Novo Enem: tudo o que você quer saber sobre as mudanças

 

Dúvidas, correria e muita informação desencontrada. Esse é o quadro geral em torno do novo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Desde o início deste ano, o Enem saiu de um tema sem muito interesse e relevância na mídia nacional para tornar-se assunto de destaque nos veículos de maior circulação. No entanto, ainda há algumas dúvidas a serem esclarecidas, pois apesar da rapidez de sua aprovação poucos debates sobre as mudanças ocorreram na sociedade.

Entre as definições está a data das provas nos 3 e 4 de outubro, bem como o número de questões – que subiu de 63 interdisciplinares para 200 questões objetivas.  Outra mudança é que as inscrições para o exame agora ocorrem exclusivamente pela internet (www.enem.inep.gov.br/inscricao) do dia 16/06 até o dia 17/07 para os concluintes do ensino médio, para quem já terminou a formação em outros anos o prazo se estende até o dia 19/07. São isentos da taxa de inscrição de  R$ 35,00 os concluintes do ensino médio matriculados na rede pública  de ensino. 

Uma das maiores angústias para quem vai fazer a prova nesse ano é saber efetivamente o que encontrará no papel: como serão as questões, que tipo de resposta exigirá e como será o novo sistema de pontuação. O novo exame será composto por testes em quatro áreas de conhecimento: linguagens, códigos e suas tecnologias (incluindo redação); ciências humanas e suas tecnologias; ciências da natureza e suas tecnologias e matemáticas e suas tecnologias. Segundo Reynaldo Fernandes, presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), órgão do Ministério da Educação (MEC) que elabora o Enem “Questões com maior grau de dificuldade vão representar também maior pontuação”.

O novo Enem é estruturado levando em conta os conteúdos ministrados no ensino médio, por isso o estudante não deve esperar uma prova diferente no conteúdo abordado, e sim na forma. Especialistas aconselham o estudante a não encarar a prova só como teste de conhecimento, mas como uma oportunidade que pode ser útil para o acesso ao ensino superior. A habilidade de interpretar e resolver problemas será bastante valorizada no novo modelo.

Metodologia – A nova prova do Enem será estruturada na metodologia da Teoria da Resposta ao Item (TRI), que garante a comparabilidade das notas entre diferentes edições a partir da calibração do grau de dificuldade das questões. Dessa forma, diferentemente dos anos anteriores, as questões da prova do Enem serão distribuídas em graus diferenciados de complexidade. Isso significa que, no cálculo final da nota em cada área, as questões mais difíceis valem mais que as questões menos complexas. A redação deve ser proposta a partir de um tema de ordem social, científica, cultural ou política e o estudante deve estruturá-la em  texto  dissertativo-argumentativo. Fatores como coesão textual, criatividade, domínio do tema e culto a língua formal são utilizadas para a avaliação do texto. A TRI não determina só os acertos, mas as chamadas competências de quem faz a prova.

As questões terão relação com o cotidiano. O enunciado não pedirá mais a resolução de uma equação matemática, mas ela pode ser importante para a solução de um problema em um contexto específico. A idéia é que temas  como segurança pública, violência, gravidez na adolescência, cidadania e mudanças climáticas também sejam abordos na prova. O conteúdo, que vai ser cobrado no exame  está no site do MEC (www.educacao.gov.br). 

Objetivo – O principal objetivo das  mudanças no formato do Enem é a reestruturação curricular do ensino médio que vinha sendo pautado unicamente pelos  processos seletivos das universidades e faculdades. Os vestibulares costumam cobrar muito conteúdo e pouca análise o que leva o estudante a apenas decorar o que deve ser compreendido. Pretende-se que o Enem a curto e médio prazo seja capaz de conduzir os rumos da educação pré-universitária por um caminho mais reflexivo e mais voltado para a solução de problemas.

O ensino médio é uma etapa que está compreendida entre o ensino fundamental e o superior, e durante muito tempo foi responsável por oferecer uma educação técnica e profissionalizante ao estudante, mas com o tempo perdeu essa funcionalidade e foi engolido pelas questões do vestibular. A reformulação do Enem é uma das iniciativas do MEC de dotar sentido a essa etapa de ensino, outra ação que já está em tramitação no congresso é tornar o ensino médio obrigatório no Brasil.  

Porta de acesso- De acordo com a nova proposta do Enem já aprovada pelo Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed) e por reitores de universidades federais o exame vai ser uma das portas de entrada para o ensino superior. O ministério apresentou quatro opções de adesão às instituições. Elas poderão utilizar o Enem como prova única; como primeira fase, ficando a segunda a cargo da instituição; combinando a nota do Enem à do vestibular tradicional ou para seleção de estudantes para vagas remanescentes. O candidato a uma vaga no ensino superior poderá concorrer a cinco cursos ou instituições, mas apenas naquelas universidades que adotarem o Enem como única forma de ingresso. A adesão das universidades ao sistema único de seleção é facultativa e até agora conta 40 instituições que substituirão total ou parcialmente   seus processos seletivos. 

Já a partir de agora a  média de desempenho obtida pelo estudante no Enem será importante para o acesso a uma vaga nas instituições de ensino superior que adotarem o exame como ferramenta de seleção, de maneira integral ou parcial. Além disso, sua nota continua como  critério de seleção de bolsas de estudo no Programa Universidade para Todos (ProUni).  Outra mudança que ainda está em fase de análise pelo MEC é universalização do exame, que passaria a ser obrigatório a todos os concluintes da rede pública como uma certificação da etapa. Ou seja, para obter o diploma do ensino médio, o aluno precisará participar da prova e alcançar uma nota mínima, que será determinada por cada secretaria de estado. A mudança pode começar já em 2010.

As reformulações em torno do Enem o tornam um exame cada vez mais importante, tanto para os estudantes, quanto para o país e suas instituições de ensino. Os resultados do Enem 2009 serão divulgados a  partir da segunda quinzena de janeiro de 2010, os participantes receberão o Boletim Individual de Resultado. As médias serão enviadas via Correios no endereço indicado na ficha de inscrição.

Mais informações podem ser obtidas também pelo 0800-616161

Fontes: MEC e Folha de São Paulo

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PGR dá parecer contrário à ação do Democratas que questiona cotas raciais da UnB

Em parecer encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF), a Procuradoria-Geral da República (PGR) manifestou-se pela rejeição da ação ajuizada pelo partido Democratas (DEM) que questiona o sistema de cotas raciais instituído pela Universidade de Brasília (UnB).

Segundo o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, a própria Constituição Federal consagrou expressamente as políticas de ação afirmativa “em favor de segmentos sociais em situação de maior vulnerabilidade”. Gurgel ressaltou ainda que o racismo continua marcante nas relações sociais brasileiras. A exclusão do negro na sociedade justificaria as medidas que o favorecem.

“Tratar as pessoas como iguais pressupõe muitas vezes favorecer, através de políticas públicas àquelas em situação de maior vulnerabilidade social”, afirmou Gurgel. “Esse argumento não tem em vista o passado, como o da justiça compensatória, mas sim a construção de um futuro mais equitativo”, acrescentou.

No parecer, Gurgel citou que 35 instituições públicas de ensino superior no Brasil adotam políticas de ação afirmativa para negros, sendo que 32 delas prevêem mecanismo de cotas e outras três adotam sistema de pontuação adicional para negros. Tais políticas no ensino superior, para o procurador, “quebram estereótipos negativos que definem a pessoa negra como predestinada a exercer papéis subalternos na sociedade”.

O procurador-geral ainda ressaltou que a eventual concessão do pedido do DEM pelo STF “atingiria um amplo universo de estudantes negros, em sua maioria carentes, privando-os do acesso à universidade”, além de gerar graves efeitos sobre as políticas de ação afirmativa promovidas por outras universidades.

Na ação ajuizada no último dia 21, os advogados do DEM alegaram que o sistema de cotas raciais da UnB viola diversos preceitos fundamentais fixados pela Constituição de 1988, como a dignidade da pessoa humana, o preconceito de cor e a discriminação, supostamente afetando o próprio combate ao racismo.

Fortalecer a UNE, a juventude e o povo. Manivesto da JPT ao 51º Congresso da UNE

A HORA É AGORA!

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O 51º Congresso da UNE tem a tarefa de preparar a UNE e o movimento estudantil (ME) para a luta por uma universidade popular e democrática, o enfretamento à crise mundial do capitalismo e a disputa política e ideológica das eleições 2010.

Vivemos um momento decisivo para impedir qualquer possibilidade de retorno desastroso dos Demo-Tucanos, representantes dos setores conservadores e monopolistas responsáveis pelo sucateamento da universidade pública brasileira e por abrir as portas para exploração da educação no mercado. É preciso lutar por um terceiro mandato para o PT e o campo democrático popular buscando aprofundar as transformações em curso rumo à superação do neoliberalismo e do capitalismo para construir uma sociedade socialista.
Se há dez anos atrás, durante o Governo FHC, fazíamos um movimento de resistência, hoje o Governo Lula proporciona um cenário de possibilidades à Universidade Brasileira. Nos quatro primeiros anos do Governo Lula, a população universitária brasileira saltou de 3,5 para 4,5 milhões, um aumento de 28%. O ProUni, o Reuni, as cotas raciais e para estudantes oriundos de escolas públicas, o PDE, o plano nacional de assistência estudantil e a Conferencia Nacional de Educação, mostram uma nova perspectiva de acesso a educação.
Portanto, além da expansão, interiorização e aumento dos recursos para as universidades federais, é preciso reforçar a contenção do avanço do setor privado, que precisa ser fortemente regulado pelo Estado, fortalecendo as iniciativas que, no Congresso Nacional e no Conselho Nacional de Educação, seguem neste sentido.
Apesar de importantes avanços no ensino superior podemos dizer que muito ainda precisa ser transformado. Precisamos entender a educação de forma sistêmica. Por isso a Conferência Nacional de Educação será um espaço importante para pautarmos a necessidade de um sistema nacional de educação articulado e voltado aos interesses populares.
Neste sentido, ainda que existam mudanças que podem alterar o perfil e as oportunidades de formação de jovens, precisamos enfrentar a hegemonia do setor privado e da concepção mercantil de educação, voltada à formação de mão de obra e à produção de conhecimento orientada às demandas de mercado.
Em um cenário em que o neoliberalismo é duramente questionado e encontra-se enfraquecido, é fundamental concentrar esforços para desfazer o movimento que protagonizou ao longo da década de 1990 no Brasil. Ou seja, o atual período exige transferir os setores que passaram a ser alvo da exploração visando a acumulação de capital para espaços públicos que não obedeçam à lógica do mercado, sob a orientação e gestão do Estado.
Para isso precisaremos de uma UNE e um movimento estudantil fortes e mobilizados. Porém, embora ainda seja o movimento juvenil mais organizado do país o ME está longe de ser a única expressão organizada da diversidade da juventude brasileira. Os anseios e aspirações dos próprios estudantes extrapolam cada vez mais o meio universitário e a pauta educacional.
Temas como emprego e trabalho ganham mais centralidade em um ambiente de altos índices de precarização e difícil entrada no mundo de trabalho. A parcela da população jovem que trabalha ao mesmo tempo em que estuda seria muito superior aos atuais 17,7% dos jovens com 15 a 24, não fosse o alto índice de evasão escolar devido à necessidade dos jovens de trabalhar para contribuir com a renda familiar.
Ademais, a tese equivocada de que o alto índice de desemprego entre os jovens é decorrente da falta de qualificação e não da baixa oferta de postos de trabalho formal tem como conseqüência o aumento da corrida por diplomas e a procura dos bancos acadêmicos em busca de profissionalização – expectativa que geralmente é frustrada, uma vez que a graduação não é sinônimo lugar cativo no mercado de trabalho, muito menos de estabilidade financeira, realização profissional ou ascensão social.
Somado à centralidade do trabalho no imaginário e na realidade dos jovens estudantes, é preciso notar que a composição da base social do movimento estudantil tem sofrido alterações. Fatores como (a) a reserva de vagas para estudantes negros, oriundos das escolas públicas e de baixa renda, (b) o Programa Universidade para Todos (ProUni), (c) a expansão dos setores público e privado em municípios e regiões distantes dos centros urbanos, (d) o surgimento de nichos de mercado educacional voltados à população de baixa renda e (f) o aumento da oferta de cursos noturnos transformaram a cara do estudante universitário, tornando-o mais popular e menos elitista e, portanto, mais impactado por fatores objetivos do lado de fora dos muros universitários.
Contribuindo para que UNE cumpra seu papel histórico de acordo com a realidade atual da juventude brasileira e para o aprofundamento das mudanças que acontecem em nosso país, o Partido dos Trabalhadores acredita ser necessário um salto organizativo e mudanças profundas no conjunto movimento estudantil e na UNE, em especial, tornando-a uma entidade cada vez mais democrática, transparente, combativa e de lutas.
O PT no movimento estudantil se orienta pela construção de uma universidade popular e democrática, pela defesa da UNE como entidade máxima de representação dos estudantes, motivo pelo qual reprovamos o divisionismo e defendemos sua revitalização, pela democratização e aproximação da UNE das salas de aulas, pelo fortalecimento das entidades e da rede do movimento estudantil, pela articulação dos movimentos sociais com as entidades e organizações estudantis, pelo aprofundamento das transformações em curso e pelo combate à crise internacional apresentando uma alternativa de esquerda visando superar o neoliberalismo e o capitalismo.
Sabemos que se aproxima um momento decisivo para os rumos do país que exige forte pressão pelas reivindicações históricas e atuais da classe trabalhadora e do povo brasileiro. Cumprir com esta tarefa exige atuação coesa do campo democrático e popular, o fortalecimento e a combatividade dos movimentos sociais e o enraizamento do petismo em amplas parcelas da população, sobretudo entre os jovens.
Portanto, o PT e sua juventude irão incidir com intensidade na pauta política que orientará a ação dos estudantes no próximo período, visando sair deste fórum mais fortalecidos e coesos do que nunca. Convocamos os estudantes petistas, delegados e observadores ao 51º CONUNE, a construírem uma intervenção qualificada e com unidade programática, fortalecendo a UNE, o movimento estudantil e o Partido dos Trabalhadores!

RAPIDINHA – EDUCAÇÃO

9. Só 2,7% são favoráveis às cotas, diz pesquisa do Senado
Uma enquete no site do Senado, que até ontem registrava mais de 357 mil votos, mostrava que apenas 2,7% dos participantes são favoráveis às cotas raciais em universidades públicas. De acordo com a pesquisa (que não tem valor científico, diga-se), 45% são contra a reserva de vagas, e a maioria (52%) defende as cotas sociais, em que o ingresso no ensino superior é condicionado à situação sócio-econômica dos candidatos. O Globo lembra que, provavelmente nesta semana, o Senado vota o projeto de lei que prevê 50% das vagas nas universidades federais para alunos egressos de escolas públicas, com uma subcota racial para autodeclarados negros, pardos e indígenas. A relatora da proposta, senadora Serys Slhessarenko (PT-MT), que é favorável às cotas, desqualificou o levantamento feito no site da Casa.