Delito de opinião

O jornal Valor publica matéria hoje, assinada por Cláudia Schüffner, sobre a Petrobras e a CPI.

Um indiscutível artigo de opinião, porem não apresentado como tal, que procura dar basamento a ação do PSDB para atacar a Petrobras.

Na opinião de Cláudia Schüffner, na época de FHC a empresa caminhava para sua modernização e profissionalização afastando as ingerências políticas. Segundo ela, “O que se imaginava naquela gestão era que a Petrobras estava sendo “blindada” contra ingerências políticas”. Diferentemente com Lula: “Nunca antes na história recente do país um governante usou tanto a Petrobras como palanque político.”

Os “crimes” de Lula vão desde a participação nas inaugurações e descobertas da Petrobras (como no pre-sal), até a Petrobras investir no combate a fome.

“Entre as fotos mais emblemáticas de seu governo estão aquelas em que o presidente aparece com a mão suja de petróleo comemorando a autossuficiência do país na plataforma P-50, em 2006. Sob o PT, a estatal lançou o programa Petrobras Fome Zero, com orçamento de R$ 303 milhões.

Com Lula a Petrobras também se tornou ponta-de-lança do programa de biocombustíveis do governo. A Petrobras que detém a completa tecnologia para exploração e produção de petróleo em águas ultraprofundas é a mesma que assina contratos de assistência técnica agrícola para incentivar programas de agricultura familiar do Ceará e Piauí. A Petrobras Combustíveis é hoje comandada pelo ex-ministro de Desenvolvimento Agrário Miguel Rossetto, um dos fundadores do PT.”

Que horror!

Mas o que me chamou a atenção particularmente neste artigo em favor dos objetivos tucanos, foi um paragrafo a meu ver muito significativo.

Escreve Cláudia Schüffner:

“A Diretoria de Exploração e Produção, uma das mais importantes da estatal e a que tem o maior orçamento de investimento – US$ 104,6 bilhões, o equivalente a 59% do plano estratégico até 2013, que soma US$ 174,4 bilhões – é dirigida pelo petista histórico Guilherme Estrella, um geólogo aposentado da Petrobras, onde teve uma prolífera carreira, incluindo uma passagem pelo Iraque quando estava na Braspetro. O bom currículo era obscurecido, na época, pela informação de que tinha fundado um diretório do PT em Nova Friburgo e por algumas opiniões nacionalistas consideradas excessivas depois da abertura do setor.”

O homem teve “uma prolifera carreira”e “um bom currículo”, mas foi “obscurecido” esse “bom currículo” pela informação “que tinha fundado um diretório do PT. e por opiniões nacionalistas consideradas excessivas depois da abertura do setor”. Ou seja o delito de opinião e o patrulhamento ideológico transforma um “bom currículo” em mancha?

Vejam bem, o direito de filiação partidária é garantido na constituição. A defesa do petróleo brasileiro e da Petrobras como empresa estatal, -as “opiniões nacionalistas”- eram objeto de perseguição (como são ainda hoje) capaz de “obscurecer” o “bom currículo” de um funcionário da Petrobras.É isso o que nos informa Cláudia Schüffner!

Os mesmos que assim perseguem e patrulham, são os que com ajuda da mídia proclamam a necessidade de implementar a “boa governança” afastando a Petrobras dos “políticos”. Os únicos políticos que incomodam são os que possam ter “opiniões nacionalistas” ou ligados ao PT. Os outros, nenhum problema.

Os que acompanham este blog sabem que tenho defendido em várias oportunidades o presidente do Banco Central e também tenho criticado aspetos de sua atuação. Nunca passaria pela minha cabeça considerá-lo, por sua filiação anterior ao PSDB e suas “opiniões liberais excessivas”, pouco idôneo para o cargo. Ou seu bom currículo estaria obscurecido por esses “pecados”? E o mesmo podemos dizer de dezenas e centenas de funcionários que passaram pelos 8 anos de governo FHC, muitos abertamente simpáticos as teses peessedebistas e que foram mantidos ou promovidos no governo Lula.

Acontece com a liberdade de opinião o mesmo que acontece com a necessidade de “transparência”. Ela só é invocada para atacar o governo Lula, o PT e a esquerda. Quando se trata do PSDB, a “limpeza ideológica” é modernidade e as negociatas “livre iniciativa”. (vejam quantos políticos derrotados do PSDB ocupam hoje cargos nas subprefeituras de Kassab ou nas secretárias e estatais de Serra).

CPI no governo paulista? CPI da gestão Yeda Criusus? CPI da merenda escolar de Kassab?

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