"Carta de Serra Negra

Dia 13 de Fevereiro de 2011

Entre os dias 05 e 13 de fevereiro a União da Juventude Socialista se reuniu e debateu intensamente os desafios a serem vencidos neste ano de 2011, sob a perspectiva revolucionária de tomar as ruas para construir um novo Brasil.
O povo elegeu em 2010 a primeira presidenta do Brasil, em meio a um bombardeio de preconceitos e hipocrisias amplamente difundidos pelas elites e a direita. Derrotando as forças retrógradas, o voto em Dilma Rousseff se fez para aprofundar as mudanças iniciadas pelo governo Lula de construção de uma nação forte, democrática e com oportunidade para todos os brasileiros.

Entretanto, as primeiras medidas anunciadas pelo novo governo mostram distanciamento dos objetivos para o qual foi eleito. O discurso da austeridade fiscal não representa o sentimento e as expectativas depositadas pelo povo com o voto em Dilma. A lógica de enfrentar a inflação elevando os juros é algo que só serve aos banqueiros, que acumularam 4,8 trilhões de reais nos últimos trinta anos em nosso país com pagamento de juros. O povo brasileiro decidiu nas urnas e nas ruas por um programa que valorize o trabalho, um salário mínimo que garanta uma vida digna para os trabalhadores e suas famílias, defendido pelas centrais sindicais, e não a especulação financeira. Não há saídas isoladas para os problemas candentes da sociedade brasileira e é urgente transformações como uma reforma política que valorize os partidos políticos, a reforma tributária, a reforma dos meios de comunicação e a reforma da educação, todas elas devendo ser a tônica do debate que almejamos realizar.

No esteio de mobilização da jornada de lutas do movimento estudantil brasileiro, entraremos firmes na luta por um PNE que supere as desigualdades históricas da educação. Ainda não atinge 15% o número de jovens que têm acesso ao ensino superior e, dos que nele chegam, apenas 25% estudam em universidades públicas. À maioria, restam instituições de ensino que, em numerosos casos, não apresentam qualidade, assistência estudantil, pesquisa, extensão e até condições razoáveis de pagamento das mensalidades e demais custos acadêmicos. Cobraremos os compromissos assumidos com a juventude brasileira

Pintaremos as universidades de povo defendendo a radical ampliação de suas vagas, ocupando-as e afirmando seu papel fundamental na solução dos problemas da população e na construção de um novo projeto nacional de desenvolvimento para o Brasil. Lançamos aqui nosso movimento ao 52º Congresso da União Nacional do Estudantes. “Transformar o sonho em realidade” é o nome e só o faremos com povo na rua, afinal nossos sonhos não são utopias, visto que representam milhares de jovens brasileiros.

Transformar sonhos em realidade é nossa razão de ser. Com a política no comando, a ideologia como cimento e a organização revolucionária como força material a União da Juventude Socialista mergulha de corpo e alma num calendário de intensas lutas. Buscamos dessa forma dar consequência ao nosso objetivo principal: construir uma UJS capaz de buscar a hegemonia entre os jovens brasileiros, consolidando-se como a maior força juvenil de luta pelo Socialismo no país. Viva o Socialismo! Viva a União da Juventude Socialista!"

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David Barros defende juventude como política de Estado

O presidente do Conjuve, David Barros, defendeu com muita veemência a transformação das políticas de juventude em políticas de Estado. Ele participou, no fim da tarde de ontem (27), do seminário político “Juventude e Projeto Nacional”, organizado por jovens partidários da corrente Campo Democrático. O evento contou também com a presença do Secretário Nacional de Juventude, Beto Cury, e da deputada federal pelo PC do B/RS, Manuela Dávila.

O seminário acontece em Brasília, nos dias (27 e 28), e tem reunido, nos debates, mais de 200 jovens que têm discutido mecanismos para inserir a juventude na pauta política das próximas eleições. O presidente do Conjuve fez um balanço positivo sobre a atuação do Conselho nessa última gestão, mas defendeu como prioridade daqui para frente a transformação das políticas de juventude em políticas de Estado.

“É a única forma de garantirmos que as conquistas sejam mantidas e que não aconteça um retrocesso, sobretudo se houver uma mudança nos rumos governamentais a partir de 2010”, disse. Barros também alertou que é necessário haver uma mobilização nacional em prol da implementação do Marco Legal da juventude.

Segundo ele, é de vital importância que o tripé que compõe o marco legal – a PEC da juventude, o Plano Nacional de Juventude e o Estatuto da Juventude – sejam aprovados até o primeiro semestre do ano que vem. “Eu temo que se isso se arrastar até as próximas eleições o marco possa não ser aprovado”, comentou.

Barros falou também que a juventude deve se mobilizar e pautar o Legislativo no que diz respeito à aprovação de leis voltadas para a melhoria de vida dessa parcela da sociedade. “Devemos lutar contra os estereótipos que tratam os jovens como inimigos públicos e tentar barrar as leis punitivas como a diminuição da maioridade penal e o toque de recolher”, afirmou.

Outros desafios importantes, de acordo com Barros, são criar uma rede nacional de conselhos da juventude, lutar por uma melhoria na capacitação dos profissionais que trabalham com os jovens e reforçar o Conjuve como entidade responsável pela monitoração das ações governamentais voltadas para os jovens.

Projovem Urbano

O Secretário Nacional de Juventude, Beto Cury, afirmou também estar preocupado com a não aprovação do marco legal da juventude antes das eleições. Ele disse ainda que os desafios são muitos e uma das metas é inserir um milhão de jovens nas quatro modalidades do Projovem. “É fundamental pensarmos nos milhões de jovens sem assistência que estão excluídos do estado democrático de direito sem garantia a cidadania e a uma vida digna”, comentou.

Na opinião do secretário, tão importante como inserir os jovens nos programas é criar portas de saída para que eles possam caminhar com as próprias pernas sem depender eternamente das benesses do Estado. “Para que isso se cumpra é necessário garantir o básico acesso ao mercado de trabalho e à educação e isso estamos procurando fazer”, afirmou Cury.

Outra preocupação do secretário é em relação ao atraso na aprovação do Orçamento para 2010. “Nossa intenção é inserir mais 200 mil jovens no Projovem Urbano, chegando ao total de 500 mil beneficiados, o que pode ser prejudicado com o atraso”, lamentou.

A deputada federal Manuela Dávila disse que o país possui uma dívida histórica com a juventude, mas reconheceu que o atual governo tem consciência disso, tanto que a juventude é uma das prioridades dos projetos governamentais. “Devemos reconhecer a importância dos programas de governo como o ProUni que possibilitou que 500 mil jovens tivessem acesso às universidades”, disse.

A deputada lembrou também que a criação da Secretaria Nacional de Juventude e do Conjuve foram conquistas importantes para o fortalecimento da democracia no país, ao dar voz aos anseios dos jovens. “São dois órgãos que sempre estiveram engajados e presentes na defesa dos interesses da juventude desse país”, afirmou.

Manuela também ressaltou a importância da aprovação do marco legal para a juventude e disse estar preocupada com relação ao calendário. “O tempo corre contra, assim o jovem deve se mobilizar e pressionar o Congresso para a sua aprovação antes das eleições”, finalizou.

Por Marcelo Rebelo
Assessor de Comunicação do Conjuve

AGU pede à Justiça que intime Curió a apresentar documentos sobre Guerrilha do Araguaia

A Procuradoria Regional da União da 1ª Região protocolou ontem (2) na 1ª Vara Federal de Brasília um pedido de intimação de Sebastião Curió Rodrigues de Moura, o major Curió.

De acordo com a Advocacia-Geral da União (AGU), a petição informa que Curió poderia ter documentos relativos à Guerrilha do Araguaia e necessários para o cumprimento da sentença que determina a localização dos restos mortais dos participantes do movimento.

Em reportagem publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo no último dia 21, o oficial revelou documentos de seu arquivo pessoal sobre a Guerrilha do Araguaia que falam da execução de 41 guerrilheiros presos por militares na região.