Carta da JPT à juventude brasileira

O mundo está mudando. A velha ordem mostra sinais de cansaço, enquanto a novidade ganha fôlego na América Latina. É um momento decisivo para inverter regras ultrapassadas, dizer que os tempos de ditadura do mercado precisam chegar ao fim e afirmar que para transformar esta época de mudanças em uma mudança de época, a hora é agora

O Brasil está mudando. Se antes ficávamos em silêncio, hoje o mundo quer nos ouvir. Se antes qualquer vento nos derrubava, hoje enfrentamos ciclones e temos condições de sair mais fortes da tempestade: o mundo sabe disso. Por outro lado, os que teimam em enxugar o Estado e apostar no mercado não param de afundar.

Mas a partida só acaba quando termina, e ainda temos muito jogo pela frente. Os que defendem os monopólios e privatizações querem entregar as riquezas do povo brasileiro a acionistas e especuladores. São os mesmos que multiplicaram a dívida pública e baixavam a cabeça para o FMI. Está aí a aliança demo-tucana que representa os interesses da minoria elitista que quer impor seu projeto de concentrar riqueza e lucrar sempre mais.

Do lado de cá estão os de baixo, que sobreviveram ao chumbo grosso da repressão e lutam para desconcentrar a riqueza e o poder. É a aliança entre petistas, comunistas, socialistas e demais setores democráticos e populares que colocam o ser humano e o meio ambiente no centro das atenções e preferem dar as mãos aos vizinhos latinos a lamber as botas dos gigantes.

O projeto de país que definirmos hoje, enquanto somos jovens, é o divisor de águas para lançar as bases de nossas condições de amanhã. O que está em jogo é o futuro do Brasil e das nossas vidas. Não existe alternativa para o povo brasileiro sem investir nos jovens agora, afinal, só seremos o futuro se estiver garantido o nosso presente. O desenho do Brasil e do mundo que queremos ver emergir deste tempo de incertezas depende da nossa situação hoje.

Por isso, não podemos abrir mão de que a riqueza extraída da exploração do petróleo, patrimônio do povo brasileiro, seja propriedade pública investida nos jovens e nas crianças. É por esse motivo que devemos garantir aos jovens do campo a possibilidade de permanecer onde estão, sem precisar migrar para as cidades, a partir da expropriação das terras que não cumprirem com índices de produtividade mais altos, visando a reforma agrária. É com esse horizonte que devemos lutar pela a redução da jornada de trabalho sem redução dos salários (citar a tramitação), criando mais empregos, combatendo a precarização da mão de obra e gerando mais tempo livre para que a juventude tenha acesso a uma formação integral, com direito à cultura e ao lazer.

O governo do Presidente Lula, representa um avanço sem igual para nós jovens. As diversas políticas públicas para a juventude como o ProUni, Reuni, Pro-jovem, a ampliação das escolas técnicas, dentre outras, são importantes iniciativas de inclusão da juventude que precisam ser cada vez mais aprofundadas.

Mas é preciso dar continuidade a isso e ir além, mudar a vida da juventude. Nós jovens devemos ter garantido o nosso direito ao trabalho. Apesar das mudanças em curso, a juventude ainda é a parcela que mais sofre com o desemprego e a precarização dos salários e condições de trabalho. Aliás, a forma como entramos no mundo do trabalho tem forte influência sobre nossa trajetória profissional. No entanto, mais que um acesso decente ao mundo do trabalho, precisamos também ter o direito de não precisar trabalhar tão cedo como ocorre atualmente e poder nos desenvolver cultural e intelectualmente.

Mas para isso é preciso que a escola passe a dialogar com as nossas diferentes realidades e dilemas. Só conseguiremos dar conta de nossos deveres se o nosso direito à educação, sempre pública, nos for garantido desde a creche até a pós-graduação, sem filtros anti-democráticos e que privilegiem minorias, como é o vestibular. Não queremos contribuir com a produção de ciência e tecnologia para ampliar os lucros de poucos, mas para auxiliar no atendimento das necessidades do ser humano e do desenvolvimento ambientalmente sustentável.

Queremos que os meios de comunicação monopolizados pela iniciativa privada e a indústria cultural que destrói nossas raízes populares percam espaço para uma produção autônoma e democrática das nossas jovens revelações que surgem de nossas periferias e pequenas cidades. Não aceitamos que empresários tratem nosso patrimônio cultural histórico como mercadoria a ser vendida e comprada, trazendo segregação no acesso à produção cultural de acordo com a renda das pessoas.

Dizemos em alto e bom som: somos as principais vítimas da repressão policial e do crime organizado. Está em curso um verdadeiro genocídio da juventude, sobretudo dos jovens negros, pobres e moradores das periferias dos grandes centros urbanos. Parece óbvio, mas é preciso dizer que não é esse o futuro que queremos. Somos muito melhores que este destino traçado para nós. Temos potencial e queremos a oportunidade de aproveitá-lo.

Quem quiser se unir a essa luta venha conosco! Não temos tempo a perder. Para construir um mundo socialista que nos permita a felicidade, a hora é agora.

Juventude do Partido dos Trabalhadores

25 de setembro de 2009.

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Lançada Campanha para Jovens Contra Violência Doméstica

A motorista Fernanda Silveira de Oliveira tinha 16 anos quando começou a sofrer agressões do marido, na época com 18 anos. Foram dez anos de violência até que resolveu largá-lo. Fernanda nunca denunciou as agressões. Segundo ela, era muito jovem, não sabia a quem recorrer e tinha medo que os pais soubessem que apanhava do companheiro.

Hoje, Fernanda, com 48 anos, sabe que existem instrumentos importantes para punir os homens que agridem suas companheiras, como a Lei Maria da Penha. Ela tem plena consciência da importância de denunciar esse tipo de violência que, segunda Fernanda, atinge também os jovens casais, como foi o seu caso. “Estes dias vi uma menina no meio da rua apanhando do companheiro. Ela deveria ter uns 14 anos e ele, 17”, disse.

Na comunidade onde mora, em Mogi das Cruzes, a motorista Fernanda Silveira de Oliveira se transformou numa espécie de orientadora individual contra esse tipo de crime. Segundo ela, todas as vezes que aparece uma oportunidade aconselha as mulheres para que denunciem as agressões que sofrem de seus companheiros.

Para combater esta modalidade de violência, a Secretaria Especial de Políticas Para Mulheres lançou hoje (1º) a campanha Maltrato Zero, em parceria com a Secretaria Geral Ibero-Americana (Segib) e o apoio da Secretaria Nacional da Juventude.

Pela primeira vez, os homens aparecem em uma campanha contra a violência doméstica alertando sobre o problema. “A violência não é um problema das mulheres, é um problema social”, afirmou a ministra Nilcéa Freire.

Segundo a ministra, é importante conscientizar os jovens – a campanha pretende atingir 150 milhões de jovens em todo o mundo. “Cada vez mais os casais jovens tendem a resolver seus conflitos com violência”. Por isso, a campanha privilegiou os rostos jovens para dialogar com esta população- “muitas campanhas do tipo são direcionadas para mulheres adultas. Queremos conversar com todas, mas principalmente as jovens”, disse.

De acordo com Nilcéa Freire, a ideia da campanha surgiu durante a última reunião de chefes de Estado em El Salvador, no ano passado. “Outro aspecto importante desta campanha é fazer um diálogo em todos os países ibero-americanos”, afirmou.

A campanha Maltrato Zero será veiculada em 21 países nos idiomas português e espanhol. Nas peças publicitárias, uma mulher afirma que nenhum homem em sua vida está acima dela. Em outro spot, um homem diz que “das mulheres que fazem parte da minha vida, nenhuma será menos do que eu”.

Para o secretário-geral da Segib, Enrique Iglesias, “é preciso criar a cultura de não violência nestes países”. Além do material informativo, a campanha tem também um website: http://www.maltratozero.com.

Para a motorista Fernanda, a campanha pode ser um bom começo no processo de conscientização. “Mas acho que não depende apenas do governo. As famílias devem conversar com seus filhos e explicar que a violência não é a solução dos problemas”, afirmou.

Publicado pelo Portal Terra, 01/10/09.