V Encontro Nacional de Juventude e Meio Ambiente

O V Encontro Nacional de Juventude e Meio Ambiente terá 4 dias de duração e está previsto para a segunda quinzena de novembro de 2010.

Sua realização é fruto de um intenso processo de fortalecimento das Políticas Públicas de Juventude e Meio Ambiente que se desenvolve desde 2003 com quatro Encontros Nacionais de Juventude e Meio Ambiente, motivados pelas Conferências Nacionais de Meio Ambiente (Infantojuvenis e Adultos), que propiciaram inúmeros desdobramentos como os Coletivos Jovens de Meio Ambiente (CJ), a REJUMA, além de diversos Encontros Estaduais e a forte participação da juventude ambientalista em múltiplos fóros governamentais e da sociedade civil.

Desde 2003, por meio de um processo de mobilização no qual “jovem escolhe jovem”, “jovem educa jovem” e uma “geração aprende com a outra”, hoje existem aproximadamente 200 Coletivos Jovens de Meio Ambiente envolvendo cerca de 2000 jovens em todo o Brasil. Entre outras atividades, os CJ apoiam a organização das Conferências Infantojuvenis pelo Meio Ambiente, que já chegaram a mais de 20 mil escolas e 10 milhões de pessoas, bem como na formação das Comissões de Meio Ambiente e Qualidade de Vida nas Escolas (Com-Vida), estimadas em 4.600 em todo o país.

Os Encontros Nacionais de Juventude e Meio Ambiente, desde 2003, têm sido espaços de articulação entre coletivos, redes e organizações de juventude e meio ambiente, bem como de formação de jovens nos conceitos e práticas de Educação Ambiental, Educomunicação, Participação Política, Facilitação de Grupos, Mobilização Social, Tecnologias de Informação e Comunicação, e Tecnologias Socioambientais.

Com a realização do V Encontro Nacional de Juventude e Meio Ambiente, espera-se contribuir para: o fortalecimento e autonomia dos movimentos de juventude e meio ambiente; o mapeamento da atuação destes movimentos no Brasil. Os encaminhamentos de políticas estruturantes na área de juventude e meio ambiente, como o Programa Nacional de Juventude e Meio Ambiente.

Chamada de artigos para o 4º número da Revista Agenda 21 e Juventude

Com o intuito de fortalecer e buscar maiores subsídios para o Programa Nacional de Juventude e Meio Ambiente, o Programa Agenda 21, do Ministério do Meio Ambiente, lança chamada para o 4º número da Revista Agenda 21 e Juventude.

Jovens de todo o Brasil, entre 15 e 29 anos, podem escrever seus textos, em forma de relatos de experiência ou artigos conceituais sobre a temática da “Produção e Consumo Sustentáveis: Experiências de Trabalhos Sustentáveis”. Também serão avaliadas poesias, vídeos e ilustrações.

Os interessados devem enviar suas contribuições até o dia 19 de abril para agenda21ejuventude@mma.gov.br

Para mais informações ligue: (61) 2028-1462 / 1372

Fonte: Ministério do Meio Ambiente

E Agora José

Minc joga última cartada para defender leis ambientais

Maurício Thuswohl – Carta Maior

Ministro Carlos Minc

Ministro Carlos Minc

Com seu espaço no governo reduzido a cada dia graças à ofensiva ruralista sobre a legislação ambiental no Congresso e à atuação de colegas de ministério, ministro Carlos Minc (Meio Ambiente) reafirma aliança política com os movimentos sociais e pede ajuda diretamente ao presidente Lula. Novo projeto na Câmara quer retirar do Ibama a prerrogativa da fiscalização ambiental.

Pois sua aprovação interessa ao ministro dos Transportes. Nascimento é candidato ao governo do Amazonas em 2010 e tem como bandeira a conclusão das obras da BR-139 (Manaus-Porto Velho), que corta o coração da Amazônia: “O ministro Nascimento está com pressa e quer primeiro fazer a obra e só depois cumprir as exigências ambientais. Eu disse ao presidente Lula que estou moralmente impedido de concordar com isso. Seria a morte em vida”, disse Minc.

Machadinha
O ministro do Meio Ambiente teria reclamado muito com Lula sobre a aliança entre os parlamentares ruralistas e setores do governo: “Disse ao presidente que vários ministros combinavam uma coisa aqui e depois iam ao Congresso, cada um com sua machadinha, patrocinar emendas que esquartejavam e desfiguravam a legislação ambiental. O presidente me disse que isso não é aceitável”, contou Minc.

A firmeza do compromisso supostamente assumido entre Lula e Minc poderá ser verificada em breve. A MP 452, já aprovada na Câmara, não foi apreciada pelo Senado até a data limite desta segunda-feira (01), o que significa que terá de ser reeditada pelo governo. A intensa disputa travada em torno da CPI da Petrobras durante toda a semana passada fez com que os senadores da bancada ruralista não conseguissem emplacar a discussão sobre a MP, e agora a expectativa é de que o Planalto se posicione claramente contra a emenda que flexibiliza o licenciamento de obras em rodovias: “Queriam um licenciamento aprovado por decurso de prazo. Ainda bem que o que caiu por decurso de prazo foi a MP 452”, comemorou a senadora Marina Silva (PT-AC).

Aliança com agricultores
Em busca de sustentação política, Carlos Minc quer consolidar o apoio dos agricultores familiares às políticas desenvolvidas pelo MMA nestes últimos seis anos. Falando para quatro mil agricultores que participavam do Grito da Terra e marchavam na Esplanada dos Ministérios na última quarta-feira (27), o ministro afirmou que a lógica do agronegócio é a destruição do meio ambiente e acusou seus líderes de chantagear o governo: “Não podemos cair no canto da sereia. Eles encolheram os dentes de vampiro e o rabinho de capeta, mas não enganam o povo”.

A aliança do MMA com organizações representativas dos agricultores familiares, como a Contag, entre outras, já rendeu a elaboração conjunta de um documento que foi enviado a Lula e pede que o presidente impeça as tentativas em andamento de mudança na legislação ambiental. Segundo Minc, Lula teria concordado em receber, durante a Semana do Meio Ambiente, uma comissão formada por ambientalistas e agricultores familiares para discutir essa questão. A expectativa do ministro é que um aceno presidencial possa reverter a balança política que, até o momento, pende claramente para os ruralistas e os setores do governo que defendem o agronegócio.

Volume de água do rio São Francisco caiu 35% em 50 anos

Uma pesquisa feita por cientistas norte-americanos aponta que o fluxo de água na bacia do rio São Francisco, que nasce em Minas Gerais e deságua no nordeste do Brasil, caiu 35% no último meio século.
A notícia é do portal do jornal O Estado de S. Paulo, 23-04-2009.
O estudo, que será publicado no próximo dia 15 de maio no Journal of Climate, da Sociedade Meteorológica Americana, foi feito por pesquisadores do National Center for Atmospheric Research (NCAR), que fica no Estado americano do Colorado.
Eles analisaram dados coletados entre os anos de 1948 e 2004 nos 925 maiores rios do planeta, e concluíram que vários rios de algumas das regiões mais populosas estão perdendo água.
De acordo com os pesquisadores, a bacia do São Francisco foi a que apresentou o maior declínio no fluxo de águas entre os principais rios que correm em território brasileiro durante o período pesquisado.
Neste mesmo período, o fluxo de águas na bacia do Amazonas caiu 3,1%, enquanto as bacias de outros rios brasileiros apresentaram uma elevação na vazão.
O fluxo de águas no rio Paraná (que termina na Argentina), por exemplo, apresentou um aumento de 60% no período pesquisado, enquanto a bacia do Tocantins registrou um acréscimo de 1,2% em sua vazão.
Segundo o cientista Aiguo Dai, o líder da pesquisa, esta variação está relacionada principalmente a mudanças na quantidade de chuvas nas regiões das bacias.
São Francisco
Estas alterações nos níveis de precipitações, de acordo com o pesquisador, estariam relacionadas, principalmente, ao fenômeno meteorológico El Niño, que consiste em um aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico e que afeta o clima da região e do planeta. Dai afirma que, entre 1948 e 2004, a região da bacia do rio São Francisco apresentou uma leve queda nos níveis de precipitações e um grande aumento de temperatura.
Estes dois fatores contribuíram para o grande declínio do escoamento do rio. Segundo ele, o aumento das temperaturas eleva a evaporação, e assim, reduz o fluxo de água do rio.
"Eu avalio que algumas destas mudanças na temperatura e nas precipitações estão relacionadas às mudanças nas atividades do El Niño, mas não todas elas", afirma o cientista.
Água
De um modo geral, o estudo aponta que alguns dos rios mais importantes do planeta e que abastecem áreas populosas estão perdendo água.
Um terço dos 925 rios pesquisados apresentaram mudanças significativas nos fluxos de água no período, sendo que aqueles que perderam vazão ultrapassam os que ganharam em uma proporção de 2,5 para 1.
Entre os rios que apresentaram declínios na vazão estão alguns que servem a grandes populações, como o Amarelo, na China, o Niger, na África, e o Colorado, nos Estados Unidos. Em contraste, os pesquisadores constataram um aumento considerável na vazão de rios em áreas pouco habitadas no Oceano Ártico.
Entre os que permaneceram estáveis ou que registraram um pequeno aumento no fluxo de água estão o Yang Tsé, na China e Bhrahmaputra, na Índia.
Segundo os pesquisadores, muitos fatores podem afetar a vazão desses rios, incluindo barragens e o desvio de água para a irrigação.
Mas, de acordo com os dados da pesquisa, em muitos casos, a redução no fluxo de água pode estar relacionada às mudanças climáticas globais, que alteram os padrões de chuvas e os níveis de evaporação.
"A redução na vazão aumenta a pressão sobre as reservas de água doce em grande parte do mundo, especialmente em um momento em que a demanda por água aumenta por causa do crescimento da população. A água doce é um recurso vital, e a tendência de queda é motivo de preocupação", diz Aiguo Dai.
Pesquisas anteriores feitas em grandes rios, no entanto, apontavam que a vazão global dos cursos de água estaria aumentando.

A crise silenciosa

por Sandra Cavalcanti

Há 35 anos, o professor americano Stuart Udall lançava um livro exatamente com este título: A Crise Silenciosa.Tive o privilégio de recebê-lo, de presente, trazido por Carlos Lacerda, que após vitorioso esforço retornava de Washington com o financiamento necessário para executar o gigantesco e histórico projeto do Sistema Guandu. No ano passado, um júri de especialistas mundiais em engenharia elegeu esse projeto como o mais importante entre todos os executados no século passado! Passou tudo em misterioso silêncio…

O livro, que Carlos Lacerda já lera, era realmente fascinante! E pioneiro! Naqueles dias, aqui, em nosso país, eram poucos os que revelavam preocupações com o meio ambiente. A palavra ecologia ainda estava ausente de quase todos os vocabulários. Quando muito, havia quem desse notícia das lutas conservacionistas que, começadas nos EUA no século 18, ainda estavam em plena batalha. No livro, Stuart Udall fazia um narrativa emocionante da luta conservacionista nos EUA desde os primórdios de 1800, mas alertava para os males maiores que ainda estavam à espreita no mundo. O prefácio vinha assinado pelo presidente Kennedy.

Em sua curta administração, terminada de forma tão trágica, deixou ele, para os americanos, a mais bem articulada e factível legislação sobre o uso da água, a defesa dos mananciais, a recuperação dos que já estavam sendo deteriorados, a distribuição correta e a qualidade da água a ser fornecida. Era essa a sua visão de ambientalista.

Não por acaso, no prefácio ele formulava a seguinte pergunta: “Pode-se considerar bem-sucedida uma sociedade que cria condições prejudiciais aos seus espíritos mais esclarecidos e converte em deserto as suas mais belas paisagens?” E concluía sustentando a tese de que nós, “em termos políticos, devemos ampliar o conceito de conservação, para atender aos problemas imperiosos dos novos tempos.”

Entusiasmado com o livro e achando que já era hora de começar a acordar a sociedade para a importância do meio ambiente e sua defesa, Carlos Lacerda convenceu o amigo David Nasser a fazer a tradução. O resultado foi um primoroso trabalho, ao qual ele acrescentou dados e informações sobre a situação do problema ambiental em nosso país.

Passados todos estes anos, a dramática indagação feita por Udall ainda continua viva: “De que serve a abundância material, se criamos um ambiente em que os atributos mais altos e específicos do ser humano não podem ser exercidos? Cada geração tem um encontro marcado com a terra, pois, apesar de nossos títulos hereditários e reivindicações de posse, somos todos arrendatários transitórios deste planeta.” Em vários países, respostas consistentes foram dadas. Várias nações obtiveram expressivas vitórias. Conseguiram refazer e conservar as matas. Estão revitalizando rios e lagos.

E aqui, no Brasil, como estamos? Já estamos em 2008! Entre o governo de Carlos Lacerda e os dias de hoje, mais de meio século! Ele subiu de burrico até o topo da Pedra Branca. Tomou providências enérgicas para que a devastação da mata atlântica não continuasse.

Ao deslocar os moradores favelados do Morro do Pasmado, reflorestou toda a colina e impediu um projeto federal de erguer ali um hotel da rede Hilton. Transformou o Aterro do Flamengo, destinado a ser uma grande negociata imobiliária, no maior parque urbano do mundo, maior que o Central Park ou o de Palermo. E mais: impediu que o Parque Lage fosse ocupado por muitos edifícios e um cemitério, ganhando com isso a implacável oposição de todo o grupo do jornal O Globo.

Deu aos cariocas, de volta, as areias da Praia de Botafogo. Usou um processo inovador para formar a Praia de Ramos. Deslocou mais de oito favelas para condomínios de casas populares, a fim de despoluir a Baía de Guanabara. Implantou um interceptor oceânico para receber as redes de esgotos e galerias pluviais da orla marítima. E, de forma fantástica, devolveu ao povo do Rio a condição civilizada de ter fornecimento normal de água, após meio século sofrimentos.

Carlos Lacerda foi o maior ambientalista de seu tempo. Ele amava a natureza e tinha diante dela a atitude de um verdadeiro ecologista. A reportagem que fez nos anos 50 sobre a tragédia do Rio São Francisco aí está, como um brado de alerta. Era um caprichoso cultivador de rosas. Gostava de pássaros e animais. Encontrou meios modernos para ajudar os pescadores das várias cooperativas de nossa Guanabara. E até mesmo quando ficamos encarregados de acolher centenas de garotos de rua que vagavam por aí, destinou-lhes, como escola e lar, a Fazenda Modelo, em Guaratiba. Em matéria de defesa da natureza, conservação do meio ambiente, recuperação de áreas contaminadas, redes de água, galerias pluviais e esgotos, ninguém o superou.

Quando vejo todo este auê por conta do meio ambiente e leio as asneiras que as autoridades de plantão e os pseudo-ecologistas, orientados pelas ONGs e pelo Greenpeace, dizem sobre a Amazônia; quando identifico programas populistas e eleitoreiros por trás de supostas obras; quando vejo os centros urbanos capturados pelos poderes clandestinos, totalmente favelizados; quando percebo que o objetivo de governar foi substituído pelo show business; quando tudo isso acontece, tenho certeza que dias difíceis estão por vir!

O pior é que não temos em quem confiar. Já não se fazem figuras públicas de verdade. Fazem-se figuras populares. Estamos em plena era do pão e circo.

Não vivemos tão-somente a devastação da mata atlântica ou da floresta amazônica. A devastação devastadora, em nossos dias, é a de ordem moral. São os sonhos, os ideais que estão por aí reduzidos a cinzas. Eles não oxigenam mais a nossa vida.

Essa é a crise silenciosa, a chuva ácida da desesperança que desce dos céus, provocada por este crematório de valores em que estamos sendo, também, consumidos. Que falta faz uma figura de estadista! Por isso me lembrei de Carlos Lacerda.

Sandra Cavalcanti, professora, jornalista, foi deputada federal constituinte e secretária de Serviços Sociais no governo Carlos Lacerda