isto significa dizer que juventude representa, antes de qualquer coisa, uma enorme diversidade heterogênea, definida e caracterizada de acordo com as diferentes situações, vivências e referências presentes no contexto em que vive cada jovem.

A partir desta multiplicidade que representa a juventude, não podemos deixar de considerar a importância histórica deste segmento para a efetivação de mudanças políticas e sociais em todo o mundo.

É justamente este papel transformador e pró-ativo na busca por soluções aos diversos problemas que damos o nome de protagonismo juvenil[7]. O jovem protagonista é aquele que ocupa lugar de destaque em uma ação ou iniciativa de sua comunidade. Ou seja, o jovem como agente responsável por uma ou pelo conjunto de ações locais.

Dessa forma, podemos traduzir o vocábulo protagonismo juvenil, também, em outras palavras como autonomia, participação e cooperação. Logo, faz-se inevitável o reconhecimento da participação da juventude como elo transformador e essencial para a promoção do desenvolvimento local.

Este desenvolvimento ao qual falamos, não pode ser entendido somente como fator econômico, mas acima de tudo como uma nova proposta de desenvolvimento, mais responsável, humano, social e sustentável[8]. Neste sentido, para que de fato seja possível a construção desse novo desenvolvimento, a participação de atores sociais estratégicos, como a juventude, é de extrema importância.

Assim, para construir uma nova sociedade, mais justa e solidária, nada melhor do que considerar a juventude, sua autonomia e criatividade, como chave para a construção deste desenvolvimento local. Para isto dar certo, não basta o jovem participar apenas como uma imagem simbólica, decorativa ou manipulada. O jovem deve participar como protagonista no desenrolar desta história, do início ao fim.