Estudante cobra investimento nos profissionais da educação 2009/11/23
Posted by edsonjrodrigues in Artigos, Juventude.Tags: diálogo da juventude, Educação, estudantes, infra-estrutura, investimento do governo na educação, Jovens, Juventude, mais investimento, observatório, PIB, pré-sal, produto interno bruto, proposta para melhorar o ensino
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Nesta entrevista, o Observador da Escola Filipe Monteiro conversa com a estudante Graziele Castro, da Escola Estadual José Bonifácio, em Contagem (MG). Para a jovem, a escola dela merece a nota seis e precisa de mais recursos, inclusive, para os professores
EMdiálogo – Como você avalia a educação no Brasil? E na sua escola?
Graziele Castro – No Brasil é uma educação muito fraca em termos de conteúdo. E na escola que estudo, considero que os meios educacionais também deixam a desejar.
EMdiálogo – Quais os princípios básicos para uma educação de qualidade?
Graziele Castro – Investimentos e reconhecimentos dos profissionais da área.
EMdiálogo – Você acredita que possa existir educação de qualidade na sua cidade?
Graziele Castro – Sim, desde que haja uma infra-estrutura adequada para um melhor rendimento dos serviços dos profissionais, o que acarretará no melhor aproveitamento do conteúdo pelos alunos.
EMdiálogo – Quais os principais problemas que você enfrenta no seu cotidiano, no que diz respeito a educação?
Graziele Castro – O conteúdo. Às vezes o que é passado para nós é um conteúdo deficiente, então, ao fazermos provas e concursos, somos prejudicados por esse déficit do ensino público.
EMdiálogo – Na relação aluno e professor qual a principal dificuldade? Como é a sua relação com seus professores?
Graziele Castro – A principal dificuldade é a relação propriamente dita. É a aceitação de opiniões diferentes. Considero minha relação com alunos e professores como boa, consigo conviver bem com as pessoas, nunca deixando de lado o mais importante de uma relação, que é o respeito.
EMdiálogo – Você se considera um bom aluno (a)?
Graziele Castro – Sim. Respeito os professores e alunos e procuro desempenhar um bom papel, apesar de nos últimos meses não estar obtendo bons resultados por falta de interesse da minha parte.
EMdiálogo – Como é a infra-estrutura?
Graziele Castro – Ruim. A escola está toda velha, não há espaço para atividades esportivas e nem para uma apresentação decente de projetos culturais. E isso limita a realização de nossas ideias e projetos.
EMdiálogo – Como é a disciplina dos alunos?
Graziele Castro – Boa, no entanto não concordam comigo os diretores e alguns professores.
EMdiálogo – Como é a relação entre a diretoria e alunos?
Graziele Castro – Boa. O que precisa melhorar é a forma com que vêem a opinião dos alunos. Algumas vezes pensam que nossas idéias são prejudiciais á escola, no entanto só estamos tentando torna-la mais agradável para ambas as partes.
EMdiálogo – Há liberdade de expressão?
Graziele Castro – Não. Só o colegiado fala e sempre falam sem consultar o resto dos alunos, sendo assim, o colegiado funciona como “diretores mirins”. Nunca tomam conhecimento do querem os alunos e assim tem as mesmas atitudes da diretoria.
EMdiálogo – Se tivesse a oportunidade de mudar de escola, como por exemplo, um convite de um outro diretor você iria para a outra escola ou ficaria na sua escola atual?
Graziele Castro – Iria para outra escola caso ela fosse melhor. E se tivesse condições iria para um colégio particular.
EMdiálogo – O que tem de bom na sua escola e que tem de ruim?
Graziele Castro – De bom, as amizades que fazemos com as pessoas tanto professores quanto alunos. De ruim, o fraco e deficiente ensino que é oferecido não só nesta escola como em praticamente todas da rede pública.
EMdiálogo – Há assistência do governo para a escola?
Graziele Castro – Sim, mais ainda precisa investir muito mais, e também fiscalizar a administração desses recursos.
EMdiálogo – De modo geral dê uma nota para a escola onde estuda de 1 à 10.
Graziele Castro – Nota 6.
* É Observador pelo EMdiálogo e estudante da Escola Estadual José Bonifácio, em Contagem (MG)
O preço da qualidade de ensino 2009/11/13
Posted by edsonjrodrigues in Educação, Informação.Tags: almento de mensalidades, almento nas mensalidades, direitos do consumidor, direitos dos alunos, Educação, ENEM, ensino medio, ensino privado, escolas privadas, estudantes, iedc, inadimplência, Jovens, Juventude, legislação mensalidade, pré-vestibular, procon, qualidade da educação, ranking nacional do enem, sindicato dos professores, UBES, UNE
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Fonte G1
As melhores escolas particulares de ensino médio do Brasil vão reajustar as mensalidades em até 10% no ano que vem, percentual superior à inflação oficial para 2009, prevista pelo Banco Central em 4,3%.
O G1 consultou as 20 escolas pagas com maiores notas no ranking nacional do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2008, divulgado neste ano.
Confira abaixo os valores cobrados neste ano pelas escolas e a previsão para o próximo ano. Das 20 escolas, sete ainda não definiram o percentual de reajuste nem informaram estimativas para 2010. A legislação permite que a definição ocorra, no máximo, até 45 dias antes do início das aulas.
| REAJUSTE NAS MELHORES ESCOLAS PARTICULARES DE ENSINO MÉDIO NO PAÍS | |||||
| Instituição | Local | Colocação no Enem (*) | Nota no Enem | Mensalidade em 2009 | Mensalidade em 2010 |
| Colégio de São Bento | Rio de Janeiro (RJ) | 1º | 80,58 | R$ 1.616,91 para 1º e 2º ano e R$ 1.752,39 para 3º ano | não definido (**) |
| Colégio Bernoulli | Belo Horizonte (MG) | 2º | 77,38 | R$ 812 para 1º e 2º ano e R$ 922 para 3º ano | R$ 868 para 1º e 2º ano – reajuste de 6,8% – e R$ 988 para 3º ano – reajuste de 7,1% |
| Colégio Santo Antônio | Belo Horizonte (MG) | 3º | 76,43 | R$ 707,07 | não definido |
| Colégio Helyos | Feira de Santana (BA) | 4º | 76,34 | R$ 874 para 1º e 2º ano e R$ 998 para 3º ano | correção pela inflação (estimativa) |
| Colégio WR | Goiânia (GO) | 5º | 76,26 | R$ 790 para 1º e 2º ano e R$ 820 para 3º ano | não definido |
| Colégio Santo Inácio | Rio de Janeiro (RJ) | 6º | 76,09 | R$ 1.212 para 1º e 2º ano e R$ 1.398 para 3º ano | R$ 1.308 para 1º e 2º ano – reajuste de 7,9% – e R$ 1.508 para 3º ano – reajuste de 7,8% (**) |
| Colégio Santo Agostinho | Rio de Janeiro (RJ) | 8º | 75,97 | R$ 1.089,73 para 1º e 2º ano e R$ 1.404,32 para 3º ano | não definido |
| Colégio Vértice | São Paulo (SP) | 9º | 75,97 | R$ 2.096 para 1º e 2º ano e R$ 2.654 para 3º ano | 6% (estimativa) |
| Colégio Bandeirantes | São Paulo (SP) | 11º | 75,86 | R$ 1.757 | R$ 1.908 – reajuste de 8,5% |
| Coleguium | Belo Horizonte (MG) | 12º | 75,71 | R$ 675 para 1º e 2º ano e R$ 799 para 3º ano | entre 6% e 10% (estimativa) |
| Instituto Dom Barreto | Teresina (PI) | 13º | 75,5 | R$ 597,10 | R$ 647,85 – reajuste de 8,5% |
| Colégio Etapa | Valinhos (SP) | 14º | 75,23 | R$ 1.707,00 | entre 8% e 9% (estimativa) |
| Colégio Santo Agostinho | Belo Horizonte (MG) | 16º | 74,62 | R$ 695,50 para 1º e 2º ano e R$ 845,00 para 3º ano | R$ 748,00 para 1º e 2º ano – reajuste de 7,5% – e R$ 908,00 para 3º ano – reajuste de 7,5% |
| Colégio Móbile | São Paulo (SP) | 17º | 74,6 | R$ 1.730,00 | R$ 1.900,00 – reajuste de 9,8% |
| Colégio Magnum Agostiniano | Belo Horizonte (MG) | 18º | 74,39 | R$ 660,00 para 1º e 2º ano e R$ 792,00 para 3º ano | matrícula é R$ 700,29 para 1º e 2º ano – reajuste de 6,1% - e R$ 839,00 para 3º ano – 5,9%; mensalidades ainda não foram definidas |
| Colégio PH | Niterói (RJ) | 19º | 74,32 | R$ 1.800,00 para 1º e 2º ano e R$ 2.600,00 para 3º ano | não definido (**) |
| Colégio Loyola | Belo Horizonte (MG) | 20º | 74,25 | R$ R$ 785 para 1º e 2º ano e R$ 901 para 3º ano | R$ 848 para 1º e 2º ano – reajuste de 8% – e R$ 973 para 3º ano – reajuste de 7,9% |
| Instituto Gaylussac | Niterói (RJ) | 22º | 73,87 | R$ 1.015 para 1º ano; R$ 1.036 para o 2º; e R$ 1.153 para 3º ano | não definido |
| Educandário Santa Maria Goretti | Teresina (PI) | 23º | 73,79 | R$ 647 para 1º e 2º ano e R$ 695 para 3º ano | não definido |
| Colégio Cruzeiro | Rio de Janeiro (RJ) | 24º | 73,67 | R$ 1.383,66 | R$ 1.479 – reajuste de 6,8% (**) |
| (*) Considerando apenas as escolas particulares pelo ranking nacional. A escola 7ª colocada, Colégio Engenheiro Juarez de Siqueira Britto Wanderley, ligada ao Instituto Embraer, embora particular, é gratuita. As escolas na 10ª, 15ª e 21ª colocações no Enem são uma segunda unidade de colégios já presentes no ranking. | |||||
| (**) Informação fornecida pelo departamento de finanças ou secretaria e não confirmada pela assessoria de imprensa | |||||
| Fonte: escolas | |||||
De acordo com as escolas consultadas pelo G1, o reajuste superior à inflação vai ocorrer porque, segundo elas, a qualidade do estabelecimento depende de investimento em infra-estrutura e profissionais.
Virgílio Machado, diretor do Coleguium, entre as melhores escolas de ensino médio do país conforme o ranking do Enem, informou que os reajustes devem variar entre 6% e 10% porque há previsão de expansão. O percentual exato, no entanto, ainda não foi definido.
“Teremos investimentos em infraestrutura, treinamento e ampliação de equipe em várias unidades, mas ainda seus custos ainda estão sendo apurados”, disse. Para 2010, a escola vai implantar o ensino médio em horário integral.
O Colégio Bernoulli, de Belo Horizonte (MG), segundo colocado no ranking nacional do Enem, vai aumentar em até 7% as mensalidades do ensino médio. Novos investimentos estão previstos para 2010.
“Está sendo construída uma nova sede educacional que abrigará exclusivamente os alunos de 3ª série do ensino médio e pré-vestibular. Nesta unidade também ficará a Editora Bernoulli e toda a parte administrativa do grupo. Com área total de 11.417,48m2, o edifício será distribuído em dez pavimentos e três subsolos”, informou a assessoria de imprensa por e-mail.
O Vértice, colégio mais bem colocado de São Paulo (SP) no ranking nacional, estima que o aumento fique em torno de 6%. Um dos focos de investimento deve ser a expansão das atividades interdisciplinares.
“É uma tendência que já implantamos na área de humanas e vamos expandir para a área de exatas. Vamos incrementar as aulas interdisciplinares e vamos trabalhar com mais professores e pode ser necessário reforçar a equipe”, avalia o diretor Adilson Garcia.
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O que diz a lei
A legislação autoriza as escolas a reajustarem o valor das mensalidades em quaisquer percentuais, desde que haja motivo. A lei 9.870/1999 – clique aqui para ver -, chamada de lei das mensalidades escolares, permite a “variação de custos a título de pessoal e de custeio, comprovado mediante apresentação de planilha de custo, mesmo quando esta variação resulte da introdução de aprimoramentos no processo didático-pedagógico”.
Para o advogado Alessandro Gianeli, do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), qualquer reajuste acima da inflação só é aceitável se as empresas apresentarem a planilha prevista na lei aos pais e comprovarem que farão melhorias na escola.
“O Idec entende que qualquer reajuste acima da inflação é abusivo. O que se admite é aumento proporcional aos custos de pessoal e custeio, mas a única forma que a lei prevê para justificar é a planilha. A escola só pode aumentar acima da inflação se apresentar essa planilha, caso contrário é abusivo.”
O presidente da Federação Nacional das Escolas Particulares (Fenep), José Augusto de Mattos Lourenço, tem entendimento diferente do Inep em relação aos reajustes, que, segundo ele, devem ficar em média entre 4,5% e 6% para o ano que vem.
Inadimplência
Segundo ele, um dos pontos altos para o reajuste ser, de modo geral, superior à inflação é o aumento da inadimplência na rede particular de ensino. Dados do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino de São Paulo (Sieeesp) apontam alta do calote nas escolas do estado. Entre janeiro e setembro deste ano a inadimplência foi de 9,09% contra 8,23% no mesmo período do ano passado.
“Prejudica a escola porque ela tem compromissos e não recebendo precisa pagar as contas e busca dinheiro nas entidades financeiras. Isso vai ter consequência nas mensalidades”, avalia Lourenço.
O Colégio Helyos, em Feira de Santana (BA), diz que só fará a correção pela inflação porque tem índices quase nulos de inadimplência e porque não há previsão de melhorias na infra-estrutura para o próximo período letivo.
“O último aumento acima da inflação foi há dois anos porque implantamos sistema de climatização”, conta o diretor Teomar Soledade Júnior.
Sobre a inadimplência, Soledade Júnior afirmou que os índices são baixos porque faz análise de crédito dos alunos antes de aceitar a matrícula.
“Na nossa escola especificamente, se há possibilidade de inadimplência não matriculamos, mesmo se a pessoa apresentar recibo de que pagou mensalidades da escola anterior. Fazemos análise porque somos uma empresa comercial e tomamos precaução para não enfrentar problemas e acabar prejudicando os alunos que pagam as mensalidades em dia.”
Divergência
A análise de crédito para matrículas em escolas é tema de divergência entre Idec e Fenep. Para a federação, as escolas devem analisar caso a caso e só são aconselhadas a matricular quando o responsável tem “nome sujo” mas apresenta recibos de quitação da escola anterior.
O Idec questiona a prática: “Os estabelecimentos de ensino não são entidades concessoras de crédito e sim prestadoras de um serviço social essencial, portanto, em tese, não deveriam incluir nome de alunos inadimplentes nos cadastros negativos e nem consultá-los no ato da solicitação da matrícula”, diz o advogado Alessandro Gianeli.
“Claro que um estabelecimento de ensino não admitiria ter sido a inadimplência o motivo de eventual recusa de matrícula, porém, se o aluno, pais ou responsáveis souberem ter sido este o motivo, deverão acionar os órgãos de defesa do consumidor ou, em última instância, a Justiça”, completa Gianeli.
É HOJE 2009/11/11
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Marcha pela Educação e Redução da Jornada de Trabalho
Juventude, é preciso acreditar 2009/10/24
Posted by edsonjrodrigues in Artigos, Juventude, O Mundo, PPJ, Um Giro por MInas e o BraSil.Tags: CONJUVE, conselho nacional, cooperativa, cooperativismo, Cultura, economia, Educação, empreendedor, formação profissional, ideológia, Jovens, Juvenil, Juventude, liberalismo, neoliberal, políticas públicas, PPJ, primeiro emprego, protagonismo, sexual
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Por. Luciano Menezes
O desenvolvimento de nossa personalidade se dá no conflito e no confronto diário de nossas relações intrapessoais e interpessoais tais como: comigo mesmo; com os outros; com o mundo e com o Transcendente.
Devemos descobrir e apontar quais são os nossos sonhos, ideais e utopias que carregamos. Questionarmos em que mundo estamos? Darmos conta quais são as razões concretas de nossas esperanças? Digamos que esse é o primeiro passo para identificar e enfocar os nossos princípios básicos. O que realmente acreditamos para fazermos a diferença na sociedade.
Não é fácil desenvolver o caminho da construção do eu, ou seja, de nossa identidade juvenil. A pergunta que fazemos qual é o sentido do autoconhecimento? Às vezes confundimos como: uma pessoa, um indivíduo, um cidadão, um sujeito, não sabemos qual é o melhor conceito? Ou tudo é mesma coisa? Será que todos estão comprometidos com a vida do ser humano?
A auto-realização se dá na interação do sujeito e com o objeto. Quanto mais intensificarmos os significados de nossa existência, a experiência do sentido terá mais lucidez e eficácia.
Ser jovem hoje exige busca de informação de tudo o que acontece no mundo pós-moderno e globalizado. O grande desafio hoje está nos valores e estes, estão em crise. A alternativa da crise é tirar o “s” da crise e crie uma possibilidade fiel e criativa de fazer a mesma coisa de modo diferente de ser mais ousado e empreendedor.
A pós-modernidade nos faz pensar e nos organizar para que tenhamos cada vez mais direcionamento vocacional e exige capacitação e competência profissional na formação de valores tanto morais, éticos, estéticos, culturais, sociais, econômicos, políticos e religiosos com argumentos comprometidos coerentes e fiéis às potencialidades que possuímos e queremos desenvolver, com filosofia própria de vida e no serviço do resgate da cidadania.
O sistema capitalista está aí com sistema de ideologia própria, total e única com seus próprios interesse de apropriação, exploração e dominação de tudo e de todos, um só “céu” e uma só “terra” tanto dos recursos materiais e humanos, uma dimensão sem fronteiras, sem divisões e sem limites, liberdade individual (liberalismmo) e sem oposição ideológica. Seu maior objetivo é formar no mundo um único bloco econômico capitalista, que todos sejam “iguais” e que na verdade alguns são mais “iguais” do que outros. Isso é injustiça e o poder fica na mão apenas de alguns. Onde mais ou menos 20% da população mundial retêm 80% da riqueza do mundo e sendo que 80% da população têm 20% da riqueza.
O sistema NEOLIBERAL está aí. Um novo para ratificar o “novo” que vem e pronto. O que vamos fazer, juventude!?Nossa atitude muda o mundo; o modo como vemos o mundo é muito mais importante do modo do que o mundo é. O mundo vai ser melhor quando eu for melhor
Juventude, a concepção de mundo que eu tenho é muito importante. Qual é a sua? O que fazer? Quais as razões e ações para fazer a diferença? Mudar o sistema não resolve, fazer revolução não soluciona, derrubamos o capitalismo e oferecer o que em troca? Começarmos de pequeno no exercício participativo, cooperativo e solidário, que seja um processo democrático que comece na família entre pais e filhos, depois para comunidade e sociedade.
Os jovens sentem-se mais apoiados e seguros quando os adultos se dispõem a conversar e a dar conselhos; ficam mais autônomos quando são chamados a dar opinião sobre questões importantes; aprendem noções de ética se são incentivados a discutir valores pessoais; e constroem melhor a própria identidade quando aprendem sobre tradições com os mais velhos. Eis uma solução.
Outro desafio e ter uma visão integradora e solidária. Saber organizar e cooperar com responsabilidade e com comprometimento, pensar naquilo que acreditamos e sonhamos para a melhor qualidade de vida. Sem drogas, sem doenças sexualmente transmissíveis – aids… ter saúde física, mental e espiritual.
O nosso olhar crítico dever ser alargado e dizer não para os canais abertos de TV ou outros meios de comunicação social, que incitam os jovens a se tornarem consumidores compulsivos e afetivos – sexuais dependentes.
Que a juventude seja unida nas diversas diferenças culturais e sociais. Pensarmos globalmente e agir localmente. Ter a permanente humildade de nossas convicções e está assessorando-se no intuito de unir forças, necessidades, desejos, sonhos e esperanças. Ninguém é melhor do que todos nós juntos. Cativando-se e deixando-se cativar por aqueles que nos querem bem e por aqueles que nos desafiam na oportunidade de crescer. A nossa missão é estimular outros jovens que por vezes perderam os seus referenciais e o seu sentido de vida. Que todos tenham mais vida e vida em plenitude.
Pensemos que hoje nós podemos fazer o melhor de nós, para que amanhã ao olharmos o passado, chegarmos à conclusão de que a nossa vida realmente valeu a pena ter sido vivida. Mas o que fazer para mudar? Tomemos hoje a decisão de mudar a nossa vida. Definir quais são os nossos objetivos, sonhos mais ardentes, ambições e lutemos por eles. Usemos as ferramentas que temos à mão. Aproveitemos as oportunidades.
[Por Luciano Osmar Menezes. Texto produzido durante o curso de Especialização em Juventude Contemporânea - Unisinos]
Educação: direito e valorização para um novo projeto de desenvolvimento. 2009/10/22
Posted by edsonjrodrigues in Educação, Juventude, Movimento SIndical, Um Giro por MInas e o BraSil, movimento estudantil.Tags: autonomia, cnte, CUT, DRU, Educação, ensino privado, estudantes, gestão democratica, inclusão, Pública, PIB, prouni, UBES, UNE, união nacional, Universidade
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A representante da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ensino (CNTE), Maria Izabel Azevedo Noronha (Bebel), e o vice-presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Tiago Ventura, foram os painelistas da oficina "Educação: direito e valorização para um novo projeto de desenvolvimento", realizada dia 14 pela CUT Nacional, em São Paulo.
Tiago destacou o novo papel do Estado, com ampliação do acesso por meio de ações afirmativas para negros e indígenas, e a luta da UNE pela aplicação do Plano Nacional de Assistência Estudantil, particularmente em relação à creche para as mães, alimentação, transporte e bolsas de estudo. Frisou também a importância de um Estado mais presente, responsável pela educação pública e capaz de regular o ensino privado, condenado "pelo aumento abusivo nas mensalidades e pela falta de democracia".
Denunciando o sucateamento e o arrocho de recursos a que a universidade brasileira foi submetida durante o desgoverno Fernando Henrique, Tiago destacou a importância da derrubada da DRU (Desvinculação das Receitas da União) pela Câmara, agora em apreciação pelo Senado, pois tem sangrado 20% da verba desta importante área social.
O vice-presidente da UNE também apresentou as linhas gerais do projeto de reforma universitária dos estudantes brasileiros, defendendo que haja o pleno exercício da autonomia universitária: "são necessários novos patamares de investimento, com a destinação de 10% do PIB. Para além das medidas emergenciais, é preciso dar garantias para que a universidade goze da autonomia de gestação administrativa, didático-pedagógica e financeira. Daí a nossa luta pela aplicação mínima de 75% do orçamento da educação no ensino superior, caracterizando política de Estado". Sobre as novas formas de financiamento, lembrou Tiago, "a UNE defende a vinculação de 50% da arrecadação com royalties do petróleo da camada pré-sal em educação pública". Para a entidade, frisou, é preciso que haja "controle público sobre o ensino privado, com o reconhecimento do ensino superior como um bem público e a exploração privada como uma concessão do Estado, que deve ter a obrigação de regular, fiscalizar e garantir a qualidade do ensino".
Na avaliação da representante da CNTE e presidente da Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo), Maria Izabel defendeu a necessidade de um efetivo Sistema Nacional Articulado de Educação (SNAE), que faça jus à determinação constitucional de que a educação é um direito. Por isso, ressaltou Bebel, os professores propõem seis eixos: "o papel do Estado na garantia de direito à educação de qualidade, com organização e regulação da educação nacional; qualidade da educação, com gestão democrática e avaliação; democratização do acesso, permanência e sucesso escolar; formação e valorização dos trabalhadores em educação; financiamento da educação e controle social; justiça social, educação e trabalho: inclusão".
Bebel lembrou que na contramão destas propostas, atentando contra a diversidade e a igualdade, a Desvinculação das Receitas da União foi responsável pelo assalto a R$ 70 bilhões da educação. "Lutamos pelo fim da DRU porque defendemos um Estado provedor de políticas públicas, que regule o atendimento à população". Outro ponto fundamental para a melhoria da qualidade da educação, para a valorização do setor e de seus profissionais, acrescentou, é a implementação do Piso Salarial Nacional da Educação, que vem sendo boicotado pelos governos estaduais tucanos, que buscam inviabilizar a medida.
Ao ver a educação com interface mais ampla, declarou a representante da CNTE, a entidade tem procurado envolver não só os profissionais que atuam nas escolas, mas os estudantes, pais de alunos e as próprias administrações, "para que o país avance". Por isso, ressaltou Bebel, o parâmetro defendido pela CNTE é o do custo-aluno-qualidade, valorizando a elevação permanente do conhecimento e da capacidade crítica do aluno em sua formação. Este avanço, alertou, obviamente não será possível com uma visão tacanha como a manifestada pelas administrações que atentam contra a Lei do Piso, e que são as mesmas que precarizam as relações de trabalho, não fazendo concursos públicos e mantendo um alto número de profissionais admitidos em caráter temporário (ACT). Os governos tucanos de Aécio Neves (MG), onde cerca de 50% dos profissionais de educação são ACTs, e de José Serra (SP), com 47% de ACTs são exemplos desta triste prática.
"Precisamos melhorar as condições de trabalho dos profissionais de educação, garantir uma unidade entre teoria e prática, a centralidade do trabalho como princípio educativo, a gestão democrática das escolas e dos sistemas", acrescentou Bebel.
Em nome da CUT Nacional, o diretor executivo Adeilson Telles lembrou do significado da educação para o aprofundamento da democracia participativa e da luta da Central "para fazer com que todos os avanços conquistados nas políticas de governo se transformem em política de Estado". "Daí a nossa luta para efetivar mecanismos que se traduzam em políticas públicas para ser implementadas", concluiu Adeilson.
A Idade e as Razões ao Não Rebaixamento da Imputabilidade Penal 2009/10/19
Posted by edsonjrodrigues in Artigos, Geral, Juventude, PPJ, Um Giro por MInas e o BraSil.Tags: adolescente, código civil, conselho, Constituição, criança, ECA, Educação, estatuto, FEBEM, imputabilidade penal, infância, infrator, jovem, juiz, justiça, Juventude, menor infrator, Ministerio Publico, ONU, penitenciária, profissionalização, promotor, redução da maioridade penal, unicef, violência
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João Batista Costa Saraiva
Juiz da Infância e Juventude no RS
Professor de Direito da Criança e do Adolescente
na Escola Superior da Magistratura – RS
1. INTRODUÇÃO
Afinal, a solução no combate à criminalidade, em especial nos grandes centros urbanos, passa pela redução da idade de imputabilidade penal, hoje fixada em 18 anos? Alguns setores dão tanta ênfase a esta proposta que induzem a opinião pública a crer que seria a solução mágica na problemática da segurança pública, capaz de devolver a paz social tão almejada por todos.
A linha principal do argumento é de que cada vez mais adultos se servem de adolescentes como longa menus de suas ações criminosas e que isso impede a efetiva e eficaz ação policial. Outros retomam o argumento do discernimento, que o jovem pode votar aos 16 anos e que hoje tem acesso a um sem-número de informações que precipitam seu precoce amadurecimento, etc.
2. INIMPUTABILIDADE, NÃO IMPUNIDADE
A primeira distinção que impõe seja feita, frente ao torvelinho de idéias são lançadas, é que é preciso estabelecer a necessária distinção entre inimputabilidade penal e impunidade.
A inimputabilidade – causa de exclusão de responsabilidade penal- não significa, absolutamente, irresponsabilidade pessoal ou social.
O clamor social em relação ao jovem infrator – menor de 18 anos – surge da equivocada sensação de que nada lhe acontece quando autor de infração penal. Seguramente a noção errônea de impunidade tem-se revelado no maior obstáculo à plena efetivação do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), principalmente diante da crescente onda de violência em níveis alarmantes.
A criação de grupos de extermínio, como pseudodefesa da sociedade, foi gerada no ventre nefasto daqueles que não percebem que é exatamente na correta aplicação do ECA que está a salvaguarda da sociedade. Todo o questionamento que é feito por estes setores parte da superada doutrina que sustentava o velho Código de Menores, que não reconhecia a criança e o adolescente como sujeitos, mas meros objetos do processo. Dai crerem ser necessário reduzir a idade de imputabilidade penal para responsabilizá-los. Engano ou desconhecimento.
A circunstância de o adolescente não responder por seus atos delituosos perante a Corte Penal não o faz irresponsável. Ao contrário do que sofismática e erroneamente se propala, o sistema legal implantado pelo Estatuto da Criança e do Adolescente faz estes jovens, entre 12 e 18 anos, sujeitos de direitos e de responsabilidades e, em caso de infração, prevê medidas sócio-educativas, inclusive com privação de liberdade.
Muitas das criticas feitas à atual legislação da criança e do adolescente, ou os ‘arreganhos’ dos adversários do ECA, assim definidos pelo Ministro Sepúlveda Pertence¹ , podem ser dimensionadas nas palavras de Antônio Carlos Gomes da Costa² : ‘vomitam aquilo de que não se alimentaram.’
Diferentemente do que é bradado, a máxima ‘com menor³ não dá nada’, está em desacordo com o que preceitua nosso sistema. O Estatuto prevê e sanciona medidas sócio-educativas4 eficazes, reconhece a possibilidade de privação provisória de liberdade ao infrator, não-sentenciado – inclusive em parâmetros mais abrangentes que o Código de Processo Penal destina aos imputáveis na prisão preventiva -, e oferece uma gama larga de alternativas de responsabilização, cuja mais grave impõe o internamente sem atividades externas.
3. PRIVAÇÃO DE LIBERDADE – DO INFRATOR
A propósito dessa medida privativa de liberdade – internação na linguagem da lei -, o que a distingue fundamentalmente da pena imposta ao maior de 18 anos é que, enquanto aquela é cumprida no sistema penitenciário5 que todos sabem o que é, nada mais fazendo além do encarcerar , onde se misturam criminosos de toda a espécie e graus de comprometimento -, aquela há que ser cumprida em um estabelecimento próprio para adolescentes infratores, que se propõe a oferecer educação escolar, profissionalização, dentro de uma proposta de atendimento pedagógico e psicoterápico, adequados à sua condição de pessoas em desenvolvimento. Daí não se cogitar de pena, mas, sim, medida sócio-educativa, que não se pode constituir em um simples recurso eufêmico da legislação.
Neste sentido se fazem notáveis as deliberações tomadas quando da primeira Reunião de Cúpula do Poder Judiciário sobre lnfância e Juventude, em Porto Alegre, no início de 19956 , quando, presentes, os representantes de todos os tribunais do País, juntamente com o Ministro da Justiça Nelson Jobim7 e Ministros de Cortes Superiores, foi afirmada a prioridade do Judiciário na plena efetivação do ECA, inclusive com a criação de internatos adequados, em uma política nacional que priorize este segmento estratégico ao desenvolvimento da Nação. A propósito, apenas para citar dois exemplos em extremos do País, os Estados de Roraima8 e do Rio Grande do Sul9 têm, aquele já concluído, e este em fase de execução, interessantíssimos projetos de construção de unidades para internamento de adolescentes infratores, nos exatos termos preconizados pelo ECA.
4. MEDIDA SOCIOEDUCATIVA X PENA
O argumento de que cada vez mais os adultos se servem de adolescentes para a prática de crimes e que por isso se faz necessária a redução da idade de imputabilidade penal se faz curioso. Ora, pretende-se estender ao "mandado" o mesmo sistema que não alcança o "mandante"? Quem, de qualquer modo, concorre para o crime incide nas penas a este cominadas10 , regra geral do concurso de agentes. Se a questão for de eficácia de sistema; porque o mandante (de regra, "pior" que o executor direto) não é responsabilidade? Aliás, reprimido o mandante, exclui-se a demanda. Na verdade, o argumento dos arautos do rebaixamento faz falacioso. O Estatuto oferece amplos mecanismos de responsabilização destes adolescentes infratores, e, que se tem constatado, em não raras oportunidades, é que, enquanto o co-autor adolescente foi privado de liberdade, julgado e sentenciado, estando em cumprimento de medida, seu parceiro imputável, muitas vezes, sequer teve seu processo em juízo concluído, estando freqüentemente em liberdade11 .
5. UMA JUSTIÇA INSTANTÂNEA
Quanto à eficácia e eficiência de ação na área infracional, não há como deixar de mencionar os extraordinariamente positivos resultados que vêm sendo obtidos no projeto "Justiça Instantânea", implantado no Juizado da Infância e Juventude de Porto Alegre, e em vias de ser estendido às maiores comarcas interior.
Neste projeto, polícia, Ministério Público, Defensoria e Judiciário funcionam em unidade integrada, no mesmo prédio, dando solução quase imediata às situações de flagrância trazidas pela Polícia Militar ou pela própria Polícia Civil. O adolescente é ouvido pelo Delegado, forma-se o procedimento, submetido ao Promotor, com assistência de advogado, e, feita a representação, é imediatamente apresentado a juízo, ouvindo-se vitima e testemunhas, se for o caso. Ali, de regra, são imediatamente solucionados, com sentença12 . O funcionamento adequado de um sistema de infância e juventude, preventivo – com ação eficaz dos Conselhos Tutelares13 – e repressivo, há de fazer parte de uma política de ação. O resultado que se constata em Porto Alegre é a redução da reincidência e até mesmo uma mudança no perfil da "clientela" do Juizado, com muitos jovens de classe média sendo trazidos a juízo, fato que raramente se cogitava na época da Justiça de Menores, tachada como um Juizado para os pobres14.
A ação efetiva de todos os agentes envolvidos com a questão infracional passa, necessariamente, por um comprometimento de todos os atores deste processo, desde polícia, em uma ponta, até o Juiz, na outra. Para isso há de existir decisão política e engajamento de todos os Poderes, Executivo, Legislativo e Judiciário, fazendo valer a prioridade absoluta preconizada no art. 227 da Constituição Federal. O Estatuto é uma receita que a nós cumpre avia15 .
6. O MÓDULO DE INTERNAMENTO
Outra questão que tem sido levantada se refere ao módulo máximo de internamento de um adolescente infrator, fixado em três anos, com limite em 21 anos de idade para sua liberação. A matéria, embora admita avaliação16 , merece algumas reflexões frente ao conjunto do sistema penal do imputável, apresenta como solução ao controle da criminalidade. Deve-se considerar, por exemplo que, para um adulto permanecer três anos "fechado", sem perspectiva de alguma atividade externa, sua pena deverá situar-se em um módulo não inferior dezoito anos de reclusão, eis que cumpridos 1/6 da pena (que são os mesmos três anos17 a que se sujeita o adolescente), terá direito a benefício18 .
Não se pode desconsiderar, no caso do adolescente, que três anos na vida de um jovem de 16 anos representa cerca de 1/5 de sua existência, em uma fase vital, de transformações, na complementação da formação de sua personalidade, onde se faz possível a fixação de limites e valores.
Mesmo aqueles jovens de remoto prognóstico de recuperação merecem tal oportunidade, até porque, adequadamente tratados, são animadores os resultados obtidos. A experiência que se tem tido nestes mais de seis anos de Estatuto da Criança e do Adolescente é altamente satisfatória, a ponto de se poder afirmar que em um índice de 70 a 80% dos jovens, adequadamente atendidos nas medidas socioeducativas que lhe são impostas, obtém plenas condições de uma completa integração social ao final.
7. O ADOLESCENTE E O VOTO
Outro argumento utilizado na justificação da redução da idade diz respeito ao fato de o jovem poder votar, escolhendo desde Presidente da República até Vereador.
Dizer-se que se o jovem de 16 anos pode votar e por isso pode ir para a cadeia é uma meia verdade (ou uma inverdade completa). O voto aos 16 anos é facultativo, enquanto a imputabilidade é compulsória. De resto, a maioria esmagadora dos infratores nesta faixa de idade sequer sabem de sua potencial condição de eleitores; falta-lhes consciência e informação.
A questão de fixação de idade determinada para o exercício de certos atos da cidadania decorre de uma decisão política e não guarda relações entre si, de forma que a capacidade eleitoral do jovem aos dezesseis anos – FACULTATIVA – se faz mitigada. Nossa legislação, a exemplo das legislações de diversos países, fixa em 21 anos de idade a maioridade civil. Antes disso, por exemplo, não há casamento sem autorização dos pais19 , e somente após se faz apto a praticar, sem assistência, atos da vida civil.
A propósito, a legislação brasileira fixa diversos parâmetros etários, não existindo uma única idade em que se atingiria, no mesmo momento, a "maioridade absoluta". Um adolescente pode trabalhar a partir dos 14 anos e, no plano eleitoral, estabelece que o cidadão para concorrer a Vereador deva ter idade mínima de 18 anos; 21 anos para Deputado, Prefeito ou Juiz de Paz; 30 anos para Governador e 35 anos para Presidente, Senador ou Ministro do Supremo Tribunal Federal ou Superior Tribunal de Justiça20 .
Não há critério subjetivo de capacitação, e sim decisão política. Tanto é assim que Jesus Cristo, que morreu aos 33 anos, a par de sua indiscutível capacidade e discernimento, no Brasil, não poderia exercer a Presidência da República.
Assim, mesmo sendo discutível a decisão constituinte de outorgar o voto facultativo aos 16 anos, o fato de per se não leva à conclusão que o adolescente nesta idade deva ser submetido a outro tratamento que não aquele que o Estatuto lhe reserva em caso de crime – mesmo eleitoral.
8. A REDUÇÃO DE IDADE PARA CONCESSÃO DA CARTEIRA NACIONAL DE HABILITAÇÃO
Quanto à Carteira de Motorista, tão reclamada pelos jovens filhos da burguesia, o que há a ser dito é que as medidas sócioeducativas do ECA são tão ou mais eficazes e rigorosas que as penas que o atual sistema penal reserva crimes culposos no trânsito maiores de 18 anos21 . Não há redução da imputabilidade penal para responsabilizá-los, como sustentam alguns, que postulam, como condição à redução de idade para concessão da CNH, o rebaixamento de idade de imputabilidade penal.
Na forma em que vem sendo conduzida esta questão, inclusive pelo teor de veto lançado pelo ex-Presidente ltamar Franco a projeto aprovado no Conresso relativamente ao rebaixamento de idade para obtenção da Carteira de Motorista, neste País, onde se afirma, mata-se cerca de 50 mil pessoas ao ano em acidentes de trânsito, a idéia é de poder entregá-la para os filhos dos ricos – afinal, no Brasil automóvel ainda é privilégio -, para poder lançar os filhos dos pobres na cadeia.
9. O DISCERNIMENTO
Outro ponto da argumentação pelo rebaixamento diz respeito ao discernimento. De que o jovem de hoje, mais informado, amadurece mais cedo. Ninguém discute a maior gama de informações ao alcance dos jovens. A televisão hoje invade todos os lares com suas informações e desinformações, trazendo formação e deformação.
Considerando o desenvolvimento intelectual e o acesso médio à informação, é evidente que qualquer jovem, aos 16, 14 ou 12 anos de idade, é capaz compreender a natureza ilícita de determinados atos. Aliás, até mesmo crianças pequenas sabem que não se pode matar, que machucar o outro é feio ou que não é permitido tomar para si o objeto do outro. O velho Catecismo Romano já considerava os sete anos como a ‘idade da razão’, a partir da qual é possível "cometer um pecado mortal".
Esse raciocínio sobre o discernimento, levado às últimas conseqüências, pode chegar à conclusão de que uma criança, independentemente da idade que possua, deva ser submetida ao processo penal e, eventualmente, recolhida a m presídio, desde que seja capaz de distinguir o "bem" do "mal".
O que cabe aqui examinar é a modificabilidade do comportamento do adolescente e sua potencialidade para beneficiar-se dos processos pedagógicos, dada sua condição de pessoa em desenvolvimento.
A experiência dos Juizados da Infância e da Juventude no Rio Grande do Sul tem demonstrado que, aplicadas com seriedade as medidas constantes do Estatuto, diversos adolescentes, internados por infrações gravíssimas, como homicídio e latrocínio, têm logrado efetiva recuperação, após um período de internação. Progressivamente, esses jovens têm passado da privação total de liberdade à semiliberdade assistida. Muitos passam algum tempo prestando serviços à comunidade, numa forma de demonstrar a si próprios e à sociedade que são capazes de atos construtivos e reparadores.
O Brasil já mandou para o sistema criminal adolescentes. Maria Auxiliadora Minahim 22, em seu interessantíssimo "Direito Penal da Emoção"23 , onde destaca que a inimputabilidade dos menores de 18 anos é uma conquista que cumpre ser defendida, citando Bento Faria, ao comentar o Código Penal pátrio de 1890, em seu art. 30 (onde se fixa a inimputabilidade dos jovens até 14 anos) traz o relato de uma série de decisões dos tribunais, de mandar soltar meninos recolhidos em prisões de adultos por falta de instituições adequadas.
O jovem de 1890 teria maior ou menor discernimento que hoje? Se a matéria evoluiu para uma atenção diferenciada, em um País em que as diferenças sociais são abissais, isso revela uma evolução de política criminal, conceito dissociado da idéia de discernimento24.
A opção por um tratamento diferenciado ao jovem infrator – conceituado como "delinqüente" na linguagem dos opositores do ECA – resulta de uma disposição política do Estado, na busca de uma cidadania que se perdeu – ou jamais foi conquistada.
Revela a história que a preocupação oficial sobre a questão do jovem, como sujeito de um direito diferenciado, encontra precedente histórico apenas em 1896, em Nova forque, quando foi registrado o primeiro processo judicial efetivo tendo como causa maus-tratos causados a uma menina de nove anos de idade pelos seus próprios pais. A parte que propôs a ação foi a Sociedade para a Proteção de Animais, de Nova Iorque. Dessa sociedade é que surgirá a primeira liga de proteção à Infância25.
10. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Em suma. O "arsenal" de recursos postos à disposição da sociedade pelo, Estatuto da Criança e do Adolescente prescinde da anacrônica proposta de redução de idade de imputabilidade penal para o enfrentamento da questão atinente à criminalidade juvenil.
Para tanto, o que necessitamos é de compromisso com a efetivação plena do Estatuto da Criança e do Adolescente em todos os níveis – sociedade e Estado26 fazendo valer este que é um instrumento de cidadania e responsabilização de adultos e jovens.
A opção por um tratamento diferenciado ao jovem infrator – "delinqüente" na linguagem dos opositores do ECA – resulta de uma disposição política do Estado, na busca de uma cidadania que se perdeu – ou jamais foi conquistada.
Penso restar demonstrado que inimputabilidade penal não é sinônimo de -,impunidade ou irresponsabilidade. O Estatuto da Criança e do Adolescente oferece uma resposta aos justos anseios da sociedade por segurança e, ao mesmo tempo, busca devolver a esta mesma sociedade pessoas capazes de exercer adequadamente seus direitos e deveres de cidadania.
Como já foi possível expressar em outra oportunidade: Reformar a Constituição Federal para reduzir a idade de imputabilidade penal, hoje fixada em 18 ,anos, significa um retrocesso, um desserviço, um verdadeiro atentado. A criminalidade juvenil crescente há de ser combatida em sua origem a miséria e a deseducação.
Não será jogando jovens de 16 anos no falido sistema penitenciário que se poderá recuperá-los. Mesmo aqueles de difícil prognóstico recuperatório a sociedade tem o dever de investir ao máximo porque a porcentagem daqueles que se emendam – dentro de uma correta execução da medida que foi aplicada se faz muito maior e justifica plenamente o esforço.
Não for pensado assim, amanhã estar-se-á questionando a redução da idade de imputabilidade penal para doze anos, e depois para menos, quem sabe, até qualquer dia não faltará quem justifique a punição de nascituros, preferencialmente se pobres…27
1 Discurso proferido por ocasião do lançamento do CD-ROM ‘Direitos da Criança e do Adolescente’, em Brasília, em iniciativa conjunta da UNICEF, Fundação Banco do Brasil e ‘AJURIS’.
2 Pedagogo, Consultor da UNICEF, ex-Presidente da CBIA. 3 Em uma viagem, por acaso, caiu em minhas mãos um jornal de grande circulação do Estado do Paraná. Naquela interminável jornada, na busca de passar o tempo, não só li aquilo que normalmente me interessa em um jornal, como acabei deparando-me com a indefectível página policial dos periódicos, local antigamente destinado às tragédias do cotidiano. Digo antigamente porque hoje o jornalismo se faz quase somente de desgraças, não escapando dessas nem as futilidades das colunas sociais. A manchete da Página policial, porém, por seu conteúdo ideológico, até hoje me serve como exemplo emblemático de parcela significativa de nossa cultura brasileira: "Menor assalta criança na frente da escola." Menor era o infrator, criança, a vítima. Nisso pode ser resumida toda a dificuldade para completa efetividade da doutrina da proteção integral preconizada pelo Estatuto da Criança e do Adolescente. Ainda se raciocina no sentido de que crianças são filhos bem nascidos e menores são os outros. Os pobres, os negros, os meninos de rua, os excluídos. 4 Ver "Adolescentes em Confronto com a Lei: O ECA como Instrumento de Responsabilização ou a Eficácia das Medidas Socioeducativas", "AJURIS", 67/70. 5 "A organização penitenciária brasileira é um instrumento de degradante ofensa às pessoas sentenciadas. O condenado é exposto a penas que não estão no Código Penal, geradas pela promiscuidade e pela violência. O sistema penitenciário subverte as funções da pena. Assim, deixa de cumprir sua meta básica, que é a de ressocialização" Ministro José Celso de Mello Filho, à "Veja", p. 11, em 05-03-97. 6 A Reunião de Cúpula sobre o Novo Direito da Infância e da Juventude, realizada em Porto Alegre de 22 a 24-03-95, representou episódio inédito na história do Poder . A pauta do Novo Direito da Infância, advindo da Doutrina da Proteção integral da Infância preconizada pelas Nações Unidas, fez convergir as presenças dos ocupantes dos mais elevados postos administrativos e políticos do Judiciário nacional. Ministro do Supremo Tribunal Federal, Ministros do Superior Tribunal de Justiça, Presidentes dos Tribunais de Justiça, Corregedores-Gerais de Justiça e Presidentes de Associações de Magistrados, após refletirem sobre as inovações da ordem jurídica de proteção à Infância, selaram compromisso com a efetividade prática do novo modelo. Ao comemorar-se o 5º ano de vigência do Estatuto da Criança e do Adolescente, a magistratura brasileira pode proclamar que não se faz alheia aos problemas sociais que tanto afligem nossa Nação, e que, respondendo à altura os reclamos na sociedade civil, se encontra a serviço da cidadania para levar às últimas conseqüências práticas as transformações trazidas pelo novo ordenamento. 7 Quando da Reunião de Cúpula do Poder Judiciário sobre Infância e Juventude, o Ministro Nelson Jobim foi interrompido em sua fala pelos aplausos de uma platéia que lotava o salão de eventos do Plaza São Rafael; ficava a convicção de que não se tornaria a discutir a questão da imputabilidade penal aos menores de 18 anos na atual reforma constitucional. Os aplausos daquele qualificado auditório ao Ministro aconteceram quando este afirmou a posição do Ministério da Justiça e do próprio Governo Federal de que não há o que ser alterado na Constituição brasileira sobre este tema, que resta muito bem equacionado no plano legal. 8 Centro Socio-educativo Homero de Souza Cruz Filho – o adolescente, autor de ato infracional grave, passou a receber atenção do Governo. A iniciativa possibilita uma prática educativa de acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente 9 O Governo do Estado do Rio Grande do Sul desenvolve a construção de dez unidades de internamento para adolescentes infratores, nas sedes dos Juizados Regionais da Infância e Juventude, em cidades-pólo no Estado, permitindo que o adolescente privado de liberdade se afaste o mínimo possível de sua realidade social e familiar. Estão em andamento as obras em Caxias do Sul, Santa Maria e Porto Alegre, havendo projetos licitados de outras sete unidades. 10 Art. 29 do CP que consagra a Teoria Unitária em nosso sistema penal. 11"Zero Hora" divulgou em 06-09-94, que adolescentes participam de 10% dos delitos da Grande Porto Alegre. A propósito, a estatística não inclui apenas autores dos atos infracionais, mas, também, como vítimas. Ora, o percentual destes no montante da população é de cerca de 40%. Se estes se envolvem em 10% dos delitos, é porque os 90% dos crimes são de adultos, o que permite concluir que a lei penal para o adulto não é remédio suficiente. Ou, em resumo, querem estender ao adolescente um modelo que não está dando certo com o adulto. 12 De 08-05-96 a 28-02-97 foram iniciados na "Justiça Instantânea" 2.145 procedimentos. Destes, 1.472 foram concluídos no mesmo dia (68,62%); 458 (21,35%) tiveram tramitação parcial – vítima e testemunhas ouvidas em outro dia – e 215 (10,03%) foram remetidos à tramitação normal. Dos adolescentes julgados, 67 foram encaminhados a abrigo, pois não foram localizadas suas famílias, e 185, receberam medida de internamento. 13 Instituições centenárias não podem tutelar o Conselho Tutelar: é preciso detectar os erros para apoiar a instituição na busca do bom caminho. No trabalho comunitário, é que se irá poder precocemente constatar o flagelo da violência no seio da família. Hoppe, Marcel – "A Questão da Violência", in "Indiferença – Derrube este muro. " Seminário da Criança e do Adolescente, Promoção da Associação dos Procuradores do Município de Porto Alegre, anais publicados em janeiro de 1996. 14 Por ocasião do III Seminário Latino-Americano do Avesso ao Direito, tratando da evolução da doutrina, da situação irregular à da proteção integral da criança e do adolescente, em São Paulo, entre 19 e 23 de outubro de 1992, a Oficina sobre Justiça da Infância e Juventude, entre outras conclusões, apresentou: os sistemas de Justiça "tutelar", por estarem baseados na doutrina da situação irregular. não atendem às expectativas dos povos da América Latina, permanecendo em todos os Países a justiça de menores como uma Justiça de menor importância. Pelo anterior sistema – da doutrina da situação irregular, que norteava o velho Código de Menores -, os Juizados estavam reduzidos a meros instrumentos de controle da pobreza. 15 Marcei Hoppe, Juiz da Infância e Juventude em Porto Alegre, foi responsável pela reestruturação do Juizado da Infância e Juventude da Capital e se constituiu em uma das maiores autoridades na matéria em nosso País. 16 Os índices de recuperação e não-reincidência em infratores sujeitos a internamento autorizam um juízo otimista em relação ao módulo máximo de privação de liberdade fixado no ECA. 17 No episódio do homicídio da atriz Daniela Perez, o acusado condenado recebeu pena pouco superior a dezenove anos, pelo que, cumpridos pouco mais de três anos, poderá ver progredido seu regime prisional. A considerar ainda que um condenado entre 18 e 21 anos de idade, que não era o caso daquele, tem a seu favor a atenuante prevalente da minoridade, que sempre lhe reduz a pena. Portanto, o módulo de três anos de internamento a que se submete o adolescente, com possibilidade de exclusão de qualquer atividade externa, não está em desacordo com a realidade penal brasileira. 18 Art. 37 da LEP. No sistema penal brasileiro (arts. 112 da LEP, e 33 do CP), cumpridos 1/6 da pena, o condenado preenche requisito objetivo que o habilita à progressão de regime (de fechado para semi-aberto, por exemplo). Assim, não é exagero afirmar que, para um adulto permanecer três anos em regime fechado, privado de liberdade sem atividades externas, há de receber pena não inferior a dezoito anos. A insuceptibilidade de progressão, mesmo nos chamados "crimes hediondos", por inconstitucionalidade, divide a jurisprudência, e, no Rio Grande do Sul, o entendimento prevalente nas Varas de Execução Criminal é pelo cabimento da progressão. 19 Chega ser contraditório não poder casar sem autorização dos pais e poder ser preso. 20 Arts14, § 39, 101 e 104, parágrafo único, da CF. 21 Homicídio culposo ou lesões corporais culposas resultam em penas de detenção, normalmente convertidas em prestação de serviço à comunidade ou outra pena alternativa. O ECA dispõe de medidas sócioeducativas similares aptas a darem uma resposta tão ou mais eficaz no plano da responsabilização dos agentes. No plano da responsabilidade civil, a questão prescinde de discussão, estando disciplinada no Código Civil. 22 Professora da Faculdade de Direito da Universidade Federal da Bahia, Mestra e Doutora em Direito Penal pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. 23 ‘Direito Penal da Emoção – A inimputabilidade do menor’. São Paulo, Editora Revista dos Tribunais, 1992. 24 A exposição de motivos ao Código Penal de 1940 tachava os menores de 18 de imaturos (item 19). Já a Exposição de Motivos da Nova Pane Geral (1984) afirmo tratar-se de opção (a inimputabilidade) apoiada em critérios de políticas criminal, em seu item 23. 25 Hoppe, Marcel. ‘A Questão da Violência’, in "Indiferença", op. cit. 26 A aceitação de práticas de violência contra as crianças vem a dar causa ao extermínio, que não é contra a infância em geral, mas contra os menores. No ano de 1989, morreram no Brasil 400.000 crianças por causas evitáveis. Deodato Rivera afirma que não houve nenhuma manifestação maior da sociedade e pergunta: "0 que aconteceria se fosse noticiada morte de 400.000 bezerros?" Seria o caos econômico. Seria a falência da estrutura. A imprensa noticia todo o dia a violência física; a violência urbana. Assunto permanente é a superlotação de presídios. Presídios são interditados. Presídios são abertos. Trocam-se agentes penitenciários por brigadianos (PMs). O povo reclama: "Falta policiamento." Os policiais rebatem: ‘Não temos condições para atender, faltam verbas, faltam veículos. Não há nada.- Mesmo nos Estados Unidos, com seu enorme potencial econômico, o enfrentamento do problema revelou-se ineficaz. Ali, como aqui. tenta-se combater as conseqüências do problema, ocorre o aumento do tamanho do Governo. A doença com mais serviço médico. O crime com mais aparato policial. o incêndio com mais bombeiros. Agora, naquele pais, está ocorrendo exatamente o inverso Na Califórnia, Flórida. Ilinois, está-se trabalhando na prevenção. A conclusão de que para 1 kg necessário a correção basta aplicar 1 g na prevenção. Atender o social é prevenir O jurídico. A atuação dos Conselhos Tutelares é exatamente necessária para esse desiderato. As pessoas precisam saber que essa nova instituição tem finalidades específicas e não é subordinada a nenhuma outra. A sua intervenção eficaz é capaz de resolver precocemente os problemas – Hoppe Marcei, ‘A Questão da Violência’, op. cit. 27 Saraiva, João Batista Costa – "Inimputabilidade, não impunidade-, in "Relatório Azul, da Comissão de Cidadania e Direitos Humanos – Assembléia legislativa do Rio Grande do Sul", 1995, p. 34.
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Artigo: ENEM 2009, entre a fraude e o conteúdo 2009/10/15
Posted by edsonjrodrigues in Artigos, Educação, Geral, Juventude, Um Giro por MInas e o BraSil, ping.Tags: Educação, ENEM, ensino medio, Ensino Superior, Estudante, estudantes, Exame Nacional, fraude, governo lula, jovem jovens, mec, Pública, privada, PT, raciais, regime de cotas, roubo, supletivo, ufpe, UNE, Universidade
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O Exame Nacional do Ensino Médio, ENEM, foi a grande notícia do setor educacional em 2009. Não pelo escândalo do vazamento da prova, ao contrário do que parece nos últimos dias. O real destaque do ENEM se dá, fundamentalmente, pelo incômodo que ele trouxe a alguns setores econômicos, educacionais, políticos e midíaticos e não pela simples mudança de data em virtude da fraude descoberta. Foi o ENEM em si, sua reformulação e a adoção desse instrumento como principal forma de ingresso nas Universidades brasileiras que causou tamanho rebuliço e até furor.
Não é novidade que o vestibular movimenta no Brasil uma imensa cadeia econômica. Apesar da vultosa expansão de vagas nas Universidades Federais implementada pelo Governo Lula, ainda há uma demanda infinitamente superior. No setor público, só há vagas para 3% da juventude brasileira, e, mesmo incluídas as instituições privadas, quase 90% dos jovens ficam de fora. É em cima desse quadro e da angústia de cada estudante que gira o lucrativo comércio dos cursinhos pré-vestibular. Foram eles os principais prejudicados com a adoção do ENEM como forma de seleção de boa parte das Instituições Federais, a partir desse ano, e são eles e seus aliados os mobilizadores dessa comoção nacional contra o MEC, com direito a impulsionar passeatas estudantis – seus clientes – em todos os cantos do país.
Não é que nos devamos calar diante da fraude de um processo tão importante como esse. Ao contrário, é a cadeia o lugar dos que participaram do vazamento da prova e nisso a Polícia Federal está concentrada. À propósito, cabe lembrar que a cultura da fraude impregna o modo de vida brasileiro. Há pessoas motivadas a corromper, enganar, roubar, trapacear em diversos âmbitos da vida coletiva. O mundo dos concursos não está alheio ao repugnante jeitinho brasileiro de privatizar o que deve ser público. Cotidianamente provas são anuladas por fraude e, muitas vezes, acontece o pior: seguem impunes à interferência privada, ao lobby, ao privilégio de alguns.
Mas, pela quase inexistente condenação pública dos verdadeiros criminosos nas passeatas e matérias jornalísticas sobre o caso, percebe-se que o enfrentamento ao ENEM deflagrado sob essa justificativa tem outra motivação. Quer-se é enfraquecer esse método de seleção e fortalecer o anterior, já condenado pelo processo histórico da formação educacional brasileira. O sistema de vestibular erguido por empresas privadas, que privilegia o conhecimento "decoreba" e os "bizus" e articula-se com o negócio dos cursinhos só favorece à concentração de vagas nas melhores instituições para quem também concentra renda e pode investir muito dinheiro.
Em detrimento, alijam-se das Universidades estudantes que, por outras formas e experiências, adquiriram conhecimento, muitas vezes mais relevante à formação acadêmica e à produção de ciência e tecnologia com função social a que deve se destinar a Educação Superior Pública.
Ainda, por esse sistema, tem sido imbecilizada boa parte da juventude brasileira, que adquire, desde o início da formação escolar, o péssimo hábito da concorrência pela eliminação dos demais colegas, o sofrimento do vestibular como martírio, a limitação da reflexão filosófica pelo acúmulo de números, datas, fórmulas.
Não é à toa que ingressam, todos os anos, nas Universidades do país, muitas pessoas incapazes de compreender o mundo em que vivem, ignorantes à realidade social, às desigualdades regionais, que nunca leram um livro e que vêem os demais seres humanos como inimigos sempre em disputa pelas escassas oportunidades.
É revoltante, portanto, que a tão difícil mobilização estudantil, fruto justamente da cultura egoísta erguida nas escolas, se dê, nesse momento, não contra a falta de vagas nas Universidades, não contra a cultura da fraude de que foram vítimas os estudantes e os organizadores da prova, não pelo direito de estudar, mas contra as mudanças no sistema de ingresso na Educação Superior, contra o MEC e contra o ENEM.
Ao analisar a prova abortada em virtude do roubo, imagino a frustração dos elaboradores do novo processo. As notícias de hoje deveriam ser sobre a ousadia com que se constituiu o ENEM 2009, em como a comissão organizadora foi capaz de fazer um teste de assinalar – por si só limitador dos conhecimentos – em uma abordagem inovadora, consciente, social e politizada.
As questões de Linguagem e Códigos são capazes de deliciar o leitor. Conversas de MSN, tirinhas de Mafalda, poemas de Gilberto Gil: pura interpretação e raciocínio, ao contrário das tradicionais ortografias e gramáticas estanques. Em Ciências Humanas, uma preocupação com as questões regionais, nacionais, ao contrário das datas e nomes com que estamos acostumados. Em Ciências da Natureza, nada mais atual que privilegiar as questões ecológicas em vez das mitocôndrias e os complexos de Golgi que decoramos tempos atrás.
Um privilégio da inteligência, da consciência, da politização, da compreensão do mundo. Aquilo que os mais progressistas pedagogos, movimentos educacionais e a sociedade reivindicam há tanto tempo.
Como militante política formada nas fileiras do Movimento Estudantil, luto pelo dia em que não teremos mais vestibular e em que as vagas nas Universidades serão direito garantido a toda população. Mas, enquanto isso, não posso deixar de comemorar o avanço que representa esse novo ENEM e sua adoção pelas Universidades brasileiras.
Uma pena que aqueles que optaram pela fraude e pelo dinheiro tenham ocupado as páginas dos jornais em detrimento dessa vitória histórica pela formação cidadã dos jovens brasileiros. Na esperança de que o desenvolvimento e aperfeiçoamento dos novos métodos sejam capazes de formar pré-universitários mais conscientes, que se mobilizem pelo seu direito a estudar mais do que pela motivação dos que querem lucrar em cima de sua exclusão.
Louise Caroline
é formada em Direito pela UFPE e é ex-vice-presidente da UNE.
Fonte: Site do PT
Lançamento da pedra fundamental do campus do IFMG/GV marca a história da cidade 2009/10/14
Posted by edsonjrodrigues in Educação, Governador Valadares, Informação, Juventude, Um Giro por MInas e o BraSil.Tags: campus, ciência, Educação, educação a distância, engenharia de produção, ensino público, Ensino Superior, ensino técnico, gestão ambiental, ifmg, Jovens, Juventude, Leonardo Monteiro, mec, Tecnologia, ufmg, Universidade
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Governador Valadares já tem universidade pública. Nesta sexta-feira (9/10), foi lançada a pedra fundamental do campus do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Minas Gerais (IFMG) em Valadares. O Instituto oferece cursos superiores e técnicos gratuitos, e segundo a prefeita Elisa Costa, “muda o rumo desta cidade”. Na presença do professor reitor do IFMG, Caio Mário Bueno, o diretor do campus do IFMG/GV, Júlio Azevedo, do deputado federal Leonardo Monteiro, do vice-prefeito, Geremias Brito, vereadores e outras autoridades e lideranças da cidade, Elisa ressaltou que a cidade está dando um grande passo na construção de desenvolvimento ao conquistar um campus do IFMG.
Para a prefeita investir em educação, oferecer universidade pública é conquistar desenvolvimento definitivo, o verdadeiro desenvolvimento sustentável, que não traz benefícios somente para o presente, mas para o futuro, e, principalmente, para todos. “Considero que política séria tem que fazer o presente bem feito e estender os benefícios às gerações futuras. Desenvolvimento sustentável é isso, incluir economia, cultura, educação e incluir a todos e todas”.
Já o reitor do IFMG disse que “Todos nós devemos lutar pelo direito universal de educação. Todos precisam cobrar dos políticos que tenham como prioridade os investimentos em educação. Mas educação de qualidade para todos, que inclua àqueles que sempre estiveram à margem de todos os processos deste país, que tem mais de 80 milhões de analfabetos funcionais”, afirma o professor, ressaltando o ensino de qualidade que Valadares está recebendo com o IFMG, antigo Cefet, instituição federal com mais de 100 anos de história.
Na ocasião, o deputado federal Leonardo Monteiro recebeu o reconhecimento da prefeita Elisa Costa pelo esforço e trabalho, sempre conjunto, para dar aos valadarenses universidade pública. O deputado ressaltou que a implantação do IFMG em Valadares é resultado de um governo federal que entendeu e trabalha para que a educação seja prioridade neste país, e que seja direito de todos.
A construção do campus do IFMG/GV, de acordo com a empresa que ganhou a licitação para a realização das obras – Construtora Hana –, será feita em três etapas. A primeira delas, que começa agora, ficará pronta até o final do ano que vem, e disponibilizará: prédio com 28 salas de aulas e laboratórios; prédio administrativo, com auditório e biblioteca; e estacionamento com capacidade para 120 vagas para automóveis, uma para ônibus e outra para microônibus e, ainda, 20 para motos. Da área de 80mil m² doada pela Prefeitura para o a construção do campus, nesta primeira etapa serão utilizadas 3.300 mil m². Ao fim das outras etapas, o campus terá cerca de 80 salas de aulas.
Mas as oportunidades começam já, mesmo antes do campus definitivo ficar pronto. Para 2010, o IFMG/GV está oferecendo dois cursos superiores: Engenharia de Produção e Tecnologia em Gestão Ambiental; e um de nível técnico: Segurança do Trabalho. Até que o campus seja construído, a Prefeitura está oferecendo o Polo de Apoio Presencial de Educação a Distância de Valadares para a realização das aulas.
Uma geração perdida prá violência -Willian Bonfim 2009/10/09
Posted by edsonjrodrigues in Artigos, Geral, Governador Valadares, Juventude, PPJ, Um Giro por MInas e o BraSil.Tags: assassinato, chacina, civilização, comunidade, comunitária, dia nacional da juventude, dnj, drogas, Educação, educadores, escola, geração jovem, Governador Valadares, histórica, homicídio, humanidade, iha, Jovens, métodos, mundo jovem, ONU, paulo freire, perdida, políticas públicas, PPJ, protagonismo, protagonista, sequestro, trafico, unicef, USP, violência
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“A desumanização que não se verifica apenas nos que têm sua humanidade roubada, mas também, ainda que de forma diferente, nos que a roubam, é distorção da vocação do ser mais (…). Na verdade, se admitíssemos que a desumanização é vocação histórica dos homens, nada mais teríamos que fazer, a não ser adotar uma atitude cínica ou de total desespero”. Paulo Freire No mês de agosto passado, participamos, um grupo de educadores populares, da 2ª etapa da Escola de Educadores(as) de Goiás.
O nosso foco era aprender os passos do método do levantamento dos temas geradores proposto por Paulo Freire. O método Freireano nos desinstala. Nos tira do espaço confortável das nossas certezas, pois exige que a gente saia do nosso lugar para fazer um profundo processo de escuta do(a) outro(a) a partir do chão e realidade onde pisa e não do chão onde pisamos e formulamos nossas idéias e visão de mundo. Pois bem, o exercício era visitar uma comunidade situada numa ocupação de mais de 30 anos no Criméia Leste, bairro bem próximo à rodoviária de Goiânia, bem situado, de fácil acesso e próximo a tudo. O bairro, por razões óbvias, é objeto de especulação imobiliária. Fica às margens da Marginal Botafogo. A prefeitura está “removendo” as pessoas para outro lugar. Ali é nítida uma divisão na comunidade entre os que moram acima da avenida Emílio Povoa e os que moram abaixo dela. Antes de irmos “a campo”, os educadores, nos preparamos: conversamos com lideranças locais e formulamos as nossas hipóteses. Para nós, a questão central para aquele povo era a moradia. Nos organizamos; um grupo de 14 pessoas e saímos em duplas. Nada de foto e de gravador; o método exige apenas que se converse com as pessoas. Logo nas primeiras conversas a nossa hipótese foi caindo por terra. A questão central para aquele povo era a violência, verbalizada, mas também expressa nos silêncios dos corpos e olhares. E as falas vieram, cada uma como um golpe que ia revelando o processo de desumanização e o “beco” quase sem saída no qual se encontram submersas aquelas pessoas: “Aqui hoje está melhor, muitos já mudaram, já morreram ou foram presos”; “Na parte de cima, a polícia chega com mandato de segurança; aqui em baixo só chega na porrada”; “Na parte de cima é melhor, só tem gente civilizada; aqui em baixo só tem malandro”; “aqui é assim, eles (os bandidos) ficam soltos e nós ficamos presos”. Estas falas são significativas porque expressam uma visão de mundo com um limite explicativo sobre a própria realidade, mas também porque apresentam vários problemas ligados a um brutal processo de desumanização fruto da situação de pobreza, agravada nas últimas décadas pelas políticas neoliberais, mas também atualmente por uma total ausência do Estado com políticas públicas de caráter estruturante, emancipatório e participativo.
A única presença do Estado ali é a da polícia que chega com os métodos que todos(as) já conhecemos pelos noticiários da TV. A prefeitura não estabelece nenhum diálogo com a comunidade; apenas informa quando uma família será removida… A primeira pessoa abordada por uma dupla de educadores foi um jovem. Com pouco mais de 21 anos, ele, segundo a liderança comunitária que têm transito ali, é o chefe local do tráfico e já teve a perna esquerda amputada por causa de um confronto com a polícia. À medida que os educadores se adentram no bairro vão escutando relatos de mortes de jovens, de tiroteios, de confrontos com a polícia…
E assim, a realidade, que aparece pra gente apenas como frios e distantes dados estatísticos, vai se mostrando nua e crua nos relatos daquelas pessoas, cerceadas por uma violência estrutural e estruturante, da qual muitas pessoas e jovens são vítimas, mas também vão se tornando protagonistas. Um micro-sistema que desumaniza e estabelece suas regras próprias baseadas no medo e na violência. O triste e lamentável é saber que esta realidade (ausência de políticas públicas estruturantes, disputa do tráfico, violência policial) é experimentada hoje, com os mesmos dramas e elementos nas periferias das cidades brasileiras.
Uma realidade perversa. Só mudam os endereços, mas os relatos de dor são os mesmos. Um exemplo disto é o livro Auto de Resistência (Editora 7 Letras) que reúne depoimentos de dezenove mulheres e dois homens que perderam seus filhos para a violência. Elas são quinze mães, duas viúvas, uma sogra e uma irmã de vítimas da violência armada. Com duas únicas exceções, todas as vítimas foram assassinadas por policiais. São dezenove mortes e um sobrevivente. Os casos aconteceram entre 1990 e 2005. O livro denuncia ainda que esta violência é praticada à sombra de uma aberração jurídica, o “Auto de Resistência”, nascido no antigo estado da Guanabara, em 1969, na esteira do Ato Institucional nº 5. O auto é o registro policial para mortes em confronto armado entre agentes da lei e os “elementos suspeitos”.
E é usado frequentemente para encobrir matanças injustificadas. No Rio de Janeiro, pesquisa recente indica que são registrados, em média, três autos de resistência por dia. Como não poderia deixar de ser, as pesquisas revelam que a maior ocorrência desses autos se dá nas áreas mais pobres das cidades. Em 2008, outra pesquisa revela: no Rio de Janeiro, para cada policial morto em operação morreram 48 civis. É preciso parar e ouvir estes relatos: “Na manhã do dia 1º de abril de 2005, vi a foto do meu filho estampada na primeira página. Então soube que meu filho estava morto”. (Luciene Silva, mãe de Raphael da Silva Couto, 17 anos, assassinada na Baixada Fluminense, em março de 2005). “Meu filho ainda respirava. Ele me olhou, apertou a minha mão e morreu. Foi um pedaço que arrancaram de mim”. (Dulcineia da Silva Sipriano, mãe de Marcus Vinícius Sipriano, 15 anos, assassinado por integrantes da Polícia Civil e da PM em Queimados, na Chacina da Baixada Fluminense, em março de 2005).
“A dor no peito era tão grande que parecia que eu ia enfartar. Foi quando ouvi dizer que policiais e traficantes teriam recebido 50 mil reais para sequestrar uns meninos em Vigário Geral e entregá-los aos traficantes da Parada de Lucas. Nesse seqüestro estavam 13 jovens. Meu filho era um deles”. (Denise Alves Tavares, mãe de Douglas Roberto, 16 anos, sequestrado e desaparecido em uma ação conjunta entre traficantes e a PM em Parada de Lucas, em dezembro 2005). “Na volta para casa, com a namorada e mais um casal de amigos, aconteceu o pior.
Entre três e meia e quatro da manhã, os quatro jovens foram cruelmente assassinados, dentro do carro, com mais de 40 tiros. Até hoje estão impunes os assassinos. Onde está a justiça deste País?”. (Maria José Batista da Silva, mãe de Carlos André da Silva, 23 anos, assassinado por policiais na Chacina do Maracanã, em 1998). Embora a violência e suas consequências atinjam a todos, como fica claro nos relatos acima, os jovens atualmente são as principais vítimas de sua perversidade. Dados do Mapa da Violência: Os Jovens da América Latina, de 2008, mostram que o número de jovens que morrem num grupo de 100 mil habitantes é maior que o da população em geral.
No Brasil, para cada grupo de 100 mil habitantes, 51 jovens são mortos; enquanto que para população em geral esse número fica em 21. Os riscos são 11,9 vezes maiores para homens, em relação às mulheres, e 2,6 vezes maiores para negros, com relação a brancos e amarelos, segundo o estudo feito pelo Programa de Redução da Violência, com dados de 2006 do Ministério da Saúde. O Brasil ocupa a 5ª posição na taxa de homicídio juvenil num ranking de 83 países. O primeiro lugar fica com El Salvador, com 92,3; seguido pela Colômbia, com 73,4; Venezuela, com 64,2; e Guatemala, com 55,4. A violência contra adolescentes cresce há quase 30 anos, segundo uma pesquisa do Núcleo de Estudos de Violência da USP (NEV/USP), sobre as mortes registradas de 1980 a 2002. No Brasil, de cada mil adolescentes que chegam aos 12 anos, 2,03 devem ser assassinados antes dos 19 anos, segundo estimativa do índice de Homicídios na Adolescência (IHA) para 2006 a 2012, formulado com base nos dados do Observatório das Favela, Unicef e Governo Federal.
A pesquisa “Como Morrem os Adolescentes Brasileiros” mostra que 45% morrem de homicídio, 25% de mortes naturais, 22% de acidentes, 3% de suicídios, entre outros. E as cidades mais violentas e perigosas para os jovens apontadas por esta pesquisa são, respectivamente: Foz do Iguaçu (PR), Governador Valadares (MG), Cariacica (ES), Olinda (PE) e Linhares (ES). As causas e consequências da violência parecem já óbvias demais para os brasileiros. Os telejornais diários não nos deixam esquecer. Mas, por demais óbvias, provocaram um processo de banalização e paralisação diante dos fatos. O que fazer? Como resolver esta questão?
A primeira observação, diante deste fato, é entender que a violência hoje é fruto, sobretudo, de um sistema econômico e social perverso que desumaniza e coisifica as pessoas e as relações sociais e atinge a todos grupos e os jovens em particular. É, portanto, um problema de todos. Se ela é produto de um sistema econômico, portanto da ação humana, é possível também sonhar com uma sociedade diferente da que está aí, fundada em novos valores, onde a vida não seja tão banalizada, onde as crianças possam crescer, desenvolver suas potencialidades e prepararem-se para a vida adulta, com o apoio da família e das políticas públicas. Refundar o papel e a relação do Estado nestes espaços no rumo da construção de alternativas para as famílias e a juventude com políticas participativas e emancipatórias também é um caminho, mas não suficiente.
A questão do tráfico também precisa ser encarada com uma vontade política e ações multideterminantes pelo governo e sociedade, porque se trata de um problema que tem múltiplas determinações; Não podemos deixar que crianças, adolescentes e jovens sejam aliciados pelo tráfico. A morte do menor deles justifica rever toda esta estrutura monstruosa, diante da qual as comunidades, por medo, se calam. Não podemos aceitar a violência institucional da polícia e do Estado em suas diferentes manifestações: executivos, legislativos e judiciários… A opção da Pastoral da Juventude do Brasil de enfrentar, este ano, esta questão numa campanha, não só aprofundando esta situação, mas também denunciado e propondo ações, no Dia Nacional da Juventude de 2009 é, por si só, um bom exemplo do que pode ser feito. Mas se forem ações isoladas não bastam para resolver um problema com natureza tão ampla.
É preciso por a Juventude em Marcha contra a Violência, como diz o tema do DNJ deste ano, mas é necessário conclamar a sociedade e os governos para que a luta contra o extermínio da juventude e contra a violência seja uma luta por um novo projeto de sociedade, uma luta de todos(as) por um novo mundo onde caibam os sonhos de todos(as), anciãos e anciãs, crianças, adultos e jovens. Um mundo onde nenhuma mãe vai ter em seus braços o filho(a) morto antes de ter vivido e experimentado suas potencialidades e vocações ontológicas para o ser mais como ser humano.
Autor do texto: Willian Bonfim (Membro da Equipe do Talher Nacional setor do Governo Federal que coordena a mobilização social em torno das políticas de combate à fome. Membro da equipe de pesquisa da Casa da Juventude Pe. Burnier e ex-assessor das Pastorais da Juventude do Centro-Oeste).




















