O caso Cesare Battisti

Segue um artigo que recebi por email

 

O caso Cesare Battisti está praticamente resolvido. Na sua
resposta à carta do presidente italiano, nosso presidente colocou
tudo nos eixos, deixando bem claro ao insistente colega ser uma
questão pertencente à esfera da justiça brasileira e ter sido
soberana e definitiva a digna decisão tomada pelo ministro Tarso
Genro.

> Não haverá, portanto, nenhuma crise mesmo porque Lula não acredita
haver motivo para perturbar a amizade existente entre os dois
países.

> Embora muita gente goste de criticar nosso presidente, é forçoso
reconhecer seu tato e sua educação ao tratar com o governo italiano.
Manda a regra diplomática que cartas entre presidentes sejam
cercadas de sigilo. Ora, o presidente italiano, para forçar uma
resposta de Lula, divulgou sua carta para a imprensa italiana antes
de enviá-la a Lula via Itamaraty. Ou seja, nosso presidente recebeu
a carta depois de ter sido comentada pelos jornais.

> Lula não gostou, é claro, mas manteve a calma, quando qualquer um
de nós teria reagido com mau humor. Talvez seja por isso que o
jornal El País, na semana passada, fez rasgados elogios ao
presidente Lula por sua popularidade, apesar de tantos anos no poder
e em plena crise mundial.

> O caso Cesare Battisti provocou um correio fora do habitual.
Muitos leitores, baseados em conclusões apressadas de certa
imprensa, tomaram as dores dos italianos. Assim, sem disporem de
maiores informações, concluíram pela culpa e pela extradição de
Battisti com uma lógica digna de jardim de infância. E sequer lhes
passou pela cabeça o risco de se condenar um inocente a morrer na
prisão.

> Algumas constatações estranhas também ocorreram. A revista Carta
Capital, considerada por tantos como de centro-esquerda, assumiu uma
postura francamente italiana e uma reportagem publicada, em julho,
impediu muitas pessoas de serem contra a extradição de Battisti. A
chamada ala esquerda do PT só aderiu no fim do ano, por volta da
decisão do Conare favorável à extradição. Ao contrário, a revista
Época publicou uma reportagem correta e imparcial sobre Battisti,
enquanto Veja e Isto É publicaram textos objetivos.

> A mídia brasileira pouco falou de Fred Vargas, mas sem ela não
teria havido a próxima libertação de Battisti. Incansável
combatente, foi ela quem criou o primeiro comitê de defesa, na
França, e buscou o apoio de políticos, intelectuais e da imprensa
francesa para Cesare Battisti.

> A missão não foi fácil – a maioria dos líderes do Partido
Socialista, envolvidos numa séria luta interna preferiu se manter à
distância, com receio de ser negativa do ponto de vista eleitoral; o
jornal Le Monde, logo depois de alguns artigos favoráveis, deu
marcha-à-ré, como a revista Nouvel Observateur. Mas Fred pôde contar
com o apoio do cotidiano Libération, do jornal l´Humanité, do
filósofo Bernard-Henri Levy e da ex-candidata à presidência da
França, Segolène Royal.

> Embora pouco conhecida no Brasil, Fred Vargas, é escritora do
gênero policial, bastante conhecida entre os franceses. Seus livros
estão entre os dez mais vendidos na França, com mais de um milhão de
exemplares, a maioria deles premiados e transformados em roteiros de
filmes.

> Cientista, arqueóloga do prestigioso Centro Nacional de Pesquisas
Científicas, CNRS, seu nome verdadeiro é Frédérique Audouin-Rouzeau,
e foi por acaso que começou a escrever romances policiais. Foi assim
que conheceu Cesare Battisti que, nas horas vagas de zelador de um
prédio em Paris, escrevia também romances policiais, atividade que
já começara quando clandestino no México, depois de ter fugido da
Itália.

> Ser minuciosa, ela aprendeu com a Arqueologia. Assim, quando a
Itália pediu a extradição de Battisti, em 2004, Fred se interessou
pelo caso, estudou o processo, foi às fontes e concluiu serem
verdadeiras as declarações de inocência de Battisti. Fazia onze anos
que Battisti vivia modestamente em Paris e temia, já naquela época,
por sua vida, caso fosse extraditado. Além disso, Battisti
constituíra família, e já era pai de duas filhas.

> O presidente François Mitterrand tinha dado asilo a todos os
italianos, antigos extremistas dos anos 1960-1970, que tivessem
abandonado a luta armada e se integrado na sociedade. Para Battisti,
sua participação durante dois anos no movimento Proletários Armados
pelo Comunismo, era coisa passada, da qual se desligara havia tempo.
Mas sua fuga e ausência, deixando folhas em branco assinadas com o
advogado, tiveram um preço – um dos dirigentes do movimento lançou
sobre ele (ausente) a responsabilidade e a autoria de quatro crimes.
Em conseqüência, julgado à revelia, foi condenado à prisão perpétua.
Com base nessa condenação, o governo Jacques Chirac ignorou a
proteção dada por Mitterrand, e iniciou o processo de extradição.
Faltavam apenas dois meses para Battisti ter adquirido a
nacionalidade francesa, pois havia iniciado um processo de
naturalização.

> Battisti foi obrigado a fugir pouco antes de ser extraditado, e
desapareceu. Para Fred Vargas, que se tornara líder do movimento em
favor de Battisti, começou um longo período de tortura psicológica.
Sua casa foi visitada diversas vezes por agentes secretos franceses
para instalação de microfones, seus telefones e computadores foram
grampeados. Como suspeitasse de um carro sempre parado na sua rua,
Fred mudou de apartamento, mas logo reapareceu, no seu novo
endereço, o mesmo furgão de antes, provavelmente equipado para todo
tipo de escuta.

> O que antes escrevia enquanto tramas de ficção, passava a se
concretizar enquanto vida: a polícia achava que Fred sabia onde se
escondia Battisti, e fazia de tudo para encontrar uma pista. Até a
prisão de Battisti no Rio de Janeiro, foram três anos sentindo-se
todo tempo seguida e vigiada o que só agora, com o estatuto de
refugiado a Battisti, deve terminar.

> Fred esteve cinco vezes no Brasil, entre março 2007 e dezembro
2008, quando constituiu Luiz Eduardo Greenhalgh como seu advogado,
encontrando-se com políticos, juristas e procurando sensibilizar a
mídia para o caso. Se o senador Eduardo Suplicy, o deputado Fernando
Gabeira e o jurista Dalmo Dallari lhe deram apoio desde o primeiro
momento, novas adesões à causa foram muito difíceis de conseguir.

> Apoiar Battisti – e o ministro Tarso Genro experimenta hoje essa
incômoda situação -, poderia ter como conseqüência se tornar
impopular, visto as acusações feitas pela Itália, facilmente
exploradas pela mídia comercial e de direita.

> Fred Vargas se encontrou, no Brasil, com Clara Bruni, a esposa do
presidente francês, em visita oficial ao país em companhia do
marido. Fred pediu a ela para interceder junto ao marido em favor de
Battisti, do mesmo modo como fizera com Marina Petrella, a
brigadista perdoada in extremis pelo presidente francês. Com efeito,
Sarkozy transmitiu a Lula a mensagem de que a França se
desinteressava do caso Battisti, colocando-o no mesmo plano que
Marina Petrella, assegurando que o governo francês não reagiria se o
Brasil acolhesse Battisti.

> Do lado italiano, a pressão era forte. O embaixador em Brasília
pediu e obteve seis audiências com o ministro Tarso Genro, e não
baixava guarda ao perceber que a ala esquerda do PT abandonava a
indecisão e começava a a assumir uma posição firme no sentido de
garantir refúgio para Battisti.

> Um argumento era forte em favor de Battisti: a Itália não reagiu
quando a França de Sarkozy perdoou a brigadista Petrella e, por
certo, não iria agir diferente com Battisti, que pertencera a um
grupo pequeno, não envolvido em mortes de personalidades. Esperava-
se uma decisão de Tarso Genro durante as Festas do Natal e Fim de
Ano. Como nada foi anunciado, pensou-se o pior. Foi quando Fred
recebeu um e-mail de Marco Aurélio Garcia, secretario especial da
Presidência para Assuntos Internacionais, informando que o ministro
ia lhe comunicar sua decisão no dia 15 de janeiro, mas a decisão
acabou sendo tomada no dia 13 à noite.

> Quando Fred Vargas soube da boa notícia, do refúgio concedido pelo
ministro Tarso Genro a Battisti, já era madrugada em Paris

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O asilo maldito

O Ministro Tarso “Brejnev” Genro consegui mais uma vez. De maneira
unilateral, descosiderando várias comissões do próprio Ministério da
Justiça ele concedeu asilo político a mais um terrorista de esquerda.

Infelizmente sua “bondade” com Battisti, assasino de pelo menos 4
pessoas, inclusive crianças, não foi a mesma com os atletas cubanos,
extraditados de forma ilegal, mandados de volta a prisão de Cuba a
bordo de um jatinho venezuelano.

O refúgio ao assassino Battisti é mais um cena deprimente realizada
por Tarso Genro, o pior ministro da justiça da história desse país.
Sua decisão teve pelo menos uma grande honra: causou protestos tanto
entre a direita quanto a esquerda democrática da Itália. Juntou
partidos que apoiam o governo quanto partidos de oposição.

A Itália está certa em reclamar. Foi um atentado a sua democracia, a
sua justiça. Tarso com sua manobra sorrateira e macraba, consegue com
sua camarilha manchar ainda mais uma vez o nome do país.