Eventos marcam início do Ano da Juventude

Tem início no próximo dia 12 de agosto o Ano Internacional da Juventude. Para celebrar a data, a Secretaria Nacional de Juventude e o Conselho Nacional de Juventude (Conjuve) realizarão uma série de eventos ao longo desta semana. Confira a programação:

Segunda e Terça

Hoje (9) e amanhã (10) está acontecendo a Reunião Regional de Trabalho da Região Norte. Concentrados na cidade de Belém (PA), gestores e conselheiros municipais e estaduais vão discutir o fortalecimento dos conselhos, a ampliação das relações locais e o mapeamento dos desafios a serem enfrentados e as conquistas obtidas em níveis regionais.

Também nos dias 9 e 10, em Brasília (DF), acontece o 1º Simpósio Internacional de Saúde de Adolescentes e Jovens. O encontro é promovido pelo Ministério da Saúde em parceria com a Secretaria Nacional de Juventude e a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS). O objetivo desse simpósio é ampliar a discussão sobre os temas apontados no Plano de Ação para a Saúde do Adolescente e do Jovem, aprovado em reunião da OPAS. O Plano foi construído com base nas “Metas do Milênio” e servirá de guia para a criação de planos nacionais de saúde para adolescentes e jovens pelos próximos oito anos.

Quarta

Na quarta-feira (11), as comissões de Comunicação e de Articulação e Diálogo do Conjuve se reunirão na capital federal para reuniões de trabalho. Terá início também a 1ª Mostra de Produções do ProJovem Urbano que vai expor trabalhos dos alunos e pretende promover integração e troca de experiências entre os estudantes do curso em todo o país.A abertura acontecerá no Pavilhão do Parque da Cidade às 9h.

O ProJovem Urbano é um programa do governo federal destinado a promover a inclusão social dos jovens brasileiros de 18 a 29 anos que não concluíram o ensino fundamental. A meta é fazer com que eles votem a estudar e consigam entrar no mercado de trabalho. Para tanto, além da educação básica, são oferecidos cursos profissionalizantes e oportunidades de emprego junto às suas comunidades.

Quinta – Dia Internacional da Juventude

No Dia Internacional da Juventude, dia 12, o Conjuve irá reunir-se pela manhã com o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. Na parte da tarde, os conselheiros participarão da 1ª Mostra de Produções do ProJovem Urbano.

Durante a exposição, haverá uma cerimônia de premiação de instituições que contribuíram para a construção do Programa. O Conjuve foi um dos agraciados com o prêmio. O presidente do conselho, Danilo Moreira, participará do ato que acontecerá às 17h, no Pavilhão de Exposições do Parque da Cidade, em Brasília (DF).

SAIBA MAIS

Dia Internacional da Juventude
A data – 12 de agosto – foi instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU) para voltar a atenção do mundo aos problemas da juventude. Por isso, anualmente a organização elege temas, especialmente ligados à saúde e educação, para pautar o trabalho dos agentes envolvidos na promoção dos direitos dos jovens.

No ano passado, a ONU definiu que 2010 seria o Ano Internacional da Juventude. Porém, oficialmente, o ano só começa após as comemorações do Dia Internacional da Juventude. A Assembleia Geral da ONU pediu o apoio internacional de governos, sociedade civil, indivíduos e comunidades ao redor do mundo para dar visibilidade ao tema para toda população mundial. Vários eventos internacionais vão acontecer em agosto: o 5º Congresso Mundial da Juventude, em Istambul, Turquia; uma conferência global no México; além dos Jogos Olímpicos da Juventude, realizados em Cingapura.

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PARTE 3. JUVENTUDE E A NOÇÃO DE PROTAGONISMO NAS POLÍTICAS PÚBLICAS BRASILEIRAS

Considerações finais

Observando a realidade de jovens habitantes das periferias urbanas, envolvidos em situações de exclusão, constata – se a dificuldade destes sentirem-se ou reconhecerem-se como protagonistas, como sujeitos capazes de intervir em seu mundo. Cidadania – e seus termos correlatos – no mais das vezes, é entendida como algo abstrato, inalcançável.

Esta é uma questão que remete às condições de vida da juventude inserida em classes populares especialmente quando pensamos em termos de auto-estima. No entanto, parece que segmentos desta juventude conseguem a exercer o propagado protagonismo quando passam a participar de grupos de diferentes naturezas: organizações de caráter cultural, artístico, partidário, religioso, esportivo, etc. Têm – se assim, que, esta noção de protagonismo pode implicar níveis diferenciados de participação, dando-se a partir de um grupo local, por exemplo, até a participação efetiva na esfera das políticas públicas, via Conselhos representativos.

Nesse sentido, cabe destacar que na cena política brasileira recente, observa-se a implantação de políticas que seguem modelos mais próximos do que se entende por democracia, isto é, aquelas nas quais está “prevista e facilitada à participação mais ampla possível dos interessados”, Bobbio (1986). Cito como exemplo a criação dos Conselhos de Juventude em nível nacional, estadual e municipal, datados a partir de 2000, que constitui um campo interessante de análise quando se propõe compreender estas novas formas de negociação entre Estado e sociedade civil.

Estas são, portanto, algumas questões que permitem pensar o universo social da juventude no Brasil. Um segmento que vivencia, cotidianamente, desafios de escolarização, de inserção no mercado de trabalho, do agravamento de violências. Neste sentido, políticas públicas são formuladas, propugnando novas representações sociais e possibilidades de inserção deste segmento. As observações colocadas neste trabalho, representam esboços de análise sobre consensos acerca de determinadas expressões, como é o caso do mencionado protagonismo juvenil.

Referências bibliográficas:

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BOBBIO, Norberto. O futuro da democracia. 6 ed. Rio de Janeiro: Paz e terra, 1986.

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GROPPO, Luís Antônio. Juventude: ensaios sobre a sociologia e a história das juventudes modernas. Rio de Janeiro: DIFEL, 2000.

IBASE, PÓLIS. Diálogo nacional para uma política de juventude. Rio de Janeiro; São Paulo: 2006.

LEVI, Giovanni, SCHIMITT, Jean-Claude (org). História dos jovens. São Paulo: Companhia das letras, 1996. V.2.

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