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9ª Mostra do Filme Livre 2009/11/26

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mfl-2010

A MFL 2010 / 9ª Mostra do Filme Livre recebe até o dia 12 de dezembro de 2009  filmes de todos os formatos, gêneros, durações e feitos em qualquer época. Por essas características a MFL é considerada o evento audiovisual mais democrático do Brasil.  Em suas oito edições anteriores a MFL exibiu 2 mil filmes que foram assistidos por 30 mil pessoas, seja em seu evento completo, no Rio de Janeiro, seja em mostras itinerantes ocorridas em São Paulo, Minas Gerais, Paraná e no Maranhão.

“A característica ímpar da MFL”, explica o curador Guilherme Whitaker, “é a valorização de filmes independentes, ou seja, feitos sem apoio estatal – 90% dos inscritos e selecionados são livres (do Estado).”
Apesar da preferência por filmes livres do estado, obras que tenham sido feitas com recursos públicos podem se inscrever normalmente e os selecionados concorrem ao troféu ‘Caríssima Liberdade’. Já os filmes livres concorrem ao troféu ‘Filme Livre’ e ‘Oficinando’, este focado aos filmes feitos em escolas, oficinas e cursos audiovisuais.

Além de competitiva, a MFL também faz sessões especiais e informativas, como:  “Mundo Livre”, com filmes feitos por brasileiros no exterior e por estrangeiros no Brasil, “Sexuada”, de temática sexual, “Infantil” e “Invísível”, com alguns dos filmes rejeitados pela curadoria. O evento também faz retrospectivas especiais e homenagens para pessoas e ações que fizeram e/ou fazem filmes livres (mesmo que nem saibam disso).

Já foram homenageados na MFL os cineastas Fernando Spencer (PR), Eliseu Visconti, Luiz Rosemberg  Filho, Andrea Tonacci (SP), Helena Ignez, Joel Pizzini e Sergio Ricardo, além de uma sessão especial do documentarista holandês Johan Van Der Kueken, em 2005.

As produtoras e ou movimentos já destacados foram: Mosquito (MG), PEPA (RJ), RAÇA (RJ), A Organização (RJ), Canibal (SC), Circuito ASCINE de Cineclubes (RJ), Feijoada ABDEC-RJ, Angu TV (RJ), CMI, Curta o Curta, Nem só o que anda é móvel (MG), A produtora (MG), Tv Morrinho (RJ), Paulo Halm (RJ), Plus Ultra (RJ), Lançamento do Guia dos Festivais (SP), Godot Quincas, Philippe Barcinski (SP) Cinema de Poesia (RJ), Cavídeo (RJ), Arquivo Nacional (RJ), Cinema Sensível (PR),  Cachaça Cinema Clube, Eduardo Nunes (RJ), Petter Baiestorf e Nilson Primitivo.

Em 2009 a MFL exibiu 370 filmes no Centro Cultural Banco do Brasil, Rio de Janeiro, onde nasceu em 2002.
Mais informações e inscrições pelo site da MFL

Revolução global juvenil – Gisley Azevêdo 2009/11/20

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Sempre que falamos de juventude e sua participação político-social recordamos da década de 60, onde, no mundo todo, a juventude expressou em protestos sua indignação com o sistema político e ideológico. Hoje, a juventude também protesta e se movimenta em oposição ao sistema neoliberal. Na década de 60, isso acontecia através de mobilizações nas ruas. E hoje, como você (jovem) expressa sua indignação juvenil? Aqui trataremos de suscitar uma nova indignação que ameaça não só a juventude, mas toda a humanidade. A juventude, em especial, pelo seu potencial e espírito movente tem algo a dizer dessa realidade.

Estimado(a) jovem, convido você para um diálogo aberto sobre a realidade global que nos envolve. Abre e fecha caminhos, determina nossas vidas, nos coloca em contato com o mundo e distancia das pessoas. O lugar que ocupo nesse diálogo é o de suscitar alguma reflexão sobre o papel do jovem no contexto pós-moderno e neoliberal. Digo de início que não é um lugar cômodo, confortável nem tranqüilo (como poderia eu estar tranqüila quando vejo tanta injustiça à vida e dignidade das pessoas?). É sim a tentativa de construir um processo no qual cada um e cada uma se desafiem a buscar elementos para pensar e viver com qualidade de vida.

Como sujeitos propensos ao novo e com potencial para transformar sua realidade, sugiro que, de seu lugar (sua realidade), possa permitir pensar o assunto e se posicionar naquilo que puder contribuir. O horizonte que se abre a nós aponta para a necessidade de uma nova razão (pensar numa outra forma de ver o mundo, com posturas diferentes das atuais) que dê sentido às relações humanas como relações entre pessoas que interagem e convivem solidariamente.

O que está acontecendo para que seja necessário fazer proposições tais que se chocam com o modo de pensar e viver na pós-modernidade? Acontece que a vida está fadada ao fracasso. A pessoa humana, substituída pela máquina. Nos faltam limites, critérios de vida; perdemos o alcance do mal que fazemos a nós mesmos: pelos alimentos envenenados que digerimos, pelas “marcas” (roupas e calçados, alimentos etc.) que vestimos e comemos; pela relação de poder (diferença de classes nas relações, onde existe o superior e o inferior, o chefe e o empregado, quem manda e quem obedece etc.) que permeia nosso dia-a-dia. Pela inversão de valores éticos e sociais, onde a pessoa humana é substituída pelo sistema “online”, entra em contato com o mundo, mas desconhece a si mesma. O que acontece de fato? Acontece que introjetamos a cultura do individualismo (cultura da solidão = eu + meu micro; eu + meu diskman; eu + meu pensamento…) e esquecemos que o importante é nossa individualidade (características pessoais somadas com às de outros para gerar um bem comum).

A realidade nos mostra um mundo cruel, dividido e alimentador de classes sociais desiguais. Há uma pequena porcentagem de pessoas que dominam o capital e determina o que e como a grande maioria irá fazer, vestir, comer, pensar. É um jogo de futebol onde só existem dois times e um único vencedor: o dono da bola. Os outros, são outros, são os que correm atrás da bola, mas jamais conseguirão alcançá-la, a não ser que haja uma nova razão de pensar e viver, uma humanização que consiga se pautar por critérios éticos, girando em torno do fundamental: a vida humana.

E você jovem, em que lugar (situação) se encontra? Desse lugar, como se sente? Sem dúvida, basta olhar para o lado que perceberemos o grande número de jovens “sem lugar” e com a função social bem definida: reproduzir o que o sistema (conjunto de fatores que determinam o comportamento humano) manda. A ciência, a tecnologia, a informação, tudo girando em torno do lucro, do capital, do domínio sobre os humanos. Onde iremos assim? De que valem todas as revoluções tecnológicas, especialmente a revolução da informática, que você assume e procura mergulhar cada vez mais dentro dela se ela não lhe possibilita relações de igualdade e sequer lhe deixa apresentar seus anseios, questionamentos, divergências… questões mais profundas e verdadeiras de seu ser? Não seria esse um mundo ilusório? Representativo de uma realidade utópica e inexistente? Enfim, qual o espírito que move as pessoas e também você nesse mundo?

Algum espírito nos move e delineia nossas relações, ora humanas, ora contra a humanidade. Sugiro a construção de um espírito solidário, oposto ao que nos move no sistema neoliberal. Há um espírito diabólico, que nos divide, nos ocupa com questões secundárias enquanto a essência vai sendo destruída. Que tal pensar na dimensão do simbólico, do espírito que nos move para a união das forças, dos ideais, constrói relações solidárias. Falo de um espírito simbólico que leve as pessoas a somar, querer estar próximas, conversar, buscar saídas em comum, espírito de identificação. Espírito esse contrário ao das marcas que também unem, mas unem para a uniformidade. Creio eu que uma característica jovem é a singularidade, o fato de ser único, autêntico… Algum espírito nos move e proponho a busca daquele que nos orienta na perspectiva do cuidado com o outro, com a outra; espírito da alteridade, ou seja, do viver junto “com” o outro, num elo comunitário, onde não há acúmulo de bens materiais, mas sensibilidade para o cuidado. Como expressa Peninha: “quando a gente gosta é claro que a gente cuida…”.

Espero que estas questões possam mover você, caro jovem, na construção de um espírito solidário em busca de um novo modo de organizar as relações interpessoais. Para realizar tal tarefa, é bom pensar no modo como você sente sua realidade. Se pudesse escolher ou mudar algo, o que faria? Fica o convite fundamental para abertura ao novo que surge, assim como o compromisso com a reorganização da comunidade. Uma comunidade que se pauta em critérios éticos e sobretudo, em sua essência: a ética da vida e solidariedade humanas.

O mundo espera uma postura de você e talvez, uma postura de sustentação do que já existe. Mas você é chamado a dizer ao mundo quais são suas opções. Basicamente são duas: continuar agindo pelo mesmo espírito, espírito de uniformidade, colocando a vida em segundo plano, ou, sair de seu lugar, desafiar a sua própria existência e o mundo para conscientizá-lo de que a vida é inegociável, não há capital algum que possa comprá-la. Como nos motiva a música “Cada um carrega em si o dom de ser capaz, de ser feliz” fico com o desejo de ter estabelecido uma conversa amiga de quem acredita que as coisas possam ser diferentes e devem ser diferentes com sua capacidade interior especial de transformar sua realidade para uma ética que não aceita negociar o valor da vida e do cuidado humano.

[Artigo escrito por Gisley Azevêdo Gomes, css, para a conclusão das aulas de "Juventude e neoliberalismo" sob orientação do Prof. Laurício Neumann - Especialização em Juventude Contemporânea - Unisinos]

Carta da JPT à juventude brasileira 2009/11/06

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O mundo está mudando. A velha ordem mostra sinais de cansaço, enquanto a novidade ganha fôlego na América Latina. É um momento decisivo para inverter regras ultrapassadas, dizer que os tempos de ditadura do mercado precisam chegar ao fim e afirmar que para transformar esta época de mudanças em uma mudança de época, a hora é agora

O Brasil está mudando. Se antes ficávamos em silêncio, hoje o mundo quer nos ouvir. Se antes qualquer vento nos derrubava, hoje enfrentamos ciclones e temos condições de sair mais fortes da tempestade: o mundo sabe disso. Por outro lado, os que teimam em enxugar o Estado e apostar no mercado não param de afundar.

Mas a partida só acaba quando termina, e ainda temos muito jogo pela frente. Os que defendem os monopólios e privatizações querem entregar as riquezas do povo brasileiro a acionistas e especuladores. São os mesmos que multiplicaram a dívida pública e baixavam a cabeça para o FMI. Está aí a aliança demo-tucana que representa os interesses da minoria elitista que quer impor seu projeto de concentrar riqueza e lucrar sempre mais.

Do lado de cá estão os de baixo, que sobreviveram ao chumbo grosso da repressão e lutam para desconcentrar a riqueza e o poder. É a aliança entre petistas, comunistas, socialistas e demais setores democráticos e populares que colocam o ser humano e o meio ambiente no centro das atenções e preferem dar as mãos aos vizinhos latinos a lamber as botas dos gigantes.

O projeto de país que definirmos hoje, enquanto somos jovens, é o divisor de águas para lançar as bases de nossas condições de amanhã. O que está em jogo é o futuro do Brasil e das nossas vidas. Não existe alternativa para o povo brasileiro sem investir nos jovens agora, afinal, só seremos o futuro se estiver garantido o nosso presente. O desenho do Brasil e do mundo que queremos ver emergir deste tempo de incertezas depende da nossa situação hoje.

Por isso, não podemos abrir mão de que a riqueza extraída da exploração do petróleo, patrimônio do povo brasileiro, seja propriedade pública investida nos jovens e nas crianças. É por esse motivo que devemos garantir aos jovens do campo a possibilidade de permanecer onde estão, sem precisar migrar para as cidades, a partir da expropriação das terras que não cumprirem com índices de produtividade mais altos, visando a reforma agrária. É com esse horizonte que devemos lutar pela a redução da jornada de trabalho sem redução dos salários (citar a tramitação), criando mais empregos, combatendo a precarização da mão de obra e gerando mais tempo livre para que a juventude tenha acesso a uma formação integral, com direito à cultura e ao lazer.

O governo do Presidente Lula, representa um avanço sem igual para nós jovens. As diversas políticas públicas para a juventude como o ProUni, Reuni, Pro-jovem, a ampliação das escolas técnicas, dentre outras, são importantes iniciativas de inclusão da juventude que precisam ser cada vez mais aprofundadas.

Mas é preciso dar continuidade a isso e ir além, mudar a vida da juventude. Nós jovens devemos ter garantido o nosso direito ao trabalho. Apesar das mudanças em curso, a juventude ainda é a parcela que mais sofre com o desemprego e a precarização dos salários e condições de trabalho. Aliás, a forma como entramos no mundo do trabalho tem forte influência sobre nossa trajetória profissional. No entanto, mais que um acesso decente ao mundo do trabalho, precisamos também ter o direito de não precisar trabalhar tão cedo como ocorre atualmente e poder nos desenvolver cultural e intelectualmente.

Mas para isso é preciso que a escola passe a dialogar com as nossas diferentes realidades e dilemas. Só conseguiremos dar conta de nossos deveres se o nosso direito à educação, sempre pública, nos for garantido desde a creche até a pós-graduação, sem filtros anti-democráticos e que privilegiem minorias, como é o vestibular. Não queremos contribuir com a produção de ciência e tecnologia para ampliar os lucros de poucos, mas para auxiliar no atendimento das necessidades do ser humano e do desenvolvimento ambientalmente sustentável.

Queremos que os meios de comunicação monopolizados pela iniciativa privada e a indústria cultural que destrói nossas raízes populares percam espaço para uma produção autônoma e democrática das nossas jovens revelações que surgem de nossas periferias e pequenas cidades. Não aceitamos que empresários tratem nosso patrimônio cultural histórico como mercadoria a ser vendida e comprada, trazendo segregação no acesso à produção cultural de acordo com a renda das pessoas.

Dizemos em alto e bom som: somos as principais vítimas da repressão policial e do crime organizado. Está em curso um verdadeiro genocídio da juventude, sobretudo dos jovens negros, pobres e moradores das periferias dos grandes centros urbanos. Parece óbvio, mas é preciso dizer que não é esse o futuro que queremos. Somos muito melhores que este destino traçado para nós. Temos potencial e queremos a oportunidade de aproveitá-lo.

Quem quiser se unir a essa luta venha conosco! Não temos tempo a perder. Para construir um mundo socialista que nos permita a felicidade, a hora é agora.

Juventude do Partido dos Trabalhadores

25 de setembro de 2009.

Nós fazemos a nossa História 2009/10/29

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protagonismo

1968: entre a política e a cultura, jovens mudaram o mundo. 2009/10/26

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Por Jaqueline Deister*, da equipe do Observatório Jovem

 

A moda como forma de expressar os ideais de jovens.

Minissaia, calça Lee e sandálias franciscanas. De  indumentária despojada os jovens rebeldes de 68, se inspiravam nas idéias de Guy Debord, Jean Paul Sartre, no cinema da Nouvelle Vague, na música dolorosa de Janis Joplin e nos ideais revolucionários marxistas. De Norte a Sul do mundo, jovens clamavam por liberdade, independência em relação aos valores dominantes e igualdade. A efervescência política, cultural e comportamental marcou o ano de 1968

Os jovens mostraram de maneira inédita que podiam também ser protagonistas da História e mudar os valores da sociedade conservadora. Pílula anticoncepcional, luta estudantil, experimentação de drogas, rock e sexo sem culpa, são apenas algumas palavras-chave que definem o ano do “êxtase da História”, segundo o sociólogo francês Edgar Morin


Os jovens e a política no mundo


Num cenário tumultuado, o ano de 68 apresentou mudanças bem definidas no panorama político. Nos Estados Unidos a morte de um líder foi o estopim de mudanças. O pastor Martin Luther King liderou através da resistência pacífica a luta dos negros pela conquista dos direitos civis e o fim da segregação racial. Um outro movimento conhecido como Panteras Negras, também reivindicava pela igualdade de direitos, porém, lançava mão de ações agressivas contra o sistema de dominação branca. Os panteras tornaram-se mundialmente conhecidos nos Jogos Olímpicos do México, quando dois corredores americanos subiram ao pódio usando luvas pretas, e ergueram os punhos cerrados num gesto característico do movimento. Mas foi o trágico assassinato de Martin Luther King, que provocou o fim dos mecanismos de segregação racial inscritos na Constituição norte-americana.

Uma série de protestos eclodiu com a crescente participação dos Estados Unido Execução de um guerrilheiro vietcongs na Guerra do Vietnã. Cerca 40 mil soldados americanos morreram num ataque ao exército norte-vietnamita, em 1968. O episódio ficou conhecido como Ofensiva do Tet. A resposta da população as mortes de seus conterrâneos e as bombas de napalm lançadas pelas forças americanas na Indochina, vieram sob a forma de rejeição dos jovens à sociedade vigente na época. Nasce o movimento hippie, a contracultura que repudia a cultura de massa e instituições vistas como repressivas como, por exemplo, a família. “Se a sociedade americana era capaz de cometer um crime daquele vulto, atacando uma pobre sociedade camponesa no sudeste asiático, ela deveria ser rejeitada”, diziam os hippies.   

                                                            
Na Europa a atmosfera de insatisfação com a política implementada por alguns países, também incitou uma onda de protestos. Na antiga Tchecoslováquia um movimento composto por intelectuais reformistas do Partido Comunista Tcheco, interessados em “desestanilizar” o país, e remover vestígios de autoritarismo e despotismo que eram incompatíveis com a proposta do socialismo, ficou conhecido como Primavera de Praga. A breve experiência de uma “democracia”, comandado por Alexandre Dubcek na Tchecoslováquia, foi esmagada pelos tanques soviéticos sete meses após a sua implantação. Apesar de derrotado o movimento contribuiu para enfraquecer o bloco comunista liderado pela União Soviética, e as idéias defendidas pelos intelectuais de Praga foram resgatadas 20 anos depois com a criação da glasnost (transparência política) de Michail Gorbachov.
Na antiga Tchecoslováquia as manifestações eram contrárias ao comunismo ortodoxo, e se aproximavam cada vez mais de ideais sociais-democráticos aos moldes ocidentais. Em entrevista ao jornal O Globo, o historiador da UFRJ Carlos Fico fez uma análise sobre “o ano que não acabou. Fico salientou que na França há uma certa utopia socialista com a união estudante-trabalhador que acreditava ser capaz de derrubar o governo de Gaulle. Foi em Paris onde a expressão maio de 68 se consagrou.
Estudantes protestam nas ruas parisienses. PARIS, março de 1968. Estudantes parisienses descontentes com a disciplina rígida, os currículos escolares e a estrutura acadêmica conservadora organizam protestos que levam a ocupação da Universidade de Nanterre. A atitude agressiva da polícia para conter os estudantes gera revolta que contamina a Universidade de Sorbone e a população. Os motivos de protesto ganham dimensão nacional. Os manifestantes contestam o governo de Charles de Gaulle. Uma greve geral mobilizou 10 milhões de franceses. O país parou: não havia mais trens, metrô, combustível e as fábricas fecharam as portas.
Foi nessa conjuntura que surgiu a figura de Daniel Cohn-Bendit, ex-líder estudantil e atual deputado do Parlamento europeu pelo Partido Verde da Alemanha. Em 68, Cohn-Bendit liderou cerca de 10 mil estudantes da Universidade de Nantarre e Sorbone nas chamadas “barricadas” em que estudantes e polícia se enfrentavam diretamente. Os protestos logo se alastraram por toda a França e conquistaram adeptos que não tinham vínculo com a Universidade. Uma greve geral de 24 horas parou Paris no mês de maio. Os manifestantes criticavam nas ruas a política trabalhista e educacional do governo de Gaulle. Para se ter uma dimensão da greve, cerca de seis milhões de trabalhadores ocuparam 300 fábricas na França.

O espírito revolucionário do movimento estudantil, amparado nas ideologias de grupos maoístas, trokistas e libertários iniciou uma batalha em que as maiores “armas” foram as palavras. Com slogans expressivos como “É proibido proibir”, “Sejam realistas, peçam o impossível” e “E abaixo a sociedade de consumo” os jovens franceses romperam barreiras territoriais e influenciaram jovens de todo o mundo a se rebelarem contra os “padrões” conservadores da época.

    Daniel Cohn Bendit nos tempos de líder estudantil em Paris.                                                                                                                                                                                          

No livro recém lançado na França É proibido liquidar o espírito de maio? O ex-líder estudantil Cohn-Bendit   salienta a importância de 68 no terreno político, para ele a sociedade evolui no conceito de liberdade e de autonomia do individuo e um dos principais frutos, segundo Bendit, foi o movimento ecologista. O atual deputado ainda reforça a idéia de que os problemas da sociedade não podem ser solucionados por receitas prontas da esquerda, ou fórmulas mágicas da direita, mas sim, através de uma convergência entre os vários campos políticos.
No Brasil


No Brasil, o ano de 68 foi marcado pelo recrudescimento da ditadura militar devido ao Ato Institucional n0 5 (AI-5), durante o governo de Arthur da Costa e Silva. O assassinato do estudante Edson Luís no restaurante universitário Calabouço no Rio de Janeiro, marcou o período de intensas mobilizações contra o governo militar. Cerca de 50 mil pessoas acompanharam o enterro do estudante, que passaria para a História como sendo um dos principais símbolos das atrocidades cometidas nos Anos de Chumbo.
RIO DE JANEIRO, 26 de junho. Era uma tarde de quarta feira fria e com o sol fraco, quando o movimento estudantil, intelectuais, artistas, padres e mães se reuniram na Candelária, centro do Rio, em resposta à morte de Edson Luís. Os manifestantes davam o “tom” do maior protesto contra o regime militar no país, era a Passeata dos Cem Mil. “A marcha” foi tão forte que o próprio general Costa e Silva precisou abrir espaço para o diálogo.
Em julho, o en

tão general e presidente liberou fundos para o desenvolvimento do Projeto RonVelório do  corpo do estudante Edson Luís.don e recebeu uma delegação que reivindicava pela liberação de estudantes presos, a reabertura do restaurante Calabouço e o fim da repressão policial e de toda espécie de censura. “Saímos daquela passeata com a certeza da vitória, achando que a ditadura iria recuar”, lembra Ernandes Fernandes que assina o projeto gráfico do livro 68 Destinos do fotógrafo Evandro Teixeira e participou da Marcha dos Cem mil. O livro buscou reencontrar 40 anos depois, 68 rostos que foram contemplados pelas lentes do fotojornalista.
A abertura de um diálogo por parte do presidente foi apenas uma ilusão de que a ditadura “afrouxaria” as suas amarras. As exigências dos integrantes da passeata foram recusadas e o Ministro da Justiça Luis Antonio da Gama e Silva foi encarregado de tomar as medidas para reprimir a oposição e proibir qualquer manifestação contra o regime dos generais. 

Os jovens não deixaram de se organizar mesmo com a legitimação da repressão militar após a Passeata dos Cem Mil. Em outubro, dois meses antes da instauração do AI-5, os estudantes se reuniram em Ibiúna, interior de São Paulo, para o 30º Congresso da União dos Estudantes. Com forte marcação no movimento estudantil, a polícia descobriu a sede do encontro e prendeu cerca de 800 estudantes. Entre os presos estavam José Dirceu, Franklin Martins, Vladimir Palmeira e Luiz Travassos.
O Ato Institucional Número 5 foi promulgado em dezembro de 1968 como forma de conter a forte agitação Passeata dos cem mil no centro do Rio de Janeiro.política da população. Foram tomadas medidas polêmicas como o fechamento do Congresso Nacional por tempo indeterminado, a suspensão da possibilidade de qualquer reunião de cunho político e a censura prévia que se estendeu aos meios de comunicação, a música, ao teatro e ao cinema. O AI-5 vigorou até 1978 e produziu uma série de ações arbitrarias que davam ao governo o "direito" de punir os que fossem considerados “inimigos” do regime. O enfrentamento entre a esquerda armada e os militares tornou-se mais constante e violento nesse período. A expressão Anos de Chumbo foi usada pela Imprensa da época para designar o período da “linha dura” que foi inaugurado com o AI-5. A designação é uma paráfrase do título de um filme em português da cineasta alemã, Margareth Von Trota, sobre a repressão de um grupo revolucionário nos anos 70, conhecido como Facção do Exército Vermelho.

Com o endurecimento do regime a luta armada foi vista como a opção para setores mais radicalizados da esquerda da época. O historiador Carlos Fico, já citado, disse que a esquerda era muito idealista e por isso optou pela guerrilha urbana e rural. “Havia uma perspectiva muito ingênua, que era a de se contrapor ao Exército supondo que o povo acorreria para suas idéias”, disse Fico. Ele ainda afirma que essa perspectiva prevaleceu devido a um ideal romântico da juventude que se inspirava na recente vitória da Revolução Cubana para mudar o cenário político vigente na época.

A energia revolucionária que desabrochou há quatro décadas no Brasil e no mundo divide opiniões. Ex-guerrilheiro de esquerda durante a ditadura militar e atual deputado federal pelo Partido Verde, Fernando Gabeira, tem uma visão nada vanguardista em relação ao ano de 68 no Brasil. Gabeira disse a Revista Época que se arrepende de muita coisa, principalmente do seqüestro do embaixador americano pelo MR8 (Movimento Revolucionário Oito de Outubro). “A busca pela implantação do socialismo, a luta armada o seqüestro do embaixador americano foram grandes equívocos”, salienta o deputado. “Eu gostaria de sepultar esse período”, completa. Hoje com 66 anos Gabeira tem uma visão pragmática da política. Segundo ele a luta armada não só fortaleceu a ditadura, como deu de bandeja um pretexto para que o Presidente Arthur Costa e Silva promulgasse o Ato Institucional número cinco em dezembro de 1968.

Por outro lado há aqueles como o ex-líder do movimento estudantil José Dirceu que acreditam que o mundo seria muito pior hoje se o 68 não tivesse acontecido. Dirceu diz que os principais protestos civis da História recente do país só ocorreram porque o caminho foi traçado pelos rebeldes da sua geração. “Seriam exemplos dessa herança contestatória a campanha das Diretas Já e os Caras-pintadas que foram às ruas pedir o impeachment do presidente Fernando Collor de Mello”, afirma Dirceu.
O ano em que a ditadura mostrou sua face mais sombria não foi contestado apenas com a luta armada por parte da esquerda. Os primeiros passos de muitos dos atuais representantes da política nac A repulsa à ditadura.ional foram dados nos palanques de sindicatos, nas salas de aula das Universidades e em sítios clandestinos no interior de São Paulo. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva é um exemplo. Em 1968 ele se filia ao Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo. Com o passar dos anos, a sua atuação como sindicalista o tornaria uma figura nacionalmente conhecida. Outro exemplo foi em Ibiúna, interior de São Paulo, onde ocorreu o 30° Congresso da União Nacional dos Estudantes. Na época José Dirceu foi preso e incluído na lista dos que foram trocados pelo embaixador americano Charles Burke Ellbrick. Sociólogo de influência marxista e ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso, acabou impedido de lecionar no curso de Ciência Política na USP,  foi aposentado e exilado pelo AI-5.

Uma análise mais atual da conjuntura política do Brasil de 1968, feita pelo historiador Carlos Fico mostra que os dois setores, tanto esquerda quanto os militares tinham projetos autônomos de constituição das suas ideologias. Segundo Fico, o AI-5 é a vitória da linha dura que acreditava que uma operação radical de limpeza, eliminando os subversivos e o que entendiam por corrupção, transformaria o Brasil em uma grande potência. Já a esquerda, de acordo com Fico, queria optar pela luta armada e pela tomada do poder para a instalação de um regime socialista, mesmo antes do golpe. “Esses dois projetos não tinham perspectivas democráticas”, conclui o historiador.


Cultura e Comportamento


Mundo
Os protestos e manifestações marcaram o cenário político de 1968 em muitos países. A juventude tornou-se mais integrada e começou a intervir na forma de pensar e agir de toda uma geração. O “espírito libertário” traduzido por numa cultura underground não só criticou os governantes e a política adotada por eles, mas também o tradicionalismo dos valores familiares que ditavam as regras e normas.
Contagiado pela onda de contestação, o movimento feminista nos anos 60 foi às ruas não só para queimar sutiãs como forma de protesto contra a condição subalterna em relação aos homens. Mas principalmente para defender que a hierarquia de sexo não era uma fatalidade biológica, e sim uma construção social. O feminismo foi um dos primeiros movimentos a tocar na raiz cultural da desigualdade.

A atitude da mulher do final dos anos 60 refletiu diretamente no seu guarda-roupa. A mudança mais emblemática desse período foi a criação do smoking para mulheres do estilista francês Yves Saint Laurent (1936-2008). O “le smoking” foi uma provocação sexual dirigida à mulher que queria independência.
A expansão deA liberdade comportamental dos jovens hippies consciência pelas drogas, a luta pela paz, a liberdade sexual, o amor livre e a valorização da natureza. Esses foram apenas alguns dos itens defendidos pelo movimento mais expressivo da contracultura, que revolucionou a maneira de pensar e agir dos jovens de todo o mundo. Com trajes que chocavam os americanos médios da época, barbas e cabelos compridos, diversos jovens de diferentes níveis sociais rejeitavam a sociedade de consumo norte-americana e passavam a viver em comunidades rurais ou em bairros separados onde todos os “ditames” capitalistas eram deixados de lado. Os hippies não se caracterizaram por uma postura política engajada, eram contra "o sistema" e o "poder", pregavam o pacifismo e criticavam a intervenção militar, principalmente a Guerra do Vietnã, porém não mostravam grande interesse em alterar os rumos políticos dos EUA.
A explosão do movimento hippie abriu portas para a entrada de novos conceitos que redefiniram estéticas e padrões. A globalização começou a mostrar que a passos largos deixaria as “comunidades igualitárias” dos hippies para ganhar o mundo, e por “ilusão do destino”, se tornar um dos maiores símbolos do capitalismo contemporâneo. Um exemplo da ruptura de padrões foi a filosofia oriental que passou a ser mais valorizada pelo Ocidente. Religiões consideradas esotéricas como o budismo e o hinduismo foram fundamentais para a “desconstrução” da moral do americano médio. 

Os hippies exaltavam o uso de determinadas drogas como o LSD, a maconha e o haxixe. Eles acreditavam que a maconha possuía um caráter espiritual, principalmente por ser proveniente da natureza. Já o LSD, era mais conhecido por ser uma droga recreativa, usada para expandir a consciência. Segundo Timothy Leary (1920-1996), pioneiro e defensor do uso do ácido psicodélico e muito admirado pelos hippies, a experiência psicodélica era uma viagem ao novo domínio da consciência. Para Leary, o alcance e conteúdo da experiência são ilimitados, mas as suas características são a transcendência de dimensões do espaço-tempo, e do ego ou de identidade. Celebridades como John Lennon foram influenciadas pelas obras literárias de Timothy. Lennon escreveu “Amanhã nunca se sabe” que foi lançado no álbum dos Beatles Revolver baseado em O psicodélico: A experiência, de Leary.

Curioso também foi o que Abbie Hoffman, conhecido como o maior símbolo da contracultura nos EUA, fez junto com outros hippies no Dia dos Namorados de 67. Hoffman enviou pelo correio três mil baseados de maconha para moradores de New York, escolhidos aleatoriamente pela lista telefônica. Junto à marijuana havia uma carta que dizia: “Você já leu muito sobre isso, agora se quiser experimentar, aqui está. Mas, ps: apenas por segurar isso você pode pegar cinco anos de prisão”.
Toda essa inquietação e ousadia se transformaram em epidemia que varreu o universo aJimi Hendrix e seus memoráveis showsrtístico sem limites. Cinema, música e teatro tornaram-se os primeiros meios a compreender a nova forma de expressão dos calorosos jovens de 68. Na música, Jimi Hendrix levou os seus ouvintes a um passeio pelo mundo das percepções expandidas, suas performances agressivas com sexualidade explícita aliada a sua maneira única de tocar guitarra, chocou até quem já estava familiarizado com as “loucuras” da juventude.

Em entrevista ao jornal O Globo, Ezequiel Neves, crítico de música em 68 e mais tarde produtor do Barão Vermelho e Cazuza falou da sua “experiência” com Hendrix. “A sensação era a mesma de que ficar em frente a um animal selvagem. Eu achava que estava preparado, sabia de todas as histórias, que botava fogo na guitarra, mas, ali, solto no palco, era amedrontador. Foi como um estupro, provocava um curto-circuito na gente, com sua carga explosiva de musicalidade e sexualidade”, disse Neves. Hendrix causou polêmica até na sua morte. O cantor foi encontrado morto asfixiado em seu próprio vômito.

A predileção dos jovens de 68 pela irreverência não está só na “animalidade” de Hendrix, na voz melancólica de Janes Joplin ou na mistura de gêneros do Led Zeppilin. O escandaloso musical Hair estreou no teatro da Broadway em 1968. Com cenas de nudez, apologia às drogas e estética hippie, o musical tornou-se símbolo e influência para toda uma geração, que não se restringia somente aos Estados Unidos. As montagens da peça foram feitas também no Brasil, na Alemanha, Israel, França e Japão.
O palco e as telas foram os primeiros a entender e refletir o anseio dos jovens que estavam por trás de  O cineasta francês Jean Luc Godard.slogans como: “Sejam realistas. Peçam o impossível”. Se de um lado Jimi Hendrix fazia o inimaginável nos palcos, do outro Godard desconstruia o cinema clássico narrativo com montagens descontínuas e dilemas do século XX. Os jovens franceses se identificavam muito com o cinema chamado de Nouvelle Vague, os principais representantes desse movimento eram Jean-Luc Godard, François Truffaut, (1932-1984) e Claude Chabrol. Esta nova forma de fazer cinema surge na França e se caracteriza por uma rejeição ao cinema comercial e a toda sua estrutura. Os cineastas, assim como Hendrix, provocavam o público através do experimentalismo que questionava o limite existente entre a tela e o espectador.
Não só de experimentalismo foi a Nouvelle Vague. A política foi o alvo de cineastas como Godard que após o movimento estudantil de maio de 68 criou o grupo Dziga Vertov (nome do cineasta russo criador do cine-olho e precursor do chamado cinema verdade). No grupo de Gordad participou o ex-líder estudantil francês Cohn-Bendit que chegou a colaborar com um roteiro. Filmes como Pravda (1969) abordavam a invasão soviética na Tchecoslováquia, outros como Week-end à Francesa (1967) acabou com a moral da sociedade consumista. Godard é considerado um dos principais personagens do cinema em 68, segundo o jornalista Zuenir Ventura, o filme A Chinesa (1967) foi uma revolução na linguagem cinematográfica que prenunciou o maio de 68.
Brasil


Caetano Veloso, Gilberto Gil, Geraldo Vandré e Chico Buarque na música, Hélio Oiticica e Lygia Clark nas artes plásticas, Glauber Rocha e Rogério Sganzerla no cinema, Ferreira Gullar na poesia, Augusto Boal e José Celso Martinez Corrêa no teatro. Esses foram apenas alguns dos nomes presentes até hoje na cultura brasileira que deram “o rosto” ao movimento da contracultura no país. Repletos de criatividade, esses vanguardistas driblaram e enfrentaram a censura para cantar, representar e escrever. O ano de 68 foi “emblemático”, passou para o Brasil como o período de maior e melhor produção de conteúdo artístico, ao mesmo tempo que é lembrado pelo lado mais obscuro da política nacional.

Considerado o gesto inaugural da contracultura no Brasil, a Tropicália teve o seu lançÁlbum Tropicália ou  panis et circenseamento com o disco-manifesto “Tropicália ou panis et circense” em 1968, participaram do movimento Gil, Nara Leão, Caetano, Os Mutantes e Tom Zé. A mistura do clássico com o baião, do progresso com o atraso e a polêmica causada pelo movimento começou em 1967 durante o III Festival de Música Popular Brasileira da TV Record. As apresentações de Domingo no parque (Gilberto Gil) e Alegria, Alegria (Caetano Veloso), não agradaram nem um pouco a “linha dura” do movimento estudantil que considerou a guitarra elétrica e o rock símbolos do imperialismo norte-americano.
O confronto entre tropicalistas e estudantes foi pior durante uma apresentação no III Festival Internacional da Canção, no teatro da Universidade Católica de São Paulo. No palco com os Mutantes, Caetano cantava a canção É Proibido Proibir, quando foi agredido com ovos e tomates por estudantes radicalistas que estavam na platéia. O compositor reagiu, e desafiou os jovens: “Mas é isso que é a juventude que diz que quer tomar o poder?”.

A influência do movimento também ficou evidente em dezenas de canções concorrentes no IV Festival de Música Popular Brasileira , que a TV Record começou a exibir em novembro. As canções de Tom Zé como São São Paulo, O Parque Industrial e 2001 além de terem ótimas colocações nos festivais, compunham o retrato alegórico de um país ao mesmo tempo moderno e retrógrado
O movimento antropofágico de Oswald de Andrade, o concretismo e o pop art influenciaram a criação da Topicália. A idéia do Antropofagismo de “digerir” a cultura exportada dos Estados Unidos e Europa e reinventá-la aos moldes nacional foi o fundamento do movimento. Os tropicalistas acreditavam que a experiência estética por si só já era um instrumento social revolucionário. Membro do movimento, Torquato Neto resumiu a importância da estética para os vanguardistas, “ou você mexe com a forma ou não mexe com nada”, disse o músico.

O jornalista Luiz Carlos Maciel, um dos fundadores do jornal O Pasquim, tem dúvidas quanto à relação direta entre tropicalismo e contracultura. “Embora não se possa fazer a relação tropicalismo contracultura, a Tropicália usou uma liberdade que era sugerida, nas roupas, nas atitudes, no palco e no próprio espírito que animou muitas músicas”, afirmou Maciel. É inquestionável a revolução de padrões que o tropicalismo causou na sociedade brasileira. Em entrevista a Marcelo Tas no site UOL, o jornalista e autor do livro Tropicália – A História de uma Revolução Musical , Carlos Calado disse que o movimento foi uma idéia de se captar um pouco de tudo o que acontecia no mundo em 68. “Na verdade foi um espírito de uma determinada época”, ponderou Calado.
A música não foi o único universo por onde a Tropicália “fincou” raízes. O tropicalismo influenciou e foi influenciado também pelo cinema, pelas artes plásticas e pelo teatro. O filme Terra em Transe, por exemplo, de Glauber Rocha e a peça O Rei da Vela de José Celso Martinez Corrêa, tocou Caetano Veloso que acreditou existir nessas montagens algo de “vivo” que merecia ser explorado na música.

Ao poucos Glauber, Oiticica e Martinez Corrêa aderiram a corrente tropicalista, e peças como Roda Viva de Chico Buarque viraram escândalo de montagem e bilheteria. A atriz Marilia Pêra era uma das estrelas da peça e em depoimento a Revista Época contou sobre a sua participação e a repressão pelo Comando de Caça aos Comunistas que os atores sofreram por encenar o espetáculo. “Eu não era nem de esquerda e nem de direita e mesmo assim entraram 50 homens na minha casa para me prender”, contou Marilia, que foi presa duas vezes e chegou a ser obrigada a passar nua por um corredor polonês durante uma das incursões dos militares ao Teatro Ruth Escobar.

O filme marco do cinema marginal.Em 68 Glauber Rocha já era o maior cineasta brasileiro, no entanto o longa-metragem mais emblemático da contracultura pertence a Rogério Sganzerla. O filme O bandido da luz vermelha (1968), ousou ir além da estética proposta pelo Cinema Novo e lançou um novo estilo, o Cinema Marginal. Sganzerla, na época com apenas 22 anos, queria fazer um filme que fosse ao mesmo tempo revolucionário e de grande êxito comercial. “Existe um humor cáustico e oswaldiano forte em sua obra”, disse Helena Ignez que participou do elenco e mais tarde tornou-se mulher de Rogério. Apesar de diferenças estéticas Glauber e Sganzerla tinham aproximações.
A grande mídia ao fazer uma retrospectiva do cinema brasileiro de 68 enfatizou apenas o Cinema Novo e Marginal e se esqueceu de realizações simbólicas como: Como vai, vai bem? (1968), do grupo Câmara. Por ir na contra-mão do cinema novo ao não exaltar o lado trágico da pobreza, mas sim mostrar o lado cômico dos típicos personagens populares como o calouro do Chacrinha, o travesti e o fanático torcedor do Flamengo, tais realizações não foram lembradas pelos Segundo Caderno, Caderno B e Ilustrada, mas a importância desses filmes, não deixa de ser celebrada em circuitos alternativos como o cine clube sala escura da Universidade Federal Fluminense, que exibiu o filme em comemoração aos 40 anos de maio de 68.

O Grupo Câmara era formado por jovens da esquerda de diferentes tendências que queriam mostrar o universo dos pobres. O diretor de Como vai, vai bem? E um dos fundadores do grupo, Alberto Salvá, disse que o filme foi boicotado pelo cinema novo. Por ter um “tom” de comédia, muitos consideraram o filme sem um conteúdo crítico. Membro do antigo Grupo Câmara, Daniel Chutorlanscy salienta: “No meio de uma ditadura fazer um filme com este nome e a censura não barrar, por si só já foi uma critica”. O Professor do curso de Cinema da Universidade Federal Fluminense, José Carlos Monteiro, ressaltou a importância de Como vai, vai bem? Para revelar o cinema carioca e consolidar o universo alternativo em relação o cinema novo.
A genialidade de Chico Buarque de Hollanda que se destacou de inicio como autor de

Chico Buarque de Holanda e o  MPB4. Roda Viva em 68, começa a dar os primeiros passos rumo à música. Durante os Anos de Chumbo, Chico destaca-se pelo tom político que empresta a sua obra. Músicas como Apesar de você e Cálice (parceria com Gilberto Gil) afrontaram a Ditadura militar e o presidente Médici. Para driblar a censura que endureceu a tal ponto de vetar qualquer publicação que tivesse o nome Chico Buarque, o compositor passou a assinar as músicas com o pseudônimo de Julinho da Adelaide, composições como Jorge maravilha e Acorda Amor nos anos 70 passaram pelos censores sem restrições, só anos depois foi descoberto o verdadeiro autor.
O ano de 1968 é paradigmático por acontecimentos inéditos que mudaram o curso da História Contemporânea, por demonstrar a conexão dos fenômenos sociais de um mundo que já se encontrava globalizado. Mas principalmente por confirmar que os campos da política e da cultura, ainda que relativamente autônomos, são interdependentes entre si.

A releitura do passado mostra também que as mobilizações não eram “da juventude” como um todo, mas sim de grupos de jovens e vanguardas artísticas, culturais e políticas. É por isso que deve-se desconfiar das análises anacrônicas que mitificam a “juventude de 68” – uma minoria significativa e mobilizada – comparando-a com  a "juventude de hoje" (todos os jovens?) que seria mais apática, consumista e alienada.
Um artigo sobre um ano tão contraditório e efervescente que legitimou todo o ideal dos chamados jovens rebeldes, não só no Brasil, mas em diversas partes do mundo; jovens  que foram às ruas contra os governos, pegaram em armas contra a ditadura, defenderam os direitos de minorias e o meio ambiente; praticaram sexo livre, usaram drogas; abusaram da irreverência e desmascaram a hipocrisia da sociedade conservadora, merece ser concluído com duas provocações que podem ajudar a traduzir o espírito libertário daquela época. Assim, pergunta-se: o quê fere mais o autoritarismo: a pedra que arrebenta as vidraças? Ou a poesia que arrebata multidões?

Juventude, é preciso acreditar 2009/10/24

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Por. Luciano Menezes

  toque de reoclher

O desenvolvimento de nossa personalidade se dá no conflito e no confronto diário de nossas relações intrapessoais e interpessoais tais como: comigo mesmo; com os outros; com o mundo e com o Transcendente.

Devemos descobrir e apontar quais são os nossos sonhos, ideais e utopias que carregamos. Questionarmos em que mundo estamos? Darmos conta quais são as razões concretas de nossas esperanças? Digamos que esse é o primeiro passo para identificar e enfocar os nossos princípios básicos. O que realmente acreditamos para fazermos a diferença na sociedade.

Não é fácil desenvolver o caminho da construção do eu, ou seja, de nossa identidade juvenil. A pergunta que fazemos qual é o sentido do autoconhecimento? Às vezes confundimos como: uma pessoa, um indivíduo, um cidadão, um sujeito, não sabemos qual é o melhor conceito? Ou tudo é mesma coisa? Será que todos estão comprometidos com a vida do ser humano?

A auto-realização se dá na interação do sujeito e com o objeto. Quanto mais intensificarmos os significados de nossa existência, a experiência do sentido terá mais lucidez e eficácia.

Ser jovem hoje exige busca de informação de tudo o que acontece no mundo pós-moderno e globalizado. O grande desafio hoje está nos valores e estes, estão em crise. A alternativa da crise é tirar o “s” da crise e crie uma possibilidade fiel e criativa de fazer a mesma coisa de modo diferente de ser mais ousado e empreendedor.

A pós-modernidade nos faz pensar e nos organizar para que tenhamos cada vez mais direcionamento vocacional e exige capacitação e competência profissional na formação de valores tanto morais, éticos, estéticos, culturais, sociais, econômicos, políticos e religiosos com argumentos comprometidos coerentes e fiéis às potencialidades que possuímos e queremos desenvolver, com filosofia própria de vida e no serviço do resgate da cidadania.

O sistema capitalista está aí com sistema de ideologia própria, total e única com seus próprios interesse de apropriação, exploração e dominação de tudo e de todos, um só “céu” e uma só “terra” tanto dos recursos materiais e humanos, uma dimensão sem fronteiras, sem divisões e sem limites, liberdade individual (liberalismmo) e sem oposição ideológica. Seu maior objetivo é formar no mundo um único bloco econômico capitalista, que todos sejam “iguais” e que na verdade alguns são mais “iguais” do que outros. Isso é injustiça e o poder fica na mão apenas de alguns. Onde mais ou menos 20% da população mundial retêm 80% da riqueza do mundo e sendo que 80% da população têm 20% da riqueza.

O sistema NEOLIBERAL está aí. Um novo para ratificar o “novo” que vem e pronto. O que vamos fazer, juventude!?Nossa atitude muda o mundo; o modo como vemos o mundo é muito mais importante do modo do que o mundo é. O mundo vai ser melhor quando eu for melhor

Juventude, a concepção de mundo que eu tenho é muito importante. Qual é a sua? O que fazer? Quais as razões e ações para fazer a diferença? Mudar o sistema não resolve, fazer revolução não soluciona, derrubamos o capitalismo e oferecer o que em troca? Começarmos de pequeno no exercício participativo, cooperativo e solidário, que seja um processo democrático que comece na família entre pais e filhos, depois para comunidade e sociedade.

Os jovens sentem-se mais apoiados e seguros quando os adultos se dispõem a conversar e a dar conselhos; ficam mais autônomos quando são chamados a dar opinião sobre questões importantes; aprendem noções de ética se são incentivados a discutir valores pessoais; e constroem melhor a própria identidade quando aprendem sobre tradições com os mais velhos. Eis uma solução.

Outro desafio e ter uma visão integradora e solidária. Saber organizar e cooperar com responsabilidade e com comprometimento, pensar naquilo que acreditamos e sonhamos para a melhor qualidade de vida. Sem drogas, sem doenças sexualmente transmissíveis – aids… ter saúde física, mental e espiritual.

O nosso olhar crítico dever ser alargado e dizer não para os canais abertos de TV ou outros meios de comunicação social, que incitam os jovens a se tornarem consumidores compulsivos e afetivos – sexuais dependentes.

Que a juventude seja unida nas diversas diferenças culturais e sociais. Pensarmos globalmente e agir localmente. Ter a permanente humildade de nossas convicções e está assessorando-se no intuito de unir forças, necessidades, desejos, sonhos e esperanças. Ninguém é melhor do que todos nós juntos. Cativando-se e deixando-se cativar por aqueles que nos querem bem e por aqueles que nos desafiam na oportunidade de crescer. A nossa missão é estimular outros jovens que por vezes perderam os seus referenciais e o seu sentido de vida. Que todos tenham mais vida e vida em plenitude.

Pensemos que hoje nós podemos fazer o melhor de nós, para que amanhã ao olharmos o passado, chegarmos à conclusão de que a nossa vida realmente valeu a pena ter sido vivida. Mas o que fazer para mudar? Tomemos hoje a decisão de mudar a nossa vida. Definir quais são os nossos objetivos, sonhos mais ardentes, ambições e lutemos por eles. Usemos as ferramentas que temos à mão. Aproveitemos as oportunidades.

[Por Luciano Osmar Menezes. Texto produzido durante o curso de Especialização em Juventude Contemporânea - Unisinos]

Seminário debate políticas para populações tradicionais 2009/10/06

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O Conselho Nacional de Juventude (Conjuve), por meio do GT Juventude e Povos e Comunidades Tradicionais, realiza, no próximo dia 9 de outubro, na cidade do Rio de Janeiro (RJ), o I Seminário Nacional de Políticas Públicas para as Populações Tradicionais. Sob a coordenação do Instituto Raízes da Tradição e apoio da Secretaria Nacional de Juventude, do Ministério do Desenvolvimento Agrário e do Sebrae, o evento vai reunir representantes das comunidades e povos tradicionais, do poder público e da sociedade civil, além de acadêmicos e especialistas sobre o tema. O secretário adjunto da Secretaria Nacional de Juventude, Danilo Moreira, participará do debate “ Políticas Públicas de Comunidades e Povos Tradicionais e de Juventude”, que acontece às 13h.

O Seminário vai permitir uma discussão aprofundada das questões levantadas durante a 1ª Conferência Nacional de Juventude, realizada em Brasília, em abril de 2008. O debate servirá também de base para a II Consulta Nacional aos Povos e Comunidades  Tradicionais, previsto para ocorrer durante a VI Feira Nacional de Agricultura Familiar e Reforma Agrária – Brasil Rural Contemporâneo, que acontecerá em São Paulo no próximo ano. A I Consulta Nacional aos Povos Tradicionais foi uma das etapas eletivas da Conferência Nacional de Juventude, quando jovens quilombolas, indígenas, ciganos, pomeranos, das comunidades de terreiro e outros puderam se manifestar, discutindo e apresentando propostas para as questões específicas dessas juventudes.

Na próxima sexta-feira o seminário vai reunir também sertanejos, extrativistas, seringueiros, quebradeiras de coco babaçu e outros segmentos que também buscam o reconhecimento e a inclusão definitiva de suas demandas na agenda das políticas públicas.

Veja, abaixo, a programação completa do evento:

Local e Data: Rio de Janeiro, 9 de outubro de 2009

Centro de Referência do Artesanato Brasileiro – Sebrae

Praça Tiradentes, nº 71 – Centro- Rio de Janeiro, RJ

Sexta – Feira – 09 de Outubro de 2009

8h – Abertura do Credenciamento

9h – Reunião da Sociedade Civil – GT de Comunidades e Povos Tradicionais do Conjuve e convidados

9h45 – Coffe break

10h – Formação de Grupos de Trabalho

11h – Avaliação e Análise dos Resultados dos Grupos de Trabalho

12h – Almoço

13h – Mesa Redonda: Políticas Públicas de Comunidades e Povos Tradicionais e de Juventude

Secretário Adjunto da Secretaria Nacional de Juventude, Danilo Moreira, Coordenador da I Conferência Nacional de Políticas Públicas de Juventude; representante do governo do estado do RJ; representante da Prefeitura do RJ ; representante do Conjuve; representante dos Ministérios da Cultura; Desenvolvimento Agrário; MDS e Sebrae.

15h – Mesa Redonda: Compartilhando Experiências de Políticas Públicas de Juventude e de Comunidades e Povos Tradicionais no setor Privado e no Setor Público – no Brasil e no mundo.

Universidade Nacional Autônoma do México,  Cidade do México; Instituto de Investigações Sociais; Instituto Etnia – Cultura e Desenvolvimento, de Lisboa/Portugal; representante da Petrobrás; e Fundação Vale.

Mediação: Diretora – Presidente do Instituto Raízes da Tradição, Ana Paula Jones.

17h – Premissas e Proposições da Sociedade Civil Para Políticas

Públicas de Comunidades e Povos Tradicionais – Apresentação do Relatório Final, Planejamento do Cronograma do GT até o ano de 2010.

18:30h – Coffee break e Confraternização Final

Apresentações Artísticas dos Grupos de Comunidades e Povos Tradicionais na VI Feira da Agricultura Familiar e Reforma Agrária – Brasil Rural Contemporâneo na Marina da Glória, Aterro do Flamengo

16h – Quebradeiras de Coco de Babaçu – (da Bahia)

17h – Cavalo Marinho Boi Pintado de Aliança – (Pernambuco)

19h – Boi de Maracanã – (Maranhão)

23h – Cortejo dos Grupos de Comunidades e Povos Tradicionais com Nana Vasconcellos na Lapa: Maracatu Nação Estrela Brilhante de Recife – PE, Boi de Maracanã – MA e Rio Maracatu- RJ

(*programação sujeita a confirmação)

Mais Informações – Instituto Raízes da Tradição

www.raizesdatradicao.com.br

Informações: +55 21 8452 2793/ 21 9553 3323/ 21 8212 8724/ 21 22949551

Mesa sobre políticas públicas de esporte discute participação popular 2009/07/21

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Políticas públicas de esporte para juventude e sua consolidação como política de Estado foi pauta de uma das mesas de debate do 51º Congresso da UNE. A mesa foi composta por Brenda Espíndula, diretora de Estudos e Pesquisa do CEMJ, Gustavo Petta, ex-presidente da UNE e secretário Municipal de Esportes de Campinas e Daniele Santos, representante do Ministério dos Esportes.

Segundo Gustavo Petta, “Se conseguíssemos investir no esporte relacionado ao tempo que ele toma na vida das pessoas, teríamos todos os problemas resolvidos”. Gustavo ainda afirma que embora os avanços das políticas públicas de esporte para a juventude no país, “nosso grande problema é ainda não possuir um sistema nacional articulado. Precisamos consolidar esse sistema, valorizando os profissionais, agentes comunitários e as pessoas que mais precisam”, finalizou.

Para Daniele Santos, representante do Ministério dos Esportes, “já existe uma diretriz nacional de esportes e quando o Ministério propõe uma agenda política, já propõe com base nestas diretrizes, no entanto, é preciso melhorar a gestão de participação popular nas políticas públicas”. “Com o movimento social temos que dar um passo adiante, cada ator precisa ter consciência de sua missão para construir consensualmente, políticas publicas fortes para o esporte no país”, afirmou.

Brenda Espíndula defende uma política pensada sobre vários aspectos.”A política de esporte para juventude deve se preocupar com a diversidade dos contextos onde a prática esportiva se desenvolve, pensando que existem jovens que desejam praticar no campo, na cidade, nas comunidades indígenas”.

Icapuí (CE) sedia VIII Acampamento Latino-Americano da Juventude 2009/07/12

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acampamento jovens

Música, teatro, cinema, esportes, debates, oficinas, exposições e conferências. Esses são os ingredientes do VIII Acampamento Latino Americano da Juventude, que acontece de 16 a 19 de julho, em Icapuí, no Litoral Leste do Ceará. Mais de 40 mil pessoas deverão participar, durante os quatro dias, do evento, que terá como temas principais de debate os centenários de Patativa do Assaré e de Dom Hélder Câmara e os 50 anos da Revolução Cubana, além da celebração dos 25 anos de emancipação de Icapuí. Entre as mais de 20 atrações musicais, com artistas internacionais e nacionais, Tribo de Jah, O Rappa, Nando Reis e Beto Barbosa vão animar o público a cada noite.

Os jovens que desejam participar do VIII Acampamento podem se organizar em grupos, caravanas ou individualmente. As inscrições devem ser feitas no site,www.acampamentoicapui.com.br.

Realizado nos anos de 1997, 1999, 2000, 2002, 2003, 2004 e 2007, o Acampamento da Juventude é uma iniciativa que se apóia em princípios universais como a democracia, participação, respeito às diferenças, meio ambiente, pluralidade cultural e política. Toda a programação, disponível na página do acampamento na internet, é gratuita e voltada para os interesses dos jovens, propiciando a troca de experiências entre participantes de vários locais do Brasil e de outros países latinos. As artes e os esportes também fazem parte do encontro.

Outro destaque do Acampamento é a realização de oficinas temáticas variadas. No dia 17, sexta, pela manhã, serão realizadas oficinas de Fotografia, Patativa do Assaré, Peixe Boi Marinho, Meio Ambiente, Turismo Comunitário e Permacultura. No dia 18, sábado, no mesmo período, ocorrerão as oficinas de Teatro, Memória, Cultura Corporal, Artes Plásticas e Latinid´AIDS.

O VIII Acampamento Latino-Americano da Juventude é uma realização das organizações não-governamentais Solar, Fundação Brasil Cidadão, Caiçara, Associação Aratu, Câmara Municipal de Icapuí, Centro de Desenvolvimento Municipal Vento Leste e mandato do deputado estadual Dedé Teixeira (PT), com patrocínio do Ministério do Turismo, Banco do Brasil, Banco do Nordeste, Governo do Estado do Ceará e Cagece, apoio da Assembléia Legislativa do Ceará, Agrícola Famosa, Ponte&Caminha Consultoria e Festival Curta Canoa. Sesc e Sebrae são parceiros da iniciativa.

Mais informações:
Associação Solar – Coordenação Geral e Produção Executiva
Fone: (85) 3226-1189

Jovens pesquisadores mapeam iniciativas de arte e cultura em SP 2009/07/09

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Nos próximos 4 meses dezesseis jovens vão se dedicar a uma pesquisa em todo estado para identificar iniciativas de arte e cultura desenvolvidas por nós ou para nós, jovens paulistas.
As experiências serão enviadas para um banco de dados que futuramente será divulgado em todo estado.
Para realização desta pesquisa a Coordenadoria Estadual da Juventude, firmou convênio com o Centro de Estudos de Políticas Públicas – CEPP e a primeira etapa deste trabalho consistiu na capacitação dos jovens pesquisadores.

O Projeto
"Protagonismo Juvenil: Mapeando a Arte e a Cultura no Estado de São Paulo".  Fique ligado pois contaremos tudo pra você!

Objetivo
Mapear em todo Estado de São Paulo iniciativas de arte e cultura desenvolvidas por jovens e/ou voltadas para os jovens.

Justificativa
Inúmeras iniciativas envolvendo a arte e a cultura são desenvolvidas pela galera jovem em todo Estado de São Paulo. Porém, elas são, em sua maioria, pouco conhecidas e consequentemente pouco valorizadas e apoiadas.
Assim, é muito importante mapear as iniciativas existentes e tornar público o resultado desse mapeamento contribuindo com o aperfeiçoamento das políticas públicas da área e o intercâmbio entre diversos atores envolvidos.
Além disso, o mapeamento potencializa a divulgação das iniciativas em curso.

O mapeamento
Para o desenvolvimento do projeto, foram selecionados 16 jovens pesquisadores. Destes, 11 ficarão na capital e serão divididos assim: 6 no Aprendiz (organização da sociedade civil com sede na Vila Madalena, zona oeste da capital) e 5 no CCJ – Centro Cultural da Juventude – equipamento da Secretaria Municipal de Cultura que fica na Vila Nova Cachoeirinha, zona norte da capital); além disso haverá 1 jovem em Ribeirão Preto; 1 em Sorocaba, 2 em Sertãozinho e mais 1 em São Vicente.
Em todos os casos o espaço físico e os computadores são oferecidos pela organização e/ou pelas prefeituras parceiras das respectivas cidades.
Durante 4 meses (de maio a agosto de 2009) os jovens vão dedicar meio-período diário à identificação dos grupos e projetos, encaminhamento e fechamento dos questionários e inclusão on-line das informações no banco de dados. Nesta fase, eles serão acompanhados por um coordenador local.

Resultados
O Banco de dados resultante deste mapeamento será divulgado pela Coordenadoria Estadual da Juventude no nosso Portal. Também serão produzidos folders e catálogos com o resultado do mapeamento em São Paulo.
Paralelamente, a base de dados do Estado de São Paulo será integrada ao Banco de Experiências do Programa Juventude Transformando com Arte (www.juventudearte.org.br), somando-se à dos outros estados já mapeados, gerando assim, um grande banco de dados nacional.