Cidade e seus muros



Escrito por Pe. Alfredo J. Gonçalves

11-Nov-2009

Celebramos o 20º aniversário da queda do Muro de Berlim. Mais que um muro que dividia em duas uma cidade, representou um mundo bipolarizado entre a União Soviética e os Estados Unidos, cada qual com seus satélites. Representou os tempos da guerra fria e de dois sistemas de produção, economia neoliberal e centralizada. Berlim voltou a ser uma cidade livre? O mundo, a circulação das pessoas e o regime democrático voltaram a ser mais livres?

Desde os primórdios do mundo moderno, novas rotas comerciais faziam florescer cidades prósperas. A partir dos séculos XII e XIII, o capitalismo mercantil opõe ao universo feudal, cerrado e autônomo por natureza, uma rede aberta de centros urbanos e interligados entre si. As mercadorias rompem as fronteiras e estabelecem novas comunicações. Os chamados “descobrimentos”, nos séculos seguintes, alargam e aprofundam esses itinerários comerciais, ao mesmo tempo em que conferem maior vitalidade e poder às cidades européias.

Está pavimentado o caminho para a Revolução Industrial e para o capitalismo industrial. Os “novos ricos”, ou burgueses, com o acúmulo de capital provindo do comércio, incrementam oficinas, fortalecem a potência das esquadras navais e incentivam os inventos, como a máquina a vapor, por exemplo. Tudo isso exige disponibilidade de braços para uma série de trabalhos. Numerosos servos passam a trocar a “proteção do feudo” pelos ofícios na cidade. Daí o provérbio medieval de que “o ar da cidade torna os homens livres”.

Valeria esse provérbio para a urbanização brasileira? A resposta é forçosamente ambígua. Por um lado, é certo que grande parte dos rapazes e moças, como também das famílias, se livram, através da migração, do patriarcalismo e do coronelismo rurais tão arraigados em nossa trajetória histórica. Os olhos de muitos trabalhadores e trabalhadores, na passagem da zona rural para a zona urbana, se abrem para os próprios direitos e para uma série de coisas novas. Muitos fazendeiros não querem saber de contratar pessoas que já tenham passado pela experiência urbana, seja como operário ou empregada doméstica. Muitos jovens do campo também se recusam a casar com mulheres que tenham trabalhado na cidade. Alegam que não são mais virgens. A verdade é que não as conseguem mais dominar a seu gosto. Se a tradição estática é a marca do campo, o dinamismo da novidade é o oxigênio da cidade.

No campo, as pessoas nascem revestidas de uma série de convenções sociais e de obrigações que passam de pai para filho. Há uma herança tácita que passa inclusive pela religião, o que pode levar a um catolicismo infantilizado. Na cidade prevalece a tendência a uma maior liberdade de escolha. As pessoas nascem nuas e devem abrir uma picada na selva de pedra. Daí a predisposição a solidariedades mais autênticas, menos convencionais, mais amadurecidas.

Por outro lado, não raro, a liberdade do mundo urbano contém armadilhas, com freqüência leva aos becos escuros e sem saída. De fato, o conceito de liberdade difundido pela indústria do marketing e da publicidade é a de fazer o que se quer. E liberdade sem regras, sem leis, sem limites, facilmente conduz ao abismo. Que o digam os porões sórdidos da droga, do tráfico, do álcool, da prostituição e da violência! Além disso, os estímulos e apelos das “luzes e sons, cores e sabores, imagens e objetos” do mundo urbano aprisionam a não poucos num consumismo vicioso, cheio de ilusões e modismos, de verdadeira escravidão.

O fato é que as cidades de hoje, especialmente as metrópoles, estão longe de ser territórios sem muros. Estes, ainda que invisivelmente, se estendem por toda mancha urbana. Mosaico ou caleidoscópio, como preferem alguns estudiosos, a cidade reúne e justapõe diferenças que coexistem, mas raramente se integram. As diferenças podem ser de natureza sócio-econômica, como condomínios fechados ao lado de favelas; podem ser marcadas pelo víeis religioso e cultural, em que vários povos exibem seus mais variados costumes e expressões; ou de caráter autodefensivo, dando origem às tribos urbanas, aos guetos ou aos “pedaços” mais ou menos fechados e hostis. Exemplo dessa dicotomia pode ser o trânsito, onde os automóveis mais modernos e equipados trafegam lado a lado com as “carroças” de mais de 30 anos, amassadas e fumarentas, às vezes únicos meios de sobrevivência de bom número de famílias.

Mas os muros invisíveis tornam-se cada vez mais visíveis. Basta constatar os sistemas de segurança, cuja sofisticação cresce na mesma medida do medo e da segregação. Grades, cercas, câmeras, cães, alarmes e guardas noturnos multiplicam-se por toda parte. Prosperam as companhias de vigilância. Pública ou privada, a segurança investe em novos meios e tecnologia de ponta. Do lado extremo, o crime organizado não deixa por menos, investindo também em armamento pesado e no recrutamento de jovens e adolescentes cada vez mais precoces.

O ar da cidade nos torna livres? Além de poluído pelo gás carbônico, parece adensar-se, por um lado, de luzes, novidades, oportunidades mil; por outro, de medos, fobias, angústias e estresse. Fabricamos gaiolas e nos metemos dentro delas como verdadeiros prisioneiros. Enquanto o muro de Berlim dividia capitalismo e comunismo, os muros de hoje dividem pessoas, grupos, classes sociais, tribos urbanas, gangues, bairros, vizinhos. Pelo menos uma coisa parece esclarecer-se: a fronteira entre o bem e o mal passa por dentro de cada pessoa, de cada língua e de cada cultura.

Pe. Alfredo Gonçalves é assessor das pastorais sociais da CNBB.

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Mais Jovens na Universidade

O escândalo da minissaia de Geisy Arruda é apenas um detalhe de um fenômeno muito maior: a entrada dos mais pobres no ensino superior brasileiro. Em breve –e breve significa mais três ou quatro anos– as classes C, D e E serão maioria nas universidades.

Uma consultoria especializada em ensino superior (Hoper) informa que, de 2004 até 2008, o número de alunos da classe C cresceu 84%, e da classe D, 52%. Isso significa um batalhão de quase 680 mil pessoas.

São brasileiros com mais expectativas profissionais, já que, ao entrarem na faculdade, imaginam-se com mais chance de um bom emprego. É gente que, em geral, tende a tornar-se mais crítica e ciosa de seus direitos –vejam como Geisy Arruda defendeu seus direitos.

É também gente, que, em geral, tem mais garra. Não é fácil sobreviver ao ensino médio público, trabalhar à noite e estudar de dia.

Aposto que está aí o nascimento, aos poucos, de uma nova elite brasileira. Sem perder o olhar crítico e a demanda por mais qualidade de ensino, os acadêmicos deveriam olhar com menos preconceitos para o ensino superior privado.

Assim como é melhor um jovem concluir o ensino médio público, por pior que seja, é melhor ter quatro anos de uma escola privada no ensino superior.

Folha Online

Campanha une jovens de vários países contra a violência de gênero

por Catherine Fátima Alves última modificação 16/11/2009 16:06

“De todos os homens que fazem parte da minha vida, nenhum será mais do que eu”. “De todas as mulheres que fazem parte da minha vida, nenhuma será menos do que eu”. São sob essas palavras de ordem que jovens de 22 países ibero-americanos expressam seu rechaço a todos os tipos de violência contra as mulheres. A iniciativa é de Maltratozero, um movimento que quer transformar-se em uma corrente mobilizadora pelo fim dos maus-tratos e da violência contra a mulher.

Até agora, 1.184 homens e mulheres de diversos países, sobretudo jovens, já se manifestaram no site da campanha (www.maltratozero.com) com vídeos e fotos. A iniciativa, promovida pela Secretaria Geral Ibero-americana de Juventude e pela Organização Ibero-americana de Juventude (OIJ) com apoio da Agência Espanhola de Cooperação Internacional pelo Desenvolvimento, começou no final do mês passado de outubro a sensibilizar a população jovem sobre os efeitos da violência de gênero.

Todos os anos, milhares de mulheres e meninas são vítimas de violência, muitas vezes somente por serem mulheres. Além de violar os direitos humanos, a violência de gênero gera vários prejuízos às vítimas. Agressões, maus-tratos, violência física, psicológica e sexual são algumas situações já vividas por muitas pessoas do sexo feminino.

Maltratozero não é a primeira iniciativa a destacar a importância de erradicar os maus-tratos e as violências contra a mulher. Em fevereiro do ano passado, o Secretário Geral das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, lançou a campanha “Unidos para pôr fim à violência contra as mulheres”, que chama a todos os governos, organizações civis, jovens e meios de comunicação a prevenir e exterminar a violência contra mulheres meninas de todo o mundo.

Além das campanhas, alguns governos também estão dispostos a contribuir com o fim da violência. No site de Maltratozero há um resumo das políticas e dos programas – dos países participantes da campanha – destinados à igualdade de gênero e erradicação da violência contra a mulher.

Para participar de Maltratozero, basta visitar o site da campanha e entrar na seção “Une-te”. Assim, os interessados poderão enviar vídeos e fotos. A iniciativa também tem páginas em Facebook, Hi5, Youtube, Orkut e Metafe.

Participam da campanha: Andorra, Argentina, Brasil, Colômbia, Costa Rica, Cuba, Chile, Equador, El Salvador, Espanha, Guatemala, Honduras, México, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru, Portugal, República Dominicana, Uruguai e Venezuela.

 

Com informações da Adital

ESTAMOS COM FOME DE AMOR!!

– Arnaldo Jabor –

Uma vez Renato Russo disse com uma sabedoria ímpar:

"Digam o que disserem, o mal do século é a solidão".

Pretensiosamente digo que assino embaixo sem dúvida alguma.

Parem pra notar, os sinais estão batendo em nossa cara todos os dias.
Baladas recheadas de garotas lindas, com roupas cada vez mais

micros e transparentes, danças e poses em closes ginecológicos.

Elas chegam sozinhas.

E saem sozinhas.

Empresários, advogados, engenheiros que estudaram,

trabalharam, alcançaram sucesso profissional e, sozinhos.
Tem mulher contratando homem para dançar com elas em bailes,

os novíssimos "personal dance", incrível.

E não é só sexo não, se fosse, era resolvido fácil,

alguém duvida?
Estamos é com carência de passear de mãos dadas,

dar e receber carinho sem necessariamente ter que

depois mostrar performances dignas de um atleta olímpico,

fazer um jantar pra quem você gosta e depois saber que

vão "apenas" dormir abraçados, sabe, essas coisas simples

que perdemos nessa marcha de uma evolução cega.
Pode fazer tudo, desde que não interrompa a carreira,

a produção.

Tornamos-nos máquinas e agora estamos desesperados

por não saber como voltar a ‘sentir’, só isso, algo tão simples

que a cada dia fica tão distante de nós.
Quem duvida do que estou dizendo, dá uma olhada no site de

relacionamentos ORKUT, o número que comunidades como:

"Quero um amor pra vida toda!", "Eu sou pra casar!"

até a desesperançada "Nasci pra ser sozinho!"
Unindo milhares ou melhor milhões de solitários em meio

a uma multidão de rostos cada vez mais estranhos, plásticos,

quase etéreos e inacessíveis.
Vivemos cada vez mais tempo, retardamos o envelhecimento

e estamos a cada dia mais belos e mais sozinhos.

Sei que pra chegar a escrever essas bobagens (mais que verdadeiras)

é preciso encarar os fantasmas de frente e aceitar essa

verdade de cara limpa.
Todo mundo quer ter alguém ao seu lado, mas hoje em dia

é feio, démodé, brega.

Alô gente! Felicidade, amor, todas essas emoções nos

fazem parecer ridículos, abobalhados, e daí?

Seja ridículo, não seja frustrado, "pague mico", saia

gritando e falando bobagens, você vai descobrir mais

cedo ou mais tarde que o tempo pra ser feliz é curto, e

cada instante que vai embora não volta.
Mas (estou muito brega!), aquela pessoa que passou

hoje por você na rua, talvez nunca mais volte a vê-la,

quem sabe ali estivesse a oportunidade de

um sorriso a dois.

Quem disse que ser adulto é ser ranzinza?

Um ditado tibetano diz que se um problema é grande

demais, não pense nele e se ele é pequeno demais, pra quê

pensar nele.

Dá pra ser um homem de negócios e tomar iogurte com o

dedo ou uma tradutora de sucesso que adora rir de si

mesma por ser estabanada; o que realmente não dá

é continuarmos achando que viver é out, que o vento

não pode desmanchar o nosso cabelo ou que eu não posso

me aventurar a dizer pra alguém:

"vamos ter bons e maus momentos e uma hora ou outra,

um dos dois ou quem sabe os dois, vão querer pular fora,

mas se eu não pedir que fique comigo, tenho certeza de que

vou me arrepender pelo resto da vida".
Antes idiota que infeliz!!!!

LULA também é Livro

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Capa do do livro que conta a historia do Lula

Sinopse

O relato emocionante da origem do torneiro-mecânico que se elegeu presidente da república, e de como seu amor pela mãe fez com que ele transformasse o impossível em realidade.

Pouco depois da cerimônia do seu primeiro casamento, na hora de partir para a lua de mel, Luiz Inácio, caçula de D. Lindu, agarrou a mãe e desatou a chorar. Ia morrer de saudades. Ele se recompôs e viajou com sua esposa, mas voltou antes do planejado, de tanta falta que sentia de D. Lindu.

O episódio, relatado neste livro por Denise Paraná, dá a dimensão da ligação entre Lula, na época dando seus primeiros passos no sindicalismo, e sua mãe. Não é de se espantar, portanto, que a figura de D. Lindu –uma mulher cuja meta de vida era criar os oito filhos de maneira digna– tenha norteado a existência do homem que é hoje um dos políticos mais influentes do mundo. Foi graças ao exemplo dela que Lula conseguiu superar as inúmeras tragédias e desafios que surgiram no seu caminho.

“A História de Lula: O Filho do Brasil” revela a importância da mãe para a formação do líder e mostra como um menino tímido se transformou, nos anos 70, no principal sindicalista brasileiro. O livro narra ainda alguns dos episódios mais dramáticos da vida de Lula, como os maus tratos sofridos na mão do pai alcoólatra, o acidente que lhe custou um dedo e a morte de sua primeira esposa e do filho que ela estava esperando.