O preço da qualidade de ensino 2009/11/13
Posted by edsonjrodrigues in Educação, Informação.Tags: almento de mensalidades, almento nas mensalidades, direitos do consumidor, direitos dos alunos, Educação, ENEM, ensino medio, ensino privado, escolas privadas, estudantes, iedc, inadimplência, Jovens, Juventude, legislação mensalidade, pré-vestibular, procon, qualidade da educação, ranking nacional do enem, sindicato dos professores, UBES, UNE
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Fonte G1
As melhores escolas particulares de ensino médio do Brasil vão reajustar as mensalidades em até 10% no ano que vem, percentual superior à inflação oficial para 2009, prevista pelo Banco Central em 4,3%.
O G1 consultou as 20 escolas pagas com maiores notas no ranking nacional do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2008, divulgado neste ano.
Confira abaixo os valores cobrados neste ano pelas escolas e a previsão para o próximo ano. Das 20 escolas, sete ainda não definiram o percentual de reajuste nem informaram estimativas para 2010. A legislação permite que a definição ocorra, no máximo, até 45 dias antes do início das aulas.
| REAJUSTE NAS MELHORES ESCOLAS PARTICULARES DE ENSINO MÉDIO NO PAÍS | |||||
| Instituição | Local | Colocação no Enem (*) | Nota no Enem | Mensalidade em 2009 | Mensalidade em 2010 |
| Colégio de São Bento | Rio de Janeiro (RJ) | 1º | 80,58 | R$ 1.616,91 para 1º e 2º ano e R$ 1.752,39 para 3º ano | não definido (**) |
| Colégio Bernoulli | Belo Horizonte (MG) | 2º | 77,38 | R$ 812 para 1º e 2º ano e R$ 922 para 3º ano | R$ 868 para 1º e 2º ano – reajuste de 6,8% – e R$ 988 para 3º ano – reajuste de 7,1% |
| Colégio Santo Antônio | Belo Horizonte (MG) | 3º | 76,43 | R$ 707,07 | não definido |
| Colégio Helyos | Feira de Santana (BA) | 4º | 76,34 | R$ 874 para 1º e 2º ano e R$ 998 para 3º ano | correção pela inflação (estimativa) |
| Colégio WR | Goiânia (GO) | 5º | 76,26 | R$ 790 para 1º e 2º ano e R$ 820 para 3º ano | não definido |
| Colégio Santo Inácio | Rio de Janeiro (RJ) | 6º | 76,09 | R$ 1.212 para 1º e 2º ano e R$ 1.398 para 3º ano | R$ 1.308 para 1º e 2º ano – reajuste de 7,9% – e R$ 1.508 para 3º ano – reajuste de 7,8% (**) |
| Colégio Santo Agostinho | Rio de Janeiro (RJ) | 8º | 75,97 | R$ 1.089,73 para 1º e 2º ano e R$ 1.404,32 para 3º ano | não definido |
| Colégio Vértice | São Paulo (SP) | 9º | 75,97 | R$ 2.096 para 1º e 2º ano e R$ 2.654 para 3º ano | 6% (estimativa) |
| Colégio Bandeirantes | São Paulo (SP) | 11º | 75,86 | R$ 1.757 | R$ 1.908 – reajuste de 8,5% |
| Coleguium | Belo Horizonte (MG) | 12º | 75,71 | R$ 675 para 1º e 2º ano e R$ 799 para 3º ano | entre 6% e 10% (estimativa) |
| Instituto Dom Barreto | Teresina (PI) | 13º | 75,5 | R$ 597,10 | R$ 647,85 – reajuste de 8,5% |
| Colégio Etapa | Valinhos (SP) | 14º | 75,23 | R$ 1.707,00 | entre 8% e 9% (estimativa) |
| Colégio Santo Agostinho | Belo Horizonte (MG) | 16º | 74,62 | R$ 695,50 para 1º e 2º ano e R$ 845,00 para 3º ano | R$ 748,00 para 1º e 2º ano – reajuste de 7,5% – e R$ 908,00 para 3º ano – reajuste de 7,5% |
| Colégio Móbile | São Paulo (SP) | 17º | 74,6 | R$ 1.730,00 | R$ 1.900,00 – reajuste de 9,8% |
| Colégio Magnum Agostiniano | Belo Horizonte (MG) | 18º | 74,39 | R$ 660,00 para 1º e 2º ano e R$ 792,00 para 3º ano | matrícula é R$ 700,29 para 1º e 2º ano – reajuste de 6,1% - e R$ 839,00 para 3º ano – 5,9%; mensalidades ainda não foram definidas |
| Colégio PH | Niterói (RJ) | 19º | 74,32 | R$ 1.800,00 para 1º e 2º ano e R$ 2.600,00 para 3º ano | não definido (**) |
| Colégio Loyola | Belo Horizonte (MG) | 20º | 74,25 | R$ R$ 785 para 1º e 2º ano e R$ 901 para 3º ano | R$ 848 para 1º e 2º ano – reajuste de 8% – e R$ 973 para 3º ano – reajuste de 7,9% |
| Instituto Gaylussac | Niterói (RJ) | 22º | 73,87 | R$ 1.015 para 1º ano; R$ 1.036 para o 2º; e R$ 1.153 para 3º ano | não definido |
| Educandário Santa Maria Goretti | Teresina (PI) | 23º | 73,79 | R$ 647 para 1º e 2º ano e R$ 695 para 3º ano | não definido |
| Colégio Cruzeiro | Rio de Janeiro (RJ) | 24º | 73,67 | R$ 1.383,66 | R$ 1.479 – reajuste de 6,8% (**) |
| (*) Considerando apenas as escolas particulares pelo ranking nacional. A escola 7ª colocada, Colégio Engenheiro Juarez de Siqueira Britto Wanderley, ligada ao Instituto Embraer, embora particular, é gratuita. As escolas na 10ª, 15ª e 21ª colocações no Enem são uma segunda unidade de colégios já presentes no ranking. | |||||
| (**) Informação fornecida pelo departamento de finanças ou secretaria e não confirmada pela assessoria de imprensa | |||||
| Fonte: escolas | |||||
De acordo com as escolas consultadas pelo G1, o reajuste superior à inflação vai ocorrer porque, segundo elas, a qualidade do estabelecimento depende de investimento em infra-estrutura e profissionais.
Virgílio Machado, diretor do Coleguium, entre as melhores escolas de ensino médio do país conforme o ranking do Enem, informou que os reajustes devem variar entre 6% e 10% porque há previsão de expansão. O percentual exato, no entanto, ainda não foi definido.
“Teremos investimentos em infraestrutura, treinamento e ampliação de equipe em várias unidades, mas ainda seus custos ainda estão sendo apurados”, disse. Para 2010, a escola vai implantar o ensino médio em horário integral.
O Colégio Bernoulli, de Belo Horizonte (MG), segundo colocado no ranking nacional do Enem, vai aumentar em até 7% as mensalidades do ensino médio. Novos investimentos estão previstos para 2010.
“Está sendo construída uma nova sede educacional que abrigará exclusivamente os alunos de 3ª série do ensino médio e pré-vestibular. Nesta unidade também ficará a Editora Bernoulli e toda a parte administrativa do grupo. Com área total de 11.417,48m2, o edifício será distribuído em dez pavimentos e três subsolos”, informou a assessoria de imprensa por e-mail.
O Vértice, colégio mais bem colocado de São Paulo (SP) no ranking nacional, estima que o aumento fique em torno de 6%. Um dos focos de investimento deve ser a expansão das atividades interdisciplinares.
“É uma tendência que já implantamos na área de humanas e vamos expandir para a área de exatas. Vamos incrementar as aulas interdisciplinares e vamos trabalhar com mais professores e pode ser necessário reforçar a equipe”, avalia o diretor Adilson Garcia.
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O que diz a lei
A legislação autoriza as escolas a reajustarem o valor das mensalidades em quaisquer percentuais, desde que haja motivo. A lei 9.870/1999 – clique aqui para ver -, chamada de lei das mensalidades escolares, permite a “variação de custos a título de pessoal e de custeio, comprovado mediante apresentação de planilha de custo, mesmo quando esta variação resulte da introdução de aprimoramentos no processo didático-pedagógico”.
Para o advogado Alessandro Gianeli, do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), qualquer reajuste acima da inflação só é aceitável se as empresas apresentarem a planilha prevista na lei aos pais e comprovarem que farão melhorias na escola.
“O Idec entende que qualquer reajuste acima da inflação é abusivo. O que se admite é aumento proporcional aos custos de pessoal e custeio, mas a única forma que a lei prevê para justificar é a planilha. A escola só pode aumentar acima da inflação se apresentar essa planilha, caso contrário é abusivo.”
O presidente da Federação Nacional das Escolas Particulares (Fenep), José Augusto de Mattos Lourenço, tem entendimento diferente do Inep em relação aos reajustes, que, segundo ele, devem ficar em média entre 4,5% e 6% para o ano que vem.
Inadimplência
Segundo ele, um dos pontos altos para o reajuste ser, de modo geral, superior à inflação é o aumento da inadimplência na rede particular de ensino. Dados do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino de São Paulo (Sieeesp) apontam alta do calote nas escolas do estado. Entre janeiro e setembro deste ano a inadimplência foi de 9,09% contra 8,23% no mesmo período do ano passado.
“Prejudica a escola porque ela tem compromissos e não recebendo precisa pagar as contas e busca dinheiro nas entidades financeiras. Isso vai ter consequência nas mensalidades”, avalia Lourenço.
O Colégio Helyos, em Feira de Santana (BA), diz que só fará a correção pela inflação porque tem índices quase nulos de inadimplência e porque não há previsão de melhorias na infra-estrutura para o próximo período letivo.
“O último aumento acima da inflação foi há dois anos porque implantamos sistema de climatização”, conta o diretor Teomar Soledade Júnior.
Sobre a inadimplência, Soledade Júnior afirmou que os índices são baixos porque faz análise de crédito dos alunos antes de aceitar a matrícula.
“Na nossa escola especificamente, se há possibilidade de inadimplência não matriculamos, mesmo se a pessoa apresentar recibo de que pagou mensalidades da escola anterior. Fazemos análise porque somos uma empresa comercial e tomamos precaução para não enfrentar problemas e acabar prejudicando os alunos que pagam as mensalidades em dia.”
Divergência
A análise de crédito para matrículas em escolas é tema de divergência entre Idec e Fenep. Para a federação, as escolas devem analisar caso a caso e só são aconselhadas a matricular quando o responsável tem “nome sujo” mas apresenta recibos de quitação da escola anterior.
O Idec questiona a prática: “Os estabelecimentos de ensino não são entidades concessoras de crédito e sim prestadoras de um serviço social essencial, portanto, em tese, não deveriam incluir nome de alunos inadimplentes nos cadastros negativos e nem consultá-los no ato da solicitação da matrícula”, diz o advogado Alessandro Gianeli.
“Claro que um estabelecimento de ensino não admitiria ter sido a inadimplência o motivo de eventual recusa de matrícula, porém, se o aluno, pais ou responsáveis souberem ter sido este o motivo, deverão acionar os órgãos de defesa do consumidor ou, em última instância, a Justiça”, completa Gianeli.
Artigo: ENEM 2009, entre a fraude e o conteúdo 2009/10/15
Posted by edsonjrodrigues in Artigos, Educação, Geral, Juventude, Um Giro por MInas e o BraSil, ping.Tags: Educação, ENEM, ensino medio, Ensino Superior, Estudante, estudantes, Exame Nacional, fraude, governo lula, jovem jovens, mec, Pública, privada, PT, raciais, regime de cotas, roubo, supletivo, ufpe, UNE, Universidade
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O Exame Nacional do Ensino Médio, ENEM, foi a grande notícia do setor educacional em 2009. Não pelo escândalo do vazamento da prova, ao contrário do que parece nos últimos dias. O real destaque do ENEM se dá, fundamentalmente, pelo incômodo que ele trouxe a alguns setores econômicos, educacionais, políticos e midíaticos e não pela simples mudança de data em virtude da fraude descoberta. Foi o ENEM em si, sua reformulação e a adoção desse instrumento como principal forma de ingresso nas Universidades brasileiras que causou tamanho rebuliço e até furor.
Não é novidade que o vestibular movimenta no Brasil uma imensa cadeia econômica. Apesar da vultosa expansão de vagas nas Universidades Federais implementada pelo Governo Lula, ainda há uma demanda infinitamente superior. No setor público, só há vagas para 3% da juventude brasileira, e, mesmo incluídas as instituições privadas, quase 90% dos jovens ficam de fora. É em cima desse quadro e da angústia de cada estudante que gira o lucrativo comércio dos cursinhos pré-vestibular. Foram eles os principais prejudicados com a adoção do ENEM como forma de seleção de boa parte das Instituições Federais, a partir desse ano, e são eles e seus aliados os mobilizadores dessa comoção nacional contra o MEC, com direito a impulsionar passeatas estudantis – seus clientes – em todos os cantos do país.
Não é que nos devamos calar diante da fraude de um processo tão importante como esse. Ao contrário, é a cadeia o lugar dos que participaram do vazamento da prova e nisso a Polícia Federal está concentrada. À propósito, cabe lembrar que a cultura da fraude impregna o modo de vida brasileiro. Há pessoas motivadas a corromper, enganar, roubar, trapacear em diversos âmbitos da vida coletiva. O mundo dos concursos não está alheio ao repugnante jeitinho brasileiro de privatizar o que deve ser público. Cotidianamente provas são anuladas por fraude e, muitas vezes, acontece o pior: seguem impunes à interferência privada, ao lobby, ao privilégio de alguns.
Mas, pela quase inexistente condenação pública dos verdadeiros criminosos nas passeatas e matérias jornalísticas sobre o caso, percebe-se que o enfrentamento ao ENEM deflagrado sob essa justificativa tem outra motivação. Quer-se é enfraquecer esse método de seleção e fortalecer o anterior, já condenado pelo processo histórico da formação educacional brasileira. O sistema de vestibular erguido por empresas privadas, que privilegia o conhecimento "decoreba" e os "bizus" e articula-se com o negócio dos cursinhos só favorece à concentração de vagas nas melhores instituições para quem também concentra renda e pode investir muito dinheiro.
Em detrimento, alijam-se das Universidades estudantes que, por outras formas e experiências, adquiriram conhecimento, muitas vezes mais relevante à formação acadêmica e à produção de ciência e tecnologia com função social a que deve se destinar a Educação Superior Pública.
Ainda, por esse sistema, tem sido imbecilizada boa parte da juventude brasileira, que adquire, desde o início da formação escolar, o péssimo hábito da concorrência pela eliminação dos demais colegas, o sofrimento do vestibular como martírio, a limitação da reflexão filosófica pelo acúmulo de números, datas, fórmulas.
Não é à toa que ingressam, todos os anos, nas Universidades do país, muitas pessoas incapazes de compreender o mundo em que vivem, ignorantes à realidade social, às desigualdades regionais, que nunca leram um livro e que vêem os demais seres humanos como inimigos sempre em disputa pelas escassas oportunidades.
É revoltante, portanto, que a tão difícil mobilização estudantil, fruto justamente da cultura egoísta erguida nas escolas, se dê, nesse momento, não contra a falta de vagas nas Universidades, não contra a cultura da fraude de que foram vítimas os estudantes e os organizadores da prova, não pelo direito de estudar, mas contra as mudanças no sistema de ingresso na Educação Superior, contra o MEC e contra o ENEM.
Ao analisar a prova abortada em virtude do roubo, imagino a frustração dos elaboradores do novo processo. As notícias de hoje deveriam ser sobre a ousadia com que se constituiu o ENEM 2009, em como a comissão organizadora foi capaz de fazer um teste de assinalar – por si só limitador dos conhecimentos – em uma abordagem inovadora, consciente, social e politizada.
As questões de Linguagem e Códigos são capazes de deliciar o leitor. Conversas de MSN, tirinhas de Mafalda, poemas de Gilberto Gil: pura interpretação e raciocínio, ao contrário das tradicionais ortografias e gramáticas estanques. Em Ciências Humanas, uma preocupação com as questões regionais, nacionais, ao contrário das datas e nomes com que estamos acostumados. Em Ciências da Natureza, nada mais atual que privilegiar as questões ecológicas em vez das mitocôndrias e os complexos de Golgi que decoramos tempos atrás.
Um privilégio da inteligência, da consciência, da politização, da compreensão do mundo. Aquilo que os mais progressistas pedagogos, movimentos educacionais e a sociedade reivindicam há tanto tempo.
Como militante política formada nas fileiras do Movimento Estudantil, luto pelo dia em que não teremos mais vestibular e em que as vagas nas Universidades serão direito garantido a toda população. Mas, enquanto isso, não posso deixar de comemorar o avanço que representa esse novo ENEM e sua adoção pelas Universidades brasileiras.
Uma pena que aqueles que optaram pela fraude e pelo dinheiro tenham ocupado as páginas dos jornais em detrimento dessa vitória histórica pela formação cidadã dos jovens brasileiros. Na esperança de que o desenvolvimento e aperfeiçoamento dos novos métodos sejam capazes de formar pré-universitários mais conscientes, que se mobilizem pelo seu direito a estudar mais do que pela motivação dos que querem lucrar em cima de sua exclusão.
Louise Caroline
é formada em Direito pela UFPE e é ex-vice-presidente da UNE.
Fonte: Site do PT
O novo Enem revoluciona o Ensino Médio? 2009/10/05
Posted by edsonjrodrigues in Artigos, Educação, Geral, PPJ.Tags: Educação, mec, Pública, vestibular, Exame Nacional, ensino medio, códigos, Nova escola, linguagem, matemática, novo enem, ciências, educação física
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Escrito por João Luís de Almeida Machado
30-Set-2009
A grande mídia propaga aos ventos que o Novo Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), criado para substituir os vestibulares e que nos primeiros dias de outubro fará sua estréia, constitui uma revolução. Cautela e canja de galinha não fazem mal a ninguém, nos diz sábio provérbio popular. Vamos com calma, é preciso cuidado com o andor que o santo é de barro, nos ensina outro dito comum entre a população.
Revoluções por decreto não existem. A própria compreensão do termo revolução, desgastado pelo tempo, é errônea, pois não se configura, com tais mudanças e reformas previstas com a adoção do Novo Enem, nem mesmo uma esperada virada de mesa na educação brasileira, quanto menos na sociedade, conforme preconizam os preceitos marxistas acerca de tal vocábulo.
É certo que a adoção deste novo modelo de avaliação dos saberes relativos ao Ensino Médio como elemento decisivo para o ingresso dos estudantes em universidades (públicas e particulares), com grande adesão já a partir deste ano, constitui inovação necessária, preconizada e esperada por muitos educadores, entre os quais me incluo.
Mas daí a pensar que automaticamente isso acarretará modificações estruturais nas escolas brasileiras, em especial nas redes públicas, é ir além do próprio sonho, saindo dos limites da sensatez e embarcando em autêntica utopia.
Superar a cultura estabelecida nas redes, de base conteudista e tradicionalista, exige muitas outras ações complementares, não apenas a adoção de exames de admissão às universidades com base em provas que exigem mais dos alunos. A forma de preparação desses alunos para esses exames e – em especial – para a vida demanda a revisão de todo um modo de pensar, agir e realizar em educação que tem décadas de existência no país.
O Novo Enem cria, por certo, demandas que não existiam. Obriga as escolas a repensar suas bases. Exige dos professores uma série de posturas que antes não lhes eram comuns, peculiares. Estipula a necessidade de leitura e atualização constante por parte dos estudantes (e, em contrapartida, pelos educadores com os quais estarão trabalhando). Propõe, através de suas questões, o desenvolvimento do raciocínio, da capacidade de se relacionar, da possibilidade de ir além da mera memorização de fórmulas e dados.
A interdisciplinaridade (ou ao menos a multidisciplinaridade) entra em cena. A necessidade de ir "além dos muros da escola" (título de uma excelente produção do cinema francês sobre educação, premiado em Cannes) com viagens, leituras, filmes, exposições, músicas, poesia, artes plásticas, navegação por sites com conteúdo inteligente e desafiador, entre outras ações, se torna premente e permanente.
É certo que tudo isso é grandioso se analisarmos a realidade e os problemas que envolvem o Ensino Médio público no país, sempre visto como "preparação para o vestibular". As redes privadas, cientes do fato, já se mexem e, como é possível ler em matérias publicadas na mídia, pretendem implementar linha de ação que busque preparar o seu aluno para esta nova demanda.
Mas ainda assim, tendo essa perspectiva, muitas delas erram no alvo porque assumem essa nova "atitude" de olho nos resultados do Enem, sem ir além de forma proposital, ou seja, sem perceber que a formação ampla, crítica, cidadã, ética, multidisciplinar pretendida é que é o principal objetivo. Continuam preparando mais para uma prova do que para a vida, os relacionamentos, o trabalho, a felicidade.
Ir além da concepção vigente e entender que os saberes não são dissociados é outro desafio. Reunir os conhecimentos em grupos como Ciências Humanas, Matemática e Ciências da Natureza, Códigos e Linguagens (entre os quais se incluem as artes e a educação física) é mudança importante, que traz qualidade à educação. Será uma tarefa das mais árduas. Pensem como vai ser para as redes públicas se até as redes privadas, já conscientes da necessidade de mudança e em movimento quanto a isto, estão tentando acertar e continuam a cometer alguns erros de percurso.
A revolução do Novo Enem só tem sentido e efeito real se as alterações não se limitarem à aplicação desse novo elemento de avaliação. É preciso preparar os professores, equipar as escolas (laboratórios de ciência, bibliotecas, salas de informática, quadras), reformular os materiais didáticos existentes, repensar e aplicar novos currículos nos cursos de licenciatura que já prevejam esta nova forma de pensar o Ensino Médio, expandir os limites da escola com a proposição de ações externas (ida a cinemas, museus, shows, exposições, mostras).
Entre a prova que será aplicada no início do próximo mês de outubro e uma revolução no ensino médio brasileiro há anos-luz de distância que nenhum aparato tecnológico já criado pela humanidade permite percorrer em tão curto espaço de tempo. Tal realização demanda muitos outros elementos propulsores que, se ainda parecem ficção, dependem apenas de muito trabalho, estudo, planejamento e confiança para se tornarem realidade.
João Luís de Almeida Machado é editor do Portal Planeta Educação (www.planetaeducacao.com.br), doutor em educação pela PUC-SP e autor do livro "Na Sala de Aula com a Sétima Arte – Aprendendo com o Cinema" (Editora Intersubjetiva).
Universalização do ensino médio vai à sanção presidencial 2009/08/29
Posted by edsonjrodrigues in Educação, Juventude, PPJ.Tags: carta magna, Câmara dos Deputados, CCJ, Cristovam Buarque, Desenvolvimento, educação básica, emenda constitucional, ensino medio, movimento estudantil, PDT, sanção presidencial, UBES, UNE
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por Catherine Fátima Alves última modificação 27/08/2009 13:37
A universalização do ensino médio público para o cidadão brasileiro será obrigatória a partir do ano que vem. Projeto nesse sentido foi aprovado hoje (25), por unanimidade, em caráter conclusivo pela Comissão de Constituição e Justiça da Câmara.
Como o projeto do senador Cristovam Buarque (PDT-DF) já foi aprovado pelo Senado, ele será encaminhado à sanção presidencial. Atualmente, o estado é obrigado a oferecer vagas no ensino público gratuito para os brasileiros que quiserem frequentar o ensino fundamental, que vai da primeira à oitava série. Com a sanção do novo projeto, o Poder Público terá que ofertar vagas também para os três anos seguintes, o antigo segundo grau.
Os custos para a expansão do ensino médio gratuito serão de responsabilidade, a principio, dos estados e do Distrito Federal. A Emenda à Constituição nº 53, que criou o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb), assegura mais recursos para a educação básica, incluindo o ensino médio.
"O Brasil não terá futuro se não oferecer ensino médio público de qualidade a todos os brasileiros", disse o senador Cristovam Buarque. Segundo ele, não há futuro no país sem a educação. "Não há conhecimento sem universidades boas e não haverá universidades boas se não for ofertado a todos os brasileiros um ensino médio de qualidade", afirmou.
Novo Enem: tudo o que você quer saber sobre as mudanças 2009/08/27
Posted by edsonjrodrigues in Educação, Juventude.Tags: acesso a universidade, consed, cotas raciais, duvida enem, Educação, ENEM, ensino medio, ensino particular, Ensino Superior, exame nacional do ensino médio, INEP, mec. enade, metodologia, novo enem, processo seletivo, universidade pública, vestibular
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Dúvidas, correria e muita informação desencontrada. Esse é o quadro geral em torno do novo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Desde o início deste ano, o Enem saiu de um tema sem muito interesse e relevância na mídia nacional para tornar-se assunto de destaque nos veículos de maior circulação. No entanto, ainda há algumas dúvidas a serem esclarecidas, pois apesar da rapidez de sua aprovação poucos debates sobre as mudanças ocorreram na sociedade.
Entre as definições está a data das provas nos 3 e 4 de outubro, bem como o número de questões – que subiu de 63 interdisciplinares para 200 questões objetivas. Outra mudança é que as inscrições para o exame agora ocorrem exclusivamente pela internet (www.enem.inep.gov.br/inscricao) do dia 16/06 até o dia 17/07 para os concluintes do ensino médio, para quem já terminou a formação em outros anos o prazo se estende até o dia 19/07. São isentos da taxa de inscrição de R$ 35,00 os concluintes do ensino médio matriculados na rede pública de ensino.
Uma das maiores angústias para quem vai fazer a prova nesse ano é saber efetivamente o que encontrará no papel: como serão as questões, que tipo de resposta exigirá e como será o novo sistema de pontuação. O novo exame será composto por testes em quatro áreas de conhecimento: linguagens, códigos e suas tecnologias (incluindo redação); ciências humanas e suas tecnologias; ciências da natureza e suas tecnologias e matemáticas e suas tecnologias. Segundo Reynaldo Fernandes, presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), órgão do Ministério da Educação (MEC) que elabora o Enem “Questões com maior grau de dificuldade vão representar também maior pontuação”.
O novo Enem é estruturado levando em conta os conteúdos ministrados no ensino médio, por isso o estudante não deve esperar uma prova diferente no conteúdo abordado, e sim na forma. Especialistas aconselham o estudante a não encarar a prova só como teste de conhecimento, mas como uma oportunidade que pode ser útil para o acesso ao ensino superior. A habilidade de interpretar e resolver problemas será bastante valorizada no novo modelo.
Metodologia – A nova prova do Enem será estruturada na metodologia da Teoria da Resposta ao Item (TRI), que garante a comparabilidade das notas entre diferentes edições a partir da calibração do grau de dificuldade das questões. Dessa forma, diferentemente dos anos anteriores, as questões da prova do Enem serão distribuídas em graus diferenciados de complexidade. Isso significa que, no cálculo final da nota em cada área, as questões mais difíceis valem mais que as questões menos complexas. A redação deve ser proposta a partir de um tema de ordem social, científica, cultural ou política e o estudante deve estruturá-la em texto dissertativo-argumentativo. Fatores como coesão textual, criatividade, domínio do tema e culto a língua formal são utilizadas para a avaliação do texto. A TRI não determina só os acertos, mas as chamadas competências de quem faz a prova.
As questões terão relação com o cotidiano. O enunciado não pedirá mais a resolução de uma equação matemática, mas ela pode ser importante para a solução de um problema em um contexto específico. A idéia é que temas como segurança pública, violência, gravidez na adolescência, cidadania e mudanças climáticas também sejam abordos na prova. O conteúdo, que vai ser cobrado no exame está no site do MEC (www.educacao.gov.br).
Objetivo – O principal objetivo das mudanças no formato do Enem é a reestruturação curricular do ensino médio que vinha sendo pautado unicamente pelos processos seletivos das universidades e faculdades. Os vestibulares costumam cobrar muito conteúdo e pouca análise o que leva o estudante a apenas decorar o que deve ser compreendido. Pretende-se que o Enem a curto e médio prazo seja capaz de conduzir os rumos da educação pré-universitária por um caminho mais reflexivo e mais voltado para a solução de problemas.
O ensino médio é uma etapa que está compreendida entre o ensino fundamental e o superior, e durante muito tempo foi responsável por oferecer uma educação técnica e profissionalizante ao estudante, mas com o tempo perdeu essa funcionalidade e foi engolido pelas questões do vestibular. A reformulação do Enem é uma das iniciativas do MEC de dotar sentido a essa etapa de ensino, outra ação que já está em tramitação no congresso é tornar o ensino médio obrigatório no Brasil.
Porta de acesso- De acordo com a nova proposta do Enem já aprovada pelo Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed) e por reitores de universidades federais o exame vai ser uma das portas de entrada para o ensino superior. O ministério apresentou quatro opções de adesão às instituições. Elas poderão utilizar o Enem como prova única; como primeira fase, ficando a segunda a cargo da instituição; combinando a nota do Enem à do vestibular tradicional ou para seleção de estudantes para vagas remanescentes. O candidato a uma vaga no ensino superior poderá concorrer a cinco cursos ou instituições, mas apenas naquelas universidades que adotarem o Enem como única forma de ingresso. A adesão das universidades ao sistema único de seleção é facultativa e até agora conta 40 instituições que substituirão total ou parcialmente seus processos seletivos.
Já a partir de agora a média de desempenho obtida pelo estudante no Enem será importante para o acesso a uma vaga nas instituições de ensino superior que adotarem o exame como ferramenta de seleção, de maneira integral ou parcial. Além disso, sua nota continua como critério de seleção de bolsas de estudo no Programa Universidade para Todos (ProUni). Outra mudança que ainda está em fase de análise pelo MEC é universalização do exame, que passaria a ser obrigatório a todos os concluintes da rede pública como uma certificação da etapa. Ou seja, para obter o diploma do ensino médio, o aluno precisará participar da prova e alcançar uma nota mínima, que será determinada por cada secretaria de estado. A mudança pode começar já em 2010.
As reformulações em torno do Enem o tornam um exame cada vez mais importante, tanto para os estudantes, quanto para o país e suas instituições de ensino. Os resultados do Enem 2009 serão divulgados a partir da segunda quinzena de janeiro de 2010, os participantes receberão o Boletim Individual de Resultado. As médias serão enviadas via Correios no endereço indicado na ficha de inscrição.
Mais informações podem ser obtidas também pelo 0800-616161
Fontes: MEC e Folha de São Paulo
Estudantes secundaristas emitem opínião a respeito do novo vestibular. 2009/07/08
Posted by edsonjrodrigues in Educação.Tags: currículo, Educação, ENEM, Ensino Fundamental, ensino medio, escola pública, mec, Ministerio da Educação, movimento estudantil, novo vestibular, paulo freire, secundario, secundarista, UBES, Universidade, vestibular
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Investir na qualidade do Ensino Médio e ampliar as
vagas nas universidades públicas
Num momento em que se discutem políticas públicas para melhorar a
qualidade da educação brasileira, com a realização da 1ª Conferência Nacional de
Educação (Conae), nada mais oportuno do que colocarmos em pauta uma questão
fundamental para os estudantes: o acesso à universidade. Neste sentido, há que se
destacar a positiva, porém tímida, iniciativa do Ministério da Educação (MEC) de
mudar a forma de avaliação dos alunos para ingresso nas universidades públicas
federais.
Sempre presente nas principais lutas dos estudantes, a União Brasileira de
Estudantes Secundaristas (UBES) tem discutido com muito afinco nos últimos anos o
acesso à universidade e, mais especificamente, o “vestibular” – uma prova que é uma
verdadeira tragédia na vida dos estudantes, na medida em que os exclui do Ensino
Superior, quando deveria ser um instrumento de inclusão.
No Brasil, o gargalo do acesso à educação começa já no Ensino Médio. No
Ensino Fundamental temos cerca de 32,8 milhões de alunos matriculados, mas no
Ensino Médio regular esse número se reduz drasticamente para cerca de 8,3 milhões.
Desses, apenas 1,3 milhão conseguiram entrar na universidade em 2006, sendo que a
maioria é oriunda do ensino privado. É importante ressaltar ainda que mais de 50%
dos jovens de 14 a 17 anos, idade ideal para cursar o Ensino Médio, estão fora da
escola.
É neste cenário de exclusão que o vestibular aparece como mais um
mecanismo que deixa o aluno de fora da universidade pública, além de ser uma
péssima referência para o Ensino Médio, pois tem orientado, em certa medida, seu
currículo. É muito comum vermos questões do vestibular serem utilizadas nas provas
que são aplicadas nas escolas e, em muitos lugares, essas provas se resumem a
simulados do vestibular. Diante disso – mesmo sabendo que seria um erro resumir a
grade curricular à provas de seleção para o ensino superior, porém, não podemos por
outro lado ignorar esta realidade – qualquer mudança que se faça na forma de acesso
à universidade deve levar em conta a problemática da qualidade do Ensino Médio.
A proposta de substituir o tradicional vestibular pelo Exame Nacional do Ensino
Médio (ENEM) tem o grande mérito de suscitar o debate na sociedade, apontando
para a necessidade de mudar o atual quadro educacional. Porém, essa proposta
contém ainda uma concepção perversa, que é a de se avaliar apenas os resultados e
não o processo educativo.
A nota técnica apresentada pelo MEC dos conteúdos do novo ENEM
demonstra um grande interesse de fazer do acesso à universidade mais que um jogo
de “macetes e decorebas”, ao conter questões que exigem mais que um cursinho prévestibular
para se obter um desempenho satisfatório.
Diante disso, é certo que a mera substituição de uma prova por outra não vai
resolver o problema do acesso à universidade e, muito menos, o da qualidade do
Ensino Médio pressionado pelo vestibular.
Como dizia Paulo Freire, é necessário denunciar e anunciar, ou seja, criticar é
importante e propor é fundamental. Como afirmamos acima torna-se importante uma
avaliação que considere o processo educativo e não somente o seu resultado, pois,
qualquer prova que se aplique no final do ensino médio não ajuda a melhor a sua
qualidade e, por tanto, dificulta ainda mais o acesso a universidade pública.
Desta forma, a melhor alternativa para avaliar o ingresso do aluno nas
universidades federais seria uma prova seriada, aplicada pelo Ministério da Educação,
já que as universidades não têm competência legal para resolver os problemas que
certamente aparecerão a cada ano que o estudante fizer a prova. É imprescindível
também garantir a reserva de 50% das vagas nas universidades para alunos oriundos
da escola pública.
E, para que de fato mudemos as características de nossas universidades
(extremamente elitizadas), é necessário continuar ampliando massivamente as vagas
e, melhorar a qualidade do Ensino Médio, somente a ampliação dos recursos
investidos em nossa educação transformará profundamente nossas instituições
educacionais , o que desejamos é mais do que uma seleção, numa sociedade de
“direitos iguais e não oportunidades iguais” qualquer seleção seria anti-democrática,
devemos cada vez mais caminhar para compreensão de que educação é um bem
social, por tanto, de todos, o que desejamos é que todos (a) que desejarem cursar o
ensino médio e superior possam fazê-lo.
União Brasileira dos Estudantes Secundaristas
Portal vai permitir debate virtual sobre Ensino Médio 2009/06/18
Posted by edsonjrodrigues in Juventude.Tags: ensino medio, evasão escolar, INEP, instituto nacional, jovem, mec, Ministerio da Educação, observatório, Pesquisa, portal, ufmg
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Portal sobre Ensino Médio vai ser lançado na próxima quinta (18) com debate virtual
A relação entre os estudantes de Ensino Médio e suas escolas será o tema de fórum na internet que contará com a participação dos pesquisadores Juarez Dayrell (UFMG) e Paulo Carrano (UFF). O bate-papo “Há diálogo nas escolas?” vai ser realizado no dia 18 de junho, das 17 às 19 horas, durante lançamento do portal EMdiálogo (www.emdialogo.com.br). Todos os interessados podem participar do fórum.
O portal EMdiálogo está sendo criado conjuntamente pelo Observatório Jovem da UFF/RJ e Observatório da Juventude/UFMG. A iniciativa surge em um momento de grande discussão acerca do Ensino Médio e coincide com o lançamento do Projeto Ensino Médio Inovador proposto pelo Ministério da Educação. A fase é considerada uma das mais críticas do ensino no Brasil. Para se ter uma idéia, segundo dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (INEP), a taxa de evasão é de 10% e 44,9% do total de alunos está fora da idade prevista para a série em que estuda.
Diante dessas questões, o EMdiálogo pretende ser referência para todos os interessados pelo Ensino Médio, com hospedagem de documentos sobre jovens e Ensino Médio, fóruns de debates sobre o tema, textos e produções audiovisuais feitos pelos estudantes, bem como notícias e reportagens sobre as escolas e os jovens.
Para o professor Paulo Carrano, um dos coordenadores da iniciativa, os estudantes do Ensino Médio têm o direito ao ensino de qualidade historicamente sonegado. “O ensino é médio, mas não precisa ser medíocre. Os estudantes têm direito a uma escola bem equipada, a conteúdos para promover a emancipação deles.” Para Carrano, o portal abre caminho para uma conversa franca entre todos os interessados na melhoria do ensino, principalmente os estudantes. “O diálogo pode ajudar a construir caminhos em comum para superar as dificuldades e pressionar governos a ofertar o direito a escola pública de Ensino Médio de qualidade. Governos estão deixando de fazer o dever de casa na oferta de direitos”, conclui.
A página é uma das ações do projeto Diálogos com o Ensino Médio, realizado pelo Observatório Jovem do Rio de Janeiro/UFF e o Observatório da Juventude da UFMG, com apoio da Secretaria de Educação Básica do Ministério da Educação.
Serviço:
Lançamento virtual do Portal EMdiálogo
Fórum online com pesquisadores Juarez Dayrell e Paulo Carrano
Dia 18, às 17 horas
www.emdialogo.com.br
Contatos para Imprensa:
Professor Juarez Dayrell – Coordenador do Observatório da Juventude/UFMG: (31) 8885 2836
Professor Paulo Carrano – Coordenador do Observatório Jovem/UFF: (21) 8880 5276
Endereço eletrônico: emdialogo@gmail.com.
Inscrições para bolsas do ProUni terminam hoje 2009/06/05
Posted by edsonjrodrigues in Educação.Tags: baixa renda, bolsas de estudo, calendário, candidatos, Educação, ENEM, ensino, ensino medio, Ensino Superior, escola pública, Exame Nacional, instituições, mec, mensalidade, Ministerio da Educação, per capita, programa, prouni, seleção
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Até ontem (4), o Ministério da Educação (MEC) recebeu 150 mil inscrições de estudantes interessados em disputar uma das 91 mil bolsas que o Programa Universidade para Todos (ProUni) oferece neste semestre. O prazo termina hoje (5), e os candidatos devem se inscrever exclusivamente pela internet até as 21h.
O programa oferece bolsas a alunos de baixa renda que queiram estudar em instituições particulares do ensino superior. Do total , 57 mil são integrais e 33 mil parciais, que custeiam 50% da mensalidade. As bolsas integrais são reservadas a estudantes com renda familiar de até um salário mínimo e meio (R$ 697,50) por membro da família. As bolsas parciais podem ser pleiteadas por candidatos com renda familiar de até três salários mínimos (R$ 1.395) per capita.
Para participar, o aluno precisa ter cursado todo o ensino médio em escola pública ou em estabelecimento particular na condição de bolsista integral. O benefício também é estendido a pessoas com deficiência e a professores da rede pública. Para concorrer, o candidato precisa ter participado do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2008.
Nesta edição, o processo de seleção dos bolsistas vai ocorrer em duas etapas. No primeiro período, o Ministério da Educação (MEC) recebe as inscrições até hoje (5) e vai pré-selecionar e divulgar os candidatos escolhidos em primeira e segunda chamadas até 15 de julho.
Após essa primeira seletiva, as inscrições serão reabertas em 20 de julho para preenchimento de vagas que sobraram da primeira fase, com previsão também de primeira e segunda chamada.
O calendário do processo seletivo, a ficha de inscrição, a distribuição das bolsas por estado e outras informações sobre o programa estão disponíveis no site do MEC.
Gestão demo-tucana: perto do fim do semestre, alunos não tiveram nenhuma aula de matemática 2009/05/31
Posted by edsonjrodrigues in Educação.Tags: ano letivo, classe, DEM, demo, diciplina, diretor, diretora, Ensino Fundamental, ensino medio, gilberto kassab, José Serra, matemática, Prefeitura, professores, prova são paulo, PSDB, qualidade de ensino, sala, São Paulo, secretaria da educação, tucano
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Crise da educação
![blog[1] Gestão Demo-Tucano](http://edsonrodrigues.files.wordpress.com/2009/05/blog1.png?w=420&h=382)
Gestão Demo-Tucano
Unidade recém-aberta pela gestão Gilberto Kassab não tem professores de matemática. Os pais dos alunos pedem providências para que o ano letivo dos filhos não seja perdido.
Gilberto Yoshinaga e Gabriela Gasparin do Agora
Inaugurada neste ano pela gestão Gilberto Kassab (DEM), a Emef (Escola Municipal de Ensino Fundamental) Vila Santa Maria, localizada em Cidade Dutra (zona sul de SP), está prestes a encerrar o primeiro semestre letivo com falta de professores. Alguns alunos de 5ª, 6ª e 7ª séries não têm tido aulas de matemática, história, português, geografia, informática e leitura.
Professores estão de licença
Estudante carrega livros à toa
“Só tive aulas de matemática na primeira semana de aula. Depois disso, o professor entrou de licença e não apareceu nenhum substituto”, conta o estudante João Gabriel Silva Latuner Antunes, 12 anos, da 7ª série. “Não sei quando vou ter de repor essas aulas. Também fico preocupado com o que vai acontecer no ano que vem, porque neste ano ainda não aprendi nada”, acrescenta.
Também na 7ª série, mas em outra classe, um estudante de 13 anos tem sido ainda mais prejudicado. “Além de matemática, não tenho professores de informática e leitura”, diz ele. “Às vezes, essas aulas vagas são ocupadas por algum professor de outra matéria. Em outros casos, temos de ficar sem fazer nada dentro da sala de aula, porque não aparece nenhum professor substituto”, relata.
Outro estudante, de 11 anos, vive situação semelhante na 5ª série. Ele afirma que, em 2009, só teve algumas aulas de história e português, disciplinas que no momento estão sem professor. “Neste ano, ainda não tive nenhuma aula de matemática. Meu caderno está todo em branco e nunca usei o livro, que deixo em casa”, afirma.
A falta de professores também incomoda os pais. A técnica Rosinda Maria da Silva, 43 anos, mãe de João Gabriel, já procurou a diretoria da escola para pedir explicação, mas não obteve resposta convincente. “A diretora admitiu que faltam professores, mas disse que os pais é que têm de se unir e reivindicar uma atitude da Secretaria da Educação”, diz ela. “Não acho que isso seja responsabilidade dos pais, mas sim da prefeitura.
Declínio
Apesar de a escola ser nova, a falta de professores na Emef Vila Santa Maria ilustra a queda do rendimento dos alunos de 6ª e 8ª séries em matemática, dado revelado na última Prova São Paulo, cujos resultados foram divulgados em abril. Os alunos da escola nova, no entanto, ainda não passaram pelo exame.
O índice de alunos com nível satisfatório nesta disciplina caiu entre 2007 e 2008. Entre os alunos de 6ª série, o percentual de aprovação caiu de 47,2% para 41,2%. Já entre os alunos de 8ª série, a queda foi maior: de 60,3%, em 2007, para 47%, no ano seguinte. A avaliação é aplicada anualmente na rede municipal de ensino e avalia os alunos em português e em matemática.





















