O país mais distante da crise

luis_nassif

No Seminário dos 15 anos da revista Carta Capital, a estrela foi o economista norte-americano Noriel Roubini, o primeiro a prever a crise econômica que se abeteu sobre o mundo, a partir da qubra do Lehman Brothers.

A visão de Roubini é que se está em uma trégua, que não deverá durar muito. Houve uma certa calma nos mercados, após a intervenção do FED (o Banco Central norte-americano) e dos bancos europeus. E alguma euforia com a entrada da China no mercado de commodities, realizando compras maciças.

Mas os problemas estruturais permanecem.

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O primeiro deles, é que a euforia com a China não deverá durar muito. O problema da China é estimular o mercado interno. O governo montou uma política de acumulação de fatores de produção – estoques de matérias primas. Acontece que a economia chinesa vive problemas de excesso de capacidade ociosa, superinvestimentos redundantes, da mesma maneira que ocorreu com os Estados Unidos no final do século 19. Será impossível ao mercado interno substituir a queda de exportação.

Outro ponto complicado é que permanece um amplo estoque de ativos tóxicos no mercado. Os principais indicadores da economia norte-americana não pararam de cair, nem o de consumo das famílias, nem o de preços dos imóveis. A cada queda, a crise se alastra do subprime (os créditos de alto risco) para os créditos de risco menor.

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Vencida a pior fase da crise, além disso, levará muitos anos até que os Estados Unidos possa recuperar os dois motores do desenvolvimento das últimas décadas: endividamento familiar e uma estrutura de oferta de crédito abundante. Ambos foram duramente atingidos pela crise e levará muito tempo até que se recomponham.

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Sem China e sem EUA, dificilmente haverá uma recuperação consistente da economia mundial. Lembra Roubini que dois terços da economia global está em recessão. Obviamente afetará os países emergentes, fornecedores de matérias primas.

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Mesmo assim, o Brasil está em uma situação privilegiada – e aí a análise é de Delfim Netto, Luiz Gonzaga Belluzzo e do senador Aloisio Mercadante. Os canais de crédito começaram a ser desobstruídos. Medida muito importante – e pouco percebida – foi o Fundo Garantidor de Crédito, pelo qual o Banco Central colocou em bancos médios e pequenos recursos da ordem de US$ 20 milhões. Muitos desses bancos, que vinham recorrendo a recursos dos fundos de pensão, conseguiram se equilibrar. E esses bancos são agentes relevantes de financiamento, especialmente às pequenas e micro empresas.

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Outro ponto relevante foi a manutenção do nível de renda dos assalariados. A pequena perda observada na renda dos empregados com carteira de trabalho foi contrabalançada pela manutenção e melhoria da baixa renda, graças ao aumento do mínimo e à Bolsa Família.

Além disso, o Brasil possui algumas vantagens em relação à China. Há espaço para redução dos juros e um mercado interno suficientemente robusto para compensar os problemas enfrentados pelas exportações.

Até o final do ano, o país deverá estar crescendo a um bom ritmo.

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