NOS CORREDORES DA PREFEITURA

Rola nos corredores da prefeitura de Governador Valadares, que na ultima reunião do secretariado da prefeita Elisa Costa ela botou a boca no trombone a respeito das contratações. Ela disse que está trombano nos corredores da prefeitura pessoas que nem colocaram um olho durante a campanha eleitoral. finalizou dizendo que a partir de agora não vai permitir, pois cargo na prefeitura só quem participou da campanha

Revolução Cubana: 50 anos de resistência e dignidade

Segue mais um artigo interessante que foi postado no Le MOnde edição brasileira.
Arrancados de séculos de opressão e atraso, os cubanos jamais se resignarão. Como um país pobre pode construir uma sociedade mais justa para todos. Depois de 50 anos da revolução, Cuba tem a mais baixa taxa de mortalidade infantil e um dos maiores pólos culturais da América Latina

Tiago Nery

(12/01/2009)

Equilibrando-se entre o realismo e a utopia, a Revolução Cubana está completando 50 anos. Nos primeiros dias de janeiro de 1959, após pouco mais de dois anos de luta guerrilheira, o Exército Rebelde, liderado por Fidel, Raul, Camilo e Guevara, entrava triunfalmente em Havana, iniciando um novo capítulo na história do país. O impacto da Revolução iria transcender em muito seus limites territoriais, repercutindo sobre sucessivas gerações de jovens, trabalhadores e intelectuais de várias partes do mundo, sobretudo da América Latina. Pela primeira vez, a própria idéia de revolução, que soava sempre tão distante para os latino-americanos (a exemplo das revoluções mexicana, russa e chinesa), passava a ser um tema da atualidade.

A polarização da época da Guerra Fria fez com que muitas análises sobre a Revolução Cubana estivessem impregnadas pelo clima daquele período e ignorassem as verdadeiras origens do movimento comandado por Fidel Castro. A revolução de 1959 tem profundas raízes na trajetória histórica nacional, cujos antecedentes remontam ao período da luta pela independência. Cuba foi a última colônia da América Latina a libertar-se da Espanha, em 1898, num processo que se estendeu por um período de 30 anos, em que se sucederam duas guerras de independência. A primeira, conhecida como a “Guerra dos dez anos” (1868-1878), foi liderada pelo advogado e proprietário de terras Carlos Manuel de Céspedes, considerado o “pai da pátria”. A segunda, iniciada em 1895, teve como principal ideólogo o advogado, jornalista e poeta José Martí, principal intelectual cubano e um dos mais importantes do continente, que desencadeou um movimento mobilizando amplos setores populares.

Antes de se tornar socialista, a Revolução Cubana foi um movimento de afirmação da soberania nacional. Já Fidel e Guevara representavam a sublimação do tradicional caudilho latino-americano em líder autenticamente popular

No momento em que a vitória das forças independentistas estava próxima a concretizar-se, o governo dos EUA resolveu entrar no conflito, provocando uma guerra contra a Espanha. Vitoriosos, os norte-americanos reconheceram a independência de Cuba, apesar de imporem, em 1902, uma emenda constitucional (emenda Platt), que permitia aos Estados Unidos exercerem o direito de intervenção no sentido de “preservar a independência cubana”. Com isso, Cuba tornava-se, na realidade, um protetorado dos EUA.

A atuação norte-americana frustrou as expectativas de liberdade e soberania que alimentaram o movimento desde o início. A desilusão com o desfecho serviria como elemento crucial para a formação de uma singular consciência nacionalista, que passaria a reivindicar uma terceira guerra emancipatória – contra o imperialismo estadunidense. Dessa forma, o processo revolucionário que derrubou a ditadura de Fulgencio Batista retomaria a trajetória dos movimentos independentistas do século 19, vinculando a libertação nacional e social aos desafios da Guerra Fria (Ayerbe, 2004).

O movimento revolucionário de 1959, iniciado em 1953, com a criação do Movimento 26 de Julho, guarda profundas conexões com aquele liderado por Martí algumas décadas antes. Em A história me absolverá, histórica autodefesa de Fidel Castro por ocasião de sua prisão, após a frustrada tentativa de tomar o quartel de Moncada, o futuro líder da revolução afirmou: “Impediram que chegassem às minhas mãos os livros de Martí. Parece que a censura da prisão os considerou demasiado subversivos. Ou será porque considerei Martí o autor intelectual do 26 de Julho?” (Castro, 1979, p. 22). Percebe-se, dessa forma, que antes de se tornar socialista, a Revolução Cubana foi um movimento de afirmação da soberania nacional. A guerra revolucionária não recebeu nenhuma ajuda da então URSS, assim como o Partido Socialista Popular (comunista), que inicialmente rejeitara as ações armadas e havia condenado o assalto ao Moncada, só apoiaria a guerrilha em sua fase final.

Comentando sobre a originalidade do processo cubano, o crítico literário Antonio Candido (1992) afirmou que líderes como Fidel e Guevara representavam uma formação política singular e aparentemente impossível: a sublimação do tradicional caudilho latino-americano em líder autenticamente popular. Dessa maneira, assim como em Cuba o caudilho potencial transformou-se em líder responsável, comprometido com o socialismo, a tradição radical, vinda de pensadores como José Martí, permitiria que o marxismo se ajustasse à realidade do país.

as experiências socialistas do século 20 foram obrigadas a dividir seus esforços entre a sobrevivência em relação aos inimigos externos e a construção de uma sociedade que se pretendia mais justa e avançada

A queda do Muro de Berlim e o fim da URSS só viriam confirmar que Cuba não era um satélite soviético. Por acreditar que, sem o apoio do bloco socialista, a queda do regime cubano seria apenas uma questão de tempo, o governo dos EUA endureceu o bloqueio econômico nos anos 1990, por meio de medidas extraterritoriais como a emenda Torricelli e a lei Helms-Burton. De acordo com o direito internacional, o embargo unilateral é considerado uma medida ilegal. Recentemente, a Assembléia Geral das Nações Unidas aprovou, pela 17ª vez consecutiva, uma resolução que condena os EUA pelo bloqueio imposto a Cuba há 47 anos. Dos 192 países que pertencem à ONU, 185 condenaram o embargo estadunidense.

Mesmo com o recrudescimento das sanções, o governo cubano conseguiu não apenas manter mas também melhorar algumas das principais conquistas sociais da revolução. No âmbito da saúde, Cuba atingiu recentemente a mais baixa taxa de mortalidade infantil da sua história: 5,3 em cada mil nascidos vivos. Trata-se da segunda menor taxa das Américas, ao lado do Canadá. Na área cultural, a Casa das Américas, fundada por Haydée Santamaría, continua sendo um importante centro de difusão da literatura latino-americana. Igual importância tem o festival internacional de cinema de Havana, que acaba de realizar sua 30ª edição.

Além dos avanços, a Revolução Cubana também apresenta contradições e problemas. Por exemplo, muitos questionam o regime de partido único, o monopólio da imprensa estatal e as restrições a algumas liberdades individuais. Ademais, nos últimos anos, em virtude das reformas econômicas introduzidas com o colapso do campo socialista, a sociedade cubana passou a experimentar um nível de desigualdade ao qual não estava acostumada.

No entanto, entre as principais fragilidades das críticas endereçadas a Cuba, ressalta-se a ausência de perspectiva histórica, que ignora os contextos e os desafios que influenciaram as escolhas dos dirigentes cubanos, sempre condicionadas pela ação dos sucessivos governos norte-americanos. Além disso, deve-se observar que as experiências socialistas do século 20 foram obrigadas a dividir seus esforços entre a sobrevivência em relação aos inimigos externos e a construção de uma sociedade que se pretendia mais justa e avançada. No caso de Cuba, a pressão do exterior tem sido incessante ao longo dos últimos 50 anos. Segundo o historiador Luis Fernando Ayerbe, “nenhum sistema pode desenvolver suas potencialidades vivendo em clima de permanente conflito, que é justamente o mais favorável ao fortalecimento das tendências autoritárias existentes” (Ayerbe, 2004, p.119).

Com seus erros e acertos, a Revolução Cubana mostrou a muitos povos que um país pobre pode construir uma sociedade mais justa para todos. Trata-se de uma ilha, arrancada de séculos de opressão e atraso, que se ergueu para construir uma nova história, a que lhe foi negada. Darcy Ribeiro afirmou certa vez que, na América Latina, só havia dois destinos: ser resignado ou ser indignado. Os cubanos jamais se resignarão.

Referências Bibliográficas:

AYERBE, Luis Fernando. A Revolução Cubana. São Paulo: Editora UNESP, 2004. (Coleção Revoluções do século XX)

CANDIDO, Antonio. “Cuba e o socialismo” In: SADER, Emir (Org.) Por que Cuba?. Rio de Janeiro: Revan, 1992.

CASTRO, Fidel. A história me absolverá. 3ª ed. São Paulo: Alfa – Omega, 1979.

FMI PEDE NACIONALIZAÇÃO DOS BANCOS

Enquanto o FMI (Fundo Monetário Internacional) recomendou abertamente ontem a nacionalização de bancos privados para enfrentar a atual crise de crédito, o secretário do Tesouro norte-americano, Timothy Geithner, afirmou que em breve anunciará um novo pacote de ajuda às instituições financeiras.

 Confrontado com a opção pela nacionalização de alguns bancos, Geithner afirmou: “Nosso sistema financeiro pertence a acionistas privados e é gerido por instituições privadas. Nós gostaríamos de fazer o possível para mantê-lo dessa maneira”.

 Várias opções vêm sendo consideradas pelo Tesouro para a segunda etapa do socorro ao sistema financeiro, que deverá custar, no mínimo, US$ 350 bilhões. Essa é a segunda parcela do pacote de US$ 700 bilhões aprovado pelo Congresso no ano passado.

 Entre as saídas, figura a criação de um “banco podre” estatal. As instituições privadas transfeririam para esse “banco podre” os chamados títulos “tóxicos” (resultados de empréstimos malfeitos e sem garantias) de suas carteiras.

 Em troca, o governo converteria esses ativos “tóxicos” em títulos que poderiam ser transformados em ações dos bancos caso o Tesouro queira. Com isso, o governo aumentaria o poder de pressão sobre os bancos, como já vem fazendo.

 Embora Geithner fale em “sistema privado”, com os socorros realizados até aqui (e que já se estenderam a quase 300 bancos), os contribuintes norte-americanos já são, individualmente e na prática, os principais acionistas das duas maiores instituições no país. O governo já tem 6% das ações do Citigroup e cerca de 8% das do Bank of America.

 Depois de ter recebido US$ 45 bilhões em dinheiro público, por exemplo, o Citigroup foi pressionando pelo Tesouro a abandonar a compra de um jato de US$ 50 milhões. Agora, o Bank of America está sendo instado a adiar para 2010 o pagamento de eventuais bônus.

 Essa “estatização branca”, como vem sendo chamada, poderá aumentar ainda mais com a criação do “banco podre” estatal. Seu objetivo é limpar as carteiras de empréstimos dos bancos e permitir que eles voltem a assumir novos riscos, fornecendo mais crédito.

 Hoje, o mercado de crédito está travado justamente porque os bancos temem emprestar mais, levar novos calotes e assim aumentarem ainda mais o rombo em suas carteiras.

 Até agora, segundo relatório do FMI divulgado ontem, só os bancos norte-americanos precisaram de mais de US$ 2,2 trilhões para cobrir perdas com esses ativos “tóxicos”. Segundo o Fundo, serão necessários pelo menos mais US$ 500 bilhões para que o sistema se estabilize -o que não significa que todas as perdas serão cobertas.

 Nacionalização
 Diante dos rombos trilionários, o diretor do Departamento para o Mercado Financeiro e de Capitais do FMI, o espanhol Jaime Caruana, defendeu com todas as letras ontem a nacionalização de alguns bancos.

 “Sobre a possibilidade de eventuais nacionalizações, a intervenção total das autoridades talvez se faça necessária”, afirmou Caruana. “Nesse caso, a questão de quanto pagar pelos ativos dos bancos é menos importante, já que as autoridades estarão no controle.”

 Caruana acrescentou que “a “limpeza” das carteiras dos bancos é fundamental, pois o crédito vai continuar deteriorando se a confiança não for readquirida”. “Isso precisa ser feito imediatamente”, disse.

 Apesar do discurso pró-mercado, os EUA já nacionalizaram bancos no passado. No fim da década de 1980 foi criada a Resolution Trust Corporation, que assumiu carteiras “podres” dos então chamados “bancos zumbis”, impôs perdas aos acionistas e afastou controladores das instituições.

 Depois de limpos, os bancos foram vendidos, fundidos com outros ou eliminados. Na época, o plano consumiu US$ 130 bilhões e envolveu bancos pequenos, médios e regionais.

 Com um novo pacote de ajuda a caminho, as ações dos bancos lideraram ontem.

 

fonte. Folha de são Paulo