Sem motivos para comemorar

No último domingo 10 de maio – Dia das Mães –, não foram poucas as mães brasileiras que não tiveram o que comemorar. Em 2007, 67% dos jovens do sexo masculino mortos entre 15 e 24 anos morreram de forma violenta. Esse dado pode ser verificado em pesquisa divulgada em dezembro de 2008 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Esses números vêm aumentando desde o início da década de 1980.

Mais do que uma constatação da violência sobre os jovens, as estatísticas nos permitem perceber que este quadro é ainda mais preocupante entre os jovens negros e que carregam o estigma de serem moradores de espaços populares. Há um processo de criminalização da pobreza que tem seu efeito mais perverso no número de mortes violentas de jovens moradores dessas áreas.

No caso específico da cidade do Rio de Janeiro, observamos que um percentual significativo dos homicídios e outras formas de violência concentram-se em áreas periféricas da cidade (Zonas Norte e Oeste). Podemos dizer que a morte tem cor, classe, território e idade: são pretos ou pardos, pobres, moradores de espaços populares e têm a idade entre 15 e 24 anos. Um jovem com essas características tem 25 vezes mais chances de ser assassinado do que um outro jovem morador de áreas nobres da cidade.

É certo que a violência policial nessas localidades é um fator que contribui para a elevação desses números. O aumento do número de autos de resistência na capital carioca não encontra correspondência nas taxas de apreensão de drogas e armas. Em 2007, enquanto houve aumento do número de autos de resistência – de 1066 para 1330 –, o número de apreensão de armas e drogas registrou queda. Em 2006 foram apreendidos 13.312 quilos de drogas, contra 11.062 quilos em 2007. As apreensões de armas também caíram, de 10.793 unidades para 10.178. Essa relação fez com que o relator da ONU, Philip Alston, considerasse a política de segurança pública do Rio de Janeiro “contraproducente”. De acordo com Alston, a proporção entre as mortes e as prisões das mega-operações nas favelas “indica a ausência de ações coordenadas de inteligência, indica, mais do que isso, que a ação do Estado se torna cada vez mais criminalizadora da pobreza”.

São freqüentes os casos de mortes de crianças, adolescentes e jovens em favelas cariocas, o que indica que falta critério nas ações policiais dentro dos espaços populares e que as vidas dos moradores desses locais têm um valor diferenciado em relação aos moradores de outras regiões.

Essa criminalização não vem apenas da política de segurança pública do estado, mas também da mídia, que raramente cobre a vida cotidiana dos moradores de favelas, restringindo suas pautas às páginas policiais. Dessa forma, os espaços populares e favelas são diretamente associados ao crime, principalmente por conta da presença do tráfico nesses locais. Além disso, a ausência do poder público nesses espaços é tida como natural e cria-se um sentimento de que a pobreza deve ser combatida e eliminada.

artigo publicado originalmente no observatório de favela

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Matriculas do Projovem Urbano começam na segunda-feira dia 18 de maio

E isso ai rapaziada de Governador Valadares. As matriculas do Projovem Urbano começam na proxima segunda feira dia 18 de maio. Serão mais de 20 pontos de matriculas espalhados por varios pontos da cidade.

Você que tem entre 18 a 29 anos e que tem até a 8 serie imcompleta não pode perder essa oportunidade.

alem de concluir o ensino fundamental, vc vai ter uma formação cidada, vai concluir um curso profissionalizante e de quebra vai ganhar uma bolsa de R$ 100.00 mensais, durante os 18 meses do programa.

nos proximos post divulgaremos os locais de inscrição

MEC e secretários de Educação querem tornar Enem obrigatório

Durante reunião no Ministério da Educação (MEC) para conhecer os conteúdos do novo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), o Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed) anunciou que quer universalizar a prova.
A mudança pode começar já em 2010. Hoje a participação no Enem é voluntária, mas, pela proposta, passaria a ser obrigatória para todos os estudantes da rede pública. Em 2008, 4 milhões de alunos se inscreveram no exame.
A ideia é que com a universalização, o Enem passe a certificar a etapa. Ou seja, para obter o diploma do ensino médio, o aluno precisará participar da prova.
A presidente do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed), Maria Auxiliadora Seabra, a universalização do Enem pode melhorar a avaliação dos processos de aprendizagem.
“Assim como já temos a universalização da Prova Brasil para o ensino fundamental, a universalização do Enem com esse novo propósito será importante para as redes de ensino”, avaliou.
Para ela, o formato atual, em que a participação do Enem é voluntária, causa distorções nas notas que são atribuídas a cada escola. “Quanto mais a escola se enxergar no exame, com a participação de todos os alunos, ela pode entender quais são as suas deficiências e melhorá-las.”
Para os alunos que estão fora da rede, o Enem vai substituir o Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos (Encceja). O exame tem o objetivo de avaliar as competências e habilidades básicas de jovens e adultos que não tiveram acesso ao ensino regular na idade adequada. Nesse caso, para obter o diploma do ensino médio, o aluno terá de alcançar uma nota mínima, que será determinada pelas secretarias de estado.
Segundo informou o MEC, o ministro Fernando Haddad acatou a proposta e pediu um estudo de logística para garantir que os estudantes tenham acesso aos locais de prova em todo território nacional.
Ontem (13) o ministro divulgou a matriz de habilidades do novo Enem. Segundo ele, a prova será mais focada na compreensão de problemas do que na memorização de datas ou fórmulas. Segundo Haddad, os conteúdos cobrados na edição de 2009 permanecerão os mesmos ministrados hoje pelo ensino médio.
A matriz desses conteúdos foi apresentada na manhã de hoje (14) aos secretários de Educação, que aprovaram a proposta. O documento será divulgado ainda hoje no site do MEC.