Pesquisas mostram que violência afeta juventude até nas escolas privadas

São graves as conclusões a que chegaram duas pesquisas envolvendo a juventude brasileira divulgadas ontem. Mostram que está em construção uma sociedade ainda mais violenta do que temos hoje. Nossos jovens, não importa a classe social ou cidade em que vivem, estão crescendo em ambiente hostil, em que a agressividade vai, aos poucos, suplantando o diálogo e a compreensão no relacionamento entre as pessoas.

É um alerta aos que insistem em supervalorizar certas conquistas, como a universalização do acesso à escola básica, o avanço da economia e sua bem-sucedida saída da crise internacional. A dura realidade é que ainda estamos muito longe de criar oportunidades reais de inserção da maioria dos jovens que se encaminham para vida adulta e falhamos na preparação dos cidadãos das próximas gerações de líderes, empreendedores, profissionais de todos os níveis, bem como futuros pais e educadores.

Um levantamento inédito, coordenado pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas), sob encomenda do Sindicato dos Professores do Estado de Minas Gerais (Sinpro-MG), revela o verdadeiro drama que tem sido para os professores da rede privada de ensino conviver com a violência que seus alunos estão levando para o ambiente escolar.

Foram entrevistados 686 professores de Belo Horizonte sobre as manifestações de violência nas escolas. Até agora, os dados disponíveis sobre esse tema eram apenas relativos à escola pública. Mais da metade dos entrevistados (62%) presenciaram agressão verbal; 24% disseram ter presenciado agressão física; pelo menos 20% dos professores já viram tráfico de drogas em seu ambiente de trabalho.

A pesquisa mostrou ainda que pelo menos um em cada três professores da rede privada se sente intimidado e ameaçado pela violência dos alunos. A maioria deles (67%) não se acha preparada para enfrentar a violência no ambiente escolar, mas quase todos (95%) concordam que esse quadro de violência na escola tem solução.

Não menos impressionante é um estudo divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, organização não governamental (ONG) apartidária. O estudo cruzou dados a respeito de jovens de 12 a 29 anos que habitam 266 municípios com mais de 100 mil habitantes. Partindo da ideia de que violência não é só crime, combina informações socioeconômicas, número de homicídios, escolaridade, acesso ao mercado de trabalho, renda e moradia.

A conclusão é de que os jovens estão expostos a níveis de violência muito altos em 10 dessas cidades e altos em outras 33. O índice resultante desse coquetel de indicadores é mais elevado em cidades do interior do país, como Governador Valadares (5º lugar), deixando as grandes capitais em posição bem mais confortável. Mas não há nada a comemorar.

Pelo contrário. Assim como já avançou na conscientização da defesa do meio ambiente, a sociedade precisa organizar reação inteligente e rápida, no sentido de identificar as verdadeiras causas dessa violência e implementar as medidas com vista à sua eliminação. É tarefa para as autoridades. Mas a ela não podem se furtar os que têm alguma responsabilidade na orientação educacional ou social da juventude.

Fonte. Estado de MInas

"PEC da Juventude: O Brasil precisa, a Juventude quer!"

 

A diretora de Relações Institucionais da UNE, Marcela Rodrigues, participou nesta quarta-feira, 25, de audiência no senado pedindo urgência ao presidente da Casa na votação da PEC da Juventude.

 

Conjuve realiza campanha pela aprovação definitiva da PEC da Juventude

Depois de ser aprovada em dois turnos na Câmara dos Deputados, a PEC da Juventude (042/2008) irá em breve ao plenário do Senado Federal. A Proposta regulamenta a proteção dos direitos econômicos, sociais e culturais da juventude brasileira, inserindo o termo “jovem” no Capítulo VII da Constituição Federal, que trata dos Direitos e Garantias Fundamentais, a exemplo do que já ocorre com as crianças, adolescentes e idosos.

A aprovação da PEC, além de uma antiga reivindicação dos movimentos juvenis e de outros setores da sociedade civil, é também uma das mais importantes bandeiras da 1ª Conferência Nacional de Juventude – que mobilizou 400 mil pessoas em todo o país, com a participação de mil municípios. Segundo o presidente do Conjuve, David Barros “após a vitória na Câmara, onde a PEC foi aprovada por 382 votos favoráveis e nenhum voto contrário, o Conjuve agora trabalha para que este amplo apoio se repita no Senado”.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE indicam que, em 2006, o Brasil possuía 50,5 milhões de brasileiros e brasileiras com idade entre 15 e 29 anos, o que corresponde a 28% de toda a população do país. O peso numérico e o fato de que suas condições sociais têm impacto no presente e no futuro do país já justificariam a criação de políticas públicas específicas para esse segmento populacional.

Para a Organização das Nações Unidas – ONU, a implementação de uma política nacional de juventude é um compromisso de seus Estados Membros desde 1981, quando se adotou o Programa Mundial de Ação para a Juventude – PMAJ que reconhece o potencial dos jovens e a importância desse segmento nos projetos de desenvolvimento de qualquer país.

No Brasil, em virtude do amplo diálogo que vem sendo mantido entre governo, parlamento e movimentos sociais, muitos avanços já foram obtidos. A criação da Secretaria e do Conselho Nacional de Juventude, a implementação de programas como o Projovem e o Prouni, e a regulamentação da Lei do Estágio são exemplo de iniciativas que passaram pelo Congresso Nacional nos últimos anos.

Por outro lado é visível o crescimento de espaços institucionais de juventude nos estados e municípios.  Hoje, o país conta com 22 gestores estaduais e cerca de 700 gestores municipais de juventude. Mesmo distante do ideal, estes números indicam que o tema começa efetivamente a ocupar espaço na agenda das políticas públicas.

Serra, em apuros, foge da economia e da comparação

 

Alfinetado por aliados e pela pesquisa CNT/Sensus desta segunda-feira (23), que o mostra em queda, o governador tucano José Serra moveu-se. Mesmo sem dizer se concorrerá à Presidência dentro, disparou uma bateria de entrevistas sobre política, e 2010. O problema: ele ainda não sabe o que dizer. A tese de Serra, de que "a economia não vai decidir a eleição", bate de frente com o bordão, hoje clássico, da campanha americana de 1992: "É a economia, estúpido!".

Por Bernardo Joffily

A frase do ‘estúpido’ foi cunhada para a campanha presidencial de Bil Clinton por seu estrategista, James Carville. Elegeu Clinton. Fez a celebridade de Carville. Relançou, um século mais tarde e num mundo sem União Soviética, a noção de Vladimir Lênin de que "a política é a expressão concentrada da economia". Virou um ícone da ciência política aplicada contemporânea.

José Serra, que se declara economista (embora ao que consta nunca se tenha graduado ou pósgraduado na matéria), agora afirma o contrário. "A percepção de que a economia vai bem é um dado da realidade. Mas eu não acredito que a economia vai decidir a eleição", disse nesta semana para Rádio Jovem Pan.

O candidato não anunciado explica. Para ele, "a população vai querer saber quem é mais preparado". E dá um exemplo: "Se a economia está em boas mãos seria como decidir sobre a substituição do motorista de um ônibus que está andando bem. O eleitor terá que decidir sobre quem está mais apto para continuar conduzindo o ônibus da melhor forma possível."
A tese ("economia não decide eleição"), o argumento ("a decisão será sobre quem é mais preparado") e por fim a metáfora do ônibus formam uma tentativa quase patológica de despolitização da política. Têm toda a cara de engendros de marqueteiro, fornecidos ao quase candidato a partir de alguma pesquisa qualitativa, dessasfamosas ‘qualis’ que abundam em épocas pré-eleitorais, só que realizada com eleitores de não mais de dois neurônios em funcionamento.

Em política, a questão número um é o rumo, a plataforma, o programa. Para ficar na metáfora de Serra, é saber para onde vai o ônibus. Se o itinerário estiver errado, quanto mais "apto" for o motorista, maior será o desastre.

A mesma despolitização sem rumo – ou, pior, que procura escamotear o seu rumo – leva o governador paulista a recusar a comparação entre os governos de Lula e Fernando Henrique Cardoso. O pessoal não vai ficar olhando para trás", argumentou Serra. Para ele, nesse caso, o lógico seria comparar FHC com seus antecessores (ele citou Fernando Collor e José Sarney) e não com seu sucessor.

O raciocínio deve ter sido tirado da mesma ‘quali dos sem-neurônios’. Se é assim, com quem o governo Lula deve ser comparado?
A comparação interessa justamente para evidenciar as diferenças de fundo, de rumo, sobre o percurso do ônibus. Foi isso, e não a ‘aptidão do motorista’ que levou 76% dos entrevistados pela CNT/Sensus a dizer que o governo de Lula é melhor que o de FHC, e 10% a responder o contrário.
Por isso Lula, e sua candidata a sucessora, Dilma Rousseff, perseguem sistematicamente a comparação. Querem um plebiscito no próximo 3 de outubro, entre quem prefere o governo Lula e quem prefere a administração tucana de 1995-2002.

Por motivos simétricos e opostos, Serra e a oposição fogem da comparação e do plebiscito. É um direito deles. Se vão conseguir, são outros 500. Para começar, deviam encomendar uma nova bateria de ‘qualis’, de preferência com gente que tenha mais de dois neurônios na ativa. Quem sabe encontram argumentos melhorzinhos.