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Para vencer so depende de VOCÊ 2009/01/31

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Você Decide 2009/01/31

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A policia tem uma nova arma contra as plantações de entorpecentes 2009/01/31

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A polícia suíça se deparou com uma enorme plantação de maconha quando estava fazendo pesquisas no Google Earth.

De acordo com oficiais, a descoberta aconteceu durante uma investigação que levou à prisão de 16 pessoas e à apreensão de 1,2 tonelada de maconha e de 900 mil francos suíços – o equivalente a 780 mil dólares.

Segundo o especialista da unidade de narcóticos da polícia de Zurique, Norbert Klossner, a plantação foi encontrada no nordeste do distrito de Thurgan no ano passado.

Com mais de 7,5 quilômetros quadrados, a àrea estava escondida dentro de um campo de trigo.

Utilizando o mecanismo de busca Google Earth, policiais localizaram o endereço de dois fazendeiros suspeitos de envolvimento com tráfico de drogas e rapidamente identificaram o terreno ilegal.

“Foi uma descoberta interessante”, disse Klossner.

A promotora Gabi Alkalay contou a repórteres em Zurique que a investigação será concluída em fevereiro, quando então os acusados serão oficialmente julgados.

A gangue vendeu aproximadamente 7,7 toneladas de haxixe e maconha de 2004 a 2008, gerando uma receita anual de até 10 milhões de francos suíços.

NOS CORREDORES DA PREFEITURA 2009/01/30

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Rola nos corredores da prefeitura de Governador Valadares, que na ultima reunião do secretariado da prefeita Elisa Costa ela botou a boca no trombone a respeito das contratações. Ela disse que está trombano nos corredores da prefeitura pessoas que nem colocaram um olho durante a campanha eleitoral. finalizou dizendo que a partir de agora não vai permitir, pois cargo na prefeitura só quem participou da campanha

Revolução Cubana: 50 anos de resistência e dignidade 2009/01/30

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Segue mais um artigo interessante que foi postado no Le MOnde edição brasileira.
Arrancados de séculos de opressão e atraso, os cubanos jamais se resignarão. Como um país pobre pode construir uma sociedade mais justa para todos. Depois de 50 anos da revolução, Cuba tem a mais baixa taxa de mortalidade infantil e um dos maiores pólos culturais da América Latina

Tiago Nery

(12/01/2009)

Equilibrando-se entre o realismo e a utopia, a Revolução Cubana está completando 50 anos. Nos primeiros dias de janeiro de 1959, após pouco mais de dois anos de luta guerrilheira, o Exército Rebelde, liderado por Fidel, Raul, Camilo e Guevara, entrava triunfalmente em Havana, iniciando um novo capítulo na história do país. O impacto da Revolução iria transcender em muito seus limites territoriais, repercutindo sobre sucessivas gerações de jovens, trabalhadores e intelectuais de várias partes do mundo, sobretudo da América Latina. Pela primeira vez, a própria idéia de revolução, que soava sempre tão distante para os latino-americanos (a exemplo das revoluções mexicana, russa e chinesa), passava a ser um tema da atualidade.

A polarização da época da Guerra Fria fez com que muitas análises sobre a Revolução Cubana estivessem impregnadas pelo clima daquele período e ignorassem as verdadeiras origens do movimento comandado por Fidel Castro. A revolução de 1959 tem profundas raízes na trajetória histórica nacional, cujos antecedentes remontam ao período da luta pela independência. Cuba foi a última colônia da América Latina a libertar-se da Espanha, em 1898, num processo que se estendeu por um período de 30 anos, em que se sucederam duas guerras de independência. A primeira, conhecida como a “Guerra dos dez anos” (1868-1878), foi liderada pelo advogado e proprietário de terras Carlos Manuel de Céspedes, considerado o “pai da pátria”. A segunda, iniciada em 1895, teve como principal ideólogo o advogado, jornalista e poeta José Martí, principal intelectual cubano e um dos mais importantes do continente, que desencadeou um movimento mobilizando amplos setores populares.

Antes de se tornar socialista, a Revolução Cubana foi um movimento de afirmação da soberania nacional. Já Fidel e Guevara representavam a sublimação do tradicional caudilho latino-americano em líder autenticamente popular

No momento em que a vitória das forças independentistas estava próxima a concretizar-se, o governo dos EUA resolveu entrar no conflito, provocando uma guerra contra a Espanha. Vitoriosos, os norte-americanos reconheceram a independência de Cuba, apesar de imporem, em 1902, uma emenda constitucional (emenda Platt), que permitia aos Estados Unidos exercerem o direito de intervenção no sentido de “preservar a independência cubana”. Com isso, Cuba tornava-se, na realidade, um protetorado dos EUA.

A atuação norte-americana frustrou as expectativas de liberdade e soberania que alimentaram o movimento desde o início. A desilusão com o desfecho serviria como elemento crucial para a formação de uma singular consciência nacionalista, que passaria a reivindicar uma terceira guerra emancipatória – contra o imperialismo estadunidense. Dessa forma, o processo revolucionário que derrubou a ditadura de Fulgencio Batista retomaria a trajetória dos movimentos independentistas do século 19, vinculando a libertação nacional e social aos desafios da Guerra Fria (Ayerbe, 2004).

O movimento revolucionário de 1959, iniciado em 1953, com a criação do Movimento 26 de Julho, guarda profundas conexões com aquele liderado por Martí algumas décadas antes. Em A história me absolverá, histórica autodefesa de Fidel Castro por ocasião de sua prisão, após a frustrada tentativa de tomar o quartel de Moncada, o futuro líder da revolução afirmou: “Impediram que chegassem às minhas mãos os livros de Martí. Parece que a censura da prisão os considerou demasiado subversivos. Ou será porque considerei Martí o autor intelectual do 26 de Julho?” (Castro, 1979, p. 22). Percebe-se, dessa forma, que antes de se tornar socialista, a Revolução Cubana foi um movimento de afirmação da soberania nacional. A guerra revolucionária não recebeu nenhuma ajuda da então URSS, assim como o Partido Socialista Popular (comunista), que inicialmente rejeitara as ações armadas e havia condenado o assalto ao Moncada, só apoiaria a guerrilha em sua fase final.

Comentando sobre a originalidade do processo cubano, o crítico literário Antonio Candido (1992) afirmou que líderes como Fidel e Guevara representavam uma formação política singular e aparentemente impossível: a sublimação do tradicional caudilho latino-americano em líder autenticamente popular. Dessa maneira, assim como em Cuba o caudilho potencial transformou-se em líder responsável, comprometido com o socialismo, a tradição radical, vinda de pensadores como José Martí, permitiria que o marxismo se ajustasse à realidade do país.

as experiências socialistas do século 20 foram obrigadas a dividir seus esforços entre a sobrevivência em relação aos inimigos externos e a construção de uma sociedade que se pretendia mais justa e avançada

A queda do Muro de Berlim e o fim da URSS só viriam confirmar que Cuba não era um satélite soviético. Por acreditar que, sem o apoio do bloco socialista, a queda do regime cubano seria apenas uma questão de tempo, o governo dos EUA endureceu o bloqueio econômico nos anos 1990, por meio de medidas extraterritoriais como a emenda Torricelli e a lei Helms-Burton. De acordo com o direito internacional, o embargo unilateral é considerado uma medida ilegal. Recentemente, a Assembléia Geral das Nações Unidas aprovou, pela 17ª vez consecutiva, uma resolução que condena os EUA pelo bloqueio imposto a Cuba há 47 anos. Dos 192 países que pertencem à ONU, 185 condenaram o embargo estadunidense.

Mesmo com o recrudescimento das sanções, o governo cubano conseguiu não apenas manter mas também melhorar algumas das principais conquistas sociais da revolução. No âmbito da saúde, Cuba atingiu recentemente a mais baixa taxa de mortalidade infantil da sua história: 5,3 em cada mil nascidos vivos. Trata-se da segunda menor taxa das Américas, ao lado do Canadá. Na área cultural, a Casa das Américas, fundada por Haydée Santamaría, continua sendo um importante centro de difusão da literatura latino-americana. Igual importância tem o festival internacional de cinema de Havana, que acaba de realizar sua 30ª edição.

Além dos avanços, a Revolução Cubana também apresenta contradições e problemas. Por exemplo, muitos questionam o regime de partido único, o monopólio da imprensa estatal e as restrições a algumas liberdades individuais. Ademais, nos últimos anos, em virtude das reformas econômicas introduzidas com o colapso do campo socialista, a sociedade cubana passou a experimentar um nível de desigualdade ao qual não estava acostumada.

No entanto, entre as principais fragilidades das críticas endereçadas a Cuba, ressalta-se a ausência de perspectiva histórica, que ignora os contextos e os desafios que influenciaram as escolhas dos dirigentes cubanos, sempre condicionadas pela ação dos sucessivos governos norte-americanos. Além disso, deve-se observar que as experiências socialistas do século 20 foram obrigadas a dividir seus esforços entre a sobrevivência em relação aos inimigos externos e a construção de uma sociedade que se pretendia mais justa e avançada. No caso de Cuba, a pressão do exterior tem sido incessante ao longo dos últimos 50 anos. Segundo o historiador Luis Fernando Ayerbe, “nenhum sistema pode desenvolver suas potencialidades vivendo em clima de permanente conflito, que é justamente o mais favorável ao fortalecimento das tendências autoritárias existentes” (Ayerbe, 2004, p.119).

Com seus erros e acertos, a Revolução Cubana mostrou a muitos povos que um país pobre pode construir uma sociedade mais justa para todos. Trata-se de uma ilha, arrancada de séculos de opressão e atraso, que se ergueu para construir uma nova história, a que lhe foi negada. Darcy Ribeiro afirmou certa vez que, na América Latina, só havia dois destinos: ser resignado ou ser indignado. Os cubanos jamais se resignarão.

Referências Bibliográficas:

AYERBE, Luis Fernando. A Revolução Cubana. São Paulo: Editora UNESP, 2004. (Coleção Revoluções do século XX)

CANDIDO, Antonio. “Cuba e o socialismo” In: SADER, Emir (Org.) Por que Cuba?. Rio de Janeiro: Revan, 1992.

CASTRO, Fidel. A história me absolverá. 3ª ed. São Paulo: Alfa – Omega, 1979.

Chuvas voltam a castigar Governador Valadares 2009/01/30

Posted by edsonjrodrigues in Governador Valadares.
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FMI PEDE NACIONALIZAÇÃO DOS BANCOS 2009/01/30

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Enquanto o FMI (Fundo Monetário Internacional) recomendou abertamente ontem a nacionalização de bancos privados para enfrentar a atual crise de crédito, o secretário do Tesouro norte-americano, Timothy Geithner, afirmou que em breve anunciará um novo pacote de ajuda às instituições financeiras.

 Confrontado com a opção pela nacionalização de alguns bancos, Geithner afirmou: “Nosso sistema financeiro pertence a acionistas privados e é gerido por instituições privadas. Nós gostaríamos de fazer o possível para mantê-lo dessa maneira”.

 Várias opções vêm sendo consideradas pelo Tesouro para a segunda etapa do socorro ao sistema financeiro, que deverá custar, no mínimo, US$ 350 bilhões. Essa é a segunda parcela do pacote de US$ 700 bilhões aprovado pelo Congresso no ano passado.

 Entre as saídas, figura a criação de um “banco podre” estatal. As instituições privadas transfeririam para esse “banco podre” os chamados títulos “tóxicos” (resultados de empréstimos malfeitos e sem garantias) de suas carteiras.

 Em troca, o governo converteria esses ativos “tóxicos” em títulos que poderiam ser transformados em ações dos bancos caso o Tesouro queira. Com isso, o governo aumentaria o poder de pressão sobre os bancos, como já vem fazendo.

 Embora Geithner fale em “sistema privado”, com os socorros realizados até aqui (e que já se estenderam a quase 300 bancos), os contribuintes norte-americanos já são, individualmente e na prática, os principais acionistas das duas maiores instituições no país. O governo já tem 6% das ações do Citigroup e cerca de 8% das do Bank of America.

 Depois de ter recebido US$ 45 bilhões em dinheiro público, por exemplo, o Citigroup foi pressionando pelo Tesouro a abandonar a compra de um jato de US$ 50 milhões. Agora, o Bank of America está sendo instado a adiar para 2010 o pagamento de eventuais bônus.

 Essa “estatização branca”, como vem sendo chamada, poderá aumentar ainda mais com a criação do “banco podre” estatal. Seu objetivo é limpar as carteiras de empréstimos dos bancos e permitir que eles voltem a assumir novos riscos, fornecendo mais crédito.

 Hoje, o mercado de crédito está travado justamente porque os bancos temem emprestar mais, levar novos calotes e assim aumentarem ainda mais o rombo em suas carteiras.

 Até agora, segundo relatório do FMI divulgado ontem, só os bancos norte-americanos precisaram de mais de US$ 2,2 trilhões para cobrir perdas com esses ativos “tóxicos”. Segundo o Fundo, serão necessários pelo menos mais US$ 500 bilhões para que o sistema se estabilize -o que não significa que todas as perdas serão cobertas.

 Nacionalização
 Diante dos rombos trilionários, o diretor do Departamento para o Mercado Financeiro e de Capitais do FMI, o espanhol Jaime Caruana, defendeu com todas as letras ontem a nacionalização de alguns bancos.

 ”Sobre a possibilidade de eventuais nacionalizações, a intervenção total das autoridades talvez se faça necessária”, afirmou Caruana. “Nesse caso, a questão de quanto pagar pelos ativos dos bancos é menos importante, já que as autoridades estarão no controle.”

 Caruana acrescentou que “a “limpeza” das carteiras dos bancos é fundamental, pois o crédito vai continuar deteriorando se a confiança não for readquirida”. “Isso precisa ser feito imediatamente”, disse.

 Apesar do discurso pró-mercado, os EUA já nacionalizaram bancos no passado. No fim da década de 1980 foi criada a Resolution Trust Corporation, que assumiu carteiras “podres” dos então chamados “bancos zumbis”, impôs perdas aos acionistas e afastou controladores das instituições.

 Depois de limpos, os bancos foram vendidos, fundidos com outros ou eliminados. Na época, o plano consumiu US$ 130 bilhões e envolveu bancos pequenos, médios e regionais.

 Com um novo pacote de ajuda a caminho, as ações dos bancos lideraram ontem.

 

fonte. Folha de são Paulo

A Crise das Universidades 2009/01/29

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Segue um artigo interessante sobre os reais problemas das universidades brasileiras. O artigo e do filosofo Paulo Ghiraldeli

 

Há pouco tempo a PUC-SP estava aos gritos: “crise”. Começamos 2009 e outras grandes instituições particulares de ensino superior repetem o grito: “crise!” E as greves e manifestações se alastram. Apareceu na imprensa: donos de escolas choram, sindicatos viram porco-espinho e professores ficam devendo em super-mercado. Funcionários da limpeza padecem – continuam trabalhando mesmo sem receber. Os alunos? Bem, ainda estão nas férias. Eis as universidades problemáticas apontadas: Unib (Universidade Ibirapuera), Universidade São Marcos e Unisa (Universidade de Santo Amaro). As três instituições respondem por cerca de 30 mil alunos. E se pegarmos faculdades isoladas, então, o quadro paulistano complicado assusta um pouco. É a crise? Sim! Mas não é a crise mundial. Nem é a crise de diminuição de demanda. É claro que com o MEC na situação em que está, boa coisa não se poderia esperar, mas não é culpa só do MEC não. O MEC conseguiu derrubar o número de alunos que terminam o ensino médio e procuram uma universidade. Sabemos disso. Mas não podemos culpar o MEC, pois o ministro atual não inova nos erros, apenas repete os do passado (ainda que capriche para não deixar de repetir algum). Falta criatividade ao ministro para errar diferente. A maior crise é a de gestão das próprias universidades – estas acima apontadas e outras que estão mancando. Pois há universidades que, nesse mesmo período, continuaram a crescer e investir. Aliás, no caso da São Marcos, há investimento. Finalmente a universidade comprou um prédio próprio. O diretor executivo Ernani de Paula, o Ernaninho, chegou a pouco na universidade para salvá-la da má administração dos irmãos – ele reconhece isso – e está negociando bem com os professores. No meio disso, ousadamente, adquiriu um prédio gigantesco no Ipiranga, que era do banco Sudameris. Isso mostra bem que cada caso é um caso, e que se cabe a palavra “crise”, ela deve ser aplicada com muito cuidado a cada situação. O fato é que há muito tempo o ensino superior brasileiro vem sendo dirigido por pessoas que não são do ramo. E se são do ramo, nunca aprenderam a administrar, apenas copiaram o que já se fazia no modelo de administração das universidades estatais – todas elas visivelmente “gastadeiras” e muitas delas com uma eficiência de ensino e pesquisa duvidosa. Portanto, não há crise, e sim crises. Todavia, há uma medida geral a ser tomada. Aliás, ela já foi tomada. Essa medida é de 1996. É a LDB. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBN 9.034/96) criou a possibilidade de cada universidade se organizar segundo seus próprios critérios, exercendo sua criatividade. As universidades estatais não se mexeram, é claro. Mas o esquisito foi ver que salvo raríssimos casos – e assim mesmo de maneira tímida – as universidades particulares também ficaram paradas. Não tiveram pessoas nos seus staffs para criar novas formas de organização física e humana. A maioria continuou com “departamentos e faculdades” ou “coordenações de cursos e direção”. E foi proliferando o número de funcionários desnecessários. Aliás, manteve um número grande de professores com pouca titulação e com poucas horas de trabalho. Isso gerou professores pouco compromissados com o estabelecimento e um grande gasto na folha de “direitos trabalhistas”. Seria melhor ter menos professores, mas com mais titulação e pagos de modo adequado (com uma carreira atrativa). Agindo de modo errado, essas universidades se mostraram estar aquém de pegar o que a LDB deu para todas em termos de liberdade. Não sabendo criar, não souberam procriar. Quase toda universidade particular brasileira é uma réplica piorada de universidade estatal. Organiza seu sistema de ensino, pesquisa e extensão de modo a copiar o que funciona mal na universidade estatal – inclusive o sistema de fofoca e politicalha. Ora, a universidade estatal, por sua vez, não passa de um sistema falido. Um elefante branco que só se vangloria porque, diante da universidade particular, pode apresentar um volume de pesquisa maior e cantar de galo. Mas, em termos comparativos com o exterior, nossa universidade estatal não serve à democracia, e tem uma dificuldade imensa de fomentar o pensamento crítico e gerar o trabalhador prático e cidadão segundo as demandas do país. A universidade particular, sendo feita de aposentados da universidade estatal, é ela própria a réplica disso, só que mais envelhecida. Talvez mais experiente, mas com pouca criatividade. Tem experiência, sim, mas é a experiência do fracasso. Quem vai romper isso? O executivo de uma dessas universidades “em crise” que tiver a coragem de criar, de ver como se faz no exterior, e perceber que pode reorganizar sua escola segundo um registro de menos dinheiro para coisas tolas, e mais dinheiro no bolso do bom trabalhador, vencerá fácil. Algumas medidas são fáceis de tomar. Basta não ser muito bobo. Eis algumas medidas necessárias. Primeiro. O dinheiro deve cair no bolso dos BONS professores, e não ser distribuído por igual. E se a quebra de isonomia é impossível, então há a necessidade de critérios rigorosos para se contratar. O cabide de empregos deve ceder espaço para um criterioso e prático exame de ingresso de cada professor. E também de cada técnico e de cada funcionário. Uma universidade que paga professores incompetentes e funcionários estúpidos vai amargar olhar para o rosto deles em assembléia, fazendo greve sem, no entanto, terem realmente ensinado algo ou trabalhado de modo correto. Além disso, os cargos intermediários de chefias devem ser reduzidos. Em geral as universidades particulares ficam inchadas, sendo que os proprietários perdem o controle do estabelecimento para burocratas, não raro, aposentados de alguma universidade federal. E o que é pior, nem sempre esses burocratas administraram bem a federal em que estavam – lá, eles também enganaram. Em segundo lugar, cada universidade deve saber articular de modo ótimo a pesquisa feita no laboratório da escola com o estudo feito virtualmente; a universidade do futuro não deve ter alunos em seu prédio para fazer aquilo que eles podem fazer virtualmente. O prédio é o local dos grandes laboratórios, onde o aluno aparece para trabalhar com o material que ele não tem disponível em casa ou na cidade: clínicas, arquivos, salas de experimentos etc. Nesses laboratórios há o professor que realmente sabe ensinar, e não o que sabe fazer o “blá-blá-blá”. E no ensino virtual, o mesmo deve ocorrer. Aluno que realmente aprende é aluno que indica no “boca-a-boca” aquela universidade para o irmão ou colega – é isso que faz uma escola, não o outdoor monstruoso. Em terceiro lugar, deve haver o aumento do número de cursos feitos em uma mesma seqüência. A terminalidade ideal deve ser a meta. Em seis anos de estudo um aluno deve ter chances de receber mais certificados e se inserir no mercado parcialmente, mas no mercado da sua profissão. Isso amplia a chances de ganho do aluno e diminui a inadimplência diante da escola. Em quarto lugar, a pós-graduação deve estar articulada com a graduação através do mecanismo de orientação de estudos, iniciado bem precocemente – e agora, com rédea curta por meio virtual –, sendo que quem entra em uma universidade não deve sair dela muito cedo. Deve gostar de ficar nela. Deve se sentir com chances ali dentro para crescer, para sair da graduação e fazer especialização e mestrado ali mesmo. Universidade que não cuida com carinho de seus doutores e não os coloca também na graduação, gerando mecanismos para que eles criem o canal de sobrevida do aluno na instituição por no mínimo seis anos, está mal administrada. Ela não faz o trabalho de seus doutores alcançar o ponto ótimo, então não segura seus alunos. Tudo passa por saber aproveitar a liberdade da LDB e a autonomia universitária para potencializar o trabalho de um dos ramos mais lucrativos que há no mercado brasileiro: a venda do ensino. Quem consegue entrar em crise nesse ramo é caso de desistir da vida. É claro que eu poderia escrever um livro de medidas desse tipo que já deram certo em vários lugares no exterior, e em alguns poucos aqui no Brasil. Mas fico por aqui. Pois o problema dessa crise é que há muito administrador errado no lugar errado na hora errada. Os proprietários das universidades em crise deveriam perceber isso. E se são eles próprios os administradores, deveriam pensar em vender a escola, pois não estão sabendo tocar o negócio.

RAPIDINHAS 2009/01/28

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Pernambuco

       Mulher vitima de violencia do marido vai a delegacia e é atendida por um preso que a orienta a voltar no dia seguinte.

Montes Claros

     Idosa de 90 anos morre após sofrer violencia sexual em hospital em Capitão Eneas cidade a 50 km da cidade. O agressor erá um enfermeiro que cuidava da paciente.

 

O mundo virou

O caso Cesare Battisti 2009/01/28

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Segue um artigo que recebi por email

 

O caso Cesare Battisti está praticamente resolvido. Na sua
resposta à carta do presidente italiano, nosso presidente colocou
tudo nos eixos, deixando bem claro ao insistente colega ser uma
questão pertencente à esfera da justiça brasileira e ter sido
soberana e definitiva a digna decisão tomada pelo ministro Tarso
Genro.

> Não haverá, portanto, nenhuma crise mesmo porque Lula não acredita
haver motivo para perturbar a amizade existente entre os dois
países.

> Embora muita gente goste de criticar nosso presidente, é forçoso
reconhecer seu tato e sua educação ao tratar com o governo italiano.
Manda a regra diplomática que cartas entre presidentes sejam
cercadas de sigilo. Ora, o presidente italiano, para forçar uma
resposta de Lula, divulgou sua carta para a imprensa italiana antes
de enviá-la a Lula via Itamaraty. Ou seja, nosso presidente recebeu
a carta depois de ter sido comentada pelos jornais.

> Lula não gostou, é claro, mas manteve a calma, quando qualquer um
de nós teria reagido com mau humor. Talvez seja por isso que o
jornal El País, na semana passada, fez rasgados elogios ao
presidente Lula por sua popularidade, apesar de tantos anos no poder
e em plena crise mundial.

> O caso Cesare Battisti provocou um correio fora do habitual.
Muitos leitores, baseados em conclusões apressadas de certa
imprensa, tomaram as dores dos italianos. Assim, sem disporem de
maiores informações, concluíram pela culpa e pela extradição de
Battisti com uma lógica digna de jardim de infância. E sequer lhes
passou pela cabeça o risco de se condenar um inocente a morrer na
prisão.

> Algumas constatações estranhas também ocorreram. A revista Carta
Capital, considerada por tantos como de centro-esquerda, assumiu uma
postura francamente italiana e uma reportagem publicada, em julho,
impediu muitas pessoas de serem contra a extradição de Battisti. A
chamada ala esquerda do PT só aderiu no fim do ano, por volta da
decisão do Conare favorável à extradição. Ao contrário, a revista
Época publicou uma reportagem correta e imparcial sobre Battisti,
enquanto Veja e Isto É publicaram textos objetivos.

> A mídia brasileira pouco falou de Fred Vargas, mas sem ela não
teria havido a próxima libertação de Battisti. Incansável
combatente, foi ela quem criou o primeiro comitê de defesa, na
França, e buscou o apoio de políticos, intelectuais e da imprensa
francesa para Cesare Battisti.

> A missão não foi fácil – a maioria dos líderes do Partido
Socialista, envolvidos numa séria luta interna preferiu se manter à
distância, com receio de ser negativa do ponto de vista eleitoral; o
jornal Le Monde, logo depois de alguns artigos favoráveis, deu
marcha-à-ré, como a revista Nouvel Observateur. Mas Fred pôde contar
com o apoio do cotidiano Libération, do jornal l´Humanité, do
filósofo Bernard-Henri Levy e da ex-candidata à presidência da
França, Segolène Royal.

> Embora pouco conhecida no Brasil, Fred Vargas, é escritora do
gênero policial, bastante conhecida entre os franceses. Seus livros
estão entre os dez mais vendidos na França, com mais de um milhão de
exemplares, a maioria deles premiados e transformados em roteiros de
filmes.

> Cientista, arqueóloga do prestigioso Centro Nacional de Pesquisas
Científicas, CNRS, seu nome verdadeiro é Frédérique Audouin-Rouzeau,
e foi por acaso que começou a escrever romances policiais. Foi assim
que conheceu Cesare Battisti que, nas horas vagas de zelador de um
prédio em Paris, escrevia também romances policiais, atividade que
já começara quando clandestino no México, depois de ter fugido da
Itália.

> Ser minuciosa, ela aprendeu com a Arqueologia. Assim, quando a
Itália pediu a extradição de Battisti, em 2004, Fred se interessou
pelo caso, estudou o processo, foi às fontes e concluiu serem
verdadeiras as declarações de inocência de Battisti. Fazia onze anos
que Battisti vivia modestamente em Paris e temia, já naquela época,
por sua vida, caso fosse extraditado. Além disso, Battisti
constituíra família, e já era pai de duas filhas.

> O presidente François Mitterrand tinha dado asilo a todos os
italianos, antigos extremistas dos anos 1960-1970, que tivessem
abandonado a luta armada e se integrado na sociedade. Para Battisti,
sua participação durante dois anos no movimento Proletários Armados
pelo Comunismo, era coisa passada, da qual se desligara havia tempo.
Mas sua fuga e ausência, deixando folhas em branco assinadas com o
advogado, tiveram um preço – um dos dirigentes do movimento lançou
sobre ele (ausente) a responsabilidade e a autoria de quatro crimes.
Em conseqüência, julgado à revelia, foi condenado à prisão perpétua.
Com base nessa condenação, o governo Jacques Chirac ignorou a
proteção dada por Mitterrand, e iniciou o processo de extradição.
Faltavam apenas dois meses para Battisti ter adquirido a
nacionalidade francesa, pois havia iniciado um processo de
naturalização.

> Battisti foi obrigado a fugir pouco antes de ser extraditado, e
desapareceu. Para Fred Vargas, que se tornara líder do movimento em
favor de Battisti, começou um longo período de tortura psicológica.
Sua casa foi visitada diversas vezes por agentes secretos franceses
para instalação de microfones, seus telefones e computadores foram
grampeados. Como suspeitasse de um carro sempre parado na sua rua,
Fred mudou de apartamento, mas logo reapareceu, no seu novo
endereço, o mesmo furgão de antes, provavelmente equipado para todo
tipo de escuta.

> O que antes escrevia enquanto tramas de ficção, passava a se
concretizar enquanto vida: a polícia achava que Fred sabia onde se
escondia Battisti, e fazia de tudo para encontrar uma pista. Até a
prisão de Battisti no Rio de Janeiro, foram três anos sentindo-se
todo tempo seguida e vigiada o que só agora, com o estatuto de
refugiado a Battisti, deve terminar.

> Fred esteve cinco vezes no Brasil, entre março 2007 e dezembro
2008, quando constituiu Luiz Eduardo Greenhalgh como seu advogado,
encontrando-se com políticos, juristas e procurando sensibilizar a
mídia para o caso. Se o senador Eduardo Suplicy, o deputado Fernando
Gabeira e o jurista Dalmo Dallari lhe deram apoio desde o primeiro
momento, novas adesões à causa foram muito difíceis de conseguir.

> Apoiar Battisti – e o ministro Tarso Genro experimenta hoje essa
incômoda situação -, poderia ter como conseqüência se tornar
impopular, visto as acusações feitas pela Itália, facilmente
exploradas pela mídia comercial e de direita.

> Fred Vargas se encontrou, no Brasil, com Clara Bruni, a esposa do
presidente francês, em visita oficial ao país em companhia do
marido. Fred pediu a ela para interceder junto ao marido em favor de
Battisti, do mesmo modo como fizera com Marina Petrella, a
brigadista perdoada in extremis pelo presidente francês. Com efeito,
Sarkozy transmitiu a Lula a mensagem de que a França se
desinteressava do caso Battisti, colocando-o no mesmo plano que
Marina Petrella, assegurando que o governo francês não reagiria se o
Brasil acolhesse Battisti.

> Do lado italiano, a pressão era forte. O embaixador em Brasília
pediu e obteve seis audiências com o ministro Tarso Genro, e não
baixava guarda ao perceber que a ala esquerda do PT abandonava a
indecisão e começava a a assumir uma posição firme no sentido de
garantir refúgio para Battisti.

> Um argumento era forte em favor de Battisti: a Itália não reagiu
quando a França de Sarkozy perdoou a brigadista Petrella e, por
certo, não iria agir diferente com Battisti, que pertencera a um
grupo pequeno, não envolvido em mortes de personalidades. Esperava-
se uma decisão de Tarso Genro durante as Festas do Natal e Fim de
Ano. Como nada foi anunciado, pensou-se o pior. Foi quando Fred
recebeu um e-mail de Marco Aurélio Garcia, secretario especial da
Presidência para Assuntos Internacionais, informando que o ministro
ia lhe comunicar sua decisão no dia 15 de janeiro, mas a decisão
acabou sendo tomada no dia 13 à noite.

> Quando Fred Vargas soube da boa notícia, do refúgio concedido pelo
ministro Tarso Genro a Battisti, já era madrugada em Paris