Serra, em apuros, foge da economia e da comparação

 

Alfinetado por aliados e pela pesquisa CNT/Sensus desta segunda-feira (23), que o mostra em queda, o governador tucano José Serra moveu-se. Mesmo sem dizer se concorrerá à Presidência dentro, disparou uma bateria de entrevistas sobre política, e 2010. O problema: ele ainda não sabe o que dizer. A tese de Serra, de que "a economia não vai decidir a eleição", bate de frente com o bordão, hoje clássico, da campanha americana de 1992: "É a economia, estúpido!".

Por Bernardo Joffily

A frase do ‘estúpido’ foi cunhada para a campanha presidencial de Bil Clinton por seu estrategista, James Carville. Elegeu Clinton. Fez a celebridade de Carville. Relançou, um século mais tarde e num mundo sem União Soviética, a noção de Vladimir Lênin de que "a política é a expressão concentrada da economia". Virou um ícone da ciência política aplicada contemporânea.

José Serra, que se declara economista (embora ao que consta nunca se tenha graduado ou pósgraduado na matéria), agora afirma o contrário. "A percepção de que a economia vai bem é um dado da realidade. Mas eu não acredito que a economia vai decidir a eleição", disse nesta semana para Rádio Jovem Pan.

O candidato não anunciado explica. Para ele, "a população vai querer saber quem é mais preparado". E dá um exemplo: "Se a economia está em boas mãos seria como decidir sobre a substituição do motorista de um ônibus que está andando bem. O eleitor terá que decidir sobre quem está mais apto para continuar conduzindo o ônibus da melhor forma possível."
A tese ("economia não decide eleição"), o argumento ("a decisão será sobre quem é mais preparado") e por fim a metáfora do ônibus formam uma tentativa quase patológica de despolitização da política. Têm toda a cara de engendros de marqueteiro, fornecidos ao quase candidato a partir de alguma pesquisa qualitativa, dessasfamosas ‘qualis’ que abundam em épocas pré-eleitorais, só que realizada com eleitores de não mais de dois neurônios em funcionamento.

Em política, a questão número um é o rumo, a plataforma, o programa. Para ficar na metáfora de Serra, é saber para onde vai o ônibus. Se o itinerário estiver errado, quanto mais "apto" for o motorista, maior será o desastre.

A mesma despolitização sem rumo – ou, pior, que procura escamotear o seu rumo – leva o governador paulista a recusar a comparação entre os governos de Lula e Fernando Henrique Cardoso. O pessoal não vai ficar olhando para trás", argumentou Serra. Para ele, nesse caso, o lógico seria comparar FHC com seus antecessores (ele citou Fernando Collor e José Sarney) e não com seu sucessor.

O raciocínio deve ter sido tirado da mesma ‘quali dos sem-neurônios’. Se é assim, com quem o governo Lula deve ser comparado?
A comparação interessa justamente para evidenciar as diferenças de fundo, de rumo, sobre o percurso do ônibus. Foi isso, e não a ‘aptidão do motorista’ que levou 76% dos entrevistados pela CNT/Sensus a dizer que o governo de Lula é melhor que o de FHC, e 10% a responder o contrário.
Por isso Lula, e sua candidata a sucessora, Dilma Rousseff, perseguem sistematicamente a comparação. Querem um plebiscito no próximo 3 de outubro, entre quem prefere o governo Lula e quem prefere a administração tucana de 1995-2002.

Por motivos simétricos e opostos, Serra e a oposição fogem da comparação e do plebiscito. É um direito deles. Se vão conseguir, são outros 500. Para começar, deviam encomendar uma nova bateria de ‘qualis’, de preferência com gente que tenha mais de dois neurônios na ativa. Quem sabe encontram argumentos melhorzinhos.

Dilma já empata com Serra em pesquisa CNT

Na pesquisa induzida, governador tem 5,7% e ministra, 5,4%; na espontânea, Serra lidera, mas diferença cai

A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, subiu na pesquisa espontânea do CNT/Sensus divulgada nesta segunda-feira, 1º, e, pela primeira vez, chegou a empate técnico com o governador de São Paulo, José Serra. No primeiro turno, Serra tem 5,7% e Dilma 5,4% no primeiro turno. Na pesquisa anterior, realizada em março, Serra tinha 8,8% e Dilma, 3,6%. A ministra cresceu em todas as listas e cenários do levantamento, que ouviu 2 mil eleitores entre os dias 25 e 29 de maio.

Dilma também apresentou um melhor desempenho na pesquisa induzida da CNT/Sensus. A ministra subiu de 16,3% para 23,5% na simulação do primeiro turno, e o governador de São Paulo, José Serra, apesar de manter a liderança nas intenções de voto, caiu de 45,7% para 40,4%. A diferença entre os dois que era de 29 pontos passou para 17 pontos.

Essa lista é completada ainda pela ex-senadora Heloísa Helena, do PSOL, que ficou praticamente inalterada com 10,7%. “A tendência da ministra Dilma é normal. Parece que ela cresce na medida em que a candidatura ganha a percepção de que é definitiva”, avaliou o coordenador da pesquisa, Ricardo Guedes.

Na lista com o nome do governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), Dilma passou o tucano no 1º turno também. Em março, Aécio tinha 22% e Dilma, 19,9%. Agora, a ministra detém 27,8% e o tucano, 18,8%.

No segundo turno, Serra segue vencendo Dilma, com 49,7%, ante 28,7% da ministra petista. A diferença entre os dois é de 21 pontos porcentuais, menor do que os 32,2 pontos porcentuais que separavam Serra de Dilma em março, quando o tucano tinha 53,5% e ela 21,3%.

Em eventual 2º turno com Aécio, Dilma venceria, já que conquistaria 39,4% e o tucano ficaria com 25,9%. Na pesquisa de março, Dilma ganhava, mas com pequena vantagem, com 29,1%, ante 28,3% do governador mineiro.

Façam as suas apostas. As eleições de 2010 começam a esquentar.

A semana politica começou quente. Primeiro com as eleições no Senado Federal e na Câmara dos Deputados. Ali estavam em jogo muito mais do que o status de dirigir as duas principais casas legislativa do Brasil e que tem em mãos um orçamento de mais de 6 bilhões de reais. E sim o de interferir diretamente nos rumos políticos do Brasil, prioritariamente as ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS DE 2010.

Após sair fortalecido das eleições municipais, se consolidando como o maior partido do Brasil o PMDB aumenta o seu poderio com o poder nas duas casas. O presidente Lula conta como aliado de primeira hora o PMDB para essa empreitada, a de eleger Dilma a sua sucessora. Só que mais difícil de convencer a CÚPULA DO PMDB, o presidente Lula tem um desafio maior de todos, que é unificar todo o PMDB, principalmente por mais do que um partido nacional no PMDB o que prevalece de fato são os interesses locais, é quase que COMBINAR COM OS ZAGUEIROS DA EQUIPE ADVERSARIA EM LHE DEIXAR FAZER UM GOL. Vamos ver os próximos capítulos desta queda de braço.

Na outra ponta tempo também uma verdadeiro duelo de TITAS, entre José Serra e mineiro Aécio Neves, que disputam a indicação do PSDB para concorrer a presidência da republica. Serra saiu fortalecido do último embate eleitoral, já o seu concorrente saiu enfraquecido apesar de seu candidato ter ganho a prefeitura de BH. Os dois já anunciaram que começam a rodar o Brasil em busca de votos dos convencionais do partido e de projeção nacional. Quem vai dar mais.

Por fim o imbatível PRESIDENTE LULA, novamente bate recorde de sua popularidade no mês de janeiro com nada mais nada menos que 84% de aprovação. Entra crise, sai escândalo, aparece o mensalão e o LULA continua numa boa.

 

Um grande abraço.

O Imbativel

BRASÍLIA – Apesar da crise, a 95ª Pesquisa CNT/Sensus, divulgada nesta terça-feira, pela Confederação Nacional de Transporte (CNT), mostra que o governo Lula e a popularidade do presidente alcançaram recorde histórico.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva teve 84% de aprovação entre o eleitorado. Em dezembro de 2008, a aprovação do desempenho pessoal do presidente estava em 80,3% e a desaprovação, em 15,2%. Nas últimas treze rodadas da pesquisa, Lula vem apresentando melhora no índice de aprovação.

Em setembro de 2005, durante a crise do mensalão, Lula era aprovado por apenas 50% dos entrevistados. O governo tinha obtido melhor índice na série histórica da pesquisa, iniciada em 1998, em janeiro de 2003, quando Lula assumiu a presidência com 83,6% de avaliação positiva.

A avaliação positiva do governo Lula está em 72,5%, segundo a pesquisa. Em dezembro de 2008, este mesmo índice estava em 71,1%. Esta também é a melhor avaliação de um governo em toda a série histórica.

De acordo com o presidente da CNT, Clésio Andrade, o presidente Lula apresenta índices altos de aprovação em função de uma forte esperança do eleitorado, centrada no discurso do presidente Lula e nas medidas que o governo está tomando. “Tudo o que ele [Lula] fala, o povo acredita. Se ele fala que a crise vai passar, o povo acredita, isto justifica a sua popularidade”, destacou o presidente da CNT.

A 95ª. Pesquisa CNT/Sensus foi realizada entre os dias 26 e 30 de janeiro, em 136 municípios das cinco regiões brasileiras. Dois mil eleitores foram questionados. A margem de erro é de 3%.