Por uma nova ordem financeira internacional

Pronunciamento do secretário de Relações Internacionais da Central Única dos Trabalhadores (CUT), João Felício, realizado durante a 98ª Conferência Internacional do Trabalho, em Genebra, Suíça.

Por uma nova ordem financeira internacional

Os trabalhadores não estão dispostos a pagar pela crise. A solução está na criação de empregos e na geração de renda. O Estado em nosso país desempenha um papel fundamental na organização da economia e na construção de políticas de distribuição de renda e valorização do trabalho.

Atualmente, a economia capitalista atravessa uma de suas mais graves crises desde 1929. Se trata de uma crise estrutural do sistema, que explora os trabalhadores e as trabalhadoras, concentra renda e condena milhões de pessoas à fome e à miséria.

Este sistema, desde as últimas décadas do século 20, tem se inspirado nas políticas de liberalização financeira e comercial. São as políticas de desregulação ou autorregulação do mercado que estão na origem, as responsáveis pela crise financeira que nos afeta atualmente.

O resultado desta liberdade sem controle é um processo de crescimento sem limites do setor financeiro, que abre um grande fosso entre a riqueza virtual produzida pelos papéis e a riqueza real obtida graças à produção e ao trabalho.

Frente ao número de instituições e empresas afetadas pela crise, frente à quantidade de valores que estão em jogo e aos riscos de propagação rápida dos efeitos da crise no investimento, na produção e no emprego, os governos dos países desenvolvidos e em desenvolvimento têm adotado e aplicado um conjunto de medidas e mecanismos de auxílio às instituições prejudicadas.

Se injetou liquidez na economia, foram modificadas as taxas de juros e os tipos de câmbio. Porém estas medidas não vieram acompanhadas por contrapartidas claras e, desta maneira, isso se converteu numa simples transferência de dinheiro público para as mãos dos especuladores.

O governo do Brasil, por sua parte, tem adotado medidas para salvaguardar o funcionamento do sistema de crédito no país e para preservar a economia real da crise. Em particular, tem injetado reservas dos bancos e dado sua autorização para que os bancos públicos possam absorver as instituições financeiras e não-financeiras em dificuldades.

A Central Única dos Trabalhadores insiste que medidas como esta devem vir acompanhadas de contrapartidas para o Estado e os trabalhadores. Nossa organização sindical considera que a intervenção do Estado não pode significar uma socialização das perdas do setor financeiro, que prejudicaria o conjunto da sociedade, como se observou durante período recente com a crescente privatização dos lucros, que se traduziu em enormes benefícios anuais para os bancos, o que representou, no Brasil, dezenas de bilhões de dólares.

Nossa central sindical reafirma que todas as ameaças de perdas de emprego devem ser combatidas com a mobilização dos trabalhadores. A luta pelo emprego é fundamental para fazer frente à crise. Vamos continuar exercendo pressões sobre o governo para que se estabeleçam políticas destinadas à preservação dos postos de trabalho e dos salários dos trabalhadores. Para isso, se podem aplicar as Convenções 151 (direito à negociação coletiva no setor público), 158 (impedimento à demissão imotivada) e 102 (fixação de normas mínima de Seguridade Social) da Organização Internacional do Trabalho, que são fruto do diálogo social.

Temos conseguido um aumento real de salário mínimo para a grande maioria das categorias profissionais do Brasil. É o resultado do regime democrático que existe atualmente no país e das boas relações entre os interlocutores sociais e o governo. Para progredir nesta esfera, propomos a defesa do emprego e a valorização do trabalho. Para os próximos meses, estamos preparando propostas históricas com iniciativas compatíveis com o Programa de Trabalho Decente da OIT e da CSI (Confederação Sindical Internacional).

A CUT estabeleceu uma plataforma de ação integrada que procura aplicar programas de acordo com o Programa de Trabalho Decente. Também tratamos de estabelecer um programa nacional que recolha os temas que sempre defendemos e, em particular, que trate da valorização do trabalho, que segue sendo o eixo principal da nossa estratégia.

Além disso, defendemos o fortalecimento do papel do Estado em matéria de regulação e desempenho, sua luta contra o trabalho infantil e o trabalho precário e também contra as relações fraudulentas na esfera do emprego. Nossa central reivindica que se reforce o controle e a supervisão e exige que se ponham fim às fragilidades estruturais existentes.

No plano internacional, a CUT apóia e participa dos debates da CSI e da CSA (Confederação Sindical dos Trabalhadores das Américas) para criar uma nova ordem com um maior controle das operações das instituições financeiras e dos fluxos de capitais entre os países, a fim de minimizar as repercussões da crise financeira e econômica internacional nas economias nacionais.

Os trabalhadores e as trabalhadoras do mundo inteiro não querem pagar o custo da crise financeira do sistema neoliberal, que tanto dano fez a todos os países.

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Protestos e iniciativas beneficentes marcam início de convenção

Do lado de fora, fortes protestos contra a guerra do Iraque e enfrentamentos entre ativistas e policiais. Dentro, um evento beneficente protagonizado pela atual primeira-dama dos Estados Unidos, Laura Bush, e por aquela que espera se tornar a próxima, Cindy McCain.

Assim foi o primeiro dia da Convenção Nacional Republicana, que teve início nesta segunda-feira na cidade de Saint Paul, no Estado de Minnesota.

Por conta do furacão Gustav, que atingiu o Golfo do México nesta segunda-feira, os republicanos decidiram mudar o tom de sua convenção, que assumiu um ar solene e contou com uma cerimônia curta, de pouco mais de duas horas.

Enquanto seu marido visitava a região do Texas que está abrigando aqueles que tiveram de ser retirados das áreas afetadas pelo furacão, Laura Bush discursava na convenção: ”Nossa primeira prioridade é garantir a segurança e o bem estar dos moradores da região do Golfo.”

Há três anos, o presidente Bush enfrentou severas críticas pela forma como lidou com o Katrina, um furacão que atingiu a mesma região assolada pelo Gustav.

Laura Bush comentou que os governadores dos principais Estados atingidos pelo furacão, Texas, Mississippi, Alabama e Flórida ”são, por acaso, republicanos, mas cancelaram suas participações previstas para a convenção em Saint Paul”.

Cindy McCain aproveitou para lembrar os supostos ideais nobres de seu marido, o virutal candidato republicano John McCain. Segundo Cindy, ele ”tem dito nos últimos dias que é hora de tirarmos os nossos chapéus republicanos e colocarmos os nossos chapéus americanos”.

Ela pediu que americanos fizessem doações em um website criado pela campanha de McCain.

Protestos

Paralelamente à convenção, pelo menos 10 mil pessoas protestavam do lado de fora contra a guerra do Iraque.

Policiais usaram bombas de gás lacrimogêneo e spray de pimenta contra alguns manifestantes. A reportagem da BBC Brasil viu pelo menos dez ativistas serem presos.

Alguns manifestantes mais radicais quebraram vidraças de lojas e de viaturas policiais durante a manifestação.

Outro incidente que por pouco não desviou as atenções da convenção foi o anúncio de que a filha adolescente da candidata a vice-presidente na chapa de McCain, Sarah Palin, está grávida.

O anúnico poderia, em tese, afetar a campanha do republicano, visto que Palin, da ala mais à direita do partido, é contra o sexo antes do casamento e radicalmente contra o aborto. Mas os representantes do partido pareceram encarar o fato como natural.

Indefinição

A indefinição em relação à programação do evento deve prevalecer por mais uma dia.

Até o final do primeiro dia da convenção, muitos delegados ainda não sabiam a programação do evento para a terça-feira.

Mas eles diziam que a agenda definitiva do encontro só deve ser definida quando se tiver um retrato detalhado dos estragos causados pelo Gustav.