The Economist critica privatizações de FHC e elogia governo Lula

Matéria da revista inglesa The Economist, Ed. Mar 5th 2009 [ http://www.economist.com/displayStory.cfm?story_id=13243343 ] , reconhece o equívoco de um dos principais pilares do governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB): a venda indiscriminada de empresas e bancos estatais. No texto, a publicação afirma que até há pouco tempo no Brasil, acreditava-se que um dos fatores prejudiciais à economia brasileira seria a influência estatal no setor financeiro. Segundo a revista, entretanto, esse controle estatal é o que dá hoje ao País uma situação favorável perante os demais países e, diante da crise mundial, confere uma “situação favorável incomum ao Brasil”.

A matéria se refere à manutenção da gestão estatal, por parte do governo Luiz Inácio Lula da Silva, do Banco do Brasil, da Caixa Econômica e do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), instituições financeiras líderes de empréstimos para empresas e que FHC tentou, sem sucesso, privatizar.

“Outros países estão tentando descobrir como alavancar bancos e direcionar o crédito para as necessidades identificadas. Isso é algo que o Brasil faz, inclusive quando não era ‘moda’. Nos bancos privados, as exigências de depósitos e garantias para financiamentos os impediram de correr os riscos financeiros que acabaram por derrubar bancos na Europa e nos Estados Unidos. Até agora, o crédito do Brasil foi ‘mordiscado’, mas não ‘triturado’”, destacou o texto.

A matéria também sustenta que, na comparação com seu passado recente e na comparação com outros países, a economia do Brasil está em boa forma. “O FMI prevê que somente os países em desenvolvimento na Ásia, África e Oriente Médio terão melhores resultados em 2009. Em comparação com o contexto anterior, no qual o Brasil sofria uma parada cardíaca a cada estresse de outras economias, isso é impressionante”, diz o texto.

O texto aponta ainda que as razões para a melhoria do crescimento do País estão fortemente atreladas à melhoria do nível da dívida do setor público, que foi um ponto fraco e agora se mantém abaixo dos 40% do PIB, e a outros fatores. “Os empréstimos em moeda estrangeira foram trocados principalmente por títulos em reais. Além disso, o País acumulou US$ 200 bilhões em reservas internacionais para defender o real; seu déficit em conta corrente é pequeno e, o mais importante, a crise não está aumentando a inflação. Isso permite que o Banco Central reduza a taxa básica de juros da economia, permitindo um custo mais barato para a dívida pública. É a primeira vez que o Brasil adota uma política monetária anticíclica”, afirma o texto.

Ao analisar a matéria, o deputado Fernando Ferro (PT-PE) afirmou que o Brasil tem fôlego para enfrentar a crise mundial por conta da resistência contra a onda de privatização que aconteceu na América Latina. “Conseguimos, no Brasil, sustentar como oposição, e com ajuda da reação da sociedade, esse processo de liquidação do patrimônio público. Agora se descobriu, no auge da crise, que é preciso a presença do Estado e estão todos tentando estatizar bancos falidos. Ou seja, transferir recursos públicos para a iniciativa privada”, afirmou.

Segundo ele, a privatização de empresas de energia e de telecomunicações no governo FHC teve consequências desastrosas. “Hoje nos deparamos com as maiores tarifas de energia elétrica do mundo e temos problemas com altas tarifas da comunicação por celular. Foram justamente as duas áreas privatizadas pelo governo anterior. O governo Lula conseguiu evitar a tragédia maior que teria sido a dilapidação da estrutura pública do Brasil”.

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Sem gastos do governo, PIB cresceria menos ainda em 2009, diz BC

O diretor de Política Econômica do Banco Central, Mário Mesquita, avaliou nesta segunda-feira (30), que, sem a contribuição dos gastos governamentais e de medidas determinadas pelo Executivo, o crescimento econômica deste ano seria menor. O BC informou hoje que a sua estimativa para o crescimento econômico de 2009 caiu de 3,2% para 1,2%. Deste modo, sem o governo, o crescimento seria menor do que 1,2% neste ano. Mesquita não soube precisar, porém, quanto a economia cresceria sem o aumento de gastos do governo. “Em momentos de recessão mundial, ou desaceleração, em geral o gasto público tem um efeito anticíclico [contrário ao movimento original, que é de queda], não só no Brasil, mas em todos os lugares. É menos sensível ao ciclo econômico do que os gastos do setor privado. A atuação do setor público, e a menor sensibilidade em relação ao ciclo, ajudam a amortizar as flutuações econômicas. Não só no caso do Brasil, mas de vários países”, disse Mesquita a jornalistas. Contribuições No relatório de inflação, divulgado hoje, o BC cita o setor de construção civil, dizendo que ele será favorecido pelas “novas linhas de financiamento imobiliário”, além de subsídios governamentais para construção de casas populares e pelos investimentos no âmbito do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). O mesmo acontece quando a autoridade monetária fala da taxa de investimentos. Neste caso, o BC cita, além do plano habitacional e do PAC, os financiamentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que teve seu orçamento reforçado em R$ 100 bilhões, além das despesas da Petrobras na exploração de petróleo e gás natural. Pelo lado da demanda, a instituição cita ainda os aumentos concedidos pelo governo ao salário mínimo, que subiu de R$ 415 para R$ 465 neste ano, além dos programas de assistência social. Por fim, a projeção de consumo do governo neste ano subiu de 2,2% para 2,4%. Projeções diferentes Segundo análise do diretor de Política Econômica do BC, Mário Mesquita, projeções econômicas não devem ser “necessariamente iguais”. “Projeção certa ou errada a gente vai ver no fim do ano quando saírem os dados do PIB”, disse ele. A previsão da autoridade monetária de crescimento econômico para 2009, que é de 1,2%, está abaixo da projeção da Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda, que é de 2% de aumento. A previsão do BC, porém, está acima da estimativa do mercado financeiro e da Confederação Nacional da Indústria (CNI), que preveem crescimento zero para 2009. O número da SPE serviu, inclusive, como base para os cortes de gastos de R$ 21,6 bilhões no orçamento deste ano. Se a previsão da autoridade monetária começar a se confirmar, isso significa que o governo pode ter de fazer novos bloqueios de despesas no orçamento deste ano.